No. 45 - 19/01/01
O longo debate, na seção de cartas do jornal O Globo, sobre o artigo de Olavo de Carvalho, "Tortura e terrorismo", é um exemplo notável da patologia intelectual brasileira. Interessados no assunto deveriam reunir as cartas e estudá-las a fundo, porque há muito a aprender com elas.
O artigo original era uma contraposição entre os crimes de terrorismo e tortura, uma análise da gravidade de cada um: o terrorismo põe em risco a vida de dezenas ou centenas de pessoas, a maioria das quais, normalmente, não tem nada a ver com o problema em questão. Uma bomba colocada, digamos, pelo IRA em um restaurante matará pais de família, crianças, jovens, velhos, indistintamente, para comunicar ao Governo uma determinada posição política. Por outro lado, um ato de tortura tem apenas uma vítima, que normalmente permanece viva, e admite várias gradações - do policial que dá um tabefe no preso durante o interrogatório ao torturador profissional, que aplica técnicas minuciosas de crueldade (nas quais, aliás, os comunistas na Rússia, na China e em Cuba são especialistas insuperáveis); do médico que, chamado, presta socorro ao preso para que ele não morra ao médico que, ele próprio, desenvolve técnicas de tortura. Essa diferença de gradação entre os dois crimes é óbvia para qualquer pessoa racional, mas, na esquerda brasileira, ela foi invertida. A esquerda brasileira aplaude os terroristas, muitos dos quais hoje ocupam posições de destaque no Governo, e demoniza não apenas os torturadores, mas qualquer um que tenha tido uma relação distante com alguém suspeito de ter sido um torturador.
Todos nos lembramos do caso do sujeito que, nomeado para a Polícia Federal, foi acusado por um "ex-padre" de tê-lo torturado, com grande alarde em toda a mídia. Exames posteriores provaram que ele não havia torturado ninguém, mas a mídia escondeu a notícia, e o sujeito foi demitido assim mesmo.
Quando li essa argumentação no artigo do Olavo, pensei "muito bem observado, eu não tinha pensado nisso antes" - referindo-me não aos absurdos histéricos das acusações esquerdistas contra supostos torturadores, mas na comparação entre a histeria voltada aos torturadores e a benevolência dirigida aos terroristas, que, afinal de contas, cometeram crimes muito piores. Mas não imaginei que o artigo fosse causar tamanho escândalo.
Pois é, mas ele estava atacando uma parte importante no ganha-pão dos esquerdistas profissionais. Marcito Moreira Alves e Cecília Coimbra (do grupo Tortura Nunca Mais) escreveram, logo depois, no mesmo jornal, que Olavo tinha defendido a tortura. Pseudofrei Bettinho escreveu um artigo choroso sobre os horrores da tortura, citando "depoimentos" do livro Brasil Nunca Mais e lembrando, do alto de sua erudição, que Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho condenaram a tortura.
Nada disso, a rigor, é surpreendente. Marcito, afinal, é um farsante profissional, um jornalista dedicado a distorcer e perverter tudo em que mete as mãos. Só para ficar num caso: dois anos atrás, quando estudantes esquerdistas na UNI-Rio atiraram ovos na dona Ruth Cardoso, ele escreveu um artigo criticando o "fascismo" no movimento estudantil...
Marcito é tão falso que, depois de escrever que o Olavo fizera a apologia de um crime (o que, aliás, é crime), quando o Olavo respondeu que ele era mentiroso e caluniador (o que corresponde rigorosamente à verdade), fez-se de ofendido e disse que o filósofo baixara o nível da argumentação. Que argumentação? O senhor, caro Marcito, perverteu, distorceu e falsificou o artigo do Olavo para acusá-lo de apologista da tortura - e, portanto, de criminoso. Isso não é argumentação, não é nem jornalismo - é, pura e simplesmente, mentira e calúnia.
