No. 43 - 05/01/01

Fui vítima do ódio da Época aos textos. Como eles não conseguem conceber que seus leitores tenham concentração suficiente para ler qualquer coisa com mais de cinco linhas, sua seção de cartas, embora ocupe duas páginas, só permite cartas lacônicas, quase sem sentido.

Pois vejam só como foi publicada uma carta minha na edição de 01/01/2001:

"O celebrado senhor Lúcio Flávio Pinto critica a revista por dar espaço a um filósofo sem importância, apesar de Olavo de Carvalho ter escrito dez livros (em um demonstra o que há de errado no marxismo) e várias apostilas. ÉPOCA presta um grande serviço ao pensamento brasileiro mantendo um escritor tão original e arguto como ele."

Isso aí foi o que as sumidades da revista fizeram com a seguinte carta, enviada dia 21/12/00:

"Sr. Editor,

"Para defender um escritor que condena como reacionarismo burguês a distinção entre teoria e práxis, o sr. Lúcio Flávio Pinto ("Minha Vez", 18/12/00) diz que, apesar de as propostas práticas desse escritor nada valerem, suas teorias ainda têm muito a nos ensinar.

"Este monumento à coerência foi o único argumento que consegui encontrar em seu artigo inteiro - artigo cheio de digressões e subjetivismos irrelevantes e sem nenhuma relação com o texto que pretende refutar -, no qual ele critica o filósofo Olavo de Carvalho por apresentar poucos argumentos e por ser pouco profundo - em comparação, imagino, com a densidade de sua própria prosa.

"O universalmente celebrado sr. Pinto também critica a Época por dar um espaço semanal a um filósofo sem substância e sem importância, apesar de Olavo de Carvalho ter escrito mais de dez livros (um dos quais com uma demonstração detalhada do que há de errado no marxismo), mais de duzentas apostilas sobre praticamente todos os temas filosóficos e de um recente congresso no Rio de Janeiro ter reunido uma centena de pessoas para discutir sua obra. O que nem o sr. Pinto nem ninguém pode esperar é que, no exíguo espaço de uma página de revista, Olavo de Carvalho consiga levar sua argumentação às minúcias dialéticas e lógicas que nos acostumamos a ver em seus livros.

"Minúcias, aliás, completamente alheias ao estilo telegráfico de Paulo Francis, que o sr. Pinto, ignorando evidentes diferenças de escrita e pensamento entre os dois, acusa Olavo de Carvalho de imitar.

"Época faz um grande serviço ao pensamento brasileiro, mantendo um escritor tão original e arguto como Olavo de Carvalho em suas páginas. Espero que a revista não se deixe intimidar por apelos tolos de quem não suporta ler na imprensa uma opinião diferente da sua.''

Em anos enviando cartas para jornais e revistas (quase sempre tendo-as publicadas), nunca vi nada parecido. A carta foi tão editada que a argumentação foi para o espaço. Mandei para eles a seguinte reclamação:

"Sr. Editor,

"Entendo que existam problemas de espaço e que as cartas enviadas por leitores precisem ser editadas, mas nunca vi uma carta ser editada de forma tão desonesta quanto a minha, publicada na mais recente edição de sua revista. Os principais argumentos da carta foram ignorados em favor de uma observação secundária, palavras foram substituídas por outras sem o mesmo peso, advérbios com qualificações importantes foram cortados, e criou-se uma ambigüidade absurda na última frase (pelo que foi publicado, não fica claro se o 'ele' desta frase se refere ao bufão Flávio Pinto ou ao filósofo Olavo de Carvalho).

" Seria mais justo, mais honesto, mais ético - para usar um termo da moda jornalística - que algum de seus editores me consultasse a respeito de cortes tão abruptos, e eu poderia lhe responder que era melhor não publicar a carta do que fazer parecer que ela foi escrita por uma criança de 10 anos de idade

" Se Época dá algum valor à opinião de seus leitores, seria de se esperar que se portasse com mais seriedade e mais probidade no momento de publicá-la, e não que procurasse fazê-los parecer tolos semi-letrados."

Alguém da redação me respondeu dizendo que "o texto foi fiel aos meus comentários"; que ele realmente acredite nisto mostra sua incompetência para o cargo que ocupa. É óbvio que o texto não foi fiel aos meus comentários, porque eles simplesmente desapareceram! Depois me perguntam por que reclamo tanto da imprensa brasileira...

Bom, nossa lastimável imprensa é uma das protagonistas da parte I da minha eleição do pior e do melhor de 2000. Esta semana, internet e imprensa. Não percam, semana que vem, os melhores e piores filmes, o melhor e o pior na política e as maiores idiotices.

Antes, uma observação: O Indivíduo é obviamente, hors concours, assim como o prof. Olavo de Carvalho e seu site. É óbvio que Olavo é o melhor colunista que há por aí e é óbvio que seu site é o que há de melhor na internet brasileira, e, por isso mesmo, ficou de fora da eleição.

