No. 07 - 28/04/00
Confesso-me surpreso com a polêmica causada pela minha afirmação de que não gosto de gays. Não há nada de inusitado nessa opinião - afinal, ela é a mesma de mais de dois terços da humanidade, até porque as três grandes religiões (judaísmo, cristianismo e islamismo) condenam, expressamente, em seus textos sagrados, as práticas "homossexuais" (já expliquei minha objeção a esse termo). Por que, então, essa polêmica?
Ah, porque ficou feio não gostar de homossexuais. Ficou feio até mesmo chamá-los de "viados" - termo que nada tem a ver com o animal, mas é uma redução de "transviados". Ficou feio achar que a prática da sodomia é moralmente errada, apesar da opinião em contrário das três mais abalizadas fontes de ensinamentos e mandamentos morais da humanidade. Aliás, não ficou feio achar ou pensar tudo isso: ficou feio dizer. Não pega bem socialmente. Ficou tão feio que, já contei aqui, as agências internacionais de notícias, que fizeram tanto escândalo pelo assassinato brutal do rapaz gay Matthew Shepard, assassinato que nada teve a ver com fatores sexuais, e sim com uma briga por causa de dinheiro, essas mesmas agências fizeram de tudo para esconder o assassinato muito mais brutal de um menino de 13 anos por um casal gay, que matou o menino por asfixia depois de tê-lo dopado e submetido a diversos "jogos sexuais". E um dos irresponsáveis disse, chorando, que eles estavam "apenas brincando".
Não, isso não é "notícia". Não é notícia porque o estilo de vida gay assumiu um status sacrossanto, sob as bênçãos de ONGs, entidades internacionais, filmes e séries de TV. Não é notícia porque a repugnante prática da sodomia entre machos ganhou ares de "opção sexual" no mesmo nível da prática que garante a continuidade da espécie. E antes que algum imbecil responda que ninguém faz sexo pensando apenas em procriar, explico: a motivação subjetiva do sexo heterossexual pode não ser a procriação, mas sua motivação objetiva é; acabem com o intercurso heterossexual, e acabará a humanidade; acabem com o "homossexualismo", e não fará a menor diferença.
Neste ponto, acho que devo prestar um esclarecimento, válido especialmente no Brasil, onde ninguém concebe nada fora da ação estatal e onde toda idéia é vista como um projeto de lei em potencial. Não estou dizendo que as práticas homossexuais devam ser proibidas pelo Estado, ou que o Estado deva criar uma secretaria de treinamento psicológico obrigatório para gays; muito menos estou dizendo que alguém deva sair às ruas batendo em gays. O Estado não tem nada a ver com o assunto, e um erro moral não é justificativa para agressões físicas.
Estou dizendo apenas que eu e qualquer pessoa de bem estamos de saco cheio dessa transformação de um tesão anal numa religião leiga, com direito a panteão de santos e lista de excomungados. Já estou de saco cheio das políticas de privilégios para gays, de sexólogas dizendo a adolescentes que eles devem "experimentar de tudo", das manifestações ridículas de "orgulho gay", quando é óbvio que não há nada de que se orgulhar no caso. Já estou de saco cheio de ver os pacientes de AIDS ser tratados como vítimas de um vírus, e não do próprio estilo de vida promíscuo. E, principalmente, estou de saco cheio dessas passeatas e manifestações que pretendem que a Igreja negue o Evangelho para atender a cretinos que não conseguem conter o próprio tesão anal - cretinos que, inexplicavelmente, são gays e não vêem a hora de entrar para uma religião que condena os gays, ou que escolhem um pedaço da religião para acreditarem e jogam fora todo o resto, e mesmo assim querem que a religião os aceite.
E que ninguém venha com o papo de que nem todos os gays são promíscuos, porque todos nós sabemos que os não-promíscuos são minoria. Essa mania de pensar como se não soubéssemos o que sabemos está na origem de toda desonestidade intelectual, e contamina toda essa discussão. Não venham com essa para cima de mim. Especialmente depois da matéria no caderno feminino do jornal O Globo de sábado passado, em que o repórter revelava que o novo movimento dos gays americanos chama-se barebacking, e consiste em ir a festas gays e ficar, como diz o nome, de "costas nuas" para quantos vierem e quiserem. O repórter do Globo foi incapaz de ver qualquer problema moral no caso: viu apenas um excessivo risco de contaminação por HIV, por causa da ausência da camisinha. É precisamente dessa maluquice moral que estou falando.
