ALVARO VELLOSO DE CARVALHO

No. 1 - 17/03/00

Depois de vários meses sumido deste site, senti que era hora de voltar fazendo coisas um pouco diferentes do que fazia antes. É por isso que começo esta nova coluna, a partir de hoje.

Na verdade, esta coluna não vem substituir a velha "Fótons". A idéia daquela coluna é falar de forma um pouco mais longa e detalhada sobre os mais diversos assuntos - da política do dia a questões teológicas; e assim tem sido nos mais de dois anos de sua existência. Não pretendo parar de fazer isso, embora pretenda fazê-lo com menos freqüência e só quanto realmente acreditar que tenho algo que valha a pena para falar.

Esta coluna, que vou nomear simplesmente com meu próprio nome, será muito mais uma coluna informativa do que uma coluna de críticas, e terá periodicidade semanal. Toda sexta feira estarei aqui, trazendo as notícias que julgar relevantes e fazendo comentários breves, ou um pouco mais demorados - mas não muito. Textos mais profundos, ficam para a outra coluna, aperiódica.

Na verdade, quando parei de fazer a "idiotice da semana", comecei a sentir falta de escrever alguma coisa semanalmente, embora não quisesse mais fazer algo naquele estilo, por várias razões que não cabe discutir aqui. Esta coluna é a resposta a esta inquietação, e também a resposta a todos aqueles que me perguntavam se eu não voltaria a escrever.

Dividi-a em várias seções, algumas permanentes, outras flutuantes. Não pretendo introduzi-las: elas falarão por si. Mas que fique claro que os diversos títulos são títulos de seções, e não títulos das notas.

Outro problema foi o tamanho - fiquei preocupado em que, talvez, a coluna estivesse longa demais. Só que eu, ao contrário da imprensa em geral, acredito na existência do leitor e acho que a extensão da coluna não será empecilho.

Espero contar, ainda, com a colaboração dos leitores - tanto com comentários quanto com sugestões, como contava na época das "idiotices". Minhas saudações a todos, e... mãos à obra!

 

POLITICAGENS

Com a realização das principais primárias, esquenta a corrida presidencial americana. O assunto, claro, interessa ao mundo inteiro porque o que acontece nos Estados Unidos acaba nos afetando a todos. Não há exemplo melhor do que a óbvia "inspiração" dada por Bill Clinton à campanha brasileira de controle de armas.

Pois bem: o candidato republicano conservador (e também menos votado), o negro católico Alan Keyes, declarou recentemente que George W. Bush (candidato republicano moderado; vencedor da maioria das primárias) não conseguirá vencer o candidato democrata ultra-esquerdista Al Gore (um Bill Clinton piorado).

Acho que Keyes tem razão, e seus argumentos são praticamente irrefutáveis: enquanto Gore está absolutamente convicto de suas próprias idéias, por mais malucas que elas sejam (e elas o são: vide exemplos neste artigo de Berit Kjos), Bush parece amoldar seu discurso à audiência; parece oco. Com isso, enquanto Gore certamente despertará o furor democrata, Bush não conseguirá empolgar os republicanos, nem os sem partido. Ele simplesmente não tem nem o carisma, nem a liderança, nem a convicção de Ronald Reagan, o último grande líder republicano.

Keyes, claro, era o homem com as melhores propostas e as melhores idéias - e exatamente por isso não tinha nenhuma chance.

O único jornalista brasileiro que trata desses temas, Caio Blinder, colunista de O Globo, também crê que Gore será o vencedor. Blinder não é autor que se cite, e nada mais faz, em geral, do que repetir os lugares-comuns da grande mídia americana (como no seu elogio ao inacreditável John McCain), mas, dessa vez, acho que ele acertou.

Ademais, como mostrou Joseph Farah em artigo recente, Gore praticamente foi criado para ser presidente dos Estados Unidos. Está comprometido demais com a Nova Ordem Mundial para acabar dando com os burros n'água.

