ALVARO
VELLOSO DE CARVALHONo. 33 - 27/10/00
Na minha dissertação sobre o filme O caminho de casa e sua profunda percepção da necessidade de o indivíduo ter consciência do próprio caminho de vida e contar para si mesmo a sua história, afirmei que esse filme não tinha preocupações políticas, e marcava o início de uma fase apolítica na carreira do diretor Zhang Yimou.
Talvez essa seja mesmo a intenção de Yimou, mas, de uma forma extremamente sutil, seu filme acaba sendo, sim, uma crítica ao regime comunista chinês.
A promessa do "começar do zero", de ignorar o passado e iniciar uma vida completamente nova, não é vendida apenas pela psicologia popular para satisfazer pessoas desesperadas; ela é também a promessa dos grupos políticos progressistas.
Da mesma forma que ouvimos conselhos de que temos de viver sem culpas e "esquecer o passado", o progressismo promete a criação de uma sociedade nova, imaculada, com "mudanças radicais" nas estruturas sociais.
O problema é que essas são promessas impossíveis tanto em nossas vidas quanto nas vidas políticas.
A cada escolha que fazemos, a cada passo que damos, o nosso leque de possibilidades se estreita. E exatamente isso é que é viver: escolher prioridades, definir rumos e agir de acordo com essas escolhas.
Como notou Olavo de Carvalho, a psique se desenvolve paradoxalmente: ela se expande à medida que percebe seus próprios limites, à medida que aceita os limites da realidade e restringe suas possibilidades para se adequar a eles, se adaptando e se adequando às exigências externas, e acrescenta aos limites que reconhece um outro que ela mesma cria, uma auto-limitação, que é a sua própria história, tal como ela a conta a si mesma.
"De todo o repertório de possibilidades que tem a psique, o indivíduo amputa, corta partes imensas. Em parte ele as corta pelo padrão das necessidades físicas e em parte devido ao acaso, coisas que vai aprendendo à medida que evolui. Outra parte ele amputa por vontade própria, porque não quer uma coisa, e sim outra. Também não interessa se essas escolhas são de sua livre iniciativa ou copiadas do exterior. Pouco importa. Importa que ele persevere em algumas e em outras não. E essas nas quais persevera são as suas escolhas e essa é a sua história." (do texto "O que é a psique?")
Fenômenos análogos se dão na vida das sociedades. Elas não surgem do nada: elas se constroem aos poucos, e à medida que os anos passam vão se desenvolvendo características culturais, vão se formando hábitos e idéias, vai se criando um modo de viver peculiar àquele lugar.
A promessa progressista é reformar todos esses hábitos, é mudar todas essas características, reformar todos esses hábitos, para adequá-los a um modelo ideal de sociedade "justa"; é começar uma sociedade do zero, deixando para trás toda a herança cultural criada e desenvolvida ao longo dos anos. Para cumprir esse objetivo, será necessário que o Estado - liderado pelos "iluminados" - acumule poder a ponto de reconstruir sozinho o que a sociedade levou séculos cristalizando; é preciso que o Estado tome conta de todos os aspectos da vida social que pretende reformar, e influa na consciência e nos mínimos detalhes da conduta de seus súditos.
Mas não são apenas as construções culturais - isto é, as escolhas - que formam a história de uma sociedade. São, também, as imposições exteriores, as determinações inelutáveis que vêm tanto da natureza quanto da própria estrutura da realidade. A sociedade reconhece e se adapta a essas determinações; basta notar que os maiores exemplos de criatividade social geralmente vêm de respostas de certos povos a dificuldades naturais.
Com o desenvolvimento tecnológico, porém, essas dificuldades naturais se tornam cada vez mais superáveis, e cada vez menos determinantes.
O mesmo não se pode dizer das determinações que vêm da própria estrutura da realidade, que vêm da própria natureza das coisas.
É da natureza das coisas, por exemplo, que nem todos os indivíduos se adaptem à estrutura social e, portanto, não consigam progredir economicamente nela: exatamente por isso é impossível erradicar a pobreza.