Cecília Coimbra é, dos três figurões que escreveram, a que mais tinha motivos para fazê-lo. Trata-se, afinal, de um comerciante defendendo seu comércio. O métier de dona Cecília é inventar calúnias contra militares e acusar supostos torturadores, e arrecadar fundos estatais para as famílias dos terroristas. É perfeitamente compreensível, portanto, que a comparação entre terroristas e torturadores lhe seja anátema.
E "frei" Betto? Ele é a piada-mor da esquerda brasileira, e seu artigo é tão insano, tão fora de qualquer possibilidade de argumentação racional, que nem o Olavo parece ter tido paciência de lhe responder.
Mas, eu repito, essas três figuras, como o escorpião que mata o jacaré na travessia do rio, estão apenas agindo de acordo com suas naturezas; eles são assim e, a esta altura de suas vidas, só por milagre deixariam de ser assim. Não são os três que me fascinam, até porque nenhum deles é burro o suficiente - perdão, talvez frei Betto o seja - para achar que comparar dois crimes seja equivalente a legitimar um deles.
O que me fascina é o sujeito comum, leitor de jornais, que vive sua vida no anonimato e resolve, um dia, enviar sua opinião iluminada para a seção de cartas do jornal. Muitos desses sujeitos comuns são, mesmo, muito mais inteligentes do que os articulistas e colunistas dos jornais, já que parece existir na imprensa brasileira um mecanismo destinado a impedir que qualquer pessoa com mais de três neurônios trabalhe nela (constituindo o prof. Olavo e alguns poucos outros honrosas exceções).
Por exemplo, no auge do debate nacional sobre a ridícula proibição da venda de armas de fogo, O Globo foi incapaz de publicar um único artigo ou uma única matéria que apresentasse uma opinião diferente da de seus editoriais: a de que o projeto era um passo iluminado para diminuir a violência no Brasil, e a opinião meio demente de que as armas são responsáveis pela onde de crimes que assola nossas metrópoles. No entanto, na seção de cartas, quase nunca um leitor concordava com as opiniões estúpidas do jornal; quase todos os que escreveram apresentavam alguns dos milhares de bons argumentos contrários à proibição de armas de fogo.
No caso do terrorismo e da tortura, os leitores se dividiram em vários grupos. O mais numeroso deles - mas não muito mais - era o dos sãos, os que leram e entenderam o artigo, que aproveitaram, inclusive, para atacar as incoerências e imoralidades da esquerda brasileira.
Outro grupo, provavelmente constituído de estudantes universitários e de membros do Partidão, resolveu deixar as inibições de lado e dizer, com todas as letras, que tortura é muito pior do que terrorismo, porque a tortura é feita de caso pensado, enquanto o terrorismo é a única forma de expressão que resta a pessoas desesperadas, vítimas da opressão política.
Esse grupo apenas confirma o que já dizia o artigo: que, embora qualquer pessoa normal seja capaz de perceber que um crime com dezenas de vítimas é pior do que um crime com uma vítima, os esquerdistas não são capazes desse raciocínio tão elaborado, porque seu senso moral está completamente pervertido pela promessa de que o futuro lhes pertence. Para o esquerdista, o único parâmetro moral é o compromisso com a "causa", com a marcha inexorável da história em direção ao comunismo futuro; só uma mentalidade assim pode justificar atos terroristas ao mesmo tempo que faz escândalos moralistas contra qualquer coisa ligeiramente relacionada à tortura.
Outros escreveram repudiando os dois lados, dizendo, de forma bizarra, que terrorismo e tortura são a mesma coisa e que não faz sentido compará-los. Essas são pessoas com a mesma capacidade mental de um bichinho, que reagem às palavras como os ratinhos de laboratório reagem a estímulos sensíveis: calor, bom, aproximar; frio, ruim, afastar; comida, bom, aproximar; choque elétrico, ruim, afastar. São mentes tão confusas, com a visão de mundo tão obnubilada, que qualquer distinção lógica, qualquer distinção de grau lhes é incompreensível.