 

SÉTIMA ARTE

O filme Finding Graceland, do desconhecido David Winkler, pode parecer banal, a uma primeira vista; afinal, conta a história de um rapaz cuja esposa morreu num acidente de carro em que ele estava dirigindo que encontra um maluco que diz ser Elvis Presley (brilhantemente interpretado por Harvey Keitel).

Mas que a história aparentemente bobinha não afaste ninguém do filme. O diretor pega uma das babaquices mais características da sociedade americana - a adoração a Elvis Presley - para fazer uma bela fábula sobre traumas e como superá-los.

O trauma, como definido por um grande psiquiatra, é algo que faz o tempo parar para o psiquismo de determinada pessoa. É como se ela vivesse o tempo todo apenas aquele acontecimento que a fez sofrer - como o rapaz do filme faz com a morte da esposa. Na cena emocionante em que o pseudo-Elvis faz o rapaz encarar seu trauma de frente, se resume a mensagem essencial de um filme urgente para as cada vez mais traumatizadas platéias contemporâneas: o sofrimento do passado é uma oportunidade de aprendizado e de crescimento como ser humano e, como tal, deve ser compreendido e integrado na sua vida. Mas sua vida deve continuar. De nada adianta continuar sentido pena de si mesmo e perdendo a coragem de viver.

Nesses tempos de exigências de reparações por supostos crimes "coletivos" que foram cometidos há séculos, de pedidos de perdão por supostos pecados alheios (v. seção Ortodoxia), de sucessivos alimentos a ódios e ressentimos antigos que já deviam ter sido superados; nesses tempos em que as pessoas têm tanta dificuldade em lidar com o sofrimento que pedem ao Estado que as livrem dele, o filme tem efeito quase terapêutico. Daí sua quase insuspeitada beleza.

 

PAPEL IMPRESSO

Um editorial do jornal O Globo desta semana até que se mostrou bastante razoável ao comentar o resultado das últimas eleições da Espanha: o que realmente conta, nas eleições, é muito menos a ideologia do que a eficiência mostrada pelo Governo. Faltou dizer que, na União Européia, o papel dos governantes dos países é quase o de meros marionetes - todas as decisões importantes são tomadas pela UE, e praticamente impostas aos países, e que exatamente por isso, seja direita, seja esquerda, o governo acabará fazendo as mesmas coisas. É o tal "avanço da democracia".

Mas, se no editorial, O Globo foi razoável, na seção internacional deste e de todos os outros grandes jornais brasileiros, a história é outra. Nessa seção, todas as vitórias eleitorais da esquerda (como no Chile), são celebrados como o triunfo das luzes sobre o obscurantismo; e todas as vitórias da direita (como na Espanha) parecem ser a "segunda vinda" de Adolf Hitler.

Também em O Globo, o jornalista Carlos Alberto Di Franco publicou um artigo com dois detalhes interessantes. O primeiro deles, uma observação discreta que ele não chega a desenvolver: segundo Di Franco, a pauta da imprensa não é determinada pela própria imprensa, mas pelos políticos. Só que Di Franco deixa as coisas pela metade: afinal, que políticos são esses? Certamente não se trata dos políticos do PFL, que a imprensa odeia. Será, então, o PT? Será o famoso sistema de informações do PT, esse que está por trás de tantos grampos, tantas falsas denúncias, tantas campanhas moralistas encampadas pela imprensa? Ficamos sem saber.

O outro detalhe não é bem um detalhe, e sim o assunto principal do artigo. Di Franco quer que, para que o cidadão possa votar bem, a imprensa investigue cada um dos candidatos, e depois faça um dossiê com os resultados. Eu proponho inverter a sugestão: por que não investigamos a própria imprensa? Por que não investigamos suas ligações com partidos políticos (ligações sugeridas pelo próprio Di Franco!), seus "desvios éticos" (para usar a expressão que jornalistas usam para falar de políticos), suas distorções e ocultações propositais?