POLITICAGENS
A Suprema Corte americana começou a votar, esta semana, a constitucionalidade de uma lei de Nebraska proibindo os abortos de "parto parcial". Esses abortos são feitos nos últimos meses de gravidez - seis, sete meses em diante, até mesmo um dia antes do eventual parto - e funcionam da seguinte maneira: o bebê é retirado do útero da mãe até a altura do pescoço, ficando só a sua cabeça dentro da mãe; o "médico", então, insere uma tesoura no pescoço do bebê e rompe a coluna cervical. A cabeça, então, é sugada, com a destruição do crânio. Se o bebê fosse retirado inteiro do útero e morto depois, seria infanticídio - rompendo a coluna cervical, é "apenas" um aborto, e aí só uns "fascistas homicidas" que põem bombas em clínicas de aborto se escandalizam, certo?
Bom, pelo menos em Nebraska os legisladores acham que não faz diferença - é infanticídio de qualquer maneira e, como tal, proibido. Mas o lobby abortista acha que o Estado não deve "legislar sobre isso" - engraçado, porque são as mesmas pessoas quem acham que o Estado deve legislar sobre quantas armas você tem em casa, quantos filhos você pode ter, o que as escolas vão ensinar, quantos cigarros por dia você pode fumar e não sei mais quantas coisas, e elas agora vêm defender o direito à privacidade (nunca é demais lembrar que, numa das decisões judiciais mais bizarras da história da humanidade, a Suprema Corte americana disse que o direito ao aborto é garantido pelo direito à privacidade). O Estado não deve proibir você de matar seu próprio filho, mas deve proibir você de educá-lo em casa e não mandá-lo para a escola. Lógica mui peculiar.
Mesmo assim, há argumentos "médicos" no caso. Trata-se, dizem alguns, da "integridade corporal" da mulher. Como se o feto fosse parte do corpo da mulher, e não um corpo próprio. É inacreditável vermos médicos que não sabem nem mesmo o que é um organismo. Outros dizem que o aborto de parto parcial é necessário para a "saúde" da mulher. Mas eu ouvi na EWTN um padre perguntar ao promotor do caso (que está tentando barrar a lei) quais os casos de risco para a saúde da mulher que exigem o parto parcial, e o promotor só conseguiu titubear e dizer "well...", não apresentando nenhum caso. E na American Medical News de 20 de novembro de 1995, o "médico" que mais faz abortos de parto parcial disse que em 80% dos casos esse tipo de aborto é "puramente opcional".
Já a Planned Parenthood (também conhecida como Abortion Inc.) diz que não existe aborto de parto parcial, que o médico simplesmente retira um cadáver de dentro da mãe, porque a anestesia geral dada à mãe já mata o bebê. Essa explicação seria apenas cínica, se não fosse também mentirosa. Como diz o vice-presidente da Sociedade de Anestesia Obstétrica dos EUA, "a anestesia só mata um bebê se matar junto a mãe" (World, 13 de janeiro de 1996). A verdade, segundo dois "médicos" que costumam praticar esse tipo de aborto (em depoimento publicado na AMN em 05 de julho de 1993), é que os bebês abortados dessa maneira ficam vivos até o final do procedimento. Quer dizer: até que suas cabeças sejam separadas do resto de seus corpos.
Mais nojento do que a prática em si é o motivo pelo qual ela se tornou tão popular: se os bebês são abortados dessa maneira, seus órgãos ficam intactos e, portanto, mais aproveitáveis e, portanto, custam mais caro e, portanto, dão mais lucros. Coisa de altíssimo nível moral.
NA REDE
O Globo teve a coragem de publicar, essa semana, a tradução de um artigo de um imbecil americano dizendo que ficou "emocionado" com a foto do soldado armado na frente da casa dos parentes do garoto cubano Elián González. Os soldados foram enviados lá, sem autorização judicial, pelo jacaré com Parkinson Janet Reno, secretária de Justiça americana, a fim de "resgatar" o menino das garras de seus tirânicos parentes.
