No. 26 - 08/09/00
De que tipos é composta a esquerda brasileira hoje?
Ora, reclamarão os mais almofadinhas, você não deveria estar falando de "tipos", sr. Alvaro, poruqe fazer caricaturas dos adversários políticos não condiz com o "debate democrático", seja isso lá o que for.
Depende, respondo eu. Pintar o adversário como um tipo, e depois criticar esse tipo, e não o adversário, é certamente uma prática desonesta, e uma das muitas práticas desonestas que a esquerda brasileira adora.
Mas isso só é assim quando o tipo não existe, quando nenhuma de suas características corresponde nem de longe à figura real que ele, supostamente, representa.
Por exemplo, Miguel Paiva, um dos piores desenhistas brasileiros, cujos personagens chatíssimos (a feminista Radical Chic e o seu pretensioso alter ego Gatão de Meia Idade) se tornaram inexplicavelmente populares, acaba de fazer uma série de cartuns pretendendo satirizar a direita.
Ele, então, criou a expressão "dinheireita", querendo significar com isso os "corruptos" que ficam milionários graças ao neoliberalismo.
A sátira é tão tola, tão pueril, que não funciona de maneira alguma. Primeiro, porque neoliberalismo e corrupção nada têm a ver: existe corrupção em qualquer regime econômico, e a que temos no Brasil supostamente "neoliberal" é certamente menor do que a da China comunista, ou da Alemanha Oriental comunista. Segundo, porque toda direita que se prezedefende os valores morais, como a honestidade; o imoralismo e o relativismo são bandeiras da esquerda - só que, no Brasil de hoje, o relativismo moral esquerdista só vale para os bandidos pobres.
A caricatura de Paiva é um exemplo de tipificação desonesta dos adversários políticos. Praticamente não existe direita no Brasil, e a pouca direita que existe nem de longe tem traços comparáveis aos mencionados por Paiva.
Feita esta ressalva, então, voltamos à pergunta inicial: quais são os tipos da esquerda brasileira, além, claro, de cartunistas burros e sem talento?
Ofereço abaixo uma lista desses tipos. A lista não pretende ser exaustiva, razão pela qual certamente será aumentada em colunas futuras, e é sempre importante lembrar que alguns indivíduos podem pertencer a mais de um dos tipos citados.
- O padre tarado. É aquele padre que entrou para o seminário sem saber muito bem por quê, mas viu aquele monte de homens, gostou e resolveu ficar. Seu gosto se estende não só aos colegas de seminário, mas aos coroinhas e a algumas das fiéis também. Ele costuma criticar a Igreja por sua visão "atrasada" das relações sexuais, porque os papas e teólogos não conhecem a santidade das relações bestiais, homossexuais ou das orgias, e não sabem que o sexo é uma forma de se comunicar com Deus - que ele prefere chamar de Gaia. Encarnação máxima: "frei" Betto.
- O filhinho-da-mamãe revoltado. Ele teve tudo o que queria na infância: a mamãe fazia a papinha, dava na boquinha, depois ajudava-o a escovar os dentes, punha-o na cama e lia histórias para ele dormir. Ele acha um absurdo que o Governo não dê o mesmo tipo de tratamento a seus súditos, e é por isso que a fome e a miséria o revoltam tanto. Ele fica tão revoltado, que quer tomar o poder e garantir papinha para todo mundo - desde que possa continuar andando de carro importado e não precise se rebaixar ao ponto de dar uma esmola sequer para o mendigo que vem incomodá-lo nos sinais de trânsito. Encarnação máxima: Lindberg Farias.
- O lacaio do imperialismo. Ele faz tudo o que as grandes organizações globalistas mandam que ele faça. Se elas mandam que ele seja contra as armas, ele logo "descobre" um plano nacional para combatê-las; se elas mandam que ele combata o racismo através das políticas racistas de cotas, é com ele mesmo. Ele também é encarregado de repetir os slogans e mantras que elas lhe passam, de forma que ele fala obsessivamente em "paz", "fim da violência" e "cidadania". E, como tem tantos poderes às suas costas, ele sabe que ninguém vai ousar contrariá-lo. Encarnação máxima: Rubem César Fernandes.
