No. 65 - 15/06/01

Hedonismo e sentido da vida

"Lorsque l'homme se trouve confronté avec um des périls normaux de l'existence, deux possibilités s'offrent à lui: ou bien il cherche à developper des forces supérieures à celles qui le menacent, ou bien il cherche a supprimer le péril. Notre choix est fait dès longtemps: c'est le désir de supprimer le péril, plutôt que de le dominer, qui definit l'attitude bourgeoise et l'esprit géneral de nos démocraties.
A les prendre dans l'ensemble et leur intention génerale, les progrès que nous célébrons se résument dans le mot stériliser. Soit em amour (mésures anti-conceptionnelles); soit dans la vie professionelle (assurances); soit dans l'éducation de la jeunesse; soit dans la médecine; soit dans la politique internationale; nous sommes en train de pousser à fond une éxperience sans précédent d'assepsie généralisée et d'extinction des risques avant terme."
(Denis de Rougemont)

Em circunstâncias normais, "Blow", de Ted Demme, não chamaria a atenção de ninguém, porque é um filme inteiramente inexpressivo e sem emoção alguma. Mas não é comum que um filme tenha como herói um traficante de drogas, e o inusitado dessa opção fez que ele fosse mais discutido e debatido do que merecia.

Agora, não me entendam mal: se vocês esperam diatribes contra os "traficantes assassinos", vieram ao lugar errado. O vendedor de drogas não "mata" ninguém por vender drogas, e o simples fato de que mesmo os defensores dessa estranha tese tenham de pôr aspas no "matar" já o demonstra. Eles nada mais fazem do que facilitar a adesão ao vício para aqueles que já o desejam; e nem mesmo divulgam os próprios produtos - ou alguém já viu propaganda de maconha ou cocaína?

Isso não significa, claro, que a atividade dos traficantes seja louvável e que adotar, como faz o diretor, uma postura de "neutralidade moral" em relação a eles seja a forma mais apropriada de lidar com a questão.

O pior, aliás, não é nem a atividade em si mesma, mas o mundo de crimes que a cerca. Uma atividade de venda proibida e clandestina que movimenta milhões de dólares tende a ser monopolista e seus praticantes tendem a ser brutais (porque, não tendo a proteção legal, eles terão de julgar casos e aplicar penas por conta própria) - e nem preciso dizer que o mundo dos traficantes é exatamente assim, com suas disputas entre gangues por territórios e suas execuções sumárias. (Que essa brutalidade é quase inteiramente causada pela proibição é obviedade que só os neopuritanos não percebem; mas isso é assunto para outro artigo.)

A questão é que, com exceção de uma cena em que o megatraficante Pablo Escobar executa um sujeito que o traiu, essa brutalidade é quase imperceptível no filme. E mesmo essa cena é filmada à distância, de forma fria, e não tem conseqüência alguma para o desenrolar da história.

Acontece que o roteiro tomou como base a autobiografia auto-indulgente e autocelebratória do protagonista, George Jung, o homem que, segundo ele próprio, introduziu a cocaína nos Estados Unidos. E mesmo os poucos que concordarem com o filme em que isso foi uma boa coisa terão dificuldades em aceitar o mundo cor-de-rosa pintado pelo roteiro.

Ao longo de todo o filme, Jung não mata ninguém, não comete um único ato de violência, e é traído e passado para trás por todo mundo: seus amigos, sua esposa, sua mãe, seus companheiros de tráfico, seu distribuidor... Em alguns momentos parecemos estar diante de um bravo herói solitário, o único homem bom e virtuoso num mundo corrupto e decadente - um retrato excessivamente inverossímil, mesmo para um filme de Hollywood.

O diretor chega a tentar extrair algumas lágrimas, no final, quando põe uma daquelas mensagens explicativas de filmes "baseados em fatos reais" dizendo que, até hoje, a filha de Jung não foi visitá-lo na cadeia. Mas basta esperar um pouco mais e leremos, nos créditos, que ela participou de bom grado do filme.

