No. 41 - 22/12/00
A visão que temos de Papai Noel é, em grande parte, fruto da influência americana. É verdade que a imagem vem de São Nicolau, mas nas culturas européias a ênfase sempre foi não apenas nos presentes que o bom velhinho traria às boas crianças, mas também na punição que traria às crianças más. Esse, por assim dizer, "lado negro" de Papai Noel nunca agradou aos americanos, e o resultado é a imagem bondosa e açucarada que se tornou praticamente hegemônica no mundo - a ponto de, por exemplo, na Inglaterra, em pesquisa recente, mais de 60% dos entrevistados terem associado o Natal a Papai Noel e suas renas e apenas 8% ao nascimento do Cristo.
Mesmo assim, aproveitando o que Olavo de Carvalho fez no primeiro "Imbecil Coletivo", achei que seria divertido escrever uma "carta a Papai Noel", abordando os temas de que costumo tratar nesta coluna. Ei-la.
Prezado Papai Noel,
É possível que esta carta lhe pareça extensa demais e cheia de pedidos impossíveis. Mas estou adotando aquele preceito que os ingleses expressam de forma tão pitoresca como "not to put all your eggs in one basket" - ou não depositar todas as fichas num número só, em linguagem de cassinos, essa atividade aparentemente tão maléfica que o Governo brasileiro proíbe inteiramente. Assim, estou lhe fazendo inúmeros pedidos, na esperança de que o senhor, levando em consideração que tenho sido um bom menino o ano inteiro e que, além de ser Natal, também é meu aniversário, resolva atender a pelo menos um deles.
O clichê do bom-mocismo contemporâneo exige que peçamos "felicidades" e "paz" ou ainda - porca miséria - um "mundo melhor", mas, como não tenho muita certeza do que significa isso, faço pedidos bem concretos - que podem ou não trazer paz, mas que certamente trariam muita felicidade e tornariam melhores as vidas do que resta de pessoas inteligentes neste pobre e estúpido país.
Eu peço, Papai Noel, que os críticos de cinema deixem de chamar todo filme com estética copiada da Nouvelle Vague ou do neo-realismo italiano de "a mais recente inovação cinematográfica";
Que nenhum projeto político tirânico volte a ser apresentado como indispensável para a restauração da ética e satisfação do bem comum, como no caso em que o projeto para acabar com o sigilo bancário é apresentado como o projeto para acabar com "os sonegadores";
Que a imprensa não se utilize da ignorância de seus leitores, que nem sabem ao certo o que é "sonegador", para dar a um crime leve e brando como este o ar de um crime hediondo;
Que, aliás, a palavra "ética" deixe de ser usada para se referir à caça a bodes expiatórios;
Que a expressão "ética na política" e todas as suas conotações sejam banidas de uma vez do discurso político brasileiro;
Que as pessoas deixem de acreditar que os políticos são promotores do bem-estar social;
Que o Brasil deixe de depositar todas as suas fichas no Estado e valorize a iniciativa privada, em todas as áreas;
Que os liberais leiam menos Hayek e mais Von Mises, menos Ayn Rand e mais Murray Rothbard;
Que pelo menos um desses colunistas resolva se aposentar para sempre: Jabor, Veríssimo ou Paul Krugman;
Que John Rawls deixe de ser o muso inspirador dos pensadores políticos brasileiros;
Que a expressão "terceira via" seja abolida para sempre;
Que alguém na esquerda entenda a contradição entre dizer que Cuba é o paraíso na Terra e as inúmeras campanhas de apoio à ilha que consistem em mandar lápis, sapatos e demais artigos básicos que o magnífico regime de Fidel não consegue prover;
Que ninguém mais culpe as privatizações pelos problemas na telefonia, sem lembrar que, dois anos atrás, uma linha telefônica custava dois mil reais e levava no mínimo dois anos para ser instalada;
Que o suplemento para crianças do Globo pare de fazer doutrinação comunista e pregação New Age;
Que se leia menos Nietzsche e mais Aristóteles;
Que ninguém repita o argumento idiota em favor do ceticismo de que a sede de conhecimento equivale à sede de dominação sobre os outros;
Que os jornais e revistas resolvam seguir o caminho da Época e do Globo, que deram uma coluna ao prof. Olavo de Carvalho, e abrir espaço para vozes dissidentes no meio da mesmice cultural brasileira;
