No. 48 - 09/02/01
Semana passada o "Consultor Jurídico" noticiou que um promotor baiano apresentou denúncia contra pastores protestantes e contra um padre por crime de racismo, porque eles teriam, em seus cultos, feito críticas às "religiões afro-brasileiras".
Eu não direi que esse promotor é um imbecil por confundir raça e religião. Eu não direi que ele é um agente do anticristo por desejar que o Estado possa arbitrar o que as religiões podem ou não podem ensinar. Eu não direi que ele é um ignorante por desconhecer as leis que permitem liberdade de culto e liberdade de expressão. Eu não direi que ele é um puxa-saco por procurar se promover lambendo as botas do movimento politicamente correto.
Ele precisaria ser muito melhor do que é para chegar a ser um imbecil, um agente do anticristo, um ignorante ou um puxa-saco. O problema desse promotor é muito mais básico, e muito mais grave. Para expressá-lo de forma concisa, direi apenas que ele é um sem-vergonha.
"Vergonha" é, segundo a definição do Lello Universal, a "perturbação moral produzida pelo receio da desonra e do ridículo". Essa perturbação tanto pode ser meramente imaginária, manifestando-se num acanhamento (como em "vergonha de falar em público"), como pode ser a percepção de que os próprios atos foram efetivamente desonrosos ou degradantes.
Excluída sua manifestação patológica, que produz a timidez exacerbada, podemos dizer que a capacidade de sentir vergonha e a de evitar determinados atos por antecipar que eles provocariam vergonha são produtos do mínimo de amor que o ser humano deve ter por sua própria condição humana, do mínimo de respeitabilidade e decência que ele deve ter para ser capaz de viver consigo mesmo e dormir à noite.
Quando Capistrano de Abreu sugeriu que a Constituição brasileira deveria ter um artigo dizendo "tenham vergonha na cara!", estava reconhecendo não apenas que a vergonha na cara dá ao ser humano o patamar mínimo de conduta social, mas também que esta virtude básica é artigo em falta no Brasil.
E, efetivamente, num país em que padres elogiam o regime cubano, em que bispos se aliam a movimentos guerrilheiros, em que professores universitários dão mais importância à conquista de cargos do que à busca pela verdade, em que políticos procuram regular todas as áreas da vida social, em que jornalistas são incapazes de investigar a falsidade ou veracidade das próprias alegações, em que os mesmos cidadãos que são incapazes de dar uma esmola ao mendigo que bate no vidro de seus carros nos sinais de trânsito fazem campanhas em favor da "justiça social", num país assim, a vergonha na cara está em falta.
Mas nenhuma outra manifestação recente demonstrou tanta falta de vergonha na cara quanto a ação promovida por esse promotor baiano. Tentar proibir que padres e pastores critiquem os ritos e as práticas da macumba e alegar que essas críticas são "racistas" não é digno de um ser humano que tenha um mínimo de respeito por si próprio. E um país que permite que uma coisa dessas aconteça é, indubitavelmente, um país sem vergonha na cara.
DESINFORMATZIA
Quando parecia que Míriam Leitão seria imbatível nos seus esforços para desinformar o público brasileiro a respeito da nova administração americana, eis que surge um cientista político nas páginas da revista Veja para desbancá-la. O artigo de Sérgio Abranches é notável, porque dificilmente se vê um articulista com um talento tão grande para inverter todos os fatos e com um desejo tão grande de opinar num assunto do qual não entende nem o mínimo indispensável.
Tentando demonstrar a superioridade de Bill Clinton sobre George W. Bush, Abranches se sai com dois argumentos inacreditáveis: primeiro, Clinton entendia melhor o mundo em que vivemos e "na política mundial, abandonou o armamentismo e buscou apoiar os movimentos democratizantes"; segundo, Clinton sabia a importância do equilíbrio fiscal, enquanto Bush "raramente menciona a questão fiscal e insiste em reduzir impostos como melhor forma de incentivar o investimento e o consumo". O grande risco que o mundo corre no Governo Bush, segundo nosso desinformata, é a possibilidade de o novo presidente "cair na tentação militarista para resolver suas fragilidades políticas."
Porca miséria, vamos começar pelo argumento econômico, que é mais fragorosamente absurdo. Clinton não enfatizou o equilíbrio fiscal; quem enfatizou o equilíbrio fiscal foi o Congresso republicano. Os republicanos conquistaram a maioria no Congresso, em 1994, justamente por prometer cortar gastos governamentais. Eles não foram tão fundo quanto prometeram na redução do poder estatal, mas foi o seu veto a programas de altos custos de Clinton - como a universalização do plano de saúde estatal - que permitiu o equilíbrio nas contas estatais.