É da natureza das coisas que nem todos os indivíduos tenham a mesma capacidade decisória e, portanto, que haja governantes e governados - e quanto menor o número de indivíduos com capacidade decisória suficiente, maior a possibilidade de que os governos assumam poderes excessivos.
Mas a promessa progressista não se contenta em querer reformar a cultura do país; ela promete também superar essas exigências naturais, superar as determinações da própria realidade. Surgem, então, promessas de erradicar a pobreza, de distribuir a riqueza em proporções iguais, de formar uma população em que todos têm a mesma dose de educação e sabem as mesmas coisas, de criar um sistema político em que a opinião de todos terá exatamente o mesmo valor, e assim por diante.
Esses objetivos são manifestamente impossíveis e inatingíveis, e, justamente por isso, cada esforço em direção à sua realização fracassa. Esses fracassos sucessivos não são usados como oportunidades para reexaminar os objetivos, que nunca são discutidos, mas servem de pretexto para a criação de novas medidas, e o Estado vai aumentando seu poder e se alimentando de seu próprio fracasso e de sua própria incapacidade para cumprir promessas impossíveis.
Em nome dessas promessas, no fim das contas, tudo se justifica, tudo se torna válido.
No caso do comunismo, a promessa da sociedade inteiramente justa criou o maior distanciamento entre governantes e governados da história humana; a promessa da igualdade econômica criou abismos de riqueza entre a população comum e os membros do Partido; a promessa do paraíso libertário criou uma tirania totalitária - tudo isso com o saldo de 100 milhões de mortos. Mas os ideais mantêm seu apelo, porque a sociedade prometida "ainda não foi criada" - e nunca se discute se essa criação é possível.
O progressismo, especialmente em sua versão comunista, é uma promessa de perpetuação da infância, é uma promessa de que os atos não terão conseqüências, de que a realidade não tem determinações imutáveis, de que a humanidade pode fazer o que quiser, desde que haja "vontade política".
Quando acreditamos nessa promessa impossível, surge o rastro de morte e destruição que acompanha o formidável aumento de poder estatal necessário para tentar realizá-la.
POLITICAGENS
Certa vez, assisti, na UERJ, a uma palestra de Elie Wiesel, conhecido sobrevivente do Holocausto, autor de alguns livros de memórias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Ele descreveu os horrores das duas idéias totalitárias do século XX - o nazismo e o comunismo - e disse que o grande desafio que essas lembranças deixam para nós, hoje, é o de que rumos tomaremos: voltaremos à intolerância, à opressão e ao totalitarismo que marcaram o século XX, ou procuraremos novos caminhos para a tolerância e a paz?
São belas palavras, sem dúvida alguma, e todos já ouvimos outras pessoas públicas discursar com leves variações em torno desse mesmo tema.
O que mede a sinceridade de um homem, porém, não são suas palavras, não são seus discursos genéricos, e sim o seu comportamento nas situações concretas. Toda a nossa política moderna é obcecada com a idéia de tolerância, mas o que tem acompanhado esses discursos é um aumento incrível da intolerância e do racismo.
A prova de que estamos emprestando nossos ouvidos e nossa atenção a um bando de hipócritas é a reação à onda de assassinatos de palestinos no Oriente Médio. Onde estão, agora, as "lições" que deveríamos ter aprendido com o Holocausto, com as câmaras de gás, com os gulags, com os extermínios em massa de populações inteiras? Onde estão, agora, as pessoas que proclamam que não devemos esquecer os horrores que passaram, para que não nos condenemos a repeti-los?
Pois bem: essas pessoas estão apoiando justamente aquilo que mais diziam condenar, e parecem dispostas a provar, mais uma vez, que o pior problema do fanático é ser incapaz de condenar em si mesmo aquilo que condena nos outros; incapazes de tirar uma trave dos próprios olhos, põem-se a procurar palhinhas nos olhos alheios.
Até mesmo jornalistas altamente respeitáveis, como Joseph Farah e David Horowitz, são incapazes de demonstrar para com o povo palestino a mesma compaixão que têm para com o povo americano. Insistentes defensores dos justos direitos de propriedade dos americanos, são incapazes de reconhecer os mesmos direitos quando se trata dos palestinos; críticos vigorosos das distorções da imprensa americana no que se refere a assuntos internos do país, são incapazes de perceber as próprias distorções, quando acusam crianças jogando pedras de estar "pondo em risco o Estado de Israel".