Ao mesmo tempo que o protagonista é um homem imaculado que por acaso acaba vendendo drogas, as drogas do filme não têm efeito nenhum sobre seus usuários. Há inúmeras cenas de consumo de cocaína, mas ninguém tem sua vida destruída pelo consumo da droga, ninguém se vicia nela - ao contrário, quem quer largá-la o faz sem nenhuma crise de abstinência - ninguém perde dinheiro para sustentar o próprio consumo. Há uma cena em que Jung desmaia no parto de sua filha, por ter exagerado na dose naquele dia, e depois disso ele resolve abandonar as drogas, mas não há nenhum efeito colateral da decisão. O monstruoso rosto do verdadeiro Jung, que aparece na cena final, conta uma história diferente, que o filme, em sua celebração do hedonismo drogado, prefere ignorar.

De resto, tudo isso é contado numa rigorosa imitação de "Os bons companheiros", o filme de Martin Scorcese que foi pioneiro no tratamento quase documental dos traficantes e que muitos interpretam como uma celebração do tráfico. A obra de Scorcese é ambígua o suficiente para permitir tanto essa interpretação quanto a contrária, mas certamente não usa as mesmas lentes rosadas da obra de Demme.

Mas Demme usa os mesmos artifícios narrativos de Scorcese: o começo com uma cena não do final, mas do meio, e o flashback a partir daí, a narração em "off", a caracterização das décadas com penteados, roupas e músicas, e assim por diante. Quem viu "Goodfellas" já viu tudo.

Não sobra nada de aproveitável no filme de Demme? Sobra Penelope Cruz, que é sempre motivo para ver qualquer filme, e uma certa percepção, em algumas cenas, da futilidade e da nocividade da "guerra às drogas" promovida pelo Estado, que acaba incentivando o consumo das drogas mais pesadas e obrigando os envolvidos no tráfico a recorrer à violência. Mas da crítica à guerra às drogas à apologia das drogas e dos traficantes vai uma distância abissal, que o filme freqüentemente atravessa.

Ah, sim: há, também, a deliciosa cena em que Jung é vítima do comunismo latino-americano. Tendo deixado suas economias (30 milhões de dólares, se me lembro bem) num banco no Panamá, quando volta para recuperá-las descobre que houve um golpe militar e que o novo governo estatizou todos os bancos e confiscou todo o dinheiro estrangeiro nos cofres bancários...

***

Uma história rigorosamente oposta à de "Blow" é a de "Requiem for a dream", adaptação de Darren Aronofsky de livro de Hubert Selby Jr.

Já na primeira cena, vemos, em seguidos "closes", um rapaz nitidamente drogado (Jared Leto) tentando impedir que sua mãe (Ellen Burstyn) entre num armário. Ao longo de toda a cena, a tela se divide em dois, metade focalizando a mãe, a outra metade focalizando o filho.

- Mãe! Mãe! C'mon, mãe! ["vamos lá" é a tradução literal, mas a rigor é algo como "pô, mãe!"; vou traduzir em linguagem direta, mas o original é recheado de gírias]

- Harold. Por favor. Não a TV, de novo.

Ela tranca a porta do armário, e vemos apenas a parte de seu rosto iluminada pela fechadura, por onde ela olha seu filho.

- Por que é que você tem que fazer essa cena toda? Eh? Você sabe que vai ter o aparelho de volta daqui a algumas horas.

Ela não responde.

- Por que me você quer me fazer sentir culpado?

Ele puxa o aparelho de TV, e quase o quebra ao fazê-lo, porque o aparelho está acorrentado.

- Jesus! O que é que você está tentando fazer? Quer que eu quebre o aparelho de TV da minha própria mãe?

Ele aumenta o tom de voz.

- Ou quer me fazer quebrar a casa inteira? Quer que eu vire um assassino? Seu próprio filho? Seu próprio sangue? O que é que você está tentando fazer comigo? Com seu próprio filho?