Afinal, tortura e terrorismo são a mesma coisa? Sim e não. Eles pertencem ao mesmo gênero, o gênero crimes, mas são espécies diferentes de crimes e, como tais, diferenciam-se não apenas pelos tipos de ações que os compõem, como por sua gravidade relativa - exatamente como homicídio e corrupção são, ambos, crimes, mas em sociedades normais e sãs considera-se que o primeiro é mais grave que o segundo (embora também esta distinção tenha ido para o espaço no Brasil).
Houve, por fim, e não poderia deixar de haver, a turma do "deixa disso", a turma da conciliação, que acha que a única coisa errada é haver discussão - principalmente se for uma discussão "acalorada".
Um membro desse grupo sai do anonimato em Duque de Caxias para escrever a seguinte maravilha: "Iniciamos o novo milênio com uma carcomida discussão entre direita e esquerda. Pasmo, li até tentativas de desculpar atos doentios como tortura e terrorismo. O mais absurdo é a existência desses pretensos pensadores que não conseguem enxergar que o cerne da questão está justamente na divisão entre esquerda e direita. Por que será que é tão difícil ver que só a união de todos pode resolver efetivamente os problemas nacionais?"
Pois eu digo que é justamente o contrário. Um dos problemas brasileiros é a mania de querer a unanimidade a todo custo, de querer uniformizar todas as opiniões, de não admitir que possam existir vários lados no debate político. É preciso, para democracia sã, que existam esquerda e direita, para que uma se contraponha aos excessos da outra, para que haja alternância de propostas e realizações políticas. Só que, no Brasil, a esquerda capitalizou em cima da paixão nacional pela unanimidade e o horror à divergência, e a direita foi satanizada, a ponto de não mais existir. Então, temos, dia após dia, debates da esquerda com a própria esquerda, em que os fundamentos de ambos os lados são sempre os mesmos, com pequenas divergências em detalhes ocupando o centro das atenções na cultura nacional. A presença de Olavo de Carvalho num jornal de circulação nacional muda um pouco o peso da balança, porque ele apresenta um pensamento novo e original e ousa desafiar alguns amados preconceitos esquerdistas, e, assim, mudar o foco do debate e criar genuínas divergências - embora ninguém ainda tenha sido capaz de lhe responder no nível teorético, sem apelar para ataques ad hominem ou distorções propositais de suas idéias.
Mas ficamos tão acostumados aos debates entre o sim e o sim, senhor, que um outro leitor foi capaz de escrever o seguinte:
"O debate atual sobre o tema 'Tortura e terrorismo' parece ter tomado, infelizmente, um rumo distante do que se esperava: de esclarecer. Filósofo e jornalista brindam-nos, neste início de ano, com uma seqüência de réplicas acaloradas. Porém, o que ficou disso tudo até agora? Acredito que ambos não exercitaram em nada a arte de refletir e meditar (apenas isso, aceitar é bem diferente) sobre idéias contrárias às deles e que o ego domina de tal forma suas mentes que se reflete nas suas palavras. Pior para nós, que ficamos menos esclarecidos."
Não sei em que seita New Age o autor dessa carta esqueceu seu cérebro e aprendeu esse linguajar ridículo, mas qualquer pessoa racional não pode esperar conclusões prontas de uma discussão - pelo menos não se essa for uma discussão genuína, e não uma troca de elogios e saudações. O que uma pessoa racional pode esperar de uma discussão é que ambos os lados apresentem argumentos, para que ela possa pesar os argumentos e, despindo-os de suas vestimentas retóricas, chegar a alguma conclusão. É preciso ser muito tolo, muito pueril, para reclamar de que, se duas pessoas estão discutindo, aqueles que estão lendo a discussão estão ficando "menos esclarecidos".