O senso moral do ser humano médio está tão pervertido, tão distorcido, tão deturpado, que as pessoas são capazes de derramar lágrimas sinceras diante de qualquer "desastre ambiental", no qual morrem meia dúzia de baleias, mas são incapazes da menor compaixão diante do assassinato diário de seres humanos na Palestina - especialmente porque árabes, no mundo atual, são seres humanos "de segunda classe", exatamente como eram de "segunda classe" os judeus nos regimes nazistas, e os "burgueses" nos regimes comunistas.
E que não venham com o papo de que "há excessos de ambos os lados", porque, como lembra Eric Margolis, das mais de 115 pessoas mortas e mais de 3000 feridas, 95% eram árabes. A reação dos palestinos foi, diz o mesmo autor, como uma gigantesca rebelião de presos - presos que perderam suas terras, sem nenhuma compensação, e vivem como cidadãos inferiores numa terra que, hoje, lhes é hostil.
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O fato acontecido com a viúva de Dias Gomes na praia de São Conrado mostra como o Rio de Janeiro se tornou uma cidade maluca. Ela estava pegando sol às oito horas da manhã, sem bolsa, sem relógio, sem nada, e alguns ladrões a atacaram. Como ela não tinha nada, eles resolveram roubar... o biquíni!
Um casal que estava perto emprestou uma toalha para que ela pudesse voltar para casa sem maiores constrangimentos, mas a cena não é indicativa de que a cidade perdeu o mínimo de civilidade necessária?
Enquanto isso, leio no O Globo um debate sobre segurança entre Garotinho, o governador do Estado, e César Maia, candidato a prefeito. Por que o debate é entre o governador e um candidato a prefeito e não entre os dois candidatos a prefeito, não sei e prefiro nem perguntar.
Mas o engraçado é que Garotinho, para atacar Maia, compara as estatísticas da violência no seu Governo com as estatísticas no governo de Maia. Só que há o seguinte problema: Maia nunca foi governador, foi prefeito! Como é, então, que as estatísticas do crime no período do governo Garotinho são de responsabilidade do governador, enquanto as mesmíssimas estatísticas no período do governador anterior são de responsabilidade não do governador, mas do prefeito? A comparação não faz sentido algum.
Pois é, claro que não faz, mas é nesse nível infantil que está colocada a discussão sobre segurança no Rio.
Agora, falando sério, os contínuos e crescentes assassinatos de policiais no Rio mostram a gravidade da situação. Estamos a alguns passos do caos.
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Também em "O Globo", um debate perfeitamente inútil entre os dois candidatos a prefeito, perguntando a eles suas opiniões sobre "questões sociais" sobre as quais não têm controle nenhum.
Foram oito perguntas, sobre temas como legalização da maconha, casamento gay, aborto e redução da maioridade penal. Contabilizando, dou quatro pontos para Maia e um para Conde, sendo que, das outras três, em duas as duas respostas foram igualmente ruins, e na outra as duas respostas foram igualmente boas (ambos são a favor da legalização do jogo do bicho).
Mas que diferença faz? Nenhum dos dois, se eleito, vai interferir em nenhum desses assuntos.
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Esta é a notícia mais absurda do ano; poderia estar na seção da newsletter semanal "The Federalist" chamada "From the halls of injustice on the left" (algo como "nos corredores da injustiça à esquerda" - "corredores" aqui se referindo aos corredores do fórum).
O sr. juiz José Percival Nogueira Jr., de alguma zona eleitoral de São Paulo, proibiu a Rádio América, que pertence à congregação católica dos Paulinos, de veicular entrevistas em que o padre Marcelo Rossi critica o aborto.
O motivo alegado é que o Paulo Maluf usou trechos de uma entrevista do pe. Marcelo em seu programa eleitoral, para enfatizar sua oposição ao aborto, em comparação com a defesa radical do assassinato de bebês que faz sua opositora em São Paulo.
