No. 70 - 20/07/01
Pensamentos politicamente incorretos
À moda dos "random thoughts on the
passing scene", de Thomas Sowell (tirados de notas publicadas em avelloso.com)
Thomas Fleming tem razão: nas últimas décadas, assistimos ao crescimento do puerilismo em escala tão grande, que os homens não são mais capazes de enfrentar a vida, não são mais capazes de lidar com as próprias dificuldades, as próprias dores. Hoje todos querem viver sem aceitar as conseqüências dos próprios atos, querem "viver sem culpas", querem ser protegidos da dureza da vida por um Estado-paizão, um Estado onipotente que os manteria a todos numa infância perpétua, bricando de roda e amarelinha, e lhes pouparia da tormenta de virar seres humanos.
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Resposta do Príncipe Henrik, da Dinamarca, à acusação de que as mulheres dinamarquesas morrem mais de câncer do que as mulheres dos outros países europeus porque sua esposa aparece fumando em público: "Não devemos nos deixar impressionar ou influenciar pelo politicamente correto. Deixem as pessoas morrer por causa do cigarro, se quiserem. É problema delas."
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O Brasil, para nossa vergonha, é um dos maiores defensores da formação de uma polícia tributária global que impeça que determinados países ofereçam "vantagens injustas" para os investidores, adotando tarifas tributárias "excessivamente baixas". Ora, se o Brasil e os países europeus continentais estão perdendo investimentos para países com menos taxas e menos restrições ao livre mercado, que procurem adotar uma política tributária menos socialista ou que aprendam que não é possível ter o melhor dos dois mundos ao mesmo tempo. Mas que não procurem impor seu socialismo ao mundo inteiro.
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Estamos cercados de propaganda estatal por todos os lados: para que os pais visitem as escolas dos filhos (o que é uma piada perversa de um Governo que aboliu completamente o papel dos pais na elaboração dos currículos); para combatermos a dengue (o aparecimento de dengue no Leblon foi atribuído, nessas propagandas, à formação de poças de "água morta" nos apartamentos; quem diabos tem pneus velhos com água em casa no Leblon?!); para pararmos de fumar (ou de rezar - alguém aí viu o monstruoso anúncio sobre o "câncer que pode ser curado"?); para acreditarmos no que diz o Ministro da Economia; para não jogarmos lixo no chão; para não dirigirmos bêbados - a lista poderia continuar para sempre, sem que ninguém perceba o absurdo que existe em o Governo tomar nosso próprio dinheiro para nos dar lições de moral e para divulgar como grandes conquistas em nosso "benefício" seus contínuos atentados às liberdades e direitos individuais.
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Certa vez, alguém me disse que desejava ter filhos para "perpetuar a fé", ao que eu respondi que me parecia mais importante e urgente ter fé para perpetuar. Esse é exatamente o problema das campanhas de evangelização organizadas pelas lideranças católicas brasileiras: estão cheias de boas intenções, mas vazias de conteúdo. O site CatolicaNet, por exemplo, é apresentado como o principal instrumento de evangelização através da internet, mas basta acessá-lo para perceber que aqueles que estão encarregados de perpetuar e divulgar a Fé não sabem direito o que divulgar. Falta-lhes conteúdo, substância, doutrina. De proveitoso, o site tem o "santo do dia", sem muitas informações, e algumas notícias sobre o Vaticano. De resto, há uma seção de "documentos" sem documentos da Igreja, mas com os bizarros documentos do antro de comunismo chamado CNBB e os grotescos documentos de Medellin e Puebla; um monte de perfumarias inúteis (enquetes, fotos, webcards, bate papo, fórum); e o costumeiro desfile de aberrações circenses que forma o cenário da ala "carismática" da Igreja brasileira (Marcelo Rossi, Antonio Maria, Quevedo...).
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Depois de décadas de políticas anti-religiosas e anti-familiares patrocinadas pela ONU, o Papa já deveria ter avisado aos católicos que se afastassem dela e de suas políticas. Mas ele insiste em aparecer quase que como porta-voz da ONU, não se sabe se por estupidez, ingenuidade ou maldade. Perdoem a linguagem dura, que em tempos normais não deveria ser usada para falar do Papa, mas é revoltante ver a Igreja em ruínas e o Papa preocupado em agradar aos agentes do anti-Cristo.
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Quando um grupo racial precisa apelar ao Estado para protegê-lo de piadas (e, pior, feitas por membros da mesma raça), eis aí um triste sinal de enfraquecimento moral. Este, infelizmente, é o resultado da política paranóica do movimento negro, que cria uma espécie de neurose coletiva em que os negros estão constantemente se sentindo perseguidos e desprotegidos - e essa neurose os torna ainda mais dependentes da "proteção" estatal. É por isso que, como diz Thomas Sowell, os líderes negros são tão amigos da comunidade negra quanto Iago era amigo de Otelo.