Que a Forbes brasileira se torne mais parecida com a americana e menos parecida com a "Exame" ou a "Carta Capital";
Que a moda de anúncios musicais na internet não prospere;
Que os jornais aprendam a simplificar seus sites;
Que a Netscape lance um browser decente e não um programa feito para quem não se incomoda em levar três horas para abrir uma janela;
Que a AOL decida se quer o ICQ ou o Instant Messenger e perceba a loucura que é manter os dois;
Que a Microsof não se iguale a seus inimigos apelando para o Estado americano para que faça com a AOL o mesmo que está tentando fazer com ela;
Que as pessoas parem de escrever "a quatro anos" no lugar de "há quatro anos";
Que surja alguma vida inteligente no mundo acadêmico, de preferência nas universidades particulares;
Que o MEC resolva fechar as portas para sempre;
Que alguém ponha fim à reserva de mercado que só permite que os detentores de atestado de lobotomia assinados pelos centros de doutrinação conhecidos como universidades trabalhem em áreas como jornalismo, direito e medicina;
Que nenhum imbecil volte a fazer a bisonha comparação entre as vítimas da Inquisição e as vítimas do comunismo;
Que ninguém nunca mais me mande um e-mail perguntando por que acredito em Deus.
Desejo também, Papai Noel, que o Papa deixe de pedir desculpas por ser católico;
Que os católicos procurem entender pelo menos o Credo dos Apóstolos;
Que nenhum cretino me acuse de desobediência ou de heterodoxia porque critico o Vaticano II e a reforma litúrgica;
Que os católicos leiam mais São Tomás e menos Maritain, mais Bernanos e menos Teilhard de Chardin, mais Leonel Franca e menos "frei" Betto;
Que os católicos, em vez de achar que a Igreja tem feito progressos maravilhosos, procurem conhecer melhor os mártires deste século e notem que talvez nem nos tempos do Império Romano a Igreja foi tão perseguida e se perguntem se este realmente é um mundo que querem abraçar com o entusiasmo sugerido pelo Vaticano II;
Que a imprensa note o fato acima antes de proferir diatribes histéricas contra o "poder do Vaticano";
Que os defensores da teoria da evolução deixem de se pintar a si mesmos como guardiões da sabedoria e das luzes contra as forças do obscurantismo medieval;
Que, mesmo que o pedido acima não seja atendido, ao menos as pessoas percebam como esses defensores estão fazendo papel de palhaços ao pintar esse retrato de si mesmos;
Que céticos, agnósticos e similares continuem falando tudo que quiserem, mas que não voltem a usar o argumento de que a religião é algo que os homens inventaram para "fugir da dureza da realidade", porque isso aí já é abusar do direito de dizer asneira.
E, por fim, numa nota pessoal, que este site continue a crescer e ganhe novos colaboradores e que eu tenha paciência para terminar a produção de meu site pessoal.
Obrigado pela sua atenção, Papai Noel.
DESINFORMATZIA
O assunto já está ficando chato, então eu prometo que está é a minha última palavra a respeito. Mas vale a pena fazer um inventário das mentiras onipresentes na imprensa brasileira a respeito da eleição americana. É verdade que essas mentiras foram todas copiadas da imprensa americana, mas os EUA têm a vantagem de ter jornais e revistas de todas as orientações ideológicas, enquanto no Brasil os jornais conseguem a façanha de ser todos rigorosamente iguais - e de se imaginarem órgãos imparciais.
A melhor maneira de definir a imprensa brasileira é comparando-a à imprensa inglesa: aqui, todos os jornais são o Guardian, mas todos imaginam ser o Times.
Dito isto, vamos à desinformação:
1 - Bush ganhou por não contar todos os votos.
Esta é a GRANDE mentira da cobertura da eleição na imprensa, repetida por Lucas Mendes, Veríssimo e congêneres.
Os votos na Flórida foram contados TRÊS vezes, e Bush ganhou todas as três. O que Gore pretendia era uma recontagem manual em alguns condados - justamente aqueles condados com maior contingente de eleitores democratas - para tentar adivinhar a intenção dos eleitores dos "undervotes" ("subvotos").