A imprensa, no Brasil, virou uma instância suprema de julgamento, que julga a todos e não é julgada por ninguém. Virou a monopolizadora da ética, a reserva moral da nação, sem que ninguém se lembre de perguntar quais são suas credenciais para fazer isso. E por isso ninguém acha estranha a proposta de Di Franco, que resultaria em aumentar de forma desmesurada um poder que já é desmesurado. Aliás, no Brasil de hoje, é o único poder que conta.

 

NA REDE

Um dos problemas que enfrenta quem resolve investir na internet é a dificuldade de retorno financeiro imediato. Embora já tenha criado vários milionários, a rede ainda não oferece receitas prontas para quem quer ganhar dinheiro.

O Washington Post tem praticamente o monopólio do jornal impresso em Washington. Seu site na internet é um dos mais sofisticados e bem informados sites de notícias que existem, mas está dando à companhia um prejuízo na casa de 100 milhões de dólares. A reportagem do WorldNetDaily revelando isso pode ajudar a explicar por que os sites de jornais brasileiros são tão ruins: ninguém aqui parece disposto a rasgar dinheiro.

O relato das atrocidades russas na Chechênia, feito pelo excelente jornal inglês The Observer e "linkado" aqui no Indivíduo, mostra a que ponto de barbárie podem chegar as atrocidades dos governantes modernos, e mostra a hipocrisia das instituições que estão sempre falando em paz mundial e não movem nem um dedo para protestar contra as ações do exército do "democrata" Putin. Vale a pena citar um trecho da reportagem, que é extraordinária:

"Rumissa Medhidova tem 27 anos, mas seu rosto está tão doente de tristeza e horror que ela parece 30 anos mais velha. Ela se tornou viúva em 4 de fevereiro. 'Todos os russos deixaram o vilarejo [de Katyr Yurt] e por volta das 10 horas eles começaram a bombardear. Eles usaram tudo. No centro do vilarejo, nenhuma casa foi deixada de pé. Numa família havia três crianças em volta de sua mãe morta. Elas tiveram suas pernas baleadas por Kalashnikovs. Às quatro e meia, eles disseram: 'Nós lhes daremos duas horas'. Eles mandaram ônibus com bandeiras brancas.'
As pessoas correram por todos os lugares tentando achar lençóis brancos ou qualquer coisa branca para marcar seus carros. (...)
O comboio partiu, cada carro exibindo uma bandeira branca, alguns carros mostrando duas ou três, juntando, em sua maioria, mulheres e crianças - os homens ficaram para trás, para deixar mais espaço para crianças, disse Rumissa. O comboio se dirigia para o oeste em direção à cidade de Achoi Martan e à segurança. 'Quando estávamos na estrada aberta, eles lançaram foguetes contra nós. Era um foguete grande, não tão grande quanto um carro. Foi estranho. Ele não explodiu uma vez, explodiu várias vezes. Cada carro tinha bandeiras, quantos carros eu não sei. Eram muitos. Eles nos acertaram sem parar.' "

Não que esse tipo de barbárie possa ser muito surpreendente num mundo em que, com a maior cara de pau, uma médica chinesa confessa comer fetos. E não é só ela: o Telegraph descobriu toda uma rede de venda de fetos para serem comidos na China. Um feto, em clínicas de aborto chinesas, custa entre £1 e £1.75, enquanto uma placenta (e mulheres grávidas são encorajadas a tomar a própria placenta na China) custa entre £2,50 e £3,00. Tudo isso parece piada, mas infelizmente é bem sério.

Quando um repórter pediu a uma médica de uma dessas clínicas alguns fetos, obteve como resposta: "Há dez fetos aqui, todos abortados esta manhã. Você pode levá-los. Somos um hospital estatal e não cobramos. Normalmente nós, médicos, os levamos para casa e os comemos - tudo de graça. Como você não parece estar bem, pode levá-los."

Outra médica, Zou Qin, disse que os fetos são "nutritivos" e disse que, se eles não fosse comidos, seriam "desperdiçados". E uma outra disse que "eles [os fetos] podem deixar sua pele mais macia, seu corpo mais forte e são bons para os rins". Comunistas comendo criancinhas, literalmente.