A mãe - Sara - passa uma corrente, com uma chave, por debaixo da porta do armário. Harry continua:

- Por que é que você está sempre inventando joguinhos, tentando me confundir? Você não tem nenhuma consideração por meus sentimentos? Por que é que você tem de dificultar minha vida?

Ela responde timidamente, falando baixinho:

- Harry, eu jamais faria isso com você. A corrente não é por sua causa. Ladrões.

- Então por que é que você não me falou? O aparelho quase caiu. Eu poderia ter tido um ataque cardíaco.

- Você vai ficar bem, Harry.

- Então por que é que você não vem aqui?

Ele tenta abrir o armário, mas ele está trancado.

- Está vendo o que eu disse? Está vendo como você tem sempre que me irritar?

Ele vai ao aparelho de TV, abre a corrente, e o carrega num carrinho com rodas, em direção à porta. Ele pára em frente ao armário.

- Mãe, vem para cá.

Nenhuma resposta. Dentro do armário, ela se senta e abraça os próprios joelhos.

- Isso não está acontecendo. E se isso estivesse acontecendo, estaria tudo bem, então, não se preocupe, Seymour. Tudo vai ficar bem. Você vai ver. No fim, tudo dá certo.

Tyrone, o melhor amigo de Harry, o espera na porta do prédio, e eles fazem aquilo que já imaginávamos: vendem a TV e usam o dinheiro para comprar drogas. Logo descobrimos que isso é uma rotina: Sara vai à loja, e compra a TV de volta, enquanto o vendedor lhe lembra que eles se conhecem há muitos anos e recomenda que ela denuncie seu filho à polícia, "para o bem dele".

- Ah, sr. Rabinowitz, eu não poderia. Harry é meu único filho. Ele é tudo que eu tenho.

Descrevi longamente o início do filme para ressaltar sua oposição com a irresponsabilidade de "Blow". Já nessa cena estão presentes todos os elementos que o filme de Ted Demme deixa de fora: a penúria do viciado em drogas e sua extrema auto-indulgência. O rapaz estava convencido de que sua mãe estava obrigada a lhe satisfazer os caprichos, e a mãe entrou em estado de negação da realidade, refugiando-se numa fantasia rosada (logo depois descobrimos, no filme, que o Seymour a que ela se referia era seu marido, falecido há anos).

Mas isso é só o começo. A partir daí, o filme desenvolve as histórias da mãe e do filho em paralelo.

Sara assiste o dia inteiro a um programa de televisão estilo auto-ajuda, até que um dia recebe uma ligação do programa dizendo que ela foi sorteada para aparecer nele. Esse é o fato inaugural da história que ela viverá a partir daí: disposta a aparecer bonita na TV, ela tenta vestir um vestido vermelho antigo, que ela usou na formatura do filho. Como o vestido não entra, ela tenta fazer uma dieta normal. Mas ela não tem força de vontade suficiente para manter a dieta, e vai parar num endocrinologista, que lhe receita quatro pílulas de emagrecimento diferentes.

Harry, sua namorada Marion e seu amigo Tyrone arrumam um esquema para ganhar dinheiro: comprar cocaína por preço e revendê-la em outro lugar por outro. Os negócios vão muito bem, tão bem que Harry chega a comprar um aparelho novo de TV para sua mãe.

A cena em que ele a visita para contar-lhe do presente é a última cena em que as duas personagens aparecerão juntas. Ele vê que a geladeira está inteiramente vazia e nota que Sara está rangendo os dentes, concluindo, desesperado, que ela está tomando pílulas de emagrecimento. Ele faz um apelo para que ela abandone as pílulas.

- Eu quero usar o vestido vermelho na televisão... Ah, você não sabe. Eu vou aparecer na televisão. Eu recebi um telefonema e um formulário e...

- Ah, mãe, quem é que te enganou e inventou isso?

- Eu estou lhe dizendo que vou ser uma concorrente na televisão. Eles ainda não me disseram quando, mas você vai ver, você vai ficar orgulhoso quando vir sua mãe com vestido vermelho e sapatos dourados na televisão.