 

NA REDE

Melhor site brasileiro
Último Segundo

O design é ruim, a página é pesada e causa problemas com freqüência, mas o Último Segundo do iG é o único portal de notícias da internet brasileira digno do nome. Sim, os colunistas são ruins, mas os colunistas de todos os outros sites também são; neste, pelo menos, as notícias são bem redigidas, abrangentes e atualizadas com freqüência, ao contrário do UOL e da Folha online, que parecem escritos por crianças na escola primária, e do Globo.com, que não tem praticamente notícia nenhuma.

Pior site brasileiro
O "portal" Globo.com

Este "portal" demonstra de uma vez por todas que o tal "padrão Globo de qualidade" não passa de um mito. O site é lento, mal desenhado e inútil.

Prêmio "King Kong"
Elio Gaspari

O nosso caro Gaspari pagou o mico do ano, ao criar com muito alarde um site no qual comentaria notícias diariamente. Não agüentou a pressão e, pouco tempo depois, abandonou o site sem maiores explicações. É, seu Gaspari, acha que coluna na internet é para qualquer um?

Pior reformulação de site
Jornal da Tarde

O que há de melhor na versão vespertina do Estadão é a seção de opinião, com articulistas de altíssimo nível como José Carlos Azevedo, Olavo de Carvalho, Gilberto de Mello Kijawski e J.O. de Meira Penna; no design anterior, todos os artigos ficavam arquivados numa página só durante uma quinzena, o que permitia acessar direto a página de opinião e ler quase tudo o que interessava. Agora, a operação ficou mais complicada e, além de tudo, o site ficou muito feio.

Prêmio "eles morreram mas se esqueceram de deitar"
Correio da Cidadania

Passei um tempo fascinado com o site, mas agora minha fascinação deu lugar a um fastio mortal. Os caras são chatos, suas argumentações são simplórias e os temas são antiquados. Como pontos positivos, apenas sua defesa dos palestinos e suas críticas às sanções econômicas, dois pontos nos quais estou com a esquerda e não abro.

Melhor site estrangeiro
LewRockwell.com

Em discurso recente, Rockwell disse que o objetivo de seu site é disseminar idéias sobre a liberdade e criar recursos para formação de novos intelectuais. Seu site cumpre esse propósito com brilho.

Este é o site que eu visito todos os dias e, quando perco, vou aos arquivos ver o que perdi. Rockwell escolhe os melhores artigos, as notícias mais interessantes, e os apresenta com os comentários geniais. Meu momento preferido foi quando ele linkou para uma notícia dizendo "Dois adolescentes são presas por fazer o mesmo que Alan Greenspan" - os dois adolescentes tinham feito cópias de dinheiro, criando dinheiro falso.

E não é só isso: aos poucos, o site foi juntando uma legião de colunistas brilhantes. É claro que Sobran - cujos artigos são reproduzidos lá desde o começo - e o próprio Rockwell são as principais estrelas, mas logo o site deu voz a escritores conhecidos mas sem muito espaço na imprensa, como Paul Gottfried, Wendy McElroy, Patricia Neill, Gary North e Steven Yates, a alguns dos principais nomes do movimento libertário (que costumam escrever ensaios mais detalhados nas publicações do Mises Institut), como Hans-Hermann Hoppe, James Ostrowski, Ralph Raico e William Anderson, e a desconhecidos de muito talento, verdadeiros achados, como Michael Peirce, Scott Wilkerson e Humberto Fontova, alguns deles muito jovens, como Myles Kantor, Karen De Coster, Ryan McMaken e Jeremy Sapienza. Isso sem falar na magnífica dupla Gene Callahan e Stu Morgenstein.

Infelizmente, enquanto o LRC se estabelece como a principal fonte de notícias e comentários para quem não quer perder tempo com besteira, o site pioneiro nesse tipo de coisa, o WorldNetDaily, decai a olhos vistos. Certo, Lew Rockwell, Alan Bock e Henry Lamb ainda estão lá, volta e meia o editor chefe, Joseph Farah, publica algum artigo brilhante, mas de todas as modificações pelas quais o site sofreu desde que deixou de ser sem fins lucrativos para se tornar uma empresa, praticamente todas foram para pior.

A excelente coluna de internet de Lisa Ronthal foi extinta e substituída por uma coluna inteiramente imbecil, e as cinco excelentes adições ao corpo de colunistas - Jude Wanniski, Gordon Prather, Bill Steigerwald e os Greniers - aliviam mas não compensam a overdose de neoconservadores, teóricos da conspiração, saudosos da guerra fria, evangélicos fundamentalistas malucos, e mulheres que adoram "lei e ordem". Alguém poderia lembrar que também estão lá Walter Williams e Larry Elder, mas eles não são exclusivos: os mesmos artigos podem ser lidos no Town Hall, cuja coleção de colunistas, mesmo contendo neoconservadores como Bill Buckley, é infinitamente superior à do WND.

A contratação do bisonho Hal Lindsay aumentou o absurdo num site que já tinha J.R. Nyquist, Tanya Metsaksa, Jerry Falwell, Casey Brooks, Jane Chastain, Barbara Simpson e similares.