O articulista estava emocionado porque a foto mostrava que "os EUA ainda são um país onde se faz valer o primado da lei". Pois o fato é o seguinte: nenhum tribunal apreciou a questão do menino Elián. Reno e Clinton decidiram e fizeram cumprir sua decisão, sem que o tribunal de Miami pudesse fazer nada a respeito. Se é para levar em conta a lei, a regra do Serviço de Imigração e Naturalização (INS) americano, para imigrantes que cheguem aos EUA sem as devidas autorizações, é a seguinte: "o INS, via de regra, não extraditará menores de 18 anos não acompanhados por parentes ou responsáveis legais." Aí está o "rule of law".
E então vieram os argumentos de que agora a saúde mental da criança estaria sendo preservada, com a "prova" disso na foto divulgada com o menino sorridente ao lado de seu pai. A foto foi creditada ao próprio Juan Miguel, pai de Elián. Ora, se o menino está tão bem assim, por que é que o pai não quer deixar ninguém falar com ele? Por que é que ele tem de ficar incomunicável?
Pois bem: o psicólogo que acompanhou Elián na casa de seus parentes e que passou horas com ele durante dois dias é brasileiro de nascimento (é um escândalo que nenhum de nossos jornais tenha noticiado isso; soube disso em artigo de Charles Krauthammer), Dr. Gunther Perdigão. E ele disse o seguinte que o menino tinha se afeiçoado de forma extrema à sua prima Marisleys, que cuidara dele em Miami, e que certamente a separação foi traumática. A sua reação à foto do soldado: "lembrei-me de fotos de soldados alemães arrastando judeus para fora de suas casas."
No fim das contas, como disse David Horowitz, o comportamento do Governo americano nesse caso tem sido digno de um Estado totalitário, e o número de mentiras e falsificações que os jornais têm divulgado mostra que os "idiotas úteis" de Fidel estão fazendo um belo trabalho.
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E continuam as matanças no Zimbábue (antiga Rodésia), e continua o espetáculo de desinformação e de medo de enfrentar as questões sérias na imprensa.
Enfrentar as questões sérias é o que faz Walter Williams em seu último artigo, argumentando o seguinte: por mais brutal que isso pareça, as conquistas e o colonialismo fizeram bem aos povos conquistados e colonizados. Os africanos sofreram com a colonização, mas em troca receberam instituições, técnicas e conhecimentos dos europeus, e foi justamente durante a colonização que cessaram os confrontos tribais, permitindo, por um período de tempo, paz, ordem e prosperidade econômica a diversos povos africanos.
Mais que isso: a colonização deu os frutos que poderiam criar sociedades mais estáveis na África, se seu tempo de germinação fosse respeitado, e não abortado de uma hora para outra pelos movimentos de descolonização, que fizeram aflorar ódios antigos e criaram a baderna e o sofrimento que hoje imperam naquele continente.
Durante o período da colonização, conta Williams, os países africanos foram auto-suficientes em termos de comida. Hoje, são importadores massivos, com 19 países (como Burundi, Somália, Uganda, Tanzânia) à beira da fome total.
O Zimbábue ainda não está na lista, mas estará em breve, porque os fazendeiros brancos atacados (i.e., assassinados, com suas plantações queimadas e suas filhas estupradas) pelo bando de Mugabe respondem por 80% de toda a produção agrícola do país. Depois que suas fazendas forem destruídas, que praticamente todos eles forem mortos ou fugirem para a Inglaterra, quem vai cuidar da economia? Já sabemos: a ONU, o FMI e as demais instituições de "ajuda humanitária".
Mas quem foi que permitiu que um demente como Mugabe chegasse ao poder? Quem foi que lhe deu todo o apoio de que precisava? A resposta é a mesma: a ONU, o FMI, as potências internacionais. Como já escrevi antes, se para formar Estados nacionais, foram necessárias guerras e derramamento de sangue, imaginem quantas mortes não serão necessárias para formar um mega-estado, um Governo mundial? Acrescentem a Rodésia às contas.
Mais detalhes da história da Rodésia e da ascensão de Mugabe estão no artigo de Marcos Pinho Escobar que republicamos no "Indivíduo" esta semana, e no artigo de Eric Margolies sobre o ódio racial na África.