Mas isso é uma piada, porque um "undervote" não é um voto, é uma cédula que não foi preenchida corretamente e, por isso, não foi contada pelas máquinas. Como as cédulas não foram preenchidas corretamente, não há nenhuma maneira de saber em quem esses eleitores votaram ou pretendiam votar.
Darei um exemplo: nas últimas eleições municipais brasileiras, a máquina pedia, primeiro, que você entrasse com número do prefeito e, depois, do vereador. Minha avó não leu nada disso e, assim que apareceu na sua frente um espaço para digitar números, digitou os números do vereador em quem pretendia votar. Deu tudo errado - é claro - e ela não conseguiu corrigir. Vamos fazer o quê? Inventar uma recontagem manual para que ela possa dar o seu voto ao vereador? É óbvio que é impossível.
2- É óbvio que Gore teve mais votos na Flórida
Isso eu li por acaso na coluna de um desses cretinos que escrevem sobre economia, não me lembro agora qual deles. "Óbvio" por quê?
Em todas as TRÊS recontagens, Bush ficou na frente. De onde mais iam tirar votos para Gore?
E ainda há mais - e isto não foi assinalado por quase ninguém: as redes de televisão deram como certa a vitória de Gore na Flórida antes que as urnas fossem fechadas na área oeste da Flórida. Imagine que você é um eleitor republicano na Flórida, sentado na sua poltrona vendo televisão antes de ir votar. E lá está: a TV dá como certo que seu candidato será derrotado em seu estado. Por que diabos você se daria o trabalho de ir até o local da votação, se seu voto não faria a menor diferença?
Pois bem: nessa área da Flórida, 65% dos votos foram para Bush, mas, em relação às últimas eleições, o número de votos dos republicanos, em comparação com os democratas, caiu em 4%, queda que não pode ser explicada por nenhum outro fator que não a interferência das redes de televisão.
Ademais, existe a questão dos votos ilegais. Contando meio milhão de votos em 12 condados, o Miami Herald encontrou 445 votos de criminosos condenados - o que, lá como cá, é contra a lei - incluindo 62 ladrões, 56 traficantes de drogas, 45 assassinos, 16 estupradores e 7 seqüestradores. 75% desses criminosos eram democratas registrados.
Se essa amostra é representativa - e ela constitui 8% de todos os eleitores da Flórida, o que me parece bastante representativo - quase 5000 criminosos votaram de forma ilegal na Flórida, a esmagadora maioria deles para Gore. Imaginem se esses votos não tivessem sido contados...
3- A Suprema Corte só votou como votou porque seus juízes são republicanos
Os macacos repetidores dessa frase se esquecem de acrescentar o seguinte: num tribunal da Flórida, um juiz democrata decidiu exatamente a mesma coisa: que a recontagem que Gore pedia não tinha base ilegal e não tinha parâmetros que garantissem sua veracidade.
Notem: esse juiz não só é democrata, como tinha sido preterido para uma promoção por Jeb Bush, irmão do presidente-eleito.
A Suprema Corte da Flórida foi acionada para reverter essa decisão, e três de seus sete juízes votaram pela sua manutenção, com o detalhe de que os três são democratas.
4- A Suprema Corte feriu os direitos do Estado da Flórida
Não é engraçado que as mesmas pessoas que querem abolir o Colégio Eleitoral e o federalismo se apresentem como defensoras dos direitos do Estado da Flórida?
De qualquer maneira, o argumento é tolo. A Suprema Corte, na verdade, resguardou os direitos do Estado da Flórida, porque, pelas leis desse Estado, quem tem a competência para certificar os votos é a secretária de Estado e quem tem a competência para designar os representantes do Estado no Colégio Eleitoral é o Legislativo.
A Suprema Corte da Flórida quis usurpar essas competências, e a Suprema Corte americana devolveu-as a quem a elas tinha direito, resguardando a constituição da Flórida.
5- Bush assume sem legitimidade
Esse é o atual mantra de Jesse Jackson, mas Arnaldo Jabor não hesitou em repeti-lo, naquele que foi talvez o pior artigo publicado em toda a imprensa brasileira no ano de 2000.
De resto, esta é uma crença que a imprensa gosta de repetir, porque ela representa exatamente o que pensam os jornalistas e os jornalistas são tolos e provincianos a ponto de pensar que as crenças dos meios que freqüentam correspondem às crenças da população em geral.