- O revolucionário senil. Ele já era comunista antes de Lênin - e já naquela época tinha cabelos brancos. Os anos foram passando para todo mundo, menos para ele, que não só continua tão velho e decrépito quanto já estava em 1917, como foi incapaz de ter uma idéia nova desde então. Naquela época, porém, ele ainda conseguia fazer alguns jogos lingüísticos habilidosos, e recrutar alguns otários para a causa. Hoje, com sua senilidade crescente, só escreve croniquetas desconexas e infantis, e seus amigos, meio constrangidos, pintam dele uma imagem de doçura e idealismo, quase de santidade. No fundo, porém, até seus amigos sabem que seu idealismo nada mais é que a fidelidade à mesma burrice durante quase um século, sem considerações para as conseqüências reais de suas idéias. Encarnação máxima: briga duríssima entre Moacir Werneck de Castro e Leandro Konder, com leve vantagem para este último.
- O padre ateu. Freqüentemente, ele também é um padre tarado, mas seu problema, a rigor, é de outro tipo. Ele não acredita numa única palavra da doutrina da Igreja a que diz pertencer, mas não vê nisso nenhum motivo para abandonar essa Igreja. Não, ele acha que é a Igreja que deve mudar para ficar mais a seu gosto. Tirem esse antiquado Jesus Cristo daí, e ponham Che Guevara no lugar. Esqueçam esse gordo aquinatense, bom mesmo é Karl Marx, um "instrumento do Espírito Santo". E, onde está dito no Evangelho que o cristão deve buscar primeiro o reino de Deus, leia-se que o cristão deve buscar primeiro criar o reino de Deus na Terra, por quaisquer meios disponíveis. Afinal, a Bíblia também é um instrumento de dominação social, e só o que ele gosta nela é válido - o resto é invenção capitalista. Encarnação máxima: a CNBB.
- O fresco politicamente correto. Sua consciência está constantemente a atormentá-lo. Ele se sente culpado pelos males do mundo, e só vê grupos oprimidos em todos os lugares para os quais olha. Ele não acredita mais em revolução, mas acha que todos temos obrigação de respeitar os "oprimidos", e não podemos ferir as suscetibilidades dos grupos de minorias. Nada, portanto, de piadas de negros, de judeus, ou de mulheres. É preciso, sempre, acompanhar o ritmo dos tempos e pensar exatamente igual aos liberais da moda na New Yorker ou no New York Times. Encarnação máxima: Caio Blinder.
- O líder negro alfabetizado. Ele teve uma infância pobre. Com muito custo, conseguiu uma vaga numa escola pública e, de lá, uma vaga numa universidade. Nunca aprendeu a ler nem a escrever direito, mas arrumou um título de "doutor", e, quando alguém lhe disse que ser culto significa ter um diploma, ele acreditou. Depois lhe disseram que seu dever de intelectual negro era lutar para que todos os outros negros tivessem a mesma trajetória que ele e, para isso, ele deveria negar a existência da nação brasileira, proclamando que a unidade da raça é mais importante que a unidade nacional, e combater o racismo pregando políticas de preferências raciais. E ele ainda se acha muito independente, sem perceber que seus fundos vêm de multinacionais e ONGs a serviço do globalismo. Encarnação típica: Hédio da Silva.
- A aluna de comunicação da PUC. Ela anda de carro importado, veste as roupas mais caras, viaja para o exterior sempre que quer, mas está sempre revoltada com seus pais, que a exploram e oprimem. Por isso, fica nas casinhas da PUC fumando maconha, freqüenta raves e lê os índices dos livros de Marcuse. Nunca conseguiu ler nada além disso, mas tem idéias sobre tudo e todos, e acha que quem discorda dela é um reacionário ultrapassado. Algumas mais espertas descobriram que poderiam ganhar a vida pensando e escrevendo sobre sexo em grandes jornais, e finalmente encontraram uma utilidade para seu diploma; as outras enchem as redações de jornal com seus textos infantis, seus chinelos sujos, suas preocupações mesquinhas e sua incultura pomposa. Encarnação máxima: Regina Navarro Lins.