Margolies conta o seguinte caso: "Os assassinatos no Zimbábue me trazem más lembranças. Nos anos 80, eu acompanhei tropas negras sul-africanas na patrulha do Rio Limpopo, fronteira entre o Zimbábue e a África do Sul. Bandos de criminosos da Aliança Nacional Africana, descritos na imprensa ocidental como "lutadores pela liberdade", estavam percorrendo fazendas ao longo do Limpopo. Eu recordo vivamente uma fazenda queimada onde um homem de 74 anos e sua esposa de 68 resistiram a 200 marginais da ANA por uma noite inteira. Os invasores finalmente conseguiram explodir o teto da casa com coquetéis Molotov e levaram os ocupantes para o lado de fora. Eles atiraram no homem, e depois o mataram a machadadas; a esposa do homem foi estuprada, e depois esquartejada. Essa foi uma parte da "luta pela libertação" contra os brancos no Zimbábue que ninguém mostrou ao mundo de fora."
SÉTIMA ARTE
Dave Andrusko escreveu que é ridículo Hollywood gabar-se da própria coragem ao fazer filmes esquerdistas ou pró-abortistas. Vimos um exemplo dessa auto-congratulação no Oscar, com o roteirista do filme abortista "Regras da Vida" agradecendo à Academia pela coragem de eleger um filme pró-aborto.
Coragem mesmo, diz Andrusko, seria fazer o contrário: por exemplo, um filme sobre o esforço de opositores do aborto em cuidar de bebês abandonados por suas mães, ou em convencer alguma mãe a não abortar.
Realmente, não vemos nenhum filme desse tipo por aí. Mas isso não quer dizer que não existem mais filmes defendendo valores tradicionais. Felizmente, eles ainda existem. São poucos, costumam causar um certo mal estar, mas existem. Tomemos, por exemplo, dois dos melhores filmes produzidos ano passado.
The Winslow Boy, dirigido por David Mamet, é sobre um pai, na Inglaterra do século passado, que vai à ruína financeira para preservar a honra do filho, acusado injustamente de roubo pelo Colégio Naval. O belíssimo filme trata de valores familiares, de união e confiança entre pai e filho, de honra e de limites legais ao que a Coroa pode fazer. Não resvala nunca para o sentimentalismo característico dos filmes hollywoodianos sobre pais e filhos e conta com o excelente Nigel Hawthorne.
Eyes Wide Shut foi o último filme de Stanley Kubrick e, para a quase totalidade da crítica, uma decepção. Isso quer dizer que o filme é muito bom. Existe uma longa discussão a respeito do filme no fórum da home page de Olavo de Carvalho, e não quero entrar nos assuntos discutidos ali, e nas visões mais profundas ali apresentadas. Fiquemos na superfície: a mensagem moral direta do filme é que o laço matrimonial é mais importante do que qualquer escapada, que o sexo sem compromisso leva à esterilidade e à depressão e, portanto, um casal deve saber suportar seus problemas, resolver suas diferenças e seguir em frente. O filme trata de muitos outros temas, mas quis ressaltar esse porque é certamente o aspecto que desagradou aos críticos moderninhos, para quem "conservador" é palavrão: a visão do sexo e do casamento no impecável filme de Kubrick é em prol da monogamia e da estabilidade.
ORTODOXIA
Não assisti à "missa" de 500 anos. Tenho mais o que fazer e só de pensar nas blasfêmias e sacrilégios cometidos nela e em praticamente todas as missas de hoje já fico com náuseas.
Mas liguei a televisão e, primeiro, vi o Secretário de Estado do Vaticano, Monsenhor Solano, dando entrevista a repórteres. O sujeito parecia um robô. Eu sei que para galgar altos postos (exceto o de papa, bem entendido) na politicagem do Vaticano é preciso perder a fé, mas não imaginava que precisava tanto. Podemos pensar o que quisermos do papa João Paulo II, mas ao menos vemos uma profundidade em seus olhos. Pois os olhos de Monsenhor Solano são os mais vazios que vi nos últimos tempos. Ele é uma figura opaca, com um discurso decorado e declarado em tom monocórdio, sem nenhuma distinção de tônica entre as palavras ("Vim agradecer a Deus pela enorme graça da fé. Todos gostamos de celebrar datas importantes e, neste momento, temos de olhar mais para as virtudes que para os defeitos").