Existem dois pólos nas contas do Estado, como em quaisquer contas: arrecadação e gastos. O Congresso republicano impediu o aumento nos gastos. Clinton não contribuiu para o corte nesses gastos, mas realmente aumentou a arrecadação, promovendo sucessivos aumentos de impostos - a tal ponto que produziu um superávit; e é esse superávit que Bush promete devolver ao povo americano, cortando os impostos. Porque, e até o sr. Abranches talvez saiba disso, impostos são um pagamento que o cidadão faz ao Estado para que o Estado mantenha suas contas em dia - não para que o Estado tenha lucro; nada mais natural, pois, que se devolva aos cidadãos o dinheiro que está sobrando.
Agora, só mesmo na imprensa brasileira um cientista político pode atribuir aos democratas - o partido dos gastos estatais exorbitantes - um entendimento superior da importância do equilíbrio nas contas do Estado em relação aos notoriamente pães-duros republicanos.
O outro argumento de Abranches é menos tolo, porque contém - bem ao longe - algo de verdadeiro. Clinton realmente fez cortes nos gastos militares americanos e reduziu o tamanho das forças armadas, e é bem provável que Bush desfaça esses cortes, atendendo às pressões de "cold warriors" como seu secretário de defesa Donald Rumsfeld.
Eu não vejo problema nenhum - muito pelo contrário - em reduzir o tamanho das forças armadas, mas, por qualquer parâmetro, a política de defesa de Clinton foi irracional. Só faz sentido reduzir os efetivos militares se houver uma correspondente redução nas tarefas desses militares ao redor do mundo; Clinton fez exatamente o contrário: envolveu os EUA em inúmeras manobras militares ao mesmo tempo que cortava gastos com as forças armadas!
Bush parece disposto a fazer o contrário, o que ainda é ruim mas é bem menos perigoso: aumentar as forças armadas e reduzir o envolvimento americano tarefas militares no mundo.
O que não faz sentido algum é Abranches insinuar que a política externa de Bush será mais militarista e menos democrática do que a de Clinton e ainda ironizar Colin Powell e Condoleezza Rice. Ora, no governo Clinton a secretaria de Estado foi ocupada por ninguém menos que Madeleine "Mad Dog" Albright, que alguém, com acerto, chamou de "a pessoa mais imbecil a ocupar qualquer cargo, em qualquer administração, em qualquer lugar, em qualquer momento da história humana", a mulher que disse que a morte de milhões de crianças iraquianas pelo grotesco bloqueio comercial "valia a pena".
O governo Clinton destruiu cidades seculares na Iugoslávia sob pretexto de evitar um genocídio que ninguém nunca demonstrou ter realmente ocorrido; bombardeou inúmeras vezes o Iraque para retaliar contra a existência de armas químicas que ninguém nunca demonstrou que o Iraque possui; irritou os russos e os chineses com um projeto de defesa antimísseis que contraria acordos firmados pelos EUA com esses países; envolveu-se em inúmeras e inúteis operações militares na África; gastou bilhões de dólares interferindo na Colômbia. Será que preciso continuar? Então, esse é o governo democrático e pragmático, que "abandonou o armamentismo"?
Como é que alguém pode dizer, de cara limpa, que o governo que usou armas nucleares contra uma população civil é um governo democrático que fugiu da "tentação militarista"?! Que o governo que bombardeou fábricas de remédios, estações de TV, igrejas, hospitais, é um governo que usava a "diplomacia de negócios"?! Em que lata de lixo o sr. Sérgio Abranches despejou seu bom senso?
Ainda não se sabe qual será a postura do governo Bush na política internacional, mas tudo indica que será, no mínimo, uma política menos assassina e criminosa do que a de Clinton. Um dos pontos altos de Bush no primeiro debate com Gore foi sua crítica à prática clintonista de "construir nações com bombardeios" e sua promessa de reduzir o intervencionismo americano. Há, porém, uma divisão interna no gabinete do novo presidente, com o general Colin Powell liderando a corrente menos intervencionista e mais adepta do diálogo, e Donald Rumsfeld liderando a corrente adepta dos bombardeios, e suspeita-se que o vice-presidente Dick Cheney será o fiel da balança.
Um exemplo claro dessa divisão está no debate a respeito do Iraque. Powell tem criticado as absurdas sanções comerciais e tem dito que "o Iraque é um problema para os iraquianos". Acabar com as sanções, sim, é "expandir mercados" e promover interesses comerciais americanos, e é essa a proposta de Powell - exatamente contrária à de Clinton. O grupo intervencionista da administração Bush, porém, não quer saber de acabar com as sanções. Mas nem eles são adeptos da política clintonista de bombardear primeiro e perguntar depois - o que eles propõem é uma ajuda financeira aos grupos de oposição a Saddam.