- O cientista revoltado. Ele acredita piamente que, de suas pesquisas, poderiam sair tecnologias que mudariam o mundo. Isso só não acontece porque o maldito governo neoliberal não lhe dá o dinheiro suficiente, interessado que está em manter o Brasil preso às garras das superpotências mundiais. Ah, mas num governo comunista, tudo seria diferente, pensa ele. Aí, sim, minhas idéias seriam respeitadas, eu seria membro de alguma comissão, trabalharia para o Estado com amplas garantias financeiras, e ainda por cima poderia mandar em um monte de gente. Enquanto o sonho não se realiza, ele vai extorquindo o máximo de dinheiro público que conseguir, e defendendo apaixonadamente as universidades públicas e "gratuitas". Encarnação máxima: Luiz Pinguelli Rosa.
- A feminista louca. "Dêem, meninas, dêem para quantos aparecerem, quantas vezes quiserem! Mostrem aos homens seu poder feminino! Ah, engravidaram? Três palavras para vocês: Aborto, aborto, aborto. Não deixem que as velhas estruturas machistas da sociedade ocidental, como a Igreja Católica, impeçam que vocês usufruam de seus corpos como desejarem. E se algum homem vier reclamar, mande-o calar a boca instantaneamente. Homem não tem direito a voz, porque é criatura inferior e porque só está interessado em nos oprimir. Mas, ainda assim, eu sou católica apostólica romana, e quero o apoio dos padres na minha campanha." E ela vai repetindo seu discurso maluco, rancoroso e icoerente, levando atrás de si uma massa de "alunas de comunicação da PUC", de "padres ateus" e de "frescos politicamente corretos". Encarnação máxima: Marta Suplicy.
SÉTIMA ARTE
Falando em caricaturas, nada é mais caricatural do que American Psycho. Não li o livro, mas a diretora Mary Harron proclama que o filme é uma transposição fiel dos objetivos do livro.
Então, temos, na tela, a violentíssima história do vice-presidente de uma empresa que, debaixo da aparência pacífica, é um perigoso psicopata, incapaz de domar seus instintos assassinos. Ele se move num mundo de materialismo, drogas, muito dinheiro, apartamentos caros, restaurantes chiques e mulheres fúteis, e mata mendigos, prostitutas e concorrentes de quem tem inveja.
A diretora pretende que o personagem encarne a violência capitalista, a sede de lucros, a luta de classes. Em suma: os capitalistas são serial killers em potencial. E para defender essa tese, tome cenas brutais, como uma em que o psicopata mata um de seus colegas de trabalho a machadadas e outra em que, quando ele abre a geladeira de sua casa, vemos lá dentro a cabeça de uma mulher com quem ele saíra na noite anterior.
O pior é que, por trás de tanta baixaria, existe ao menos uma intuição correta no filme: a vida materialista e fútil é tão vazia de sentido que pode levar ao desespero. Mas não há relação causal necessária entre capitalismo e materialismo, e a bolsa de valores não é a culpada pela falta de sentido na vida contemporânea. O fenômeno é bem mais profundo que isso.
American Psycho lembra outro filme igualmente ruim, The Fight Club, de David Fincher. E, mais uma vez, The Fight Club tem uma intuição correta, a da crescente feminização da vida contemporânea, mas a aplicação que o filme dá a essa percepção praticamente a torna vazia de valor.
Existe uma única cena boa em The Fight Club: o personagem de Brad Pitt manda que os membros do clube saiam à rua e arrumem uma briga com alguém. Vemos, em seguida, alguns dos membros tendo grandes dificuldades em cumprir a tarefa. Esse ponto é bem observado: ninguém mais quer confrontação, todo mundo paga para fugir de uma briga ou de uma discussão; o homem médio contemporâneo é medroso e covarde.