Depois, liguei de novo e a missa, rezada por Mons. Solano, estava justamente na hora da comunhão. Bom, os leitores que não são católicos provavelmente não sabem (os católicos têm obrigação de sabê-lo) que a comunhão recebida na mão do fiel é uma abominação, condenada por toda a Igreja, e que essa condenação foi renovada nos anos 80 pelo próprio papa atual. E eis que lá estava o enviado oficial do Vaticano para a missa dos 500 anos do Brasil dando a comunhão... na mão! Passavam todas aquelas figuras absurdas lá de Brasília (quantos deles se confessaram antes de ir comungar, aliás?), estendiam a mão (e de pé, o que é outro absurdo, porque se há mesmo a presença real de Cristo na hóstia, é claro que a maneira correta e adequada de recebê-la é de joelhos) e recebiam a hóstia consagrada (se é que a missa era válida). Fiquei assistindo, pasmo, esperando para ver se alguém pediria a hóstia na boca, e eis que surgiu um sujeito que realmente pediu. Mas, mostrando a falta de intimidade com o ato não sei se tanto da parte do sujeito quanto da parte do Mons. Solano, a hóstia foi direto para o chão.
Agora, presto novo esclarecimento: no chão ou não, a hóstia continua sendo hóstia. É a coisa mais preciosa da Igreja, e nenhum padreco, muito menos uma autoridade do Vaticano, tem o direito de ignorá-la ou de deixá-la caída no chão. Pois bem: o sujeito, vendo que tinha errado, pediu agora a comunhão na mão, e Mons. Solano recusou, fazendo um gesto irritado para que ele saísse e deixasse que o próximo viesse. E a hóstia ficou ali, no chão, onde provavelmente depois foi pisada e varrida para junto do lixo.
E é esse mesmo o tratamento que Nosso Senhor tem recebido das autoridades de Sua Igreja: tem sido pisado e varrido para junto do lixo. Aí está o Mons. Solano, que não me deixa mentir.
DESINFORMATZIA
O canal de TV americano ABC tem um programa chamado "Millionaire", onde um sujeito, escolhido entre vários candidatos, responde a perguntas sobre diversos assuntos, podendo ganhar e perder dinheiro à medida que vai acertando e errando.
Depois de 84 shows, nos quais ao todo 192 pessoas responderam às perguntas, finalmente um negro, Steve Clark, foi o candidato escolhido para dar as respostas. Não creio que isso tenha qualquer importância, mas o canal estava ficando com um terrível complexo racial. Por isso, resolveu adotar várias medidas para permitir mais negros no programa. No processo de seleção do candidato, passaram a fazer menos perguntas sobre música, filmes e literatura, e, ao mesmo tempo, diminuíram a importância, para a pontuação, da velocidade com que o candidato respondia às perguntas. Por exemplo, para ser escolhido, Clark teve de responder a perguntas sobre a Bíblia, café e beisebol.
Implícito aí está que os brancos sabem mais sobre artes e pensam mais rápido que os negros, e que os conhecimentos destes se restringem a trivialidades, esportes e alguma coisa de religião. Donde se vê que o racismo paternalista está não nos antigos critérios de seleção do programa, mas justamente nessas mudanças para "ajudar os negros" e "aumentar a diversidade".
Ah, sim: o próprio Clark achou tudo isso uma palhaçada, e disse que os critérios anteriores do show nada tinham de racistas. Mas essa parte de suas declarações não foi ao ar...
FÓTONS
"É o comunismo que fornece a justificativa buscada pela perversidade, a longa perseverança necessária aos perversos. É a teoria social que ajuda o malvado a justificar seus atos a seus próprios olhos e aos dos outros para sentir-se objeto não de recriminações e maldições mas de adulações e testemunhos de respeito." - Alexsander Soljenitsyn
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"As ideologias têm uma expectativa de vida superior à dos homens. Elas são mais biodegradáveis do que os deuses, mas algumas podem viver por vários séculos. As que se definem 'científicas' e garantem que sabem realizar na Terra sua promessa de Salvação, como o marxismo stalinista, mostram-se em toda a sua fragilidade após a vitória, que assinala ao mesmo tempo sua falência. Todavia, o marxismo stalinista foi capaz de dominar a mente de renomados cientistas, nos quais conseguiu remover por décadas, como 'ignóbeis calúnias', as provas múltiplas e acumuladas de sua mentira. Uma prova ulterior das ideologias, diante do real e contra ele. Os fatos são obstinados, dizia Lênin. As idéias são ainda mais obstinadas, e os fatos são esmagados por elas com mais freqüência do que as idéias são esmagadas pelos fatos." - Edgar Morin
ARTIGO DA SEMANA
Eu ia fazer um comentário do excelente artigo de João Ubaldo Ribeiro publicado em O Globo e no Estadão de domingo passado, mas quando ia escrever estas linhas surgiu o comentário de Olavo de Carvalho em sua home page. Acho melhor remeter o leitor a esse comentário, e evitar chover no molhado. No mesmo link, pode-se encontrar a íntegra do artigo de Ubaldo.
