Notas Aleatórias

Por Alceu Garcia


Entre as pessoas que admiro e respeito há os que apóiam a candidatura Ciro Gomes como o mal menor e há os que se recusam categoricamente a endossar o ex-governador cearense, ambos os grupos com boas razões para suas posições. De fato, que liberal ou conservador sério pode em sã consciência sustentar um político lançado pelo antigo partido comunista, adepto do ideólogo lunático Mangabeira Unger, além de aliado de caciques arcaicos como Leonel Brizola e Antônio Carlos Magalhães? Por outro lado, é verdade que Ciro talvez seja o menos péssimo dos três principais candidatos, pelo que seria razoável preferi-lo às apocalípticas alternativas postas. Ao menos Ciro ostenta entre seus aparentes gurus um liberal puro sangue, o economista José Alexandre Scheinkman, formado na sólida tradição libertária da Escola de Chicago. Pessoalmente, porém, creio que um único "chicago boy" não é o suficiente para se fazer um verão. Os chilenos tinham muitos economistas liberais dessa linha quando, por um milagre, o general Pinochet decidiu convocá-los para revolucionar a economia chilena. Milagre porque jamais um ditador sul-americano – na verdade qualquer governo sul-americano, ditatorial ou não – adotou políticas econômicas liberais, com exceção dos argentinos do início do século 20 e do brasileiro Castelo Branco.

Duvido que Scheinkman tenha influência sobre Ciro Gomes, caso ele seja eleito. Certamente a imagem de seriedade e excelência do economista está sendo usada para "acalmar o mercado". Puro oportunismo. A verdadeira índole do candidato "trabalhista", que nada tem de liberal, ele a revela quando se prostra ante a tumba do ditador nacional-socialista Getúlio Vargas e atitudes simbólicas do gênero. De resto, mesmo que Ciro quisesse seguir o caminho liberal, a oposição que a imprensa lhe moveria seria tão agressiva que ele provavelmente desistiria. Eis que bastou sua ligação com Scheinkman vir a público para pipocarem comentários e notas caluniosas nas colunas dos arautos do socialismo midiático. Marcio Moreira Alves, o famigerado "marcito", por exemplo, mostrou-se escandalizado com a presença de um "neoliberal" assumido na campanha do ex-governador, ao mesmo tempo em que vertia elogios em cascata pelo destaque dado no programa televisivo do candidato ao arquiteto Oscar Niemeyer, comunista ortodoxo e admirador entusiasta de Josef Stalin. O que se pode esperar de uma sociedade cujos guias morais são charlatões dessa estirpe, bajuladores de bajuladores de genocidas?

Em que pesem as respeitáveis opiniões em contrário, eu não votarei em Ciro Gomes. Para que trocar a patota fabiana de FHC por outra corja similar de traidores e vaselinas, que nada fará além de prosseguir as políticas cataclísmicas dos tucanos e continuar a pôr azeitonas nas empadas do PT? Nada impedirá os petistas de tomarem o poder, se não nesta, na próxima eleição, a menos que se constitua uma resistência efetiva na esfera intelectual, cultural e política. Essa resistência não virá de Ciro e seu grupo.


O filme "Fomos Heróis" (We Were Soldiers), com Mel Gibson, está longe de ombrear com os clássicos do gênero, como Full Metal Jacket, The Thin Red Line, The Big Red One e outros. Carente de densidade dramática e reflexões metafísicas sobre a guerra, é apenas uma história insossa. A parte boa, pelo menos para os apaixonados por História como eu, fica por conta da excelente e fidedigna – salvo pela carga final à baioneta dos americanos, flagrantemente inverossímil – reconstituição da batalha do Vale do Ia Drang, na qual pela primeira vez as melhores unidades de combate dos Estados Unidos e do Vietnam do Norte se confrontaram, em novembro de 1965. Nesse ano os americanos decidiram assumir diretamente a luta até então travada entre os insurgentes comunistas conhecidos como vietcongs e o governo do Vietnam do Sul, uma vez que este último estava sendo batido pelas guerrilhas.