A verdade é que Dubya assume com muito mais apoio das bases republicanas do que teria normalmente. Durante a tentativa golpista de Gore, os republicanos cerraram fileiras em torno de um candidato que nunca tinha conseguido empolgá-los, e fizeram protestos públicos como há muito tempo não faziam.
E protestos públicos de republicanos representam muito, porque, ao contrário dos democratas, eles não fazem isso por profissão. Quando há um protesto de republicanos, não são burocratas, jornalistas, mães solteiras que vivem de welfare, professores universitários e estudantes de cabeça oca que estão ali; são pais e mães de família, trabalhadores honestos e geradores de riqueza que estão tomando um tempo de seus afazeres reais para protestar em favor de algo em que acreditam.
Ademais, muitas pesquisas mostram que o apoio a Gore decresceu nos últimos meses, graças a sua conduta lastimável. Ficou provado que ele é capaz de qualquer coisa para conquistar o governo e que ele realmente se acredita numa missão messiânica para liderar o mundo em direção à Nova Ordem.
Se a imprensa diz que Bush não tem legitimidade, é porque essa realmente é a opinião nos meios esquerdistas dos próprios jornalistas, mas isso de maneira alguma reflete o que se passou nos EUA nas últimas semanas.
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A cobertura das eleições americanas foi uma ocasião de vergonha para a imprensa, tanto a brasileira quanto a americana. Mas, pensando bem, a americana estava no papel dela: só um idiota acha que o New York Times e o Washington Post têm algum compromisso com a imparcialidade; eles estão lá para fazer campanha para seus amados democratas. Este não é o caso da imprensa brasileira: era de se esperar de nossos jornais uma cobertura pelo menos um pouco mais equilibrada. Mas eles mostraram que são inteiramente dependentes do Times e do Post, que são incapazes de distinguir nesses jornais o que é propaganda do que é notícia.
Quanto aos nossos colunistas e correspondentes estrangeiros, nada de novo. Essa gente mostrou sua horrenda máscara ideológica, pela milésima vez. E é preciso ser tão tolo quanto Veríssimo ou Jabor para levar Veríssimo e Jabor a sério.
NA REDE
Pat Buchanan disse, algum tempo atrás, que se fosse eleito presidente, no momento de seu discurso de posse (que lá eles chamam discurso de inauguração), seu primeiro ato seria virar-se para Bill Clinton com uma algema e dizer "Sir, you have the right to remain silent..."
Infelizmente, Dubya Bush não fará a mesma coisa e, aliás, seu primeiro discurso como presidente eleito foi de uma chatice sem par. O Dr. Charles Davenport, escrevendo no LewRockwell.com, propôs um discurso alternativo, o discurso que Dubya faria se tivesse uma recaída no whisky. Vale a pena ler o discurso todo, mas abaixo traduzi alguns dos trechos finais:
"Eu tenho algo a pedir a vocês, a pedir a cada americano. Eu peço a vocês que rezem por esta grande nação. Eu peço a vocês que rezem pelo vice-presidente Gore, que é um homem doente. E se vocês são ateus, então esfreguem seus cristais, ou que quer que vocês costumem fazer.
"Eu tenho fé que com a ajuda de Dick nós seguiremos adiante como nação, talvez em direção à Europa, ou ao México, ou para onde quer que nós, uma nação indivisível, estejamos indo. E não importa que nós dirijamos Buicks ou Cadillacs ou aqueles carrinhos estrangeiros que algumas pessoas dirigem, juntos nós vamos criar uma America aberta, de maneira que todo cidadão tenha acesso à estrada americana, uma estrada que é lisa e pavimentada, para que cada criança tenha as chaves de um carro e saiba não arrastar corpos atrás dele.
"O presidente dos Estados Unidos sou eu.
"Quer vocês tenham votado em mim ou não, eu tentarei fazer o melhor para aprender seus nomes.
"Eu serei guiado pelo sentido de propóisito de Jefferson. Ele foi presidente também. Ele escreveu muito, muito mesmo, e ele, também, foi proprietário de cachorros e cavalos. E de pessoas negras.
"A Presidência é mais que uma honra. É mais que um escritório, uma escrivaninha, um sofá, algumas cadeiras.
"Continue a festa, América!"
