ALVARO
VELLOSO DE CARVALHO
No. 2 - 24/03/00
O assunto da semana no Rio de Janeiro foi a demissão do subsecretário de segurança Luís Eduardo Soares. Como comentei inúmeras vezes em "O Indivíduo", a "política de segurança" de Soares tinha como objetivo, em primeiro lugar, paralizar a polícia, fazendo-a perder-se em inúmeras investigações internas, com uns policiais acusando os outros, e, em segundo lugar, implantar programas absurdos provenientes da ONU, que aumentariam absurdamente os crimes.
Soares propunha dar anistia a todos os presos que manifestassem "desejo de se redimir", propunha proibir o porte de armas dos cidadãos "do asfalto" e, ao mesmo tempo, armar os habitantes dos morros "para que pudessem se defender dos traficantes", entre outras sandices. Sua demissão é ótima notícia, mas vamos esperar para ver o que Garotinho fará daqui para a frente.
A choradeira na imprensa já começou. Uma leitora, por exemplo, mandou uma carta para um jornal carioca dizendo que ele era o único homem capaz de reformar a polícia porque "não era policial", esquecendo-se de explicar a razão para esse preconceito anti-policial. Até mesmo os débeis mentais autores de uma coluna diária de fofocas reclamaram de que "foi demitido o único responsável por dar uma cara à política de segurança".
Mas os policiais estão comemorando a saída daquele que todos, com razão, viam como promotor da ineficiência. Os bandidos é que não devem estar gostando muito.
SÉTIMA ARTE
No mundo do cinema, esta semana, só se fala nos Oscars, e também eu vou meter minha colher no assunto.
Antes que os mais esnobes torçam o nariz, é preciso lembrar que, se não é um grande indicador de quais foram os filmes de qualidade feitos no ano, a lista de indicados para o Oscar ao menos fornece um bom panorama da mentalidade média do cinema contemporâneo e, conseqüentemente, da cultura contemporânea.
Se a lista do ano passado tinha filmes excelentes, a deste ano prima pela estupidez e pela baixa qualidade. Dos cinco filmes indicados, apenas The insider tem qualidades cinematográficas mínimas, e os méritos são do diretor Michael Mann e de seus dois atores principais (Al Pacino e Russel Crowe), que conseguem manter a atenção em quase três horas de imagens extraordinárias.
O problema do filme é que a história, além de banal, é cínica. Banal porque criticar a indústria de fumo hoje em dia é chutar cachorro morto: nenhuma outra indústria sofre tantas campanhas negativas e taxações tão pesadas, por parte não só do governo americano como de qualquer outro governo. Cínica porque dá a entender que se tratava de um jornalista idealista lutando contra todo o establishment - mas como pode estar lutando contra o establishment um sujeito que acaba tendo a seu lado o New York Times e o Wall Street Journal? Não: a briga era dentro do establishment, e a injustiça cometida por uma grande empresa de jornalismo foi corrigida através de outras grandes empresas.
O que ninguém nunca vai fazer é transformar em filme os inúmeros casos de discriminações a jornalistas conservadores, de matérias omitidas porque não interessavam à mentalidade esquerdista predominante na imprensa americana, como as inúmeras estatísticas sobre porte de armas e as evidências dos absurdos do aborto legalizado. Dou meu braço a torcer quando alguém em Hollywood fizer um filme com tantas estrelas e tanto dinheiro sobre as omissões da grande imprensa no caso Clinton - por exemplo, as evidências sobre o assassinato de Vince Foster e sobre o sangue contaminado mandado para o Canadá por uma empresa de um amigo de Clinton; ou sobre as distorções e mentiras do próprio 60 minutes.
Dentro desse contexto, não deixa de ser ridículo um filme fazer tanto escarcéu por causa de uma matéria de um jornalista de esquerda que foi ao ar picotada. Ridículo e cínico.
Ridículo é o mínimo que se pode dizer de The sixth sense, exploração altamente lucrativa de crendices populares. O mais engraçado é que, numa época que se acha tão "esclarecida", todo mundo se emocione com a história kardecista do garoto que vê e conversa com almas ambulantes que não sabem que morreram. Não deixa de ser divertido que o garoto busque inutilmente conforto nos santos que rouba da igreja; em outros tempos, isso seria anti-catolicismo do brabo, mas fato é que, realmente, hoje em dia a Igreja não dá mais consolo e esclarecimento para ninguém mesmo. Daí, inclusive, a onda de espiritismo e pseudo-misticismo que assola o mundo, e que tem um de seus principais centros aqui no Brasil.