A estratégia americana tinha dois elementos: o bombardeio aéreo do Vietnam do Norte para forçar seus líderes a interromper a ofensiva vietcong no sul, ou, isso não sendo possível, interditar as linhas de comunicação através das quais os nortistas enviavam suprimentos e reforços para o sul; e o emprego de unidades americanas de combate no Vietnam do Sul para derrotar e eliminar as tropas vietcongs, permitindo a sobrevivência do governo não comunista daquele país. O fracasso dos bombardeios aéreos determinou a derrota final dos Estados Unidos. Para evitar provocar a China e a URSS, os aviões americanos eram proibidos de atacar os navios soviéticos e trens chineses que traziam armas e suprimentos para os vietnamitas, os únicos alvos de importância num país primitivo destituído de indústrias vitais. E era impossível obstruir do ar o fluxo de homens e armamentos despachados do norte por uma região montanhosa coberta de selvas impenetráveis. O governo do Vietnam comunista não cedeu e mandou suas melhores unidades para auxiliar os vietcongs no sul.

A estratégia comunista, bem mais eficiente e exequível, já tivera amplo sucesso na guerra contra a França, antiga potência colonial na Indochina. Forçar os americanos a lutar uma guerra de atrito até que eles se cansassem e a opinião pública obrigasse os políticos a retirar as tropas do Vietnam. Para neutralizar a esmagadora superioridade de poder de fogo do inimigo, que dispunha do monopólio do apoio aéreo, da artilharia pesada e blindados, os vietcongs e norte-vietnamitas lutavam com unidades pequenas e móveis, dotadas apenas de armamento leve, ocultas nas florestas e em gigantescos complexos de túneis. Seus ágeis regimentos de mil homens divididos em 3 batalhões evitavam sempre que possível o combate, salvo quando escolhiam o terreno e a ocasião apropriados, procurando entrementes causar o máximo de baixas nas unidades americanas mediante minas, armadilhas e fogo de franco-atiradores ocultos. Contra um adversário tão esquivo, os americanos eram obrigados a despachar patrulhas para encontrar o inimigo em áreas onde se suspeitasse de sua presença, na esperança de obrigá-lo a travar grandes batalhas em campo aberto. Essas patrulhas eram emboscadas e os vietnamitas rompiam contato e desapareciam assim que os reforços americanos chegavam.

Os norte-vietnamitas preferiam oferecer batalha na região montanhosa e coberta de florestas do centro do Vietnam do Sul, área próxima de suas linhas de comunicação e cujo terreno lhes era favorável. Ali um batalhão da 1º Divisão de Cavalaria Aeromóvel dos Estados Unidos, uma unidade de elite treinada especificamente para as condições de combate no Vietnam e baseada no uso extensivo de helicópteros, foi atraído para uma emboscada montada por um regimento norte-vietnamita. Os americanos foram cercados e violentamente atacados durante dois dias na própria zona de pouso, sofrendo pesadas baixas. Só não foram aniquilados graças ao cerrado apoio da artilharia pesada e de bombardeiros aéreos. Isso é reconstituído com grande apuro técnico no filme, que porém termina antes do fim da batalha. Nos dias seguintes, outro batalhão americano da mesma divisão foi atacado na mesma região e uma de suas companhias foi quase completamente destruída.