Mas o pior, no caso do presente debate, é que não houve um debate genuíno. Um lado apresentou argumentos e o outro lado, incapaz de rebater esses argumentos, inventou outros e rebateu estes que ele próprio inventou, ou então mudou completamente de assunto.
O prof. Olavo comparou tortura e terrorismo e concluiu que, embora este seja um crime pior do que aquele, a esquerda só volta sua indignação para torturadores. Marcito Moreira Alves e Cecília Coimbra inventaram que o Olavo tinha defendido a tortura, e criticaram os defensores da tortura - e frei Betto escreveu contra a tortura em geral. Isto não é propriamente um debate; é mais, como eu disse acima, um exemplo da patologia intelectual que acomete a intelectualidade brasileira e a torna incapaz de compreender o que quer que seja.
POLITICAGENS
Num artigo magnífico chamado "Como Washington pensa", Joseph Sobran escreveu o seguinte:
"Eu acho que foi o historiador romano Tacitus que escreveu que 'uma sociedade corrupta tem muitas leis.'
"Não se ouve essa observação citada em Washington com muita freqüência. Aqui, a demanda é sempre por mais leis, mais novos programas, mais novas regulamentações. Não há tal coisa como governo demais - ou mesmo governo suficiente. Qualquer um que sugerisse que talvez já tivéssemos governo suficiente na época de, digamos Jimmy Carter seria considerado um extremista de direita.
"Em Washington, cada nova imposição na liberdade do cidadão e no dinheiro do contribuinte é tratada como uma 'conquista' ou um 'feito histórico' e as piores delas são consideradas um 'legado'. Alguns anos atrás, Bill Clinton tinha esperanças de que seu 'legado' seria um imenso programa nacional de saúde (isto foi antes de Monica).
"A idéia de que a função do governo é basicamente a de manutenção - aplicar leis existentes, que deveriam ser mantidas a um mínimo - é tão estranha a Washington quanto o culto de Ísis. Hoje a grande questão na cidade é se George W. Bush será capaz de 'governar', mas 'governar' não significa o que costumava significar; significa passar novas leis pelo Congresso, sejam elas necessárias ou nefastas. Que ninguém pense que o de que realmente precisamos é da revogação da maioria das leis existentes!
"Novas leis são freqüentemente justificadas em nome de 'direitos', como em: 'Todo americano tem direito a um plano básico de saúde'. Em Washington, qualquer frase contendo uma asserção de um 'direito' é aceita como uma verdade auto-evidente. Ninguém pergunta qual é o obverso da proposição. Washington nunca ouviu falar de obversos.
"Mas a proposição obversa da de um homem qualquer tem um 'direito' a um plano de saúde é a de que outro homem tem uma obrigação de pagar por ele. Na verdade, se este é um direito genuíno, ele está sendo violado neste mesmo minuto pelo fracasso de outro homem em providenciá-lo (através, claro, do meio benevolente chamado governo). Ademais, este suposto direito foi violado constantemente através da história humana, já que a maioria das pessoas e de seus governantes jamais ouviu falar nele.
"Felizmente, este 'direito' em particular não 'pegou', porque um número suficiente de pessoas percebeu que ele seria bastante caro de pôr em prática. (...)
"Poucas leis, especialmente as leis federais, atendem ao parâmetro de necessidade. E leis desnecessárias são mais do que supérfluas: elas são tirânicas. É por isso que o sistema federal original foi desenhado para frustrar a maior parte das propostas legislativas, estabelecendo um caminho cheio de obstáculo de poderes divididos. Uma lei federal tem de passar por duas casas de Congresso e um Presidente; e deve também atender ao parâmetro de constitucionalidade, estando compreendida nos poderes realmente atribuídos ao congresso pela Constituição (especialmente o Artigo I, seção 8)."