Já The Cider House rules não tem nada de engraçado: é um filme descaradamente abortista e, o que é pior, feito com muito talento e brilhantemente atuado. Se o ponto culminante da história fosse qualquer outro, seria um grande filme; mas não se pode separar uma obra de arte de suas implicações morais e culturais. Qualquer obra de arte feita para embelezar o feio e tornar bom o mau deve ser encarada como a paródia satânica que realmente é.
O filme acompanha a passagem da adolescência para a idade adulta de um garoto, e o encontro do sentido de sua vida. O momento exato dessa passagem, que coincide com o encontro com o sentido, é o momento em que ele resolve fazer um aborto na menina que fora estuprada pelo pai. É a partir daí que ele resolve ser, como seu mestre, um ginecologista abortista. O símbolo dessa passagem é a cena em que ele rasga as regras da casa onde trabalhava, mostrando que as regras foram feitas por quem "não conhece" a vida, e que a vida adulta precisa fazer suas próprias regras.
Esse é o choque para o garoto que, em discussões com o mestre que cuidou dele no orfanato e lhe ensinou tudo o que sabia, dizia que não fazia abortos para não descumprir a lei - isto é, as regras humanas. Só que a proibição do aborto não é uma simples questão de regras humanas; é uma derivação direta da sacralidade da vida humana, sacralidade que está inscrita na natureza das coisas e que independe de determinações humanas.
American beauty também enfoca vidas em busca de sentido, tanto de adolescentes quanto de adultos, e tem momentos muito divertidos. Só que acaba fazendo apologia da maconha, do homossexualismo, da pedofilia, do adultério e da maluquice. Nessa linha de crítica ao vazio existencial americano, o filme de Ang Lee, The ice storm, é muito mais profundo, muito mais sério e muito mais inteligente. Justamente aquilo que o filme de Sam Mendes aponta como solução para a falta de sentido Lee mostra estar na origem do vazio e do absurdo - o niilismo, o desregramento, a perda dos laços familiares e sociais. É a diferença entre uma abordagem infantil e uma abordagem adulta.
Mas a verdade é que todos esses filmes são fichinha perto da verdadeira aula de satanismo que é The green mile. Aliás, este e todos os outros filmes baseados em obras do ocultista pop Stephen King.
The green mile é centrado num negro enorme que tem poderes curativos. Segundo diz o personagem de Tom Hanks, ele tem "um dom de Deus" - ou seja, é um santo (e assim é mostrado pelo filme em suas intermináveis três horas). Só que o santo é a própria inversão caricatural (e, vale dizer, sem medo de parecer medieval, demoníaca) de um santo de verdade: não entende patavina do que lhe acontece, é uma besta total incapaz de articular uma frase, usa seus "dons de Deus" para matar um inimigo e desgraçar outro, e está louco para morrer logo, por não agüentar o sofrimento que seus "dons" lhe causam.
Qualquer pessoa minimante versada em qualquer tradição religiosa vai reconhecer aí todos os sinais da inversão, e não se deixará enganar nem por um segundo pelo filme - e muito menos se comoverá com o dilema de Hanks, que se sente culpado por algo de que não tem culpa nenhuma. Mas, para platéias cada vez mais ignorantes e toscas, essa bobajada passa por "elemento sobrenatural" - aliás, isso e vampiros, fantasmas, múmias, monstros subterrâneos. Essa é a noção de sobrenatural vendida pela cultura contemporânea e um número crescente de otários está pronto para engoli-la, sem saber que estão trocando o sobrenatural pelo infranatural - e se achando muito inteligentes por isso.
POLITICAGENS
Muita choradeira por causa da questão do nepotismo na Câmara dos Deputados. Alguém queria estabelecer um limite de cinco ou seis parentes que cada deputado poderia nomear para trabalhar com ele, e a "opinião pública" achou um absurdo.
Confesso que esse é o tipo de questão completamente acima do meu entendimento. Afinal, se o deputado tem de nomear assessores (secretária, motorista, assessor de imprensa, sei lá mais o quê), qual o grande problema de nomear parentes seus? Que grande palhaçada, que grande hipocrisia é essa que quer proibi-los de nomear parentes - em geral, as pessoas em quem os deputados mais terão confiança?
O choro da "opinião pública" não faz o menor sentido, e é um grave indicador de que os brasileiros estão acostumados a reclamar de coisas idiotas, sem importância, enquanto deixam as grandes questões - as questões que envolvem sua liberdade - sem nenhuma discussão.
Comparemos, por exemplo, esse choro a respeito do "nepotismo" com a principal reclamação dos americanos nessa semana.