Ainda se trata de intervencionismo americano, mas nem de longe do mesmo tipo de intervencionismo sanguinário que marcou o governo Clinton. Abranches, como se vê, diagnosticou tudo ao contrário.
SÉTIMA ARTE
Num determinado momento de "Luzes do Verão", filme vietnamita prestes a estrear no Rio de Janeiro, três irmãs se abraçam, chorando: uma delas acaba de descobrir que o marido mantém uma outra família, em outra cidade, há anos; outra acaba de descobrir que o homem com quem se casou recentemente a traiu numa viagem de negócios; e a mais nova acha que está grávida do namorado (depois descobre que não está). E, apesar do dramalhão em que uma cena destas poderia se tornar, o filme nunca é excessivamente sentimental e nunca é triste, porque, de alguma maneira, as três irmãs seguem com suas vidas, com suas ocupações.
"Luzes do verão" é um filme sobre a fragilidade humana e a dificuldade de comunicação entre os seres humanos, sobre a dificuldade de manter vivo um relacionamento - seja amoroso, seja familiar - mas é também um filme sobre o valor da persistência, da paciência e da esperança, o que, de certa forma, é uma excelente metáfora da vida em um país devastado pelo comunismo que, agora, começa a se reerguer.
É curioso como o tema da perseverança em tempos de dureza aparece também em outro filme realizado num país devastado pelo comunismo, "Nenhum a menos", uma obra menor de Zhang Yimou sobre os esforços de uma professora de uma cidadezinha para encontrar um aluno que fugiu para a cidade grande; é por sua obstinação que a menina acaba por recuperar o garoto e por conquistar a simpatia dos burocratas chineses, e é graças a sua obstinação que as mulheres de "Luzes do verão" não se deixam derrubar pelas desgraças de suas vidas sentimentais.
Existe, porém, entre os filmes de Yimou e os de Tran Anh Hung (autor também de "O cheiro do papaia verde") uma diferença essencial na maneira como os cineastas abordam o tempo. Na maior parte dos filmes de Yimou - e isso é uma característica das cinematografias chinesa e japonesa, o tempo é quase estático: a câmera se movimenta muito pouco e a ação transcorre sem nenhuma pressa. Nos filmes de Tran Anh Hung , o tempo é cíclico, exatamente como na vida: não há uma linearidade absoluta, porque diversos elementos se repetem, e não há uma circularidade absoluta, porque não existe uma repetição contínua dos mesmos elementos; há uma combinação de repetição e inovação, de circularidade e linearidade e é este ritmo que dá a "Luzes do verão" um efeito quase hipnótico, porque, para usar um lugar-comum, é como se a vida falasse. Como na vida, uma moldura essencial permanece, e se repete dia após dia, mas algo muda dentro dessa moldura. Não à toa, o filme começa numa cerimônia religiosa em que os quatro irmãos (as três irmãs e um irmão) honram seus pais falecidos e termina exatamente na mesma cerimônia, um ano depois.
Ao longo do filme, acompanhamos as mudanças na vida dessas quatro pessoas durante o ano - e o diretor parece dizer que não apenas só somos capazes de perceber as mudanças porque elas aconteceram dentro de um quadro constante, mas que essas personagens só conseguiram suportá-las e aprender com elas porque algo nelas se manteve também constante, porque elas se mantiveram fiéis ao que havia de básico em suas vidas - a religião e a família.
Tudo isso é mostrado com uma sensibilidade notável, uma atenção preciosa aos detalhes e uma trilha sonora belíssima. "Luzes do verão" tem seus defeitos - algumas situações pueris, algumas cenas inúteis - mas traz uma brisa de ar fresco ao cinema contemporâneo.
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Alguém me avisa de um erro que cometi num artigo, mas, sinceramente, não consegui encontrá-lo. Se realmente o cometi, foi o erro absurdo de dizer que Wong Kar-Wai, diretor do brilhante "In the mood for love", é japonês [a única referência a Kar-Wai que encontrei foi na coluna dos melhores e piores filmes do ano 2000, mas sem referência à sua origem]. De qualquer maneira, que se diga com todas as letras: o diretor é de Hong Kong, e esse fato tem importância capital em seus filmes.
O curioso é que alguns dos filmes que vêm do Oriente têm a marca indelével de seu lugar de origem - como "Luzes do verão", como os filmes de Zhang Yimou, Zhang Yuan, como os filmes iranianos (pelo menos os que chegam aqui) - mas outros são marcadamente cosmopolitas - como "Yi Yi", de Edward Yang (que odeia ser identificado como um representante do "cinema tailandês"), e como os filmes de Wong Kar-Wai. Se Kar-Wai nascesse um pouco acima, na China, seus filmes certamente seriam diferentes; se fosse japonês, como eu erroneamente escrevi, é impossível dizer, porque o cinema japonês tem correntes muito diversas. Mas Hong Kong é importante para Kar-Wai por inserir uma certa ambigüidade em seus filmes, marca da cidade dividida entre a modernidade capitalista que se desenvolveu durante anos e a recente incorporação - por enquanto, mais de direito do que de fato - pelo comunismo chinês, que paira como uma ameaça de retrocesso sobre a ilha.