Cito este artigo tão longamente porque ele é uma descrição perfeita da atividade política - não apenas nos EUA, mas em qualquer lugar. É um consenso universal que a função do Governo é criar cada vez mais leis, e que nunca há um número suficiente de leis: tudo deve ser regulado e determinado pelo Estado. Recentemente, uns leitores de O Globo exigiam regulamentação até mesmo do trânsito de pedestres e ciclistas nos calçadões das praias cariocas - e isto é só um exemplo bizarro entre centenas de outros possíveis.
Há, claro, a diferença de que, nos EUA, essa expansão estatal para todos os lados foi feita em contradição com uma constituição essencialmente liberal, enquanto, aqui no Brasil, a própria constituição já prevê um Estado gigantesco. Não que isso satisfaça nossos políticos; de maneira alguma. Mesmo já tendo uma constituição socialista que lhes dá poderes para interferir em quase tudo, esse "quase" os incomoda terrivelmente, e eles não se cansam de criar leis em oposição ao mínimo de defesa dos direitos individuais que a Constituição ainda prevê, na tentativa de expurgar dela o mínimo de liberalismo que algumas almas um pouco menos tirânicas conseguiram inserir nela.
E, quando o Supremo Tribunal Federal derruba uma lei por inconstitucionalidade, por mais óbvia que esta seja - como no caso da lei carioca de proibição de vendas de armas de fogo no Rio - o Tribunal é criticado por toda a imprensa e por toda a classe política, e é considerado um entrave ao progresso da nação. E, por progresso da nação, devemos entender a erosão das liberdades individuais e o aumento de poder da classe política.
Algum jornalista inglês disse que, se Tony Blair criasse uma lei exigindo o assassinato de todos os primogênitos britânicos, o Parlamento a aprovaria. Tenho a impressão de que a mesma coisa se daria aqui no Brasil. E ainda leríamos um editorial do O Globo elogiando mais essa medida para a "moralização da nação" e para o "ajuste do país às exigências do cenário político internacional".
Mas as coisas ainda são piores por aqui: na hipótese improvável de o Congresso rejeitar a medida, talvez por pressão da bancada evangélica, o Presidente não se abalaria, e atingiria seu propósito editando - e reeditando quantas vezes quisesse - uma Medida Provisória. E aqueles pais de família que se opusessem à aplicação da lei, tentando evitar que a polícia matasse seus filhos, seriam expostos à execração nacional e apresentados como "reacionários".
Não se deixem enganar: não existe Estado de Direito no Brasil, não existe ordenamento jurídico, não existe ordem legal, nada disso. Estamos todos sujeitos ao reinado imperial do presidente, dos governadores, dos prefeitos, e a classe falante, a classe intelectual, funciona apenas para legitimá-los e para instilar na população mais exigências de "direitos" e, assim, preparar o terreno para novas expansões legislativas e novas intromissões estatais.
Em 2000, com medidas como a perpetuação da CPMF, o fim do porte de armas, o fim do sigilo bancário, a proibição da propaganda de cigarros, o controle de preços de remédios, a classe política brasileira confirmou sua vocação tirânica e continuou a alimentar o voraz apetite do Leviatã. Abaixo, alguns lembretes das ações dessa máfia no ano que passou.
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Prêmio Adolf Hitler
O Governador do Rio, Anthony Garotinho
O político brasileiro com maior desprezo pelo Estado de Direito, Garotinho é o maior inventor de leis inconstitucionais, mas isso não o incomoda: se ele deseja algo, é porque Deus assim o quer e, portanto, as barreiras legais são meros detalhes.
Prêmio Polyana
Fernando Henrique Cardoso
Depois de anos se submetendo aos caprichos do MST e atendendo a todas as reivindicações do movimento, o presidente, do alto de sua ingenuidade, chegou à conclusão de que eles são "fascistas". Não, senhor presidente, eles não são fascistas. Eles são comunistas. Repita comigo: co-mu-nis-tas. E isso significa adeptos da ideologia mais sanguinária e tirânica já inventada pela humanidade. Acho que o senhor é capaz de perceber a gravidade da coisa. Ou não é?