Os dois lados declararam vitória após o combate, e o filme naturalmente retrata um categórico triunfo americano. De fato, os norte-vietnamitas perderam muito mais homens, mas suas unidades não foram aniquiladas e eles permaneceram senhores do terreno após a batalha e por todo o conflito. Durante anos as melhores tropas dos Estados Unidos enfrentaram os norte-vietnamitas em suas colinas fortificadas e crivada de túneis, tomavam os objetivos após sofrerem centenas de perdas e a seguir voltavam para suas bases em helicópteros. Os norte-vietnamitas então reocupavam o terreno. Cinco anos mais tarde travou-se a última batalha entre americanos e norte-vietnamitas naquela região, com os mesmos resultados inconclusivos do combate no Vale do Ia Drang. Para se ter uma idéia, antes do ataque japonês a Pearl Harbor completar quatro anos, os americanos tinham derrotado simultaneamente a Alemanha e o Japão, potências de primeira ordem. No Vietnam, todavia, cinco anos após sua intervenção ainda estavam lutando nos mesmos vales e montanhas contra o mesmo inimigo. E foi das bases nesses vales e montanhas que o Vietnam do Norte deflagrou a ofensiva final que, sem os americanos, finalmente conquistou o sul em 1975.


Por falar em cinema, está em cartaz mais um filme em que a intelectuária glorifica a bandidagem e condena implicita e explicitamente o capitalismo neoliberal. Confesso que não vi a fita, porém, pelos comentários que li, duvido que a frase acima não seja uma descrição fiel do roteiro. O zumzumzum midiático é intenso, mas só são chamados a opinar os mesmos representantes de sempre da mesma casta intelocrata que produziu o filme. Assim, não é de estranhar que a única crítica tenha sido um suposto excesso de técnica cinematográfica e insuficiência de análise sociológica, eufemismo para propaganda político-partidária do PT.

Os nossos cineastas são uma raça desprezível, cevados nos subsídios e "incentivos fiscais" de leis indecorosas extraídas dos políticos graças a poderosos lobbies. É desesperador ler os abstrusos artigos do infausto Arnaldo Jabor, ideólogo maluco do socialismo tucano e editorialista do Jornal Nacional, isto é, a voz do Roberto Marinho, grende empresário que segundo a teoria marxista clássica deveria ser um intimorato pregador do liberalismo laissez-faire. Adam Smith knew better. Marinho faz qualquer negócio com o poder, seja quem for o poderoso da hora, para preservar seus lucros. A dita burguesia jamais foi capitalista.

Esses cineastas "cabeça" glamourizaram meliantes cruéis e terroristas e guerrilheiros fracassados, promoveram o socialismo, a depravação, a sacanagem e as drogas, ridicularizaram os valores tradicionais, religiosos e morais, tudo com fartas verbas públicas. E depois, claro, culparam o capitalismo neoliberal globalizante pela violência, criminalidade e degradação social resultantes. Eles estão sempre nas passeatas pela paz e pelo desarmamento civil do Viva Rio.


Está perdido quem depende da imprensa brasileira para saber o que está acontecendo no país e no mundo. Atualmente, com as eleições, eu ando sem ânimo para sequer ler as manchetes dos jornais e revistas, muito menos para acompanhar os noticiários televisivos. A desinformação e o wishful thinking dominam tudo. Tentei ver uma entrevista do Lula ao vivo na Globo, mas desisti ao notar que os entrevistadores aparentemente severos e imparciais evitavam formular questões relevantes ao ignaro barbudo, como, por exemplo, sobre as relações do PT com a narcoguerrilha colombiana, a veneração do candidato ao ditador cubano, a real natureza e fins do Fórum de São Paulo, a origem de sua renda e patrimônio tendo em vista que não trabalha há décadas etc.