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Todas as outras propostas políticas brasileiras se assentam na institucionalização do roubo, através das "medidas sociais", criando, como disse Gary North, uma "exceção democrática" ao "Não roubarás": não roubarás, a não ser que recebas a maioria dos votos e elabores uma lei tributária.
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O jovem, de uma forma geral, é mais facilmente manipulado e, por ter menos experiência e menos preparo intelectual, é mais facilmente seduzido pelas promessas revolucionárias. Na Colômbia, isso se agrava pela falta de perspectivas de vida num país miserável e devastado - daí a atração das guerrilhas. No Brasil, não são os jovens pobres e sem perspectivas que se unem aos movimentos revolucionários; são mauricinhos universitários, que se julgam superiores ao restante da humanidade e se acreditam responsáveis pela construção de "um mundo mais justo". Os moleques guerrilheiros colombianos pegam em armas e têm sede de sangue; os moleques guerrilheiros de gabinete brasileiros ainda não estão armados, mas sua sede de sangue é idêntica, como se vê claramente pela adoração que sentem pelas guerrilhas colombianas e pelo legado assassino de Fidel e Guevara, Lênin e Stálin, Mao e Pol Pot.
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Ah, o Emir... o maior teórico contemporâneo de nossas esquerdas, ídolo dos guevarinhas que tomam a Cinelândia todas as semanas para fazer as revoluções. A minha impressão é que ele nunca conseguiu fazer um silogismo inteiro em toda a sua vida, e que não conseguiria chegar a uma conclusão verdadeira sobre coisa alguma, por mais que tentasse. E o pior é que nem consegui celebrar sua demissão da Globo News: depois de anos apoiando qualquer legislação comunoglobalista, depois de anos de comentários ocos e imbecis, depois de anos de aplausos para ditadores comunistas, Emir foi demitido por cometer o único "crime de pensamento" que não se admite nem de pseudointelectuais de esquerda - criticar Israel.
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Achei que já tinha visto de tudo em termos de idiotice do movimento negro. Mas não esperava ler, como li recentemente no Globo, uma apologia do apartheid e da segregação racial, nem ver alguém dizer expressamente que o "racismo sutil" - que é tão sutil que, para demonstrá-lo, é preciso uma ginástica argumentativa com dados econômicos - é pior do que o racismo explícito e oficializado em leis. A estupidez nunca cessa de nos surpreender.
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Nenhum país considerado democrático, no mundo, trata parte de sua população civil de maneira tão brutal, demolindo suas casas e instituindo divisões hierárquicas entre os cidadãos em razão de sua etnia. Mas Israel não apenas o faz como ainda recebe aplausos daqueles para os quais o país é o único representante da "civilização" no meio de árabes bárbaros e, por isso, tudo que faça é justificado. Grande civilização essa.
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A maior parte do que se ensina nas escolas é besteira, e besteira inútil. Ensina-se um português do qual a gramática foi extirpada, porque era mera "convenção burguesa"; ensina-se uma história que nada mais é do que a repetição de chavões marxistas; ensina-se uma geografia que de geografia não tem nada e que se resume a sociologia de botequim; ensinam-se versões compactadas e infantis de física e química, porque o aparato matemático necessário para a compreensão dessas ciências não é ensinado - e assim por diante. O segundo grau ou é uma repetição de mitos para fins de doutrinação política ou é uma exibição de "trailers" de ciências que estão além da compreensão dos alunos (e, freqüentemente, dos próprios professores), fazendo que o ensino científico seja mera repetição mecânica de formuletas.
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Não é curioso - embora de nenhuma maneira surpreendente, dadas as características do movimento - que todo esse movimento de "direitos da criança" conspire para tomar das crianças e adolescentes um direito básico: o de escolher entre o trabalho e o estudo? Comunas em todo o mundo se unem para escravizar as crianças, prendendo-as em salas de aulas nas quais não lhe será ensinado nada que lhes interesse e das quais elas sairão mais cínicas e revoltadas do que quando entraram, porque terão aprendido a avançar na vida ("passar de ano") enganando professores. Mas esse é só um dos aspectos brutais e absurdos desse movimento. Outro - talvez ainda pior - é que os "defensores das crianças" são também defensores de sua expropriação pelo Estado, abolindo todos os vestígios de autoridade paterna. A decisão entre trabalho e estudo, por exemplo, normalmente é feita pelos pais em conjunção com a criança; mas isso é liberdade demais, algo intolerável para os comunas.