Prêmio Robin Hood
Juiz Thomas Penfield Jackson
Jackson é o juiz do processo contra a Microsoft. Esse processo inacreditável é a maior aberração legal de que se tem notícia nos últimos anos, um processo motivado por concorrentes invejosos e um Estado que odeia a riqueza particular. Chamar de "monopólio" uma empresa que detém pouco mais de 50% do mercado é um atentado à inteligência humana, só superado pelo argumento de que a inclusão do browser junto com o sistema operacional (sem criar NENHUM impedimento ao uso de outros browsers) é prejudicial à concorrência.
Prêmio Robin Hood II
José Serra
Enquanto ele não extorquir todo o dinheiro que puder das companhias de tabaco, e enquanto não regular todos os aspectos de nossas vidas que digam respeito à saúde, nosso bravo ministro não descansará.
Prêmio Joseph Stálin
Governo Fernando Henrique Cardoso
Quem quer que tenha inventado essa lei para extinguir o sigilo bancário e tirar mais dinheiro dos ricos (para dar para os políticos...) merece a honraria de receber o prêmio Joseph Stálin, por ter contribuído para a marcha inexorável do Brasil rumo ao comunismo, já que nem as operações bancárias têm mais o direito nem de conduzir suas operações bancárias longe dos olhos do Big Brother. Papai Stálin ficaria orgulhoso.
Prêmio Joseph Stálin II
Rubem César Fernandes e José Gregori
O primeiro propôs e o segundo aceitou a monstruosa idéia do "serviço civil obrigatório". Agora, aqueles que não servirem ao Exército quando completarem 18 anos, serão submetidos a sessões de lobotomia sob o comando de ONGs politicamente corretas, que lhes ensinarão sobre cidadania e respeito às minorias, e cumprirão tarefas em "benefício da coletividade". Isto porque, segundo o ministro da justiça, é função do Estado dar um sentido de vida para os jovens brasileiros.
Prêmio Joseph Mengele
Tony Blair
A Inglaterra está na vanguarda da cultura da morte. Não bastasse a distribuição gratuita das abortivas "pílulas do dia seguinte" nas escolas para crianças a partir de 12 anos (sem notificar os pais!), a Inglaterra, sob o comando da hiena sorridente, legalizou a pesquisa de clonagens em embriões. Assim, óvulos serão fecundados com o único objetivo de ser destruídos em seguida, em pesquisas de clonagem. Uma impressionante comitiva formada por praticamente todos os líderes religiosos ingleses - os líderes de todas as igrejas cristãs (católica, batista, anglicana, evangélica e grega ortodoxa), e os líderes dos judeus, dos muçulmanos e dos sikhs - tentou falar com o Primeiro Ministro, mas ele sequer se deu o trabalho de lhes conceder uma audiência. Agora, todos esses líderes religiosos juntos enviaram uma carta à Casa dos Lordes, para tentar evitar a ratificação de um das leis com maior desrespeito à vida humana de que se tem notícia.
Prêmio Justiça Poética
Hillary Clinton
Uma das figuras proeminentes de um governo que criou todos os tipos de estratégias de difamação contra seus adversários políticos, Hillary sofreu na pele o mesmo tipo de campanha suja, ao ser acusada de ser anti-semita por ter, supostamente, dito, na década de 70, num momento de irritação, que um dos membros de uma determinada campanha política era um "fucking Jew bastard" (numa tradução suave, algo como um "judeu desgraçado"). A acusação era injusta e absurda, mas ela bem que mereceu.
Prêmio Policarpo Quaresma
Dep. Aldo Rebelo
O deputado foi o autor do ridículo projeto de lei que proibia o uso de expressões de língua inglesa no nome de empresas e na imprensa brasileira, sob o argumento de que é função do Estado regular o uso da língua, como prova a lei que proíbe o registro de determinados nomes. Ele leva também o prêmio "non sequitur", por ter encontrado uma relação entre essa lei já existente e o seu projeto de fascismo lingüístico.