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A comparação que Robert Fisk faz entre o lobby israelita e o mccarthyismo só é errada porque McCarthy e seus seguidores jamais usariam estratégias tão baixas como a dos propagandistas de Israel espalhados pelo mundo. Já escrevi o que tinha que escrever sobre a histeria totalitária dirigida contra quem ousa divergir da linha oficial israelense, mas vale citar um trecho do artigo de Fisk:
"A tentativa de forçar a mídia a obedecer às regras de Israel é agora internacional. Devemos dizer que Israel está sendo sitiada pelos palestinos (e não ocupando terra palestina), que os palestinos são responsáveis pela violência (embora os palestinos sejam as principais vítimas), que Arafat recusou um acordo favorável em Camp David (apesar de lhe terem oferecido em torno de 60% de suas terras, não 94%), e que os palestinos fazem sacrifícios de crianças (em vez de questionarmos por que as tropas de Israel atiraram em tantas crianças palestinas)."
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Taki, magnífico, na Spectator:
"A melhor maneira de magoar alguém que você ama é dizer-lhe toda a verdade e nada além da verdade. Na Europa, quando um homem diz a uma mulher exatamente o que se passou na sua cabeça quando ele estava com outra, chamamos isso de crueldade e bizarrice. (...)
"Nos EUA, contar tudo é chamado de sinceridade. O problema com a sinceridade é o animal humano. Ela é a mais insegura das espécies, ergo, nós inventamos tortuosas maneiras e meios de deixar esse animal mais relaxado. A retenção de informações, a fabricação de fatos, ou como quer que escolhamos chamar, deixa o objeto daquele engano mais confortável. Nos anos sessenta e setenta, quando a terapia de grupo incentivava a discussão de sentimentos, proximidade e a importância de compartilhar experiências, muitos americanos sofreram uma mudança completa de personalidade. Muitos casamentos desceram pelo ralo porque um ou outro parceiro (palavra horrível), num excesso de sentimentalismo, decidiu confessar. Os católicos, de forma muito sensata, confessam para alguém que eles nem vêem, atrás de uma divisória.
"Desnecessário dizer, a chamada liberação sexual nada fez para diminuir a dor do ciúme. Apenas uma dose bem medida de inverdade ajuda. (...) Por que homens de verdade têm casos? Porque eles podem, enquanto covardes, gente feia, socialistas, Blaristas e escrevinhadores do Guardian não podem. Quando Robin Day perguntou a Tony Lambton em 1973 por que ele, que tinha uma esposa e uma amante, ainda precisava recorrer às prostitutas às vezes, ele corretamente respondeu que gostava de variedade. Hear, hear."
Reproduzo isso, claro, não para fazer apologia da infidelidade ou muito menos da prostituição, mas para mostrar que, em determinados assuntos, não adianta fazer muxoxos puritanos com ar indignado. É a natureza humana, imperfeita e pecaminosa.
MUNDO ACADÊMICO
Só um breve comentário para mostrar como é absurdo esse "Provão" do MEC: segundo os resultados auferidos pelos burocratas da educação, a melhor faculdade de economia do Brasil é a da Unicamp.
Acontece que a Unicamp é a pior faculdade de economia do Brasil, um antro de keynesianos e marxistas que passam o tempo todo inventando políticas dirigistas e redistributivas, o que já levou um conhecido economista a dizer que ou o Brasil acaba com a Unicamp ou a Unicamp acaba com o Brasil.
Se esse reduto de mentes perversas é considerado o melhor local para o aprendizado de economia no país, já dá para termos uma idéia dos critérios que norteiam a avaliação do MEC...
POLITICAGENS
Um motivo para não usar seu cartão MasterCard em dezembro: parte de seu dinheiro estará indo para a Unicef.
É verdade que poucos gostariam que o dinheiro de seus impostos fosse para financiar os tiranetes do Ministério da Educação, mas nesse caso não há nada que se possa fazer. No caso do MasterCard, temos a nossa disposição esse maravilhoso instrumento do consumidor: o boicote.