E a orientação geral do site seguiu esses padrões. Agora, cada dia há uma "ameaça" nova nas páginas do WND. Uma hora é a China que vai pôr em prática planos para a dominação mundial, outra hora é a Coréia que vai destruir a civilização tal como a conhecemos, ou ainda é a Rússia que vai ressurgir das cinzas e recriar o império soviético com a ajuda chinesa. Mas, curiosamente, não me lembro de ter lido ninguém no WND se compadecendo com os chechenos, brutalmente assassinados pelos russos numa guerra sangrenta e desigual, na qual não têm o apoio de absolutamente ninguém, talvez porque os chechenos sejam muçulmanos, o que, para o WND, equivale a deixar de fazer parte da raça humana e se tornar algum tipo de animal que precisa ser ou morto ou conquistado pelas raças civilizadas. Daí a cobertura dada ao massacre dos palestinos em Israel, cobertura na qual o WND competiu em absurdo com o Jerusalem Post, que publicou a imortal manchete: "O sacrifício de crianças é versão árabe do paganismo".

Como se isso fosse pouco, ainda tivemos o WND fazendo coro ao New York Times num dos episódios mais vergonhosos da história da imprensa: a perseguição ao cientista Wen Ho Lee, que o WND acredita até hoje ser um perigoso espião chinês. Justiça seja feita, ao menos o WND publicou os artigos de Gordon Prather e Jude Wanniski mostrando os absurdos das acusações.

A dança das cadeiras dos editores na página de comentários fez muito mal ao site. O melhor período foi o começo do ano, quando a página estava sendo editada por Claire Wolfe, que fez um trabalho excelente, que sua substituta, Cynthia Grenier, conseguiu manter no mesmo nível. Sob o comando delas, os artigos selecionados eram divertidos, mordazes e sendo pendendo mais para os libertários e paleo-conservadores do que para os neos. Desde que Joel Miller assumiu, a página está, na melhor das hipóteses, medíocre; há um excesso de trivialidades e as opiniões encontradas ali não diferem substancialmente das encontradas em qualquer jornal ou revista do mainstream conservador, como o Washington Times, o Wall Street Journal e a National Review - não por acaso, as três principais fontes usadas por Miller.

Até mesmo a seção de esportes, que começou excelente, com escritores de alto nível, agora tornou-se incompreensível e inútil.

E, como tudo nesta terra de perdição é injusto, as finanças do WND - que está vendendo até aparelho de ginástica - estão em estado excelente, enquanto o LRC está ameaçado de falência. Mais um motivo para celebrarmos a chegada do ano novo e renovarmos nossa fé na humanidade...

Pior site estrangeiro
Slate

É difícil não dar o prêmio para a webzine Salon, a piada da internet, mas a Slate, a webzine da Microsoft, consegue ser ainda pior. Na Salon, ainda dá para ler algumas resenhas de livros, os artigos de David Horowitz, de Camille Paglia, de Laura Miller. E na Slate, dá para ler o quê? Como disse um dos participantes do fórum de discussões deles, Bill Gates deveria demitir todos eles.

Melhor novidade na web I
O novo site da Spectator

O novo site permite o acesso a muito mais da revista mais bem escrita do mundo.

Melhor novidade na web II
A expansão da Amazon para a França e para a Espanha

Havia boas livrarias virtuais francesas, mas nenhuma que se comparasse à gigante norte-americana. Já na Espanha, o caso era desesperador. Agora, tudo se resolveu. Ah, o capitalismo...

Site a boicotar I
Barnes & Noble

Não vou negar: usei dezenas de vezes os excelentes serviços dessa livraria, mas eles agora cerraram fileiras em favor da lavagem cerebral politicamente correta, e simplesmente não agüento mais receber panfletos recomendando livros contra o "ódio racial" e com listas de palavras que devem e as que não devem ser usadas.

Site a boicotar II
Tower Records

Até mesmo os ícones gays Calvin Klein e Gap se recusaram a publicar anúncios na "XY", revista de pedofilia gay chic, mas a loja de CDs, bem como sua concorrente Virgin, não hesitou por um instante. Ademais, os CDs no site da Tower são mais caros do que na Amazon.

Melhor site de busca
Google

O Google e o AskJeeves! vieram num momento excelente, em que o AltaVista entrava em franca decadência e começava a apelar, vendendo para os sites o direito de aparecer em primeiro lugar na busca de determinadas palavras. Usei o HotBot, da Wired, por muito tempo, e ainda o recomendo, mas ele não tem o mesmo acervo do AltaVista. O Google tem, com as vantagens de que você não tem de passar por dezenas de 404s antes de encontrar o que deseja, e de que existe um critério racional para a ordenação dos sites: a popularidade. Com essa organização, a chance de o melhor site sobre determinado assunto que você procura estar entre os primeiros a aparecer é muito superior à do AltaVista, no qual tal coisa era praticamente impossível. O AskJeeves! também é bom, mas parece que está decaindo.

Prêmio "vim, vi, venci"
A moda do rádio pela internet

Isso permite uma segmentação maior e, conseqüentemente, um melhor atendimento a quem não suporta as FMs e AMs brasileiras. Espero que a moda persista e se desenvolva.