Nos Estados Unidos, a choradeira foi contra o novo censo, que, além de simplesmente contar quantas pessoas há em cada casa para garantir a representação proporcional no Congresso (função designada para o censo na Constituição americana), este ano resolveu, entre outras coisas, perguntar aos cidadãos sua cor, seus rendimentos e o caminho que fazem para ir para o trabalho. O objetivo é garantir a "distribuição de renda" e a "proporcionalidade racial" na representação no Congresso.
Mas, perguntam vários, quem disse que cabe ao governo garantir a distribuição de renda? Quem disse que a representação no Congresso deve seguir um padrão racial? E, mais ainda, quem disse que o governo tem o direito de saber todos esses dados sobre os cidadãos?
Dá para perceber a diferença de gravidade entre as duas reclamações? No Brasil, perdemos nosso tempo com acusações invejosas e rancorosas contra a contratação de parentes por deputados; nos Estados Unidos, uma medida que pode influir diretamente na liberdade econômica e na privacidade dos cidadãos é que causa irritação (vejam, por exemplo, o extraordinário artigo de Patricia Neal).
E enquanto reclamamos de besteiras, o nosso censo já é usado como instrumento de "justiça social" há anos, e o Governo vem tomando, uma a uma, nossas liberdades e quebrando nossa privacidade, sem que a ninguém nunca tenha ocorrido fazer uma pequena reclamação que fosse.
![]()
No meio dessa estupidez enervante que é a política brasileira, ao menos uma notícia é boa: a de que os estados serão livres para determinar seu próprio salário mínimo, independentemente do governo central. Talvez essa medida signifique um começo de penetração da idéia de federalismo, num país em que a autonomia dos estados é quase nula e em que o federalismo é termo sem sentido. Claro que melhor notícia ainda seria a da extinção do salário mínimo, mas isso é outro assunto...
NA REDE
Um artigo de William Bryk desta semana lembra o grande Hillaire Belloc. Belloc foi, junto com Chesterton, o responsável pela renascença católica na Inglaterra. Infelizmente, nenhum dos dois teve sucessores à altura (os candidatos são patéticos; um dia volto a esse assunto).
Dois momentos memoráveis no artigo. Num deles, Bryk conta que Belloc foi candidato do Partido Liberal ao Parlamento, numa cidade em que a maioria dos eleitores era metodista, razão pela qual seu conselheiro de campanha lhe pediu que evitasse falar de religião. No primeiro comício, Belloc se levantou e disse: "Senhores, eu sou Católico. Na medida do possível, eu vou à missa todos os dias. Isto [tirando do bolso] é um rosário. Na medida do possível, eu me ajoelho e rezo estas contas todos os dias. Se vocês me rejeitarem por causa da minha religião, eu agradecerei a Deus por ter me poupado da indignidade de ser seu representante!"
No outro, Bryk conta que Belloc acreditava que uma Missa Baixa deveria durar no máximo dez minutos e costumava murmurar na Igreja: "oh, o que temos de suportar por causa de nossa sagrada religião"; quando o padre era lento demais, ele se levantava, tirava um relógio do bolso e ficava olhando para ele.
Coisas assim parecem meio escandalosas para a religiosidade sentimentalista de hoje em dia, e a mistura de fé e sinceridade que fez de Belloc um dos maiores escritores católicos do século anda cada vez mais rara.
![]()
Outro artigo notável é o de Stuart Goldman sobre o último filme de Polanski. Goldman costumava assinar S. L. Goldman, numa coluna no WorldNetDaily dedicada a atirar contra tudo e todos.
De uns tempos para cá, mudou o nome da coluna e passou a assinar com o nome por extenso. Também se tornou mais chato e menos interessante, tratando de temas espirituais num nível meio bobo.
Mas esse artigo sobre o filme do Polanski vai direto ao ponto e está muito bem escrito e argumentado; não vi o filme, mas a lista dos demais filmes do Polanski basta para saber que o sujeito é satanista mesmo.
![]()
David Horowitz é um ex-esquerdista radical que caiu na real e se tornou um conservador, escrevendo inclusive um livro altamente significativo, "Destructive generation: second thoughts about the sixties". Recentemente, sobre o famoso caso do garoto negro que matou uma colega de escola branca, ele comentou que, em todo o noticiário da imprensa, ninguém relatou a cor do assassino e sua vítima.
Recebeu uma resposta de ninguém menos que o investigador responsável pelo caso, dizendo que a raça não era importante.
A resposta de Horowitz foi perfeita: claro que a raça não é importante; o objetivo de fazer a observação era mostrar os dois pesos e duas medidas usados pela mídia; porque se o garoto fosse branco e a menina fosse negra, toda a imprensa mundial estaria berrando contra o racismo.