Em contraste, é com alegria e proveito que acesso todos os dias a minha caixa postal eletrônica para ler análises lúcidas e penetrantes formuladas por dezenas de correspondentes. Nesse underground liberal-conservador da internet estão florescendo verdadeiros analistas preocupados com a informação correta e ainda dotados de talento literário. Muitos deles estão atuando juntos no novo website do filósofo Olavo de Carvalho, o Mídia Sem Máscara. É nos textos desses dissidentes aguerridos e marginais que colho as informações que me mantém consciente do que realmente está se passando ao redor. Quero mencionar especificamente o talentoso Heitor De Paola, cujos rascantes e eruditos artigos de estréia já me conquistaram. Ele escreve bem demais. Recomendo aos interessados que solicitem a inclusão na mail-list do Heitor (depaola@montreal.com.br). Outro que mostrou ao que veio logo no primeiro artigo, publicado no Indivíduo (outro reduto de novos e excelentes escritores) é o advogado Miguel Gustavo Lopes Kfouri, que não teve receio de atacar os liberais por sua, digamos, ingênua, admissão do Estado como guardião dos direitos individuais. O tema é muito complexo e não existem respostas fáceis, mas não se pode fugir do problema levantado pelo articulista. Quem sabe essa rapaziada não está plantando as sementes de uma futura contra-revolução cultural liberal-conservadora? Não custa sonhar...


O socialismo clássico nasceu na mente perturbada de uns poucos intelectuais e eruditos. Logo ativistas desajustados estavam espalhando essas idéias que conquistaram a lumpenintelligentsia, foram notadas pelos políticos e adotadas progressivamente pelos legisladores e burocratas. O caldo de cultura que ferveu no século 20 com o nazismo e o comunismo já estava no fogo há décadas. Foram poucos que perceberam o processo no nascedouro e previram sua trajetória inevitável. O filósofo inglês Herbert Spencer foi um desses poucos. Em seus últimos livros ele vislumbrou claramente a ascensão do socialismo e o caminho castrófico para o qual o coletivismo apontava. Suas advertências de uma lucidez brutal foram devidamente ignoradas para azar da humanidade. O resto da história nós já sabemos, e os mocinhos morreram no final. Mais de 150 milhões deles.

O ecologismo é a versão atualizada e ainda mais pervertida do funesto coletivismo do século passado. Mais pervertida porque no socialismo ortodoxo ao menos em tese o bem-estar do homem era o fim supremo; no ecologismo, porém, o homem é equiparado aos animais e às coisas, o que é o mesmo que rebaixar a humanidade ao mesmo patamar ético de uma casa de marimbondos. A meta final da pseudoética ambientalista é o bem-estar da natureza, da coisa-em-si. Eu travei uma longa polêmica com um chatíssimo ecologista gaúcho certa vez e ele admitiu franca e textualmente que a vida humana vale na sua ótica tanto quanto a de um besouro, ou seja não vale nada. A mesma "filosofia" é martelada na cabeça das novas gerações por figuras sinistras como Leonardo Boff e retransmitida e inoculada nas crianças pelo aparato educacional, totalmente controlado pela esquerda.

Quem acha exagero que o faça por sua conta e risco. Na recente conferência da ONU sobre o meio-ambiente na África do Sul os futuros socialistas genocidas discutiram abertamente seus projetos e meios para implementá-los. Naturalmente disfarçado sob eufemismos como "desenvolvimento sustentável", que nada fica a dever à "solução final" dos nazistas. Tudo o que se planejou naquele aparentemente exótico e inofensivo convescote vai afetar grave e negativamente a nossa vida no futuro próximo. Toda essa onda em torno de aquecimento global, carência de água e outras patranhas apresentadas pela mídia como ameaças concretas e iminentes não passam de tramas mentirosos destinadas a alarmar a opinião pública e persuadi-la a outorgar cada vez mais poder e dinheiro para o globalismo ambientalista. Na edição de hoje do Lewrockwell.com (www.lewrockwell.com), um site libertário americano, há um arrepiante artigo de Steven Yates que disseca em profundidade as tramóias dos ecologistas patrocinadas com o dinheiro dos contribuintes dos países ricos, sobretudo. É leitura para quem tem os nervos fortes. O que eles querem é um "Global Deal" caracterizado pela "erradicação das pobreza mediante acesso equânime e sustentável aos recursos", "assegurar direitos sociais e ambientais a todos", "limitar o uso de recursos em um nível sustentável" e "repensar os valores e princípios que guima os valores humanos". Para começar a implementar esse global deal, os ecologistas exigem o controle do movimento de capitais e a sua tributação (a surrada "taxa tobin") como meio de promover o desenvolvimento sustentável, bem como impor normas globais pelo critério de desenvolvimento sustentável para investimentos e empreendimentos comerciais públicos e privados. É claro que, para os ambientalistas, "a idéia de que o acesso aos mercados por si mesmo pode erradicar a pobreza das regiões subdesenvolvidas é um erro."