Pior webradio
A rádio de música erudita do Globo.com

As rádios do Globo, em geral, são incrivelmente ruins; mas existem poucas coisas piores na internet do que a rádio de música erudita desse site. Acesse-a, e você ouvirá aqueles CDs de "música para dormir", "música para relaxar", "música para engarrafamentos", "música para trepar", que contêm meio adágio de alguma peça, meio allegro de outra, duas ou três valsas, tudo executado pela Sinfônica de Boston ou coisa que o valha.

Melhor webradio
Spinner.com

Se você ainda não tem o Spinner.com, não sabe o que está perdendo. (Embora, também aqui, a seção de música erudita não seja das melhores.)

Prêmio "vim, vi, e enchi o saco de quem me viu"
NO.com

Tranqüilamente o site mais chato da internet brasileira, mais chato até do que as inúmeras webzines universitárias com teorizações sobre tudo.

Prêmio "vim, vi, e enchi o saco de quem me viu mirim"
A Correspondência entre Mário Sérgio e Ivan Lessa no UOL

Quem terá sido o imbecil que teve a idéia de que a troca de correspondência eletrônica entre essas duas figuras interessaria a alguém?

 

DESINFORMATZIA

Melhor jornal brasileiro
O Estado de São Paulo

A escolha é muito difícil, porque o Estadão não é tão melhor assim do que os outros, e seu caderno de fim de semana, sob a incumbência de Daniel Piza, é, na verdade, um pouco pior que os demais, mas a verdade é que este é o único jornal que publica algumas matérias destoando do oba-oba comuna do restante da imprensa. É importante não esquecer o papel primordial que seus repórteres tiveram em desvendar para o grande público os objetivos revolucionários do MST, e, afinal de contas, um jornal que tem como colaboradores Miguel Reale e Gilberto Mello Kujawski não pode ser tão ruim assim. É certamente melhor que os concorrentes.

Pior jornal brasileiro
Folha de São Paulo

Eu ia eleger o Jornal do Brasil, mas como, hoje em dia, só meu pai lê o JB, criticar o centenário jornal carioca é como chutar cachorro morto. Existe um indisfarçável ar de fim de festa no JB, cada vez com menos páginas, com menos articulistas, com menos repórteres, com uma impressão pior. Já com a Folha não há nada de errado em termos mercadológicos: o jornal vende pra burro, ou melhor, pra público universitário.

O que me espanta na Folha é a sua total incapacidade de publicar qualquer coisa minimamente inteligente ou minimamente dissonante da mentalidade uspiana (com a devida exceção a Carlos Heitor Cony, uma mente admiravelmente independente, a única em toda a Folha). Então, temos lá, no horripilante caderno Mais!, toneladas de Janine Ribeiro, Marilena Chauí, Robert Kurz, e similares; e, na seção de política, Josias não-sei-quê, Otávio Frias Filho, Fernando Rodrigues, todo esse bando de mauricinhos falando em "justiça social". Sem falar da seção de economia, que tem como estrela Luiz Nassif, posto lá por alguém que esqueceu que brincadeira tem hora.

Nem tudo, porém, é ruim lá: os quadrinhos são os melhores na imprensa brasileira.

Melhor jornal estrangeiro [no mundo anglo-saxônico]
Daily Telegraph

Tiro meu chapéu para Conrad Black. O magnata canadense tem coragem e inteligência para financiar jornais e revistas de nível intelectual bem superior aos concorrentes, sem a preocupação de atingir o populacho, ou de bajular as divindades políticas da moda. Leiam The Spectator, ou o canadense National Post, e o Daily Telegraph, e verão do que falo.

Black não faz como os empresários brasileiros, que ou fazem vista grossa ou apóiam a invasão comunista em suas redações, nem como Rupert Murdoch, que admite algum conservadorismo, mas, para vender jornal, apela para a pornografia ou a baixaria (e, aliás, o New York Post, de Murdoch, precisa urgentemente de editorialistas que saibam escrever: os editoriais até que têm boas idéias, mas parecem escritos por semi-analfabetos; isso sem falar da coluna de John Podhoretz, mais ridícula a cada dia).

Ademais, o jornal tem a melhor seção sobre saúde, os melhores repórteres de ciência e um leque admirável de colunistas, sob a direção de Charles Moore (ex-editor da Spectator): Auberon Waugh, A. N. Wilson, Mark Steyn, Matthew D'Ancona, Daniel Johnson (filho de Paul), Oliver Pritchett, Kevin Myers, Christopher Howse, Janet Daly. Até mesmo os esquerdistas - Zoë Heller e Siôn Simon - são de alto nível.

Melhor jornal estrangeiro alternativo
New York Press

Eu fico imaginando a cara do empresário quando alguém lhe chegou com um projeto que incluía, no mesmo jornal, Taki, Alexander Cockburn, Christopher Caldwell, John Strausbaugh e Jim Knipfel! Bom, do que sei é que ninguém chegou para Russ Smith com o projeto: ele mesmo teve a idéia de fazer um semanário alternativo com política, música, cinema, restaurantes, e reunindo os mais diversos pontos de vista. Se existe um jornal sem linha editorial, é o New York Press. Pode-se esperar de tudo dos artigos que aparecem por lá, e é certo que Strausbaugh faz um trabalho extraordinário como editor.