A polêmica foi relatada pelo próprio Horowitz, em sua coluna na esquerdista Salon Magazine.
![]()
Impressionante como a revelação de que Nelson Mandela era um agente do governo britânico não teve repercussão nenhuma na grande imprensa. Todos mantiveram o silêncio.
Mas eu imagino o que é que o cicerone brasileiro de Mandela, o dr. Emir Sader, diria disso. Acho que você ficaria em maus lençóis, Emir...
![]()
É escandaloso que a Nasa, com todo o dinheiro que tem a seu dispor e com a possibilidade de contar com os maiores cientistas do mundo, cometa tantos erros como vem comentendo. O caso da missão a Marte foi um em vários (em 1999, foram pelo menos 4 grandes erros, ao todo custando no mínimo 400 milhões de dólares), como mostra matéria da BBC.
Um relato contido nessa matéria me faz pensar que essas coisas estão sendo tocadas mais na base da macumba do que na base da ciência. Vejam só:
"Os engenheiros chegaram à conclusão de que aquele MPL (Mars Polar Lender) não ia funcionar, mas não queriam contar isso a ninguém. Eles disseram: 'Já estamos voando, fizemos a checagem, não há nada que possamos fazer no solo - vamos pensar bons pensamentos e torcer por um milagre'." (grifo meu)
PAPEL IMPRESSO
A maneira como "O Globo" relatou o caso Luís Eduardo Soares foi digna do antro de esquerdismo em que esse jornal se transformou, com a complacência da família Marinho.
A manchete no dia da demissão foi "Garotinho demite subscretário após denúncias", dando a entender que o fato de Luís Eduardo ter feito as denúncias tinha sido a razão de sua demissão.
Depois, publicou artigos e mais artigos de puxa-sacos e acólitos do ex-subsecretário, sem procurar dar espaço para uma única voz discordante que fosse.

Engraçado como a "Folha de São Paulo" noticiou a decisão de deixar a fixação do salário mínimo a cargo dos estados. Como a redação da "Folha" pensa 24 horas por dia em inventar acusações contra o Governo, a manchete seguiu o padrão: "FHC passa pressão pormínimo a governadores." Nem lhes ocorre que talvez seja bem mais razoável assim.
OS IDIOTAS
"A democratização do 'certo' é talvez o mais importante ato de cidadania e de espiritualidade de nossos tempos. (...) Um dia iremos concordar que só existe um parâmetro externo para definir o 'certo' e o 'errado'. Certo é qualquer coisa que não queira convencer ou impor a vontade de um sobre o outro. Errado é a postura do convecimento. Tanto o convencido quanto o que convence são perdedores." - Nilton Bonder, o Leonardo Boff do judaísmo. Imagino que o rabino Bonder não queira convencer ninguém de nada com o seu artigo, muito menos com seus rentáveis livros.
![]()
![]()
![]()
"(...)a vergonhosa e ultrajante atitude de membros do Ministério Público e da polícia (...) de abordarem a magnífica atitude de João Moreira Salles, de recuperação de um transviado, como se fosse a prática de um delito. Esse foi um episódio de mesquinho ressentimento ante a grandeza humana." - Hélio Jaguaribe. No código penal do prof. Jaguaribe, financiar um bandido foragido da polícia é um ato de grandeza humana; no CP vigente no Brasil, e que supostamente está aí para ser aplicado, isso é crime.
![]()
![]()
"Advogados americanos podem aprender com esse sistema legal. Existe lá um senso de respeito pelos seres humanos que você não vê nos Estados Unidos, em termos de relações de trabalho." - Joshua Rubinsky, advogado americano falando de nada menos que o "sistema legal" de Cuba!
![]()
![]()
![]()
"Filmes ou programas de TV normalmente retratam alienígenas ou como espécies malevolentes, insensíveis, com intenções de destruir a Terra, ou como uma raça de criaturas engraçadinha-mas-feia com cabeças grandes que têm a mesma função dramática de animais de estimação. Isso é injusto e mesmo destrutivo." - Porta-voz da Liga Anti-Difamação de Alienígenas Espaciais. Politicamente correto em escala cósmica, acreditem se puderem.
![]()
"Por isso mais ainda nos admiram sua coragem, seu destemor, o espírito de sacrifício com que, por todos nós, se dedicou a esta missão. Pode-se dizer dele que, como o Tiradentes do 'Romanceiro da inconfidência', foi trabalhar para todos..." - Isabel Lustosa, falando de ninguém menos que o campeão do politicamente correto na polícia, Luís Eduardo Soares.