POLITICAGENS
Ronald Reagan completou 90 anos esta semana, lamentavelmente sofrendo da temível doença de Alzheimer, e vale lembrar o que disse Margaret Thatcher sobre sua filosofia de governo: "a elite esquerdista americana pensava que o problema com os EUA era o povo americano, embora não o dissessem exatamente desta forma. Reagan pensava que o problema com os EUA era o governo americano, e ele o disse exatamente dessa forma."
Por maiores que tenham sido as falhas de Reagan - especialmente no que diz respeito ao crescimento militarista americano - é inegável sua influência na retração do papel estatal na economia e nas mudanças que, pelo menos, aliviaram o peso do Leviatã moderno, e nenhum outro político no cenário atual é capaz de compreender, como Reagan compreendia, a inimizade essencial entre o crescimento do Estado e as liberdades individuais.
Quem dessa multidão de nulidades que governa os principais países do mundo hoje diria, como Reagan:
"Nos os 1960, me pareceu que havíamos começado a inverter a ordem das coisas - que através de mais e mais regras e regulamentações e impostos confiscatórios, o governo estava tomando mais do nosso dinheiro, mais das nossas opções e mais da nossa liberdade. Eu entrei na política para levantar a minha mão e dizer 'Pare!'. Eu era um cidadão político, e essa me pareceu a coisa certa para um cidadão fazer."
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Quem levar a sério artigos perfeitamente idiotas como o publicado no O Globo do dia 08/02 por um tal de Gilberto Vergne Saboia (ocupante do cargo perfeitamente inútil de "secretário nacional de direitos humanos") vai achar que estamos assistindo, no Brasil, à formação de movimentos dedicados ao espancamento de negros ou ao extermínio de minorias.
O título do artigo é hilariante: "É preciso rejeitar o racismo". OK, mas quem está dizendo o contrário? Alguém está dizendo que é preciso defender o racismo, alguém está pregando a segregação racial, enfim, há algum dado que indique que o tema é tão urgente quanto o sr. Saboia deseja fazer crer? O único argumento nesse sentido apresentado por Saboia é o gasto e tolo argumento da diferença econômica entre negros e brancos (que é um problema econômico, não um problema racial).
Enquanto isso, o sistema de quotas, defendido por Saboia, é uma proposta autenticamente racista, que, de forma paternalista, diz aos negros que eles devem ser tratados como retardados mentais que precisam de ajuda estatal para subir na vida, porque são incapazes de subir por conta própria como todas as outras pessoas.
Falando no assunto, lembram da histeria generalizada quando apareceu uma carta ameaçando um atentado contra uma organização pró-homossexuais em São Paulo? Parecia que estava se formando um perigosíssimo movimento neo-nazista no Brasil, e foram criadas até seções de polícias especiais para defender os gays. E agora, que se descobriu que a carta foi forjada por um picareta da divisão paulista da Anistia Internacional, vão dizer o quê? Estou esperando até agora que os órgãos de imprensa que fizeram tanto barulho por nada reconheçam que tiveram um acesso de imprensa marrom e que os burocratas tipo Gilberto Saboia que prometeram "providências" reconheçam que fizeram um papel ridículo. Melhor esperar sentado.
NA REDE
Altamente recomendável o artigo de Christopher Hitchens sobre a pose moralista de Elie Wiesel e a "grotesca consideração" que ele recebe em matérias morais. Este é um homem que, sempre com um ar de santidade, não se cansa de discursar em favor da tolerância e dos direitos humanos, mas é incapaz de fazer uma única crítica às atrocidades do governo de Israel. Eu já notara a hipocrisia da posição de Wiesel em artigo anterior.
Agora que o criminoso de guerra Ariel Sharon foi eleito Primeiro Ministro de Israel, a multidão - especialmente na mídia americana - os apologistas de Israel devem estar pulando de alegria com o fim do processo de paz e os possíveis genocídios de cidadãos palestinos no futuro próximo. Para boa parte desse pessoal, os palestinos, ou melhor, os muçulmanos em geral são, afinal, membros de uma raça inferior e bárbara, e qualquer atrocidade contra eles é justa.
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A partir desta semana, a seção "artigo da semana" sai desta coluna e passa para a página principal do site. Os artigos terão mais destaque, mas ficarão sem ser traduzidos, por problemas de tempo e paciência. Quando houver, porém, comentários a fazer sobre eles, é óbvio que estarão na seção "na rede".