Esse é um dos sites que eu visito toda semana e leio quase inteiro. Cockburn é meu esquerdista preferido, o próprio Russ Smith escreve uma coluna magnífica, na qual atira para quase todos os lados da imprensa americana. A seção de cinema é uma das melhores que existem em qualquer lugar: eu discordo de quase tudo que Armond White escreve, mas reconheço que ele é um dos melhores críticos de cinema, Godfrey Cheshire é extraordinário e Matt Zoller Seitz, embora não tão brilhante, é quase sempre confiável. E, claro, há o Top Drawer, que não tem apenas Taki, mas os excelentes Melyk Kayan, Toby Young, Charles Glass, George Szamuely, Petra Dickenson e Scott McConnel. O Top Drawer é a melhor seção de qualquer jornal, em qualquer lugar. Digo isso sem a menor hesitação.

Pior jornal estrangeiro
New York Times

No passado, o Times ajudou a moldar no imaginário americano - e mundial - um Stálin benévolo e um Fidel Castro salvador de seu povo, ajudou o esforço de Roosevelt de transformar os EUA num país fascista (esse esforço é conhecido como "New Deal") e mais uma lista de feitos nada admiráveis. Mesmo assim, a imagem de neutralidade política do jornal parecia imune a tudo isso. Not anymore. Hoje em dia, é preciso ter o QI de um Emir Sader para não perceber que o "jornal do registro" está mais para órgão de campanha do Partido Democrata.

Dois momentos, especialmente, hão de ficar marcados como dois dos mais vergonhosos da história não só do Times como de qualquer jornal: a absurda e covarde perseguição a Wen Ho Lee, na qual o NYT teve papel preponderante - e a administração Clinton e o FBI provavelmente não teriam ido tão longe em seus abusos se não fosse pelo apoio do jornal - e a conduta indigna de um folhetim estudantil durante a confusão eleitoral, quando o NYT publicou todo tipo de manchete pró-democratas, todo tipo de argumentação mentirosa, culminando com a manchete do dia em que Bush finalmente foi declarado vencedor, quando o Times disse que Bush "prevaleceu" e proibiu o uso do termo "venceu" em suas reportagens a respeito.

Isso sem falar na coleção de colunistas, quase tão ruim quanto a da Folha de São Paulo: o bisonho Thomas Friedman, o senil Anthony Kennedy, o jingoísta Bill Safire. A melhor é Maureen Dowd, que escreve três artigos bons e cinqüenta imbecis por ano.

Mas as distorções e absurdos do diário nova-iorquino são muitas, e seria impossível falar de todas elas aqui. Recomendo a leitura diária do site de Ira Stoll, SmarterTimes.com. Stoll todo dia lê o Times logo depois de acordar e escreve seu site, como uma espécie de exercício matinal, refutando os maiores absurdos que encontra espalhados pelo jornal. Esse é um verdadeiro serviço de utilidade pública, com o único senão de que ele tem a crença meio bizarra o Times é parte de uma conspiração internacional para destruir o Estado de Israel.

Prêmio "bajulação política"
O Dia

Não dava para puxar o saco do Garotinho de forma um pouquinho mais sutil?

Prêmio "já está ficando ridículo"
A escolha do "homem do ano" do caderno Idéias, do Jornal do Brasil

A lista de vencedores em anos anteriores inclui Oscar Niemeyer, Zuenir Ventura, Darcy Ribeiro e Luís Fernando Veríssimo. Este ano, foi incluído neste magnífico panteão o sr. Luís Eduardo Soares, que nem Anthony Garotinho agüentou. A contribuição do sr. Soares para a inteligência nacional é tão grande quanto a contribuição de Monica Lewinsky para o progresso da física quântica. Acho melhor o Idéias parar de distribuir esse prêmio, porque, realmente, já está pegando muito mal.

Candidatos ao prêmio Idéias de 2001

Posso nomeá-los desde já, e pago 2 por 1 se o eleito não for um destes: Marta Suplicy, Eduardo Suplicy, Milton Santos (acho que já ganhou em outro ano), Leandro Konder e Emir Sader.

Candidatos a nunca ganhar o prêmio Idéias

Eles levarão essa frustração para o túmulo: Olavo de Carvalho, Roberto Campos, J. O. de Meira Penna, Pedro Sette Câmara, Alvaro Velloso de Carvalho

Melhor revista brasileira
Veja

A verdadeira briga no mercado de revistas brasileiro é entre a Veja e a Época. Não dá para levar a Isto É, depois de inúmeras fraudes, denúncias falsas, matérias absurdas. E, mesmo nessa comparação, a superioridade da Veja é grande demais.