Mas isso não quer dizer que resgatar valores masculinos é pôr duas dúzias de marmanjos para brigar entre si no porão de um bar e, muito menos, fazer com que esses marmanjos explodam edifícios. Essa é uma visão infantil e pueril da questão - e talvez por isso mesmo o Village Voice tenha gostado.
Os valores masculinos que a sociedade moderna despreza - e já falei disso numa resenha do filme On Any Given Sunday - são a bravura, a coragem, a audácia, o cavalheirismo. Os produtores de The Fight Club não parecem ter a menor idéia do que sejam essas coisas. Para eles, valores masculinos são as predileções dos adolescentes debilóides, tipo luta livre ou vale-tudo, adicionados ao desejo revolucionário de implodir o mundo e reconstruir outro. O principal valor defendido pelo filme é a supremacia dos instintos e das paixões sobre a razão, a ponderação e a moral - nada a ver com os valores mencionados acima.
Ademais, não creio estar exagerando ao dizer que o filme é satanista. Todo o processo de submissão dos membros do clube ao líder parece-se com o processo de entrada numa seita satânica. Há o ritual de entrada, o cumprimento de exigências absurdas, a submissão da própria vontade aos caprichos do líder, os olhos esbugalhados e vazios, os objetivos perversos. Tudo muito parecido com uma contra-iniciação.
![]()
Falando em Brad Pitt, seu filme mais recente, Snatch, dirigido por Guy Ritchie - namorado da Madonna e diretor do ótimo Lock, stock, and two smoking barrels - corre o risco de não estrear na Inglaterra.
O problema é o seguinte: há uma cena no filme em que um cachorro persegue uma lebre, e a lebre consegue escapar. Só que surgiram denúncias de que, nas tomadas anteriores da cena, algumas lebres não tiveram a mesma sorte, e foram mortas pelo cachorro.
Uma lei de proteção aos animais proíbe que sejam exibidas cenas de filmes que tenham sido "organizadas ou dirigidas" para envolver algum tipo de crueldade com animais. Nenhum filme estréia sem a aprovação da RSPCA, Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals, e, como existe essa suspeita pairando sobre o filme, essa sociedade ainda não se convenceu a autorizar a exibição.
A que ponto chega o movimento ecológico...
DESINFORMATZIA
Houve uma curiosa mudança, de um dia para o outro, no vocabulário do Jornal Nacional. No começo do julgamento dos sem-terra e dos policiais acusados de assassinato em Corumbiara, o mui confiável telejornal referia-se ao "massacre de Corumbiara". À medida que foi ficando mais evidente que os sem-terra eram mesmo culpados de assassinato, a referência passou a ser ao "confronto de Corumbiara".
Pois é: às vezes os fatos são tão gritantes que até o Jornal Nacional fica com vergonha de manipular o vocabulário.
ORTODOXIA
Eu já escrevi não sei quantas vezes que o Papa João Paulo II é quase inescrutável, e dá uma no cravo e outra na ferradura.
Pois eis que na mesma semana em que ele vai encontrar-se com a rainha da Inglaterra e pedir desculpas pelos esforços católicos em impedir o avanço protestante no Reino Unido, o cardeal Ratzinger lança um documento que diz que as outras religiões cristãs são incompletas, e que seus rituais não só não garantem a salvação como podem constituir sério obstáculo a ela.
Não quero entrar em detalhes neste assunto, porque não li ainda o documento, mas acho hilária a choradeira dos líderes das outras religiões, especialmente dos anglicanos.
O que é que esse pessoal esperava dos católicos? Se nós somos católicos, é porque acreditamos que a nossa igreja é melhor que as outras - e temos excelentes motivos para acreditar nisso. O problema é que vieram tantas afirmações malucas, especialmente de bispos e padres, depois do Vaticano II, que ficou parecendo que a Igreja Católica tinha se nivelado às facções protestantes, e é essa falha que parece estar sendo corrigida por esse novo documento (que, ao que parece, nada mais faz que reafirmar o óbvio - o óbvio que estava sendo esquecido e até negado).