- O que é que tem de mais em aparecer na televisão? Essas pílulas vão te matar antes que você chegue lá, pelo amor de Deus.

- O que tem de mais? Você chegou aqui de táxi. Você viu quem tem o melhor lugar no sol [na varanda do prédio]? Você sabe com quem todo mundo está querendo conversar? Quem não é mais apenas uma velha viúva sozinha num apartamento? Eu sou alguém agora, Harry. Todo mundo gosta de mim. Em breve milhões de pessoas vão me ver e vão gostar de mim. E eu lhes falarei de você e de seu pai. Eu vou contar a eles como seu pai gostava do meu vestido vermelho e como ele foi bom para nós. Lembra?

Harry, desolado, olha para o chão. Ela continua.

- Ganhar ou perder o prêmio do programa não faz diferença. Mas eu agora tenho uma razão para levantar de manhã. É uma razão para eu perder peso e estar saudável. É uma razão para eu tentar caber no vestido vermelho. Já é uma razão para sorrir. Isso faz que o amanhã seja bom. O que é que eu tenho, Harry? Por que é que eu deveria arrumar a cama, ou lavar a louça? Eu faço tudo isso, mas por que deveria? Eu estou sozinha. Seymour se foi, você se foi. Eu não tenho ninguém de quem cuidar. Ninguém. O que é que eu tenho, Harry? Eu sou solitária, Harry. Sou velha.

No táxi de volta, Harry começa a chorar. Mas logo se recupera - com cocaína.

Essa cena marca o início do fim dos sonhos das personagens (o filme não se chama "réquiem para um sonho" à toa). O filme se divide em três partes: verão, outono e inverno. Não, não há primavera. E o termo americano para outono, "fall", significa ao mesmo tempo outono e queda. Seu uso pelo filme também não é por acaso.

O tráfico de drogas de Harry e Tyrone vai por água abaixo, porque seus fornecedores - negros - entram em guerra com outra gangue, de italianos. Tyrone chega a ser preso, e eles ficam em situação de penúria. Tyrone depois descobre outro fornecedor possível, mas eles precisam de 2 mil dólares para comprar a droga. Marion tem pais ricos, mas já não fala com eles, e transa com um amigo deles para conseguir o dinheiro. Mas o negócio com os novos traficantes também dá errado.

Enquanto isso, o telefonema do programa de TV nunca vem. Sara fica sozinha, em casa, esperando um telefonema ou uma carta, sempre em vão. Os remédios lhe causam dependência e delírios. Ela imagina estar sendo atacada pela geladeira, depois imagina que o programa de TV está acontecendo em sua sala. Quando reclama dos delírios com o médico, ele lhe receita ainda outras pílulas.

A partir daí, tudo é degradação, decadência e sofrimento. Este é um dos filmes mais sombrios e depressivos já realizados, com um dos melhores usos já feitos de trilha sonora para pontuar as cenas (é possível ouvir a trilha sonora no site do filme - que, aliás, é espetacular).

As técnicas narrativas usadas pelo diretor reforçam o clima sombrio. Para as cenas de uso de drogas, ele usou uma técnica que ele chamou de "técnica hip hop": cortes abruptos de imagens de cada um dos elementos da cena, com grande ênfase nos sons. Vemos, por exemplo, numa sucessão veloz, o pó, o papel enrolado, uma pupila dilatada, e assim por diante. Em algumas cenas, ele usa a câmera grudada no ator, enfatizando a perspectiva da personagem. De uma maneira geral, o modo de filmagem é subjetivista, com as imagens ilustrando o estado psicológico das personagens.

Nada disso daria certo não fossem as magistrais interpretações dos quatro atores principais, principalmente Ellen Burstyn (num papel que lhe daria o Oscar, não fosse a presença de Julia Roberts em "Erin Brockovich"). E os rostos quase angelicais de Jennifer Connelly e Jared Leto tornam ainda mais brutais as provações por que passam suas personagens.