ARTIGO DA SEMANA
Kevin Yuill, professor de História na Universidade de Sunderland, começa seu artigo na Spectator de 09 de dezembro contando o suicídio de seu amigo Collin, que se matou com uma pistola num hotel, durante sua juventude, deixando apenas uma nota dizendo "Sinto muito". E comenta:
"Este evento lançou uma profunda sombra sobre a cidade e marcou o fim da minha infância. Por semanas e meses depois, meus amigos e eu não conseguíamos falar de mais nada. Nós varávamos as noites acordados, bebendo café até que nossas mãos tremessem, antes de passarmos para o whisky. Por que ele fizera isso? Algum de nós poderia ter feito alguma coisa para evitar? Nós falháramos com ele? No fim, concluímos que Collin não teve coragem de enfrentar seus problemas e não teve respeito com aqueles que deixou para trás. Pensara ele em como seus pais, que envelheceram visivelmente nas semanas seguintes, se sentiriam? Sua mãe parou de falar por três meses, por não querer ou por não conseguir falar. Seu pai, com quem eu trabalhava, tirou seis meses de licença, passando praticamente todo esse tempo olhando para fora pela janela, mal respondendo quando eu passava e acenava. Collin pensara em seu irmão mais velho, que passou a ficar todo o tempo no bar local, talvez para evitar ir para casa? Tinha ele imaginado o impacto que sua morte teria na sua irmã de 14 anos, que corria chorando da escola para casa, deitava no travesseiro do irmão e chorava por horas? Até mesmo aqueles que mal o conheciam falavam baixo e balançavam suas cabeças quando o nome de sua família era mencionado. Collin rejeitou não apenas aqueles em volta dele, mas também as gloriosas possibilidades do futuro, o encanto e a maravilha das experiências da vida. Eu ainda sinto um tipo de raiva misturado com tristeza quando penso nele."
E prossegue:
"A raiva que eu sinto quando ouço os argumentos da campanha em favor da legalização da eutanásia, aparentemente incentivada pela legalização da prática na Holanda semana passada, pode ter alguma qualidade catártica. Mas há poucas dúvidas de que a campanha pela eutanásia legalizada é construída com base no mesmo desrespeito casual pela vida humana, a mesma mentalidade escapista que dominou Collin.
"À primeira vista, esses dois aspectos do suicídio não poderiam ser mais diferentes. Superficialmente, legalizar a eutanásia - ou o 'suicídio assistido' - parece uma idéia racional ou até humanitária. Afinal, por que não ajudar alguém com uma doença terminal e sofrendo dores desesperadoras pondo fim à sua vida antes que a natureza tome seu caminho? Por que os médicos deveriam estar ameaçados de perseguição por tomar o que são, afinal de contas, ações humanitárias? Por que permitir que grupos religiosos impeçam o reconhecimento de um direito civil fundamental? Essas são as perguntas levantadas pelo Deputado do Labour Party Joe Ashton e por outros em campanha a favor da eutanásia. Ashton reclamou numa entrevista à Radio Four semana passada que os católicos e os muçulmanos estavam impedindo a reforma das leis britânicas que impedem a eutanásia.
"Mas a oposição vem de outras direções também. Grupos de deficientes como o 'Não Mortos Ainda' nos EUA argumentam que promover a opção da morte para aqueles com menor 'qualidade de vida' desmoralizaria as vidas de pessoas deficientes lutando contra condições similares. Aqueles envolvidos no movimento dos asilos também protestam que é possível aliviar qualquer dor com as drogas modernas. Eles assinalam que não há nenhum estudo até hoje em país nenhum demonstrando que a dor desempenha um papel importante nos suicídios assistidos. O problema, eles insistem, é a dor psicológica. Obviamente, há casos em que é mais humano apressar a morte nas últimas horas da vida. Este não é um problema novo. No passado, quando situações como esta surgiam, os médicos rotineiramente ministravam uma dose de morfina suficiente não apenas para parar a dor, mas também para diminuir a respiração a ponto de pará-la. Ninguém objetava. Talvez o exemplo mais famoso diga respeito a Lord Dawson, que ajudou o rei George V a morrer em 1936 e depois confessou na Casa dos Lordes, dizendo que todos os bons médicos faziam isso. É provável que esse procedimento permaneça até hoje. Nenhum médico nunca foi processado por tal ação neste país ou na Holanda. A ironia é que a campanha, trazendo à luz essas situações, deixou os médicos nervosos na hora de tomar tais decisões quotidianas e benéficas, provavelmente prolongando o sofrimento como resultado.