Ora, é preciso notar que o protestantismo nunca se define por si mesmo, mas apenas em oposição ao catolicismo. Os protestantes não têm uma crença própria: eles têm alguns pontos que odeiam no catolicismo, e então adotam uma versão mitigada deste, expurgando-o dos elementos que consideram incômodos. Só que entre esses elementos está a própria razão de ser da religião, que é a sucessão apostólica. Sem ela, o poder sobrenatural da Igreja desaparece - e é justamente por isso que as seitas protestantes não têm o mesmo valor da Igreja Católica, e é por isso que elas nada mais são que filhas rebeldes tentando subsituir a Mãe.
E, de todas essas filhas rebeldes, a pior de todas é a Igreja Anglicana. Descontemos os fatos de que os anglicanos, hoje em dia, têm padres travestis e permitem a ordenação de mulheres; basta olhar como e para que surgiu o anglicanismo, para percebermos imediatamente que não se trata de coisa séria.
Henrique VIII, um adúltero assassino, resolveu desligar-se do Papa, que não permitia que ele se divorciasse, e tornar-se, além de rei da Inglaterra, chefe de sua igreja. Conhecem-se poucos casos de fome de poder tão grande: o sujeito rompeu com o catolicismo para reunir em suas mãos o poder temporal e espiritual ao memso tempo.
O pior é que essa maluquice durou, e até hoje temos a rainha da Inglaterra como chefe da Igreja Anglicana - e será recebida pelo Papa como tal. Nesse percurso, muitos católicos foram assassinados e martirizados. Aliás, o assassinato em massa de católicos durante o período elizabethano foi, para minha surpresa, muito bem representado no filme recente Elizabeth, cuja última cena é uma metáfora perfeita da farsa que é o anglicanismo: depois de se vestir e se maquear toda para dar uma aparência assexuada, a "rainha virgem" se detém diante de uma imagem de Nossa Senhora, e percebe que a sua própria "virgindade" nada mais é que uma paródia caricatural da força sobrenatural que emana da pureza virginal da Mãe de Deus. Ela percebe que seu poder é restrito a este mundo, é apenas temporal, não espiritual.
NA REDE
Com todo o falatório mundial contra a tortura, ainda assim subsitem as "classes torturáveis", expressão de Graham Green que Charles Glass lembra em seu mais recente artigo na coluna Taki's Top Drawer.
E ninguém é mais "torturável" que os palestinos. Glass conta o caso de Anwar Mohammed, um muçulmano americano que foi visitar parentes em Silwad e, quando estava deixando a fronteira em direção à Jordânia, foi preso e torturado, sem que nem mesmo um emissário da embaixada americana aparecesse para protestar - quanto menos organizações de proteção aos direitos humanos.
Aliás, diz Glass, foi só depois que o caso de Anwar veio a público que uma corte de Israel declarou textualmente que a tortura no país é proibida, e mesmo assim sob protestos do Likud (e, imagino, do establishment judaico americano).
Isso fez com que a prática se tornasse um pouco mais rara, mas ainda assim é hábito da polícia israelense, em sua relação com os muçulmanos.
É por causa de fatos como esses que não posso conter o riso irônico quando gente como o sr. Osias Wurman vem dizer que Israel respeita os direitos humanos, ou quando a Anistia Internacional lança relatórios acusando Arafat de infringir os direitos humanos.
Ora, Arafat e sua organização terrorista não são isentos de culpa, mas simplesmente não dá para comparar suas ações com a do Governo de Israel. Primeiro, porque uma organização tem, por definição, muito menos armas e muito menos aparatos repressivos que um governo. Segundo, porque Arafat tem apenas um apoio recalcitrante de algumas nações islâmicas, enquanto Israel tem todo o dinheiro e o poderio militar americano a apoiá-lo. É por isso que, quando Arafat faz ameaças inócuas, como esta de proclamar um estado palestino independente, defensores de Israel podem, do alto de sua arrogância, ameaçar retaliações e bombardeios, como faz o sr. Douglas Feith em artigo recente.
![]()
Não percam o artigo de Joseph Stromberg sobre Robert Nisbet, um dos grandes sociólogos do século.