Nos mesmos moldes desse artigo, saiu no Jornal do Brasil um outro, assinado pela secretária municipal de Projetos Especiais do Rio de Janeiro Sandra Cavalcanti. O que ela diz, e o que Ubaldo também diz, é simples: o Brasil nunca foi dos índios, e todo esse papo de "nações indígenas", de "invasão portuguesa", de "genocídio" não passa de uma palhaçada, mas uma palhaçada cuidadosamente planejada por ONGs e entidades internacionais que visam a destruir a unidade nacional brasileira, fragmentando nosso território e se beneficiando de eventuais concessões de terras aos índios, conforme, aliás, havia denunciado o livro "A Farsa Ianomâmi", que o leitor interessado só poderá encontrar na Biblioteca do Exército.
Vale ressaltar um trecho do artigo de Sandra Cavalcanti, que serve de resposta aos bisonhos pedidos de desculpas dos "bispos" brasileiros, os mesmos que, como eu disse acima, não se incomodam de jogar Jesus Cristo no lixo:
"Um grupo de brancos teve a audácia de atravessar os mares e se
instalar por aqui. Teve a audácia de acreditar que irradiava a fé
cristã. Teve a audácia de querer ensinar a plantar e a colher.
Teve a audácia de ensinar que não se deve fazer churrasco dos
seus semelhantes. Teve a audácia de garantir a vida de aleijados e idosos.
Teve a audácia de ensinar a cantar e a escrever.
"Teve a audácia de pregar a paz e a bondade. Teve a audácia
de evangelizar."
Mais até do que isso: teve a audácia de tirar do barbarismo os índios, de ensinar-lhes que, como diz o título de um livro do Malcom Bradbury, "eating people is wrong". E, como diz Olavo de Carvalho (o que, aliás, ajuda a complementar o que eu disse acima sobre o colonialismo africano):
"De outro lado, os lusos também estavam na Lusitânia, os gauleses na Gália, os bretões na Bretanha e os saxões na Saxônia milênios antes da chegada dos romanos. Se vieram a crescer e tornar-se por sua vez dominadores foi porque não rejeitaram a nova cultura como um estupro, mas a aceitaram e a absorveram como um dom salvador e se tornaram, até com mais legitimidade do que os romanos, seus representantes e portadores. Muitos de nossos índios fizeram isso: abandonaram a cultura tribal, entraram na nova sociedade, adotaram a religião cristã. O Parlamento e as universidades estão repletos deles, e cada família antiga deste país se orgulha de ter mais de uma gota de sangue indígena. Os outros caíram vítimas de uma antropologia maluca intoxicada do "relativismo cultural" da charlatã Margaret Mead e empenhada em conservá-los como objetos de museu e bichinhos de estimação. Os primeiros representam a força e a glória das raças indígenas. Os segundos, a vergonha e a morbidez de um atavismo insano, alimentado e manipulado por um dominador mais rico e malicioso do que aquele contra o qual hoje ostentam uma revolta esquizofrênica e deslocada no tempo. Nada mais patético do que um índio que, acreditando ou fingindo lutar contra o fantasma do domínio português extinto, se torna instrumento e servo do dominador globalista."
Nota editorial: Esta semana dei um descanso na seção "idiotas" por falta de estômago, depois das manifestações dos 500 anos, mas semana que vem ela estarão de volta, com certeza. O ícone do óculos foi substituído pela carinha enfezada porque um amigo me disse que os óculos eram usados na coluna do Artur Xexéo online, e prefiro evitar usar o mesmo ícone desse sujeito. Eu havia roubado os óculos do comentarista de futebol Sérgio Noronha, do mesmo JB onde trabalha o Xexéo, que só os usou uma vez - talvez por erro do webmaster do JB. Não importa. Agora, roubei a carinha do fórum da página de Olavo de Carvalho; essa carinha é figura fácil em fóruns, aliás.