Em outras palavras, o que se propõe é um planejamento socialista global à soviética, nada mais, nada menos. E se os comunistas, com seus altos ideais humanistas ostensivos, foram capazes das atrocidades que perpetraram, o que farão ativistas que valoram a vida humana tanto quanto a de um mosquito? Nem é bom pensar. Do jeito que as coisas vão, com a ofensiva ideológica ambientalista ganhando terreno dia a dia sem encontrar a mínima resistência, não vejo a menor possibilidade de reverter essa tendência. Como Spencer, quem gastar neurônios e tinta para se opor ao socialismo verde estará apenas registrando um protesto para a reflexão das gerações futuras. Como Winston, o personagem de Orwell, "escrevo para os homens do passado e do futuro, onde não existir polícia ambiental (ou polícia do pensamento, que é –ou será - a mesma coisa)".


Banqueiros, empresários e políticos melífluos estão puxando o saco do Lula até doer. Acham que podem controlá-lo, domesticá-lo. Quanta ingenuidade. Lula é um títere de intelectuais socialistas de carreira, a classe mais cruel e impiedosa de todos os tempos. Ninguém pode com eles. As mesmas ilusões tiveram os conservadores e caciques políticos alemães com Hitler, que se fez de morto e inofensivo para agradar a todo mundo até tomar o poder democraticamente. Depois, bem, seja o que Deus quiser. Que espetáculo deprimente ver Sarney, o sátrapa do Maranhão, apoiando o PT. O marimbondo de fogo quer se vingar do grupo de FHC pela humilhação que sua filha sofreu. Pensa que pode manipular Lula, que seu sultanato maranhense é eterno. Odos os caciques regionais têm o horizonte curto e visão mesquinha. Mas o PT pensa longe, seu projeto é de longo prazo, tem visão estratégica e persegue suas metas com dedicação inflexível e, até aqui, sucesso total. No momento oportuno o coronel maranhense e sua dinastia terão que escolher entre o paredón e a balsa para Miami, isso se tiverem sorte.


Nos recentes embates que travei com um erudito guia intelectual da direita nacional-socialista constatei e enunciei a obviedade de que essa corrente é aliada natural do nacional-socialismo de esquerda do PT. Logo, não me causou espécie ler no texto de um dedicado ativista eletrônico dessa direita coisas como "fui para o PT por falta de uma opção nacionalista, e o único partido que diz ser declaradamente contra o sistema é o PT. Como disse o Sarney (que foi um presidente muito melhor do que o FHC), Lula é a melhor solução". O indigitado direitista deixa claro que, no seu pensar, "A solução é a ruptura com o Sistema Internacional que sangra nosso trabalho e nossas riquezas naturais. Precisamos de coragem, de vontade de potência, de sangue, de um partido político que governe o Brasil para os Brasileiros. Um partido político com escola de política e de formação de uma nova safra de militares corajosos e nacionalistas. Se o Partido do Trabalhadores não é isto. É isto que procuro. Talvez, no futuro, ele evolua para o Partido dos Trabalhadores Brasileiros. Uma coisa te garanto, a democracia interna do PT que propicia flexibilização e adaptação." Dizer o quê? com uma direita dessas, não há futuro para o país.


Alceu Garcia - Rio de Janeiro

Agosto/2002


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