A justificativa é inteiramente absurda. Ao atacar o aborto, o pe. Marcelo - de quem, como o leitor sabe muito bem, não gosto nem um pouquinho - não está fazendo propaganda para o Maluf; está apenas repetindo a doutrina tradicional da Igreja da qual ele faz parte. Que ele fique proibido de veicular essa opinião, só porque um juizinho mentecapto quer que a Marta Suplicy seja eleita prefeita (o que, aliás, acontecerá com ou sem padre Marcelo) não só uma afronta à liberdade de expressão e à liberdade de religião, mas uma afronta à inteligência humana.
Se vamos proibir o Marcelo Rossi, por que não proibem também todos os outros padres que, dia e noite, repetem o credo esquerdista, o mesmo credo que Marta está usando para ser eleita? Por que não proibir também a circulação dos jornais que estão recomendando o voto em Marta? Por que, afinal, essa proibição ridícula se restringe exclusivamente à oposição ao aborto?
(Sim, eu sei: o Olavo me furou de novo. Mas eu juro que, exatamente como no caso da vacina cubana, minha nota estava escrita antes de eu ler o artigo dele. Também sei que, já que ele escreveu sobre o assunto, eu não precisava dizer nada, mas resolvi publicar essas breves observações assim mesmo.)
DESINFORMATZIA
Confesso que fiquei meio espantado quando abri o "Último segundo" (site de notícias do endinheirado portal iG) e pulou uma janela com um editorial recomendando aos paulistas que votem em Marta Suplicy.
A prática de recomendar o voto em determinado candidato é muito comum na imprensa americana, mas aqui no Brasil é muito mal vista. Lembro-me de uma eleição em que o "JB" recomendou o voto no Fernando Henrique Cardoso, e o resultado foi uma avalanche de assinaturas canceladas.
Mesmo assim, gostei da iniciativa. Não porque qualquer dos argumentos no editorial do iG - ou no editorial de qualquer outro jornal - valha alguma coisa, mas porque essas recomendações servem para acabar de uma vez por todas com o mito de que os jornais brasileiros são imparciais e objetivos. E mais: aposto com quem quiser que nenhum jornal de São Paulo endossará o candidato do PPB, e aposto que, se fizermos uma pesquisa nacional com as recomendações dos diversos jornais, teremos mais de 80% deles recomendando o voto em candidatos da esquerda. Alguém quer arriscar a aposta?
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Uma vez na vida, concordo com a histeria moralista da imprensa e do ministro Gregori: tirem mesmo o Ratinho do ar. Mostrar uma menina de três anos sendo torturada por um bandido é o cúmulo da baixaria, e não há nada que justifique essa exibição (o bandido usou o método do Fidel Castro: destruiu a resistência da vítima com choques e espancamentos, até que ela perdeu o controle do próprio organismo e, então, quando defecou e vomitou, o bandido obrigou-a a comer as próprias fezes).
Mas - claro que teria um "mas" - eu gostaria de ver a mesma histeria voltada para o bandido que torturou a criança. Por que atirar apenas no mensageiro? Por que não aproveitar a ocasião para mostrar o grau de depravação desumana a que esse bandido chegou e, em vez de concentrar todas as críticas no apresentador de TV, criticar também as frescuras sociológicas defendidas por Gregori e cia. para desculpar todo tipo de ato criminoso, frescuras sociológicas que criaram um ambiente de fraqueza penal em que os bandidos se sentem à vontade para cometer todo tipo de atrocidade?
Li que há vários grupos de proteção à infância revoltados com o Ratinho. Por que esses grupos não dirigem sua raiva também ao bandido?
Que nada: o tal bandido está preso, por roubo de carros, e, coitadinho, foi movido de uma cela conjunta para uma solitária, porque a polícia temia que ele sofresse "represálias" dos companheiros de cela. Quanta compaixão!
Demitam, sim o Ratinho. Tirem o programa dele do ar. Mas façam mais que isso: peguem esse bandido e o executem.