Sobre a possível guerra entre a China e Taiwan, e a possível interferência dos Estados Unidos, comentário de Frank Gaffney, analista de segurança americano, citado na newsletter The Federalist (em boa parte, fonte de inspiração para esta coluna):

"Pelos próximos dez meses, a Casa Branca será ocupada por um homem que aceitou contribuições de campanha de agentes de influência chineses; um homem que formalmente endossou a linha de Beijing a respeito de sua soberania sobre 22 milhões de taiwaneses. O prospecto alarmante é que o Governo chinês calcula que é bem mais possível cometer assassinado - ou, mais precisamente, "estatocídio" - impunemente durante o governo Clinton do que no de qualquer um de seus possíveis sucessores. Até Gore pode vir a ser menos confiável, do ponto de vista de Beijing, do que o homem a que ele atualmente serve. Portanto, parece que entramos num período particularmente perigoso, quando um ataque chinês a Taiwan parece uma clara possibilidade, se não já uma probabilidade."

 

OS IDIOTAS

"(...)nos tempos atuais, a tirania do dinheiro e do consumo está na base de um desarranjo da sociedade regida pelo mercado" - Carlos Alberto Rabaça e Gustavo Barbosa. Um bolinho para quem conseguir criar uma frase com mais lugares-comuns sem sentido.

"Quando nossa elite deixará de ser branca e masculina, para dar lugar às maiorias - negras, mulatas, mulheres? Quando deixaremos de ser um território (ou um 'mercado emergente em crise') para ser uma nação? Quando conjugaremos o 'nós' como sociedade e não apenas quando joga a seleção? Quando contaremos as horas não para os 500 anos, mas para os 160 milhões de cidadãos?" - Emir Sader, tentando copiar o estilo frei Betto de escrever. Você chega lá, Emir, você chega lá!

"Toda evangelização viola de alguma forma a pessoa humana. Evangelizar, ou catequizar, é querer impor sua verdade ao outro." - Roberto Pompeu de Toledo, o jornalista mais profundo do Brasil.

"João Moreira Salles procedeu como papel-carbono escolástico, desejoso de recuperar a experiência pelas lentes simbólicas do vivente e receoso de impor seus esquemas de apreensão." - Sérgio Miceli. I beg your pardon?

"Quando você passa seu tempo na internet, você não ouve uma voz humana e nunca recebe um abraço." - Norman Nie, cientista político da Stanford University. Sensível, o rapaz.

"Nós acreditamos fervorosamente que, assim como o pescoço da girafa, o estupro é derivado da seleção natural descrita por Darwin. O estupro surge da evoluída maquinaria masculina para obter múltiplas companheiras num ambiente em que as fêmeas escolhem seus parceiros. Se os homens buscassem parceiras apenas para relacionamentos sérios, e se as mulheres não discriminassem entre seus parceiros potenciais, não haveria estupro." - Craig Palmer e Randy Thornhill, "psicólogos evolucionistas". Aparentemente, esses psicólogos não gostam muito da idéia de ouvir um "não".

 

ORTODOXIA

Claro que o assunto religioso mais discutido na semana foi o pedido de desculpas do papa João Paulo II pelo que ele chamou de "pecados da Igreja", ou de "momentos em que a Igreja se distanciou da doutrina cristã e infringiu a dignidade humana".

Porca miséria, acho que nem o papista mais fanático pode achar que o papa agiu bem. Muitos apontaram os absurdos mais óbvios: é absurdo pedir perdão por supostos pecados alheios, com os quais você nada tem a ver; é absurdo dizer que as cruzadas foram um "pecado católico", como se os muçulmanos fossem inocentes na história; é absurdo pedir desculpas pela muito branda inquisição européia, quando a inquisição cruel foi a espanhola, que prosseguiu a despeito de pedidos do papa para que parasse (v. o livro de Henry Kamen, The spanish inquisition).