Como diz Stromberg, Nisbet tinha uma ótima percepção do que acontecia com a comunidade genuína, com a ordem social e com a liberdade, quando o Estado resolve interferir nela com um projeto de unificação, de melhoria do mundo ou de engenharia social.
Para mim, o aspecto mais interessante da obra de Nisbet é a defesa das "instituições sociais intermediárias" - a família, a Igreja, as associações - que oferecem ao indivíduo um refúgio e uma proteção do poder estatal. Stromberg trata desse ponto, e da relação entre guerras e totalitarismo.
![]()
Quem quiser ver a que extremos chegou o movimento negro americano não deve deixar de ler o último artigo de David Horowitz na Salon.
Entre outros dados impressionantes, Horowitz mostra que somente 79% dos jovens condenados por crimes violentos vão para a cadeia, porque os Estados são obrigados, pela pressão dos grupos ativistas negros, a comparar as porcentagens raciais na cadeia e na comunidade e, se houver discrepâncias, têm de "esforçar-se" para fazer com que as duas porcentagens se aproximem. Assim, como a maior parte dos autores de crimes violentos são negros, mesmo nas cidades em que são minorias, boa parte dos condenados acabam soltos, para que não haja porcentagem maior de negros nas cadeias do que na sociedade em geral. É a paranóia anti-racista levada a extremos criminosos e perigosos.
ARTIGO DA SEMANA
Rip Rense, como eu, parece não gostar muito da Dra. Laura, nem de psicólogos de rádio, essa mania americana, em geral. Mesmo assim, ele a defende dos ataques que ela vem recebendo da comunidade gay, em seu artigo The sad 'gay' anger ("A triste raiva gay" - o termo gay quer dizer tanto homossexual quanto alegre). Tirando algumas observações darwinistas, alguns trechos de seu artigo são espetaculares, não só pelo estilo como pela coragem.
"O ódio atual, no entanto, não vem da Dra. Laura. A maior parte dele parece vir da própria comunidade gay - ou ao menos de seu contingente falante. Essa gente, se auto-intitulando 'Coalizão contra o ódio', está louca para destruir Schlessinger, pura e simplesmente. Notem a foto que eles escolheram para seu website StopDrLaura.com: lá está ela, mostrando seus dentes de baixo, como um dos mastiffs do próprio Satã. O grupo conseguiu pressionar muitos patrocinadores, inclusive a Proctor and Gamble e a United Airlines, a retirar seus anúncios do programa de TV da doutora, a estrear em breve. Este é um ataque impiedoso não só às opiniões de Schlessinger, mas à sua carreira. Essas pessoas estão tentando negar seu direito à livre expressão. E onde está a ACLU para defendê-la? Lembram-se de toda a onda sobre violação da liberdade de expressão quando o Parents Music Resource Center, de Tipper Gore, procurou censurar letras de músicas pop sobre estupro e assassinato? Onde estão agora esses indignados defensores da ética de ocasião?
"Sim, miltantes gays não tão alegres absolutamente detestam a Dra. Laura. Mais ainda: eles odeiam qualquer sugestão de que eles não são inteiramente normais. De que eles não são exemplos supremamente saudáveis de um estilo de vida saudável. Eles odeiam qualquer um que sugira o contrário, não importa quão moderada ou razoavel seja a sugestão, e imediatamente gritam 'homofóbico' e 'propagador do ódio'. A esta altura, eles provavelmente me odeiam também.
"Mostrem-me uma ocasião na qual Schlessinger tenha adotado o ódio, ou incentivado qualquer ataque a gays. Há registros de que ela está sempre defendendo a compaixão pelos gays. Qual é, então, a intenção desta mulher? Ela está combatendo um esforço agressivo de propaganda do segmento militante da comunidade gay para forçar a população normal a reconhecer o comportamento gay como... normal.