Claro que nenhuma revista brasileira é realmente boa, principalmente porque nenhuma delas acredita na existência do leitor; e o resultado é que elas ficam cheias de gráficos, figuras, mas com muito pouco texto. Outro problema é que não existe, no Brasil, uma revista propriamente dita: revista, como o próprio nome diz, tem como função rever as notícias da semana, analisá-las com mais cuidado, de forma mais detalhada; no Brasil, nada disso é possível, porque os jornais são tão ruins que cabe às revistas dar os furos. Em vez de rever as notícias dos jornais, elas não só os antecipam como criam a pauta para eles.

E nenhuma outra revista sofre tanto com a fobia do texto quanto a Época. Por exemplo: Paul Johnson ocupa, na Spectator, uma página semanal; Olavo de Carvalho também ocupa uma página semanal na Época. Só que a quantidade de texto que permitem ao Olavo seria o suficiente para ocupar pouco mais de um terço da página de Johnson. Não é brincadeira: as principais colunas na revista inglesa têm, em média, 1200 palavras; na brasileira, 500. Isso para não falar de matérias, resenhas de livros, cartas dos leitores...

Mas não é só isso. O problema é que é muito difícil levar a Época a sério, porque parece que ela mesma não se leva a sério. Algumas das matérias de capa este ano: o sucesso de Paulo Coelho no Irã, a plástica de Hebe Camargo, a ausência de celulite em Gisele Bündchen... Ora, isto é uma revista de política ou é a mais nova imitação brasileira da Vanity Fair?

Enquanto isso, a Veja continua com o mesmo ar de menino primeiro da classe de sempre e ainda é ridiculamente esquerdista - mais do que isso, a revista dá a impressão de que está pronunciando a "palavra final" sobre todos os assuntos. Seus colunistas são, em geral, péssimos, mas lá está o brilhante Cláudio Moura Castro e eu estaria mentindo se não dissesse que me divirto com as sandices do Diogo Mainardi (e até concordo com algumas delas de vez em quando). A seção de cinema é de uma tolice insuperável, mas a seção de livros é bastante razoável; o marciano Arc é a coisa mais ridícula da imprensa brasileira, mas as seções de informática e economia são muito boas; e assim, entre altos e baixos, Veja acaba sendo a revista mais interessante, mais abrangente e mais legível do mercado nacional.

Comparem a edição especial de fim de ano das duas revistas. A Veja publicou, de forma infantil e irritante, é verdade, ensaios de pesos pesados como Paul Johnson e Richard Pipes, e de pesos médios como Steve Jones, Alberto Manguel e Jared Diamond, e qual foi a resposta da Época? Tostão, Zuenir Ventura, Geraldo Mayrink, Nilton Bonder, Jurandir Freire Costa. Porca miséria! O único ensaio interessante na Época era o de Arthur C. Clarke, e mesmo assim não muito brilhante.

Eu não leio regularmente nenhuma revista brasileira. Mas é por essas e outras que, se fosse ler alguma, seria a Veja.

Pior revista brasileira
República

A mesma dor no coração que sinto ao criticar o WND sinto ao criticar a República, porque fui leitor da revista desde o segundo número (Paulo Francis ainda era colunista!) e, nesse tempo, a revista era daquelas que a gente pega e lê de cabo a rabo, discordando de alguns artigos, concordando com outros, mas lendo coisas interessantes e escritas em bom português. Alas, alas, hoje em dia, eu não leria a República nem que me pagassem para isso, da mesma forma que só leria Caros Amigos sob tortura.

República virou uma revista sem cara, que tenta copiar um pouco da Esquire, um pouco da New Yorker e um pouco da sua própria colega de editora Bravo!, mas acaba com o pior das três. Ela não tem o charme nem a qualidade de texto nem a riqueza de informações da Esquire, mas tem a insistência em temas irrelevantes, as fotos apelativas e o tratamento de políticos como celebridades hollywoodianas; não tem escritores do calibre que tem a New Yorker, mas tem o mesmo tipo de ensaísta de quinta categoria com ares de grande sábio que de vez em quando aparece na revista semanal nova-iorquina e as mesmas tendências para o esquerdismo chic; por fim, tem a diagramação ridícula e a economia nos textos da Bravo!, sem prestar ao menos os serviços de informação prestados por esta. Enfim, a melhor revista sobre política que o Brasil teve durante algum tempo virou uma revista ilegível e desinteressante.

E quanto à Bravo? Não sei direito, porque foi só eu escrever que lia a revista na banca que ela começou a sair envolta num plástico que torna impossível folheá-la, mas acho que, dado o tema, os caras fazem o melhor que é possível fazer no Brasil. O fato, puro, simples e triste, é que simplesmente não há bons jornalistas que entendam de arte no Brasil; daí, para encher uma revista com artigos sobre cinema, livros e pintura, acabe sendo necessário apelar para o tipo de tolice que normalmente sai na Bravo. A seção de música é, surpreendentemente, uma exceção, e a de teatro poderia ser, porque temos bons críticos de teatro no Brasil, mas eles não estão no staff da revista. Anyway, quem além daqueles que trabalham no teatro dá a mínima pra teatro hoje em dia?

Mesmo reconhecendo a dificuldade de fazer uma revista de arte sem babaquice, não consigo evitar a sensação de náusea quando vejo, por exemplo, na capa da edição deste mês, a chamada da resenha do repugnante filme de Philip Kaufman sobre o Marquês de Sade: "A perversão redentora do Marquês de Sade".