"Um dos fatos perdidos em meio aos debates é que existe muito pouca demanda por eutanásia voluntária. Embora pudéssemos supor o contrário, os maiores opositores da legalização estão na faixa de idade de 70 anos ou mais. Na Holanda, onde a eutanásia foi descriminada desde 1986, apenas 2 ou 3% dos pacientes com doenças terminais optam pela eutanásia. Muitos dos que defendem a legalização são parentes ou amigos de alguém que tenha sofrido uma morte prolongada, agonizante e progressivamente destrutiva. Um pai vigoroso ou uma mãe enérgica que decaem na fraqueza física e talvez no obscurecimento mental. Filhos, netos, irmãos, que testemunhem esse tipo de morte fazem votos de nunca se deixar cair naquele estado.
"Os mais fortes defensores da legalização do suicídio assistido, de acordo com pesquisas feitas nos EUA, são homens na faixa etária entre 18 e 44 anos. Qualquer um que deseje ver os mais entusiásticos argumentos em defesa da eutanásia deve digitar 'voluntary euthanasia' em qualquer programa de busca na internet. Aqui, a questão da morte ganha vida. Neste mais novo dos meios de comunicação, dominado pelos jovens bem educados e progressistas, é possível navegar por sites macabros tais como 'Deathnet' ('rede da morte'), 'LibertyNow' ('liberdade já') e a 'Dying Well Network' ('rede da boa morte'), assim como aqueles grupos mais conhecidos como a Sociedade da Eutanásia Voluntária. Muitos desses sites refletem um estranho tipo de afetação religiosa New Age, sugerindo que o clamor pelo suicídio assistido decorre da necessidade de substituir os rituais de sacrifícios de religiões menos estabelecidas, menos esotéricas. Por exemplo, a Sociedade Hemlock - uma das mais conhecidas propagandistas em favor da liberalização - tem uma filial em Pittsburgh que fornece uma 'equipe de assistência' que viajará para onde estiver o paciente a fim de 'preparar espiritualmente os doentes terminais ou desenganados para o suicídio e guiá-los para uma entrada pacífica no Outro Lado'. A 'equipe' se gaba de basear-se em 'extensas pesquisas em experiências de quase-morte'.
"Por trás dos apelos à liberdade, aos direitos civis e à autonomia está um impregnante medo da vida e de viver. As gerações passadas sentiam-se capazes de enfrentar qualquer desafio, inclusive a morte e a doença. Hoje, muitos se sentem abandonados por Deus, alienados da humanidade, desconfiados dos médicos e incapazes de lidar com as realidades da vida. O suicídio assistido é a pílula de arsênico que aqueles que vêem a sociedade humana como o grande inimigo têm para tomar quando se sentem prisioneiros.
"Os efeitos mais corrosivos da liberalização da lei atual não seriam um aumento na demanda por eutanásia, mas as implicações para a sociedade em torno. Como os grupos de deficientes corretamente perguntam, quem definirá a 'qualidade de vida', um critério para decisões que dizem respeito à eutanásia voluntária? Se for o indivíduo, então todos os suicídios, inclusive aqueles como o de Collin, devem ser permitidos e até assistidos. Se forem os médicos, que critérios eles usarão para avaliar a qualidade de vida do indivíduo? Alguns doentes terminais vivem vidas ativas e produtivas durante seus últimos dias, enquanto outras com a mesma doença não o fazem.
"Encorajar uma visão tão turva, solipsista da vida - a de que a morte é a solução para os problemas da vida - arrisca desmoralizar todos nós, não apenas os deficientes. Relativizar a vida, como se ela não fosse melhor do que a morte, é tão perigoso quanto estúpido. Se nós não encaramos todas as vidas humanas como dignas de ser preservadas, seremos forçados a questionar as leis que condenam o homicídio quer a vítima seja um doente terminal idoso ou um jovem com muitos anos pela frente.
"Eu já perdi a conta das vezes que voltei mentalmente àquele amorfo quarto de hotel e cheguei a tempo de tirar a pistola das mãos de Collin. Eu costumava ler em voz alta o discurso que faria para evitar que ele tentasse se matar novamente. Ninguém, infelizmente, pode parar um suicida determinado. Mas podemos desencorajar a opinião de que a morte é uma alternativa atraente para as dificuldades da vida."