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"Extremado" não dá nem uma vaga idéia do que é a PETA. Eles não são extremados: são chantagistas e assassinos, e são adeptos das teorias monstruosas de Peter Singer, que dizem que a vida humana vale tanto quanto a de qualquer inseto, e que é mais ético fazer experiências científicas em fetos e bebês do que em ratos e coelhos.
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O casal inglês que comprou um bebê, para adoção, via internet foi obrigado, por decisão judicial, a devolvê-lo aos EUA - apesar das transações terem todas sido feitas dentro da lei e com o consentimento dos envolvidos. Mas, claro, seria o supremo absurdo um casal poder adotar um bebê sem que o Estado intervenha, sem que assistentes sociais debilóides e cheias de noções pseudo-psicológicas povoando suas cabeças ocas dêem seu aval, sem que burocratas possam fiscalizar. Isso a não ser que o casal Kilshaw fosse um casal gay - porque, aí, tomar o bebê deles seria uma horrível discriminação - mas Alan e Judith não deram essa sorte.
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Não é curioso como as mesmas pessoas que vivem criticando a globalização por ela ser um ataque às soberanias estatais instantaneamente assumem o discurso globalista quando o objetivo é criticar o Presidente Bush e sua decisão (aliás, não sua, mas de todo o corpo político americano) de não assinar o Protocolo de Kyoto? Os mesmos que reclamam - e, freqüentemente, com razão - de que o Brasil está cedendo sua autonomia para entidades globalistas, tornam-se ferrenhos opositores da soberania e da autonomia nacionais quando quem as está exercendo são os EUA!
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Entre as posições mais insanas do movimento ecológico estão as tentativas de "reabilitação" de animais que tradicionalmente vemos como agressivos e perigosos, como cobras, tubarões e crocodilos. Essas tentativas não apenas põem em risco a vida de pessoas - ao diminuir as restrições de segurança adotadas em relação a esses animais e ao incentivar a criação de leis que impedem que esses animais sejam mortos - como embotam o senso básico de realidade de quem acredita nelas. Ano passado, eu estive numa exposição sobre cobras numa cidade paulista. Uma menina que trabalhava na exposição segurando uma cobra (obviamente, não venenosa), deu-ma para que eu a segurasse, e, enquanto eu o fazia com certa expressão de nojo, ela disse que nós só achamos as cobras mais feias e menos adequadas para ser nossos animais domésticos do que cães e gatos porque fomos condicionados culturalmente a isso, e que essa visão é um equívoco. Mas o fato é que nós não fomos culturalmente condicionados a achar feias as cobras: elas são efetivamente feias e repugnantes, e qualquer criança com o senso estético minimamente desenvolvido é capaz de perceber isso. Mas o movimento de defesa dos animais pretende obnubilar esse tipo de percepção imediata e sumamente óbvia, pretende atacar a própria consciência humana, que já não será capaz de fazer distinções básicas entre os animais, nem de perceber o simbolismo natural que decorre de suas características mais evidentes, e que é uma experiência comum de toda a humanidade.
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A redução do oponente à condição de animal, a total despreocupação com os custos em vidas humanas das ações militares tornou-se regra geral no século XX, com a banalização dos bombardeios de populações civis e do instrumento "político" de guerra, as sanções econômicas. O bombardeio atômico das ilhas japonesas foi o apogeu dessa tendência que, como disse Felix Morley, representou a traição a toda a herança cristã ocidental (que, aliás, incluía o conceito de "guerra justa", hoje uma relíquia de um passado mais civilizado). Que ainda haja conservadores católicos que defendem esse bombardeio é desses fatos que fazem a minha confiança na humanidade diminuir a cada dia.
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É óbvio que um ensino religioso "ecumênico", como o adotado nas escolas públicas, não ensinará a ninguém o suficiente sobre religião alguma, e terá o exclusivo efeito de relativizar a religião e transformá-la num "fenômeno curioso", algo para ser observado de fora como representativo das crenças de algumas pessoas atrasadas. Por outro lado, o Estado leigo não apenas não pode apoiar oficialmente uma religião específica, como é, em sua própria origem, hostil a todas elas, porque não admite que ninguém seja leal a algo superior a ele, Estado. Não custa lembrar, aliás, que as escolas públicas surgiram justamente para abolir o ensino religioso, substituindo-se às escolas cristãs. Não apenas é impossível solucionar o problema do "ensino religioso" sem tirar o Estado da educação, como esse "problema" só surgiu porque o Estado se intrometeu nela. Numa sociedade sã, os ateus formariam suas próprias escolas, os cristãos as suas, os judeus as suas, e nenhum desses grupos procuraria impor aos outros suas próprias crenças, nem seria obrigado a, em suas próprias escolas, elogiar e celebrar as crenças alheias.