Melhor revista estrangeira
The Spectator

Esta era uma indicação previsível, vistos todos os elogios que já fiz à revista, acho que nem preciso explicar de novo o porquê. Mesmo assim, lá vai: antes de mais nada, não dá para não gostar de uma revista que tem Taki, Mark Steyn e Paul Johnson como colunistas; de resto, os textos são da mais alta qualidade, e os assuntos são quase sempre de suma relevância. Nem tudo é perfeito, claro; acho que Boris Johnson (o editor atual) dá espaço demais a esquerdistas como Hugo Young, que já têm espaço suficiente no Guardian e na New Statesman, e acho que Matthew Parris, apesar de toda a fama, é um analista político muito fraco e não merece o espaço que tem na revista. E, claro, muitos artigos me fazem espumar de raiva tanto quanto qualquer coisa que sai na Veja ou na Caros Amigos, como a ridícula crítica de Melanie Philips (colunista do Times de Londres) à Igreja Católica e o paranóico de Anthony Julius sobre o suposto anti-semitismo de Shakespeare e Dickens. Mesmo assim, este é o modelo supremo de revistas semanais.

Quanto às americanas, o que se considera normalmente é que a Weekly Standard de Bill Kristol é a melhor das três principais revistas conservadoras, e que a American Spectator de Emmet Tyrrell é um peso morto. Eu discordo. Claro que as duas partilham em seu jingoísmo e em sua defesa do imperialismo americano (mas nem se comparam nisso à outra delas, a National Review de William Buckley), mas acho Bill Kristol muito superestimado, um escritor talentoso mas presa de um excesso de preconceitos neo-conservadores. A WS é certamente melhor que a chatíssima National Review, mas considero a American Spectator a melhor das três, com um faro mais apurado para questões culturais importantes e com a excelente coluna de Tom Bethell.

Não vou eleger a pior revista estrangeira, porque não teria como decidir entre a Newsweek e a Time, já que não as leio com tanta freqüência.

Editor do ano
David Remnick

Em cada dez listas de melhores do ano, dez responderão que o editor do ano é Remnick, pelo vigor que ele injetou na quase moribunda New Yorker. O seu tato para escolher colaboradores, assuntos e artigos é invejável.

Alguns dos melhores artigos que li este ano foram na New Yorker, como a magnífica história do sujeito ensinando Shakespeare a crianças na China, contada pelo próprio sujeito, o perfil do colunista do NY Post Steve Dunleavy por Steve Cassidy, a história do engenheiro americano que jura ter visto o Monstro do Lago Ness e, aos 80 anos, está montando um sofisticado equipamento de vídeo para mapear o lago, por Larissa MacFarquhar, a matéria de Philip Gourevitch sobre o Congo.

O ponto fraco é a insistência de Remnick com apologistas incondicionais de Clinton como Joe Klein e Hendrik Hetzberg, que poluem a seção "Talk of the town". Mas a revista é uma delícia.

Melhor telejornal
Jornal da Globo

Depois de um período horroroso com Carlos Tramontina de âncora, este telejornal, com a apresentação da bela Ana Paula Padrão, voltou a ser uma excelente maneira de terminar o dia, e até um substituto digno para qualquer jornal em papel. (E eu digo isto tendo escrito há algum tempo, e reafirmo agora, que telejornais são a pior de todas as fontes de notícias.)

Apesar de os textos serem praticamente os mesmos dos demais jornais da emissora, algumas matérias mais leves e mais interessantes são acrescentadas pela srta. Padrão, criando um telejornal agradável e útil. E, mesmo repudiando todas as opiniões políticas de Franklin Martins, reconheço que ele faz um bom trabalho na TV.

Ainda assim, nada que se compare à fase de ouro do Jornal da Globo, quando era apresentado por Lilian Witte Fibe e tinha Paulo Francis e Joelmir Beting como comentaristas.

Pior telejornal
Jornal Nacional

A música de abertura desse jornal me causa síndrome do pânico. Estou falando sério. Mas as vozes do casal de apresentadores têm um efeito ainda pior. Porca miséria, o que é aquilo?! E o ar de indignação moral com que eles reagem a certas notícias? E o tom politicamente correto dos textos? Nojento - isso é o mínimo que posso dizer.

Melhor colunista brasileiro
José Osvaldo de Meira Penna

O embaixador continua sendo uma voz solitária - agora ainda mais solitária, com o fim da coluna de Roberto Campos - e incansável na luta cultural contra o marxismo e a estupidez esquerdista que assola o país, sempre com muito humor. Menções honrosas para Gilberto de Mello Kujawski, brilhante comentarista político e cultural, e para Cláudio de Moura Castro, autor das melhores análises sobre educação na nossa imprensa.

Pior colunista brasileiro
Veríssimo

A briga é muito dura, mas o Veríssimo leva o prêmio máximo, porque é um escritor de talento que conseguiu piorar sua prosa a ponto de escrever tão mal quanto seus colegas de imprensa.