Perdedor do ano
Al Gore
O vice-presidente americano conseguiu ser o primeiro na história a perder uma eleição como membro da situação num período de prosperidade econômica. E ainda levou meses choramingando e tentando roubar a eleição, sob os argumentos mais fantasiosos. Acabou se fazendo de bobo, e praticamente enterrou seu futuro político.
Perdedor mirim do ano
Bill Clinton
Apesar do mito propagado pela mídia de que Bill é um presidente popular, amado pelo povo americano, Bill não conseguiu eleger seu sucessor, mesmo com a economia em período de grande prosperidade. Gore teve até mais votos do que o próprio Bill e nem isso foi suficiente - e foi fragorosamente derrotado no Estado de Bill, o Arkansas. E que ninguém diga que isso foi porque Gore não se aproximou dele o suficiente: Hillary fez sua campanha baseada na sua aproximação com o Governo Clinton e, mesmo assim, em Nova Iorque, ela teve menos votos para o senado do que Gore teve para a presidência.
Ao contrário de Gore, a carreira política de Clinton não está acabada, porque ele desperta uma paixão incrível no mainstream esquerdista americano; mas, como diz Mark Steyn, "o domínio do Partido Democrata por Clinton foi ótimo para Clinton, mas péssimo para o Partido. Para onde quer que você olhe - os legislativos estaduais, a Câmara dos Deputados, o Senado - agora há muito mais republicanos do que havia em 1992."
Ato político mais ridículo do ano
A quebra simbólica das armas de brinquedo no Rio de Janeiro
Que espetáculo grotesco, crianças entregando suas armas de brinquedo para um trator do governo as quebrar, simbolizando a luta contra a violência! É a gente que inventa esse tipo de demência que pretende assumir o posto de autoridade moral neste país?
Protesto político mais ridículo
do ano
Movimento dos Sem Teto num supermercado carioca
Inspirados por um líder chamado Eric Vermelho, os membros do movimento comuna invadiram um supermercado e queriam sair com os carrinhos cheios - sem pagar. Deculpem, mas a revolução ainda não aconteceu. Fica para a próxima.
Maior não-evento do ano
O 'bug' do milênio
Não aconteceu nada. Nada. Que terrível decepção para os teóricos da conspiração.
Melhor idéia para protesto político
do ano
Ovos
O sujeito que começou a moda, jogando ovos em José Serra, deve receber os devidos cumprimentos. Ovos não ameaçam a integridade física dos políticos, mas, ao mesmo tempo, tratam-nos com o respeito que merecem.
Criador da melhor idéia política
do ano
Jude Wanniski
Ele propôs a privatização da censura, com a criação, pelas comunidades religiosas, de comissões que dissessem a seus fiéis quais são os filmes, músicas, programas de TV etc. recomendados e quais os que não são. Esta idéia tem todas as vantagens sobre a censura estatal, que tantos defendem no Brasil: não interfere na liberdade de expressão, porque as obras continuarão existindo, havendo apenas a possibilidade de boicote pelos que se ofenderem com elas; e não cria interferências religiosas nas vidas dos não-religiosos. Da próxima vez que um filme como "Dogma" estrear no Brasil, seria mais inteligente da parte de Dom Eugênio criar uma campanha recomendando a seus fiéis que não assistam ao filme do que exigir do Estado sua proibição.
Estatólatra do ano
George Will
O colunista centrista do Washington Post produziu a seguinte pérola da estupidez humana: "O Governo cresce porque o conhecimento cresce, e o conhecimento freqüentemente cresce por causa do Governo."