Mas não escondido, com algum método suave tipo cadeira elétrica ou injeção letal. Tragam de volta o enforcamento em praça pública, e comecem com ele a usar o método. Eu prometo estar no meio da multidão, aplaudindo e vibrando.
NA REDE
Excelente notícia: a revista inglesa The Spectator, publicada desde 1828 e o periódico mais bem escrito das línguas que conheço, remodelou seu site para facilitar a navegação e aumentar significativamente seu conteúdo.
É verdade que não estão lá Paul Johnson, Deborah Ross, Mark Steyn e Christopher Fildes, mas estão todos os outros colunistas importantes: Taki, Bruce Anderson, Toby Young, Ross Clark, Petronella Wyatt, Stephen Glover, bem como a impagável coluna de etiqueta de Mary Killen, os quase sempre excelentes editoriais e o "diário".
Também não constam do site os artigos escritos por colaboradores não regulares, mas isso é perfeitamente normal em sites de revistas: não seria lógico, afinal, pôr o conteúdo inteiro da revista para qualquer um ler de graça na rede. Mesmo assim, lá estão os cartuns e as resenhas de livros.
Além disso, o site já tem algumas exclusividades (o que é praticamente obrigatório para sites de revistas), como o artigo de Melik Kayan sobre a morte do jornalista Carlos Mavroleon no Paquistão, e a coluna "Wild Life", na qual Aidan Hartley fala de sua vida na África.
Em suma: uma parada semanal altamente recomendada para quem gosta de imprensa inteligente e bem escrita.
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Quem achou brutais as imagens do Ratinho (eu não as vi, apenas li sua descrição na imprensa), não deve deixar de ler o último artigo da dra. Judith Reisman no WorldNetDaily sobre os planos de Hollywood de fazer um filme sobre o "doutor pedófilo" Alfred Kinsey, o pai de todas as teorias de "sexologia" que são ensinadas nas escolas sob o rótulo de "educação sexual".
Kinsey, para fazer suas "pesquisas", contratou uma rede de pedófilos e eles estupraram e molestaram crianças de quatro anos, ou bebês de seis meses, e descreveram os "orgasmos" das crianças (chamando suas cobaias de "parceiros") - tirando daí teses sobre a sexualidade infantil.
Até com o grupo satanista de Aleister Crowley Kinsey se associou - mas seus estudos até hoje são levados a sério, e suas conclusões impostas a crianças e adolescentes nas escolas, e divulgadas pelas sexólogas que espalham seu lixo mental pelos jornais afora. E agora Hollywood, para reforçar o mito, parece disposta a filmar sua vida, segundo Reisman (que leu a informação na coluna de fofocas mais famosa e mais bem paga do mundo, a da depravada Liz Smith), com Harrison Ford ou Tom Hanks. Ratinho perde feio.
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Recomendei no oindividuo e também na newsletter deste site um artigo de Alexander Cockburn relatando os supostos crimes de um antropólogo - Napoleon Chagnon - e um biólogo - James Neel - contra índios ianomâmi na Amazônia. Os crimes são relatados num livro de Patrick Tierney, que resumiu suas descobertas num longo artigo na revista New Yorker de 9 de outubro.
Vários artigos apareceram na internet desmentindo as observações de Tierney, dos quais destaco, até pelos links que traz, o artigo de John Tooby na Slate.
Tierney parece mesmo ter errado em um monte de coisas, mas a questão não é tão simples como parece. Prometo uma análise em breve.
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Nem louco eu me meteria a traduzir, mas quem sabe inglês não pode deixar de ler o breve comentário de Albert Jay Nock sobre os políticos, que Lew Rockwell publicou em seu site. É magnífico.
ARTIGO DA SEMANA
O Papa só é infalível em matérias de moral e doutrina, e mesmo assim desde que não se ponha a inventar doutrinas e morais novas. Em assuntos políticos, longe de ser infalíveis, os papas têm sido falíveis demais.
É em parte graças aos sucessivos equívocos dos papas nas suas condenações ao capitalismo que surgiram aberrações como a teologia da libertação e o apoio quase irrestrito das conferências de bispos ao redor do mundo às plataformas políticas esquerdistas.