"Ela está falando contra um esforço dos ativistas gays, apoiados por uma mídia simpática e por estrelas de Hollywood, para convencer o mundo de que ser gay é simplesmente muito maneiro. De que ser gay é equivalente a ser uma minoria étnica perseguida. (Eu acho que há muitos gays brancos que nunca foram discriminados - certamente nunca em medida comparada aos afro-americanos neste país, e a todas as outras minorias.) De que ser gay deveria ser ensinado como um estilo de vida na escola.
"Estou exagerando? Considerem isso: no dia 25 de Março, numa conferência da Gay, Lesbian, and Straight Education Network na Universidade de Tufts - parcialmente patrocinada pelo Departamento de Educação de Massachusetts - adolescentes de 14 anos de idade foram convidados a discutir atos homossexuais em termos explícitos. Isso não é um boato, foi noticiado pelo Boston Herald. A discussão aconteceu num workshop chamado 'O Que Eles Não Te Contaram Sobre Sexo e Sexualidade Gay nas Aulas de Saúde: Um Workshop para Jovens Apenas, de 14 a 21 Anos.' O WorldNetDaily noticiou que nesse workshop, os conselheiros sobre HIV do Departamento de Educação de Massachusetts Margot Abels e Michael Gaucher discutiram a prática do fisting - a inserção de um punho fechado e de um braço no ânus ou na vagina. A sra. Abels disse aos jovens que ter um punho enfiado nas próprias entranhas é 'uma experiência de deixar alguém de quem você quer estar próximo e íntimo entrar no seu corpo."
"A agenda ativista gay, como se vê, não é apenas para combater a discriminação. Isso seria perfeitamente nobre. É para celebrar e promover o comportamento homossexual. Uma grande diferença.
"Celebrar? Exatamente o que há para celebrar? O fato de que a prática insanamente promíscua de sexo oral e anal entre machos (um ato sádico, incidentalmente, que ninguém nunca menciona) espalhou a AIDS na população norte-americana - incluindo inocentes crianças heterossexuais? Que isto, por sua vez, abriu o caminho para coisas como a super-gonorréia, resitente a drogas, a super-tuberculose, idem, para a emergência da super-sífilis e outras doenças? Que a imagem predominante da comunidade gay projetou ao mundo nos últimos 20 anos é de lascívia perversa e tragédia horrível?
"Ah, sim, viva.
"(...) Charlton Heston criou a expressão tolerar, não celebrar. Eu lhe darei uma melhor: 'aceitar, mas não celebrar.' Aceitar o fato de que uma parte da população sempre foi gay e sempre será. O erro do contingente ativista da comunidade gay é imaginar que a sociedade algum dia abraçará a homossexualidade. Isso não acontecerá(...).
"Isto não é para sugerir que os homossexuais deveriam ser atacados, ou discriminados, ou humilhados porque são homossexuais. Grandes advogados, dentistas, compositores, escritores, poetas, músicos, artistas, regentes, professores, políticos, filósofos, líderes foram gays e o fenômeno continuará. Eu nem deveria ter de assinalar isto.
"Mas eu vou lhe dizer o seguinte: eu não contrataria ninguém que advoga o fisting ou qualquer outra atividade sexual profundamente demente. Para qualquer trabalho (exceto, talvez, para o de bombeiro hidráulico). Por falar nisso, eu não creio que ninguém - homossexual ou heterossexual - tem qualquer direito de promover suas preferências sexuais numa sala de aula, numa tropa de escoteiros, num tempo, ou numa venda de garagem.
"O que nos traz para o ponto crucial do problema: que muitos gays - ao menos sua facção falante - parecem se definir a si mesmos não por suas conquistas na vida, ou por seu caráter, mas por seu comportamento sexual. Quão banal! Você já viu uma parada de Orgulho Gay? Os participantes exibem de forma vulgar sua sexualidade, se divertem com isso, e levantam o nariz para quem quer que não goste. Tudo leva a crer que o sexo é o foco de suas vidas inteiras. Aqueles que não se divertem com as paradas são automaticamente chamados de 'homofóbicos' ou 'certinhos', para tomar emprestado o termo (ligeiramente pejorativo) preferido da comunidade gay para referir-se a heterossexuais. Ou a descrição abertamente pejorativa, 'reprodutor'."