Como escrevi na época, "eis aí o credo estatólatra: o Estado torna as pessoas mais inteligentes, e as pessoas mais inteligentes devem governar as outras. É claro que, por um lado, esse fenômeno nunca foi presenciado por ninguém, em nenhuma era da história humana, e, por outro, eu saber algo a mais que você não me dá o direito de impor meu conhecimento a você, mas isso não importa aos estatólatras, principalmente porque outro dado fundamental de sua crença é o progressismo. Não existe a sociedade perfeita hoje, mas ela existirá no futuro. Não existe o Estado perfeito hoje, mas ele (ou 'Ele'?) existirá no futuro. Basta, para isso, que o poder do Estado seja aumentado, e que os burocratas certos assumam seus lugares na máquina estatal. Aí, estaremos caminhando em direção à 'utopia' da 'sociedade em que todos serão incluídos'. Não interessa, para essa gente, que no meio do caminho morram duzentos milhões de pessoas e que todos percamos nossas liberdades fundamentais; afinal, o 'conhecimento progride' e o Estado progride junto, rumo ao conhecimento total e ao Estado total, estágio no qual todos seremos 'cidadãos' com todos os nossos 'direitos' garantidos. E as ovelhas imbecilizadas dizem amém."
Estatólatra mirim do ano
Thomas Friedman
Friedman não chegou a teorizar sobre a maravilha que é o Estado, mas escreveu no New York Times a seguinte pérola sobre o seqüestro de Elián González por policiais americanos em Miami:
"Sim, eu devo confessar, aquela foto agora famosa de um policial americano apontando uma arma automática na direção de Donato Dalrymple e exigindo que, em nome do Governo americano, ele entregasse Elián González, aqueceu meu coração. Eles deveriam pôr aquela foto em todas as filas de vistos em todos os consulados americanos ao redor do mundo, com uma legenda dizendo: 'os EUA são um país onde vigora o Estado de Direito. Esta foto ilustra o que acontece àqueles que desafiam o Estado de Direito e até onde nosso governo e nosso povo vão para preservá-lo. Venham a nós todos vocês que entendem isso.' "
Não à toa, essa frase de Friedman ganhou, na premiação anual do Media Research Center para as piores reportagens do ano, o prêmio de citação do ano.
DESINFORMATZIA
Uma nota triste. Cá estamos falando desses larápios e mafiosos que formam a classe política, e precisamos lembrar que eles perderam, esta semana, um de seus maiores inimigos, o genial jornalista inglês Auberon Waugh (filho de Evelyn).
Waugh nunca conseguiu levar os políticos a sério, odiava qualquer tipo de interferência estatal sobre a vida privada dos cidadãos, e tinha um talento insuperável para proferir impropérios e para satirizar aqueles fanáticos por controle e regulamentação (querem um exemplo? Leiam este artigo sobre direitos dos animais, e notem a reação raivosa da estúpida editora do site).
Era um dos meus prazeres, domingo de manhã, ler na internet sua coluna no Sunday Telegraph. Ele também escrevia, durante a semana, a coluna "Way of the World", mas a seção de opinião do Sunday Telegraph é a melhor de qualquer jornal do mundo, e Waugh era a cereja do bolo. (Aliás, é curioso como nenhum dos colunistas do Suntay Telegraph teria espaço para escrever na imprensa brasileira...)
O Indivíduo chamou com freqüência atenção para seus artigos, sempre mordazes e instigantes, e presta, nesta edição, uma pobre e insuficiente homenagem a Waugh, selecionando o que saiu de melhor na imprensa inglesa sobre este gênio do jornalismo. R.I.P.
NA REDE
Para suavizar um pouco minhas críticas ao WorldNetDaily, duas semanas atrás, vou elogiar a nova contratação do site: Debbie Schlussel, que escrevia quinzenalmente no Jewish World Review, passará a assinar uma coluna duas vezes por semana no WND, e isso é uma notícia.
Schlussel não foge ao mainstream conservador, mas escreve com muito humor e sua coluna tem uma diversidade interessante, porque, com freqüência, ela sai dos temas políticos para criticar o ridículo da mídia politicamente correta.