Prêmio "Dr. Pinel"
Arnaldo Jabor

Ele está pirando ou é apenas impressão minha?

Prêmio "Filho da USP"
Fernandinho Barros Silva

O exemplo mais bem acabado do mal que faz a escola de comunicação da augusta faculdade paulista.

Prêmio "Pastel de vento"
Sérgio Augusto de Andrade

O escritor mais vazio de toda a nossa imprensa.

Prêmio "Sorvete na testa"
Mauro Rasi

Hildegard Angel parecia imbatível para levar esse prêmio de novo, mas apareceu alguém ainda mais analfabeto. Suas apologias a Marta Suplicy foram de revirar o estômago.

Prêmio "Elefante branco"
José Meirelles Passos

Para que serve este correspondente estrangeiro do O Globo, se ele é absolutamente incapaz de escrever alguma coisa que já não tenha saído no NY Times ou no Washington Post?

Prêmio "peculiaridades nacionais"
Zuenir Ventura, Arthur Xexéo e Newton Carlos.

Alguém é capaz de explicar o sucesso que fazem essas figuras?

Melhor colunista estrangeiro
Joseph Sobran

A briga é muito dura, mas, a partir da seleção dos 40 ou 50 melhores artigos do ano, que serão divulgados novamente no Indivíduo a partir desta semana, vi que Sobran era o que mais tinha artigos na lista. E não é para menos: o cara não erra quase nunca. Menções honrosas para Charley Reese, que também está sempre certo (e, infelizmente, não teremos nenhum de seus artigos na lista dos melhores, porque os artigos do Orlando Sentinel saem do ar depois de algum tempo), para Taki, o bilionário grego insuperável como cronista da alta sociedade e com um talento incrível para escritos polêmicos e para Lew Rockwell, dono da erudição, da clareza e da inteligência que muitas vezes faltam aos nossos liberais, que teriam muito a aprender com ele.

Pior colunista estrangeiro
Paul Krugman

Pelo conjunto da obra. Seja falando de "bolhas inflacionárias", recomendando aumentos de impostos, atacando a Microsoft ou bajulando Clinton e Gore, Krugman é de uma cretinice ímpar.

Prêmio "Dr. Strangelove"
William Safire

Esse colunista do NY Timesque só ficará satisfeito depois que os EUA tiverem bombardeado e destruído metade do planeta.

Prêmio "Dr. Strangelove mirim"
Jeff Jacoby

Claro que a censura que o Boston Globe lhe fez foi absurda, mas Jacoby foi o primeiro a expressar sua preocupação de que Colin Powell não bombardeará nem invadirá um número suficiente de países. Uma das coisas mais bizarras do mundo é um jornalista que nunca chegou perto de um campo de batalha sentando em seu apartamento na frente de um laptop dizendo a um general como ele deve se portar na guerra.

Melhores editoriais na imprensa brasileira
Jornal da Tarde

São de altíssimo nível e quase sempre muito sensatos. Leitura altamente recomendada.

Piores editoriais na imprensa brasileira
O Globo

Os editorialistas do Globo nunca encontraram um projeto do Governo federal nem um projeto da Nova Ordem Mundial de que não gostassem com paixão. Ah, sim, houve duas exceções: a classificação dos programas por faixa etária, imposta pelo Ministério da Justiça, que, afinal de contas, prejudicava a TV Globo, e a proibição de que a imprensa publique opiniões sobre julgamentos em processo, incluída na proposta do novo Código Penal, que, afinal de contas, prejudicava o próprio O Globo. De resto, é tudo uma maravilha.

Pior entrevista do ano
João Pedro Stédile no Jornal do Brasil

Todo mundo que era alguém na redação do JB foi chamado para entrevistar Stédile, no começo do ano, e o resultado foi uma seção de puxa-saquismo explícito.

Melhor site de órgão de imprensa brasileiro
Nenhum

Estou falando sério. Isso é uma coisa que nossos órgãos de imprensa precisam aprender rápido: como fazer sites. Os sites de nossos jornais e revistas são cheios de JavaScripts inúteis, de fru-frus de diagramação que só servem para atrapalhar a conexão e travar o Explorer. É de enlouquecer.

Prêmio "Sherlock Holmes"
A ausência dos editoriais e da página de opinião no site do O Globo

O jornal carioca agora reformulou seu site e ele ficou bem melhor do que o desastre que era, mas por que a insistência em manter as opiniões fora dele? É um mistério, que o webmaster deles, que odeia receber e-mail, não está disposto a esclarecer.

Melhor site de órgão de imprensa estrangeiro
Independent

O site do ótimo jornal inglês não é muito bonito, mas é extremamente funcional, intuitivo e simples. Um exemplo de como fazer um site de jornal. Menção honrosa para o site do jornal esquerdista Guardian (Guardian Unlimited, que inclui também o Observer), bonito e funcional, com o único senão de usar os terríveis menus/listas, também usados amplamente no site do JB.

Mas, de uma forma geral, talvez com a exceção do NY Times, os sites dos jornais estrangeiros são bem superiores aos brasileiros, com poucas frescuras e muito conteúdo.

 


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