ORTODOXIA
Acho admirável que o papa vá à Terra Santa não só falar que cristãos, judeus e muçulmanos devem se unir e dialogar, como que vá defender a causa dos palestinos, absurdamente expulsos de suas terras sem nenhuma compensação por Israel.
Mas essa ação admirável só aumenta minha perplexidade com esse papa. Afinal, esse é o homem que semana passada estava pedindo desculpas aos judeus por pecados que ninguém cometeu!
E assim tem sido o pontificado de João Paulo II: uma ação magnífica e uma indignidade se alternando. Ora excomunga Msgr. Lefèbvre por picuinhas, ora permite a missa tridentina; ora escreve veementemente contra a comunhão na mão, ora ele próprio dá a comunhão na mão; ora protesta contra a presença de mulheres no altar, ora reza uma missa na África com uma mulher de peito nu no altar.
Sinceramente, não consigo entender esse papa, que consegue agradar aos conservadores e aos liberais menos exigentes, ao mesmo tempo que irrita tanto tradicionalistas quanto progressistas radicais. Qual o verdadeiro objetivo de sua política papal? Esse é um mistério ainda não solucionado.
O fato é que a imagem de conservador que a mídia pinta dele é totalmente equivocada, e leva em conta apenas sua oposição ao controle populacional e ao aborto, sem levar em conta suas nomeações para postos nas igrejas do mundo todo, nem várias de suas ações.
Tom Bethell expressou isso muito bem no título de um ótimo artigo: "The riddle of John Paul II" ("O enigma de João Paulo II").
ARTIGO DA SEMANA
As únicas coisas que sei sobre Taki são que ele é grego e que escreve semanalmente uma coluna sensacional no site New York Press. Suas colunas são muito engraçadas, além de extraordinariamente sensatas.
No seu artigo desta semana, ele se mostrou irritado com a recompensa de 5 milhões de dólares oferecida pelo Departamento de Estado americano para quem tivesse informações que pudessem levar Slobodan Milosevic, Radovan Karadzic e Ratko Mladic à justiça por "crimes contra a humanidade".
E disse que ele e sua equipe no "Top drawer" ofereciam uma recompensa igual a quem levasse para a justiça os três outros genocidas: Bill Clinton, Madeleine Albright e Tony Blair, que ele chama de "a hiena sorridente", acrescentando que quem acredita mesmo nessa recompensa acredita até no Bill Clinton.
"O lugar mais conveniente seria Havana", acrescenta (tradução aproximada, sem todo o estilo do original). "Castro, sendo ele mesmo um criminoso, sabe como organizar julgamentos-espetáculos. E com a generosa recompensa do "Top drawer", ele deve ser o líder da caça. Vamos lá, Fidel, agora que você não consegue mais uma ereção, mostre ao mundo que você ainda tem cojones. Em vez de atirar em 'Piper Cubs' desarmados, tente derrubar o 'Air Force One', deixe as showgirls e os vários puxa-sacos ricos escaparem, e faça um julgamento em espaço aberto e televisionado.
"Mas é melhor esperar. Até o covarde Gore irá à guerra se um presidente for seqüestrado, mas talvez não se um infame estuprador, mentiroso, autor de subornos e perpetrador de muitos outros pecados for agarrado e levado para Havana. Tudo começou com Pinhochet, mas pode, se Deus quiser, terminar com Blair ou Clinton.
"De volta aos advogados. A esposa grávida da hiena sorridente, Cherie Blair, foi quem bolou o anúncio [oferecendo a recompensa por Milosevic e os outros]. Sua nova firma de advocacia, Matrix, é especializada em abusos de direitos humanos. O problema é que ela é especializada apenas quando os abusados têm dinheiro. Um caso: semana passada um documentário inglês mostrou torturas horríveis sendo infligidas em pobres homens da Costa do Marfim presos na base de dicas. Eles estavam sendo espancados e torturados para que confessassem crimes que nem mesmo eram especificados. Desnecessário dizer, nem uma palavra da Matrix. Isso porque uma condição para se juntar à Matrix é mostrar que você será capaz de trazer um mínimo de 200.000 dólares em negócios em um ano. Nenhum dos pobres coitados sendo espancados quase até a morte tem um por cento de um por cento desse dinheiro, então o silêncio dos advogados defensores dos direitos humanos continua ensurdecedor.
"A arbitrariedade de quem será processado sob as leis internacionais é o verdadeiro escândalo. Isso tem tudo a ver com política doméstica, e nada a ver com direitos humanos."