Mas de todos esses observadores (dos quais, afinal, nenhum é católico; a mesma coisa não pode ser dita de Joseph Sobran e de Tom Bethell, citado por Jude Wanniski) escapou o aspecto mais importante da história: esse ato é o mais significativo da verdadeira ruptura que o Concílio Vaticano II fez com a Igreja de sempre. A Igreja, a partir do Vaticano II, e sob o comando dos últimos três papas (sem contar João Paulo I), passou a ser uma outra instituição totalmente diferente daquela que o mundo conhecia até então, ao ponto de, como diz o cardeal Ratzinger, tornar proibido o que antes considerava sagrado. Veio outra missa, outro tipo de arquitetura das igrejas, outro código de direito canônico, outro discurso. Aos poucos, tudo o que havia de católico foi sendo extirpado, seja em nome do ecumenismo, ou da democracia, ou do ajuste aos novos tempos.

Esse pedido de perdão de João Paulo II vem agravar essa cisão; vem aprofundar o rompimento da Igreja com seu passado. Não é de surpreender que cada vez menos pessoas acreditem nela. (Leia mais a respeito no desabafo de Romano José publicado aqui em O Indivíduo)

O aspecto irônico é que, por mais que a Igreja ceda no seu intuito de agradar a gregos e a troianos, no fim das contas, nem gregos nem troianos se dão por satisfeitos, e querem cada vez mais concessões. Vários rabinos (liberais, claro; os rabinos ortodoxos nunca se metem nessas coisas, e nem são considerados judeus pela ala esquerdista-sionista) já foram a público reclamar de que o papa não foi "suficientemente enfático", ou não condenou diretamente Pio XII, ou não mencionou expressamente o holocausto. E vão reclamar cada vez mais, e, pelo andar da carruagem, acabarão sendo atendidos...

 

ARTIGO DA SEMANA

O artigo que escolhi para destacar, nesta semana, não é propriamente um artigo, mas uma entrevista. Confesso que fui visitar o site do Jornal do Brasil procurando material para a seção "idiotas". Acabei lendo uma surpreendente entrevista de um filósofo chamado Jean François Mattei. Nunca li nenhum livro do sr. Mattei, e nunca nem havia ouvido falar dele; não posso, portanto, recomendar sua obra, e nem tudo o que ele fala na entrevista é maravilhoso. Mas algumas de suas frases na entrevista concedida ao caderno Idéias soam tão deslocadas no contexto acadêmico brasileiro, que imagino que suas palestras nesse meio serão como sermões num bordel. Exemplos abaixo.

"- A violência está se tornando a norma do mundo atual?
- Existem duas formas de violência moderna. A urbana, nos grandes centros como Paris, Nova Iorque, São Paulo e Rio de Janeiro. Nas suas periferias, as estruturas sociais, familiares e físicas implodiram. A sociedade dos grandes espaços tornou-se criminógena, uma fábrica o crime. E temos ainda a violência suave, disfarçada, fruto da censura ao direito de opinião, tanto por governos totalitários quanto pelo que se convencionou chamar de "politicamente correto".
- Por que, depois de tantos esforços civilizatórios, a barbárie estaria aumentando em vez de diminuir?
- O homem tem uma unidade mas é, ao mesmo tempo, duplo. Sua energia pode tanto elevá-lo, como jogá-lo na violência. A barbárie interior é o desenvolvimento patológico desse sujeito egoísta, voltado para si, que se separou das tradições históricas e religiosas, culturais, familiares e sociais. O homem afastou-se de tudo isso para surgir como um ser extremamente individualista.
- Seria a falência do modelo humanista?
- A modernidade explodiu as estruturas e o homem acabou sozinho. Paradoxalmente, temos meios de comunicação muito desenvolvidos, como a Internet, mas o homem volta-se cada vez mais para si. Os internautas estão solitários à frente do vídeo, falando virtualmente com outros. Mas não é uma comunicação verdadeira, porque não se encontram. É algo cada vez mais imediatista e longínquo. "