Por nos lembrar isso, o artigo de Tom Bethell na belief.net (a coluna de Bethell costuma ser a única coisa que presta nesse site), "Why catholics should vote Republican", é importantíssimo.
"A principal razão pela qual os católicos continuam a apoiar os democratas [e, acrescento eu, os demais partidos de esquerda ao redor do mundo], apesar de os democratas (com poucas exceções) não apoiarem os ensinamentos morais católicos, é que os bispos católicos, como líderes, destroçaram sua autoridade moral. Em vez de se concentrar no cerne espiritual e moral do catolicismo, em questões que se relacionem diretamente com a salvação, os bispos se concetraram em questões sociais seculares. Fazendo isso, eles adotaram a versão liberal, estatizante, da justiça social (socialismo, na verdade), e a apresentam a seus fiéis como ensinamento social católico. Esta, claro, é também a plataforma do Partido Democrata [e dos demais partidos de esquerda]."
Bethell ataca um grupo de lobby católico que nunca faz lobby contra o aborto, mas sempre pede mais impostos contra os ricos e mais "programas sociais", e lembra, em sábias palavras:
"Se os líderes católicos criticassem o capitalismo com base no fato de que esse sistema produz riqueza demais e, assim, põe as almas dos ricos em risco, esta seria uma argumentação respeitável. Mas suas críticas sempre foram baseadas na crença de que o capitalismo não produz riqueza suficiente. Foi aí que a dita "doutrina social católica" errou. A primeira encíclica social católica, 'Rerum Novarum', do Papa Leão XIII (1891), adotou o medo socialista de que um sistema de livre mercado poderia não produzir bens materiais suficientes para os trabalhadores pobres [desculpando a "Rerum Novarum", que de resto é uma boa encíclica, lembro que então não era ainda tão evidente a falsidade desse medo]. Desde então, a história testou as escolhas econômicas: o planejamento central do socialismo na União Soviética contra o capitalismo de laissez-faire em Hong Kong antes da tomada por Beijing. Os resultados são indubitáveis. Em Moscou hoje, pessoas mais velhas, que foram obrigadas a trabalhar num sistema improdutivo ao longo de suas vidas inteiras, podem ser vistas em trapos mendigando em esquinas, enquanto em economias de livre mercado como Hong Kong é difícil encontrar gente suficiente para preencher os empregos disponíveis.
"Ainda assim, o ensinamento social católico permaneceu na linha socialista. A encíclica do Papa Paulo VI de 1968, 'Populorum Progressio', via virtudes no planejamento central e criticava os países ricos por não distribuir sua riqueza com nações mais pobres. Alguns dizem que João Paulo II também apóia a distribuição de riqueza. Minha resposta seria que a doutrina social católica do século passado não foi exatamente uma brilhante conquista intelectual brilhante da Igreja, e que ela distraiu a hierarquia católica da sua missão espiritual.
"Ademais, há tempos os sistemas de 'bem-estar social' que o Partido Democrata e muitos líderes católicos defendem têm estimulado os nascimentos fora do casamento, as mães solteiras e a destruição da família - problemas morais que deveriam ser mais importantes nas preocupações dos líderes espirituais do que rendas desiguais. Mas os bispos americanos, que são quase todos de famílias pertencentes ao Partido Democrata, parecem ser incapazes de repensar o que aprenderam na infância. Redistribuição de renda através do Estado também é coerciva, não admitindo nem a caridade da parte do doador nem a gratidão da parte de quem recebe. Esse sistema é baseado na premissa nada caridosa de que as pessoas, se agirem por conta própria, não farão o bem a seus próximos."
E, portanto, acrescento eu, precisam de que o Estado façam o bem por elas. Aí está a conseqüência da "doutrina social": a responsabilidade pela caridade é transferida do indivíduo para o Estado e seus burocratas. Querendo "fazer o bem", os bispos acabam fazendo o jogo do Anti-Cristo.
Nota: aqueles que enviaram e-mails para cá esta semana não receberam resposta por problemas no meu computador. Espero que, na pior das hipóteses, até quinta-feira que vem esses problemas já estejam resolvidos e eu possa de novo checar as mensagens do "Indivíduo".