O autor do roteiro e do livro em que ele se baseia, Hubert Selby Jr., começou a escrever aos vinte e oito anos, quando um médico lhe disse que ele não tinha nenhuma chance de continuar vivendo, por problemas no pulmão (ele está vivo até hoje, cerca de trinta anos depois). Segundo o próprio Selby, ele teve, naquele momento, uma percepção de que um dia morreria e que se arrependeria da vida que levou. Seu recurso à escrita - a única vocação autêntica que sentia - foi sua resposta à angústia causada por essa percepção.

Afinal, você só tem uma chance. Só lhe é dada uma oportunidade para se construir a si mesmo, para construir uma história e uma personagem. E se você falhar? E se você desperdiçar a própria vida?

Selby retrata em sua obra as vidas sombrias daqueles que falharam. Ele teve a percepção da possibilidade do fracasso, da urgência da busca de sentido, mas parece sempre perguntar-se o que aconteceria se não tivesse. O que aconteceria se realmente tivesse vivido uma vida sem sentido, se tivesse fugido da realidade, das pequenas alegrias e grandes sofrimentos da vida humana, e tivesse jogado sua única chance fora? Ele teria vivido como suas personagens.

Por isso, "Requiem for a dream" não é um filme sobre drogas. É um filme sobre a fuga da vida - seja através do recurso a drogas proibidas ou a drogas permitidas. Suas personagens não são "vítimas das drogas" (uma das expressões mais absurdas do vocabulário contemporâneo); são vítimas de si mesmas, da própria covardia de encarar o sofrimento.

A própria Ellen Burstyn afirmou, numa entrevista, que o tempo todo em que interpretava Sara pensava que bastaria que ela se aceitasse a si mesma, que ela desistisse de buscar mascarar o fato de que ela era, sim, uma viúva solitária, e não uma estrela de TV, para que alguma chance de melhoria de sua vida surgisse - mesmo que apenas da vida interior. Porque não é possível melhorar a vida falseando-a e fugindo dela.

Boa parte da cultura libertina das últimas décadas - celebrada em "Blow" - é permeada por esse desejo de fugir da própria vida, de viver num estado de perpétua infância. É das conseqüências desastrosas dessa cultura escapista, das diversões televisivas, das pílulas como soluções mágicas para todos os problemas, que trata o "Requiem for a dream", certamente um dos filmes mais impressionantes dos últimos anos.

E, no meio do retrato devastador da autodegradação causada pelo escapismo, ainda sobram - com justiça - críticas aos médicos vendedores de ilusões, à medicina impessoal e intervencionista que se está tornando regra geral, e ao absurdo das políticas públicas que priorizam a punição sobre o tratamento.

Hubert Selby diz que retrata o lado sombrio da vida porque é mais fácil fazê-lo do que apresentar soluções. Ora, existem dois aspectos do papel da arte no desenvolvimento moral: a ilustração e exaltação das virtudes, e a exposição dos vícios e paixões da alma. Claro que este último aspecto é mais comum na cultura contemporânea, porque são parte de nossa experiência cotidiana. Mas, desde que não haja - como freqüentemente há - inversões satânicas que retratam vícios como virtudes e vice-versa, é inegável a importância de obras de arte que expõe esse lado obscuro e sombrio da alma humana, que parecem dizer "este poderia ser você, porque você também pode negar o que existe de mais nobre em sua alma e pode sucumbir às paixões mais grosseiras, porque você também pode fugir do sofrimento, fugir da vida e abraçar o absurdo e o pueril", ao mesmo tempo que mostram: "e este será o resultado".

Nesse sentido, não há soluções que Selby possa oferecer, porque não existem soluções genéricas para o problema da falta de sentido: esse é um esforço individual de construir uma história que valha alguma coisa, de construir uma vida que efetivamente valha a pena, que faça sentido e que realize as potencialidades humanas. É claro que essa construção requer um penoso esforço individual e requer sacrifícios, mas a alternativa a ela é a imersão no nada, é a perda da própria condição humana. Só por nos terem lembrado disso, temos de ser gratos a Selby e Aronofsky.

 

 


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