No. 76 - 31/08/01
A geografia do anticapitalismo , ou: Não deixe o professor de geografia transformar seu filho num militante esquerdista!
"Thus, all states - some more exclusively than others,
but every state to a considerable degree - have felt the need to take the system
of education, for one thing, into their own hands. It either directly operates
the educational institutions, or indirectly controls such institutions by making
their private operation dependent on the granting of a state license, thus insuring
that they operate within a predefined framework of guidelines provided by the
state. Together with a steadily extended period of compulsory schooling, this
gives the state a tremendous head start in the competition among different ideologies
for the minds of the people. Ideological competition which might pose a serious
threat to state rule can thereby be eliminated or its impact considerably reduced,
especially if the state as the incorporation of socialism succeeds in monopolizing
the job market for intellectuals by making a state license the prerequisite
for any sort of systematic teaching activity."
(Hans-Herman Hoppe)
Faça o seguinte teste com um irmão menor, um filho, um sobrinho; alguém que esteja cursando ou tenha cursado recentemente o Ensino Médio. Peça-lhe que localize num mapa-múndi o Mar Mediterrâneo. Não, não precisa ser nenhuma tarefa mais difícil; não precisa pedir-lhe que localize Angola ou o Panamá. Fique com o Mar Mediterrâneo mesmo. Duvido que o entrevistado saiba fazê-lo.
Agora passe para a segunda parte do teste, e pergunte-lhe por que existe pobreza no Brasil. Ele responderá, no ato, "capitalismo selvagem" ou, se for mais intelectualizado, "a exploração das multinacionais como decorrência da mundialização do processo exploratório no capitalismo tardio".
Ele "aprendeu" as duas coisas com os professores da mesma matéria: Geografia.
Ross Clark escreveu, em excelente artigo na Spectator, que os professores de geografia britânicos estão treinando os manifestantes antiglobalização do amanhã; rigorosamente a mesma coisa acontece no Brasil, com a diferença de que, como não somos parte ativa do movimento antiglobalização (quantos brasileiros havia em Gênova?), os professores estão formando os manifestantes do PSTU e do MST.
Clark dá os seguintes dados para a população estudantil britânica, entre 8 e 16 anos de idade: 13% não conseguem apontar a Grã-Bretanha num mapa da Europa; 53% não conseguem apontar Londres num mapa da Inglaterra; 60% não sabem qual é a língua que se fala em Tóquio; 82% não sabem que a Acrópole fica na Grécia; 30% não sabem que a torre de Pisa fica na Itália.
Agora, eu bem sei que nós, brasileiros, temos mania de zombar a ignorância geográfica de ingleses e americanos. Costumamos atribuí-la à arrogância nacionalista daqueles que não se interessam por outros países que não os seus (na verdade, com suas nada nobres histórias de imperialismo, ingleses e americanos estão é interessados demais em outros países...). Mas nós estamos ficando tão ignorantes de geografia quanto eles.
A nova geografia - dos mapas para a sociologia de botequim
E não é por acaso. Segundo o prefácio de "A nova geografia", de Demétrio Magnoli e Regina Araújo (ambos - adivinhem! - da USP), um dos livros mais utilizados no ensino médio brasileiro, a geografia "tradicional" foi substituída, nas escolas, pela "nova geografia" - a "geografia crítica":
"Um mundo de informações geográficas cerca os estudantes fora das salas de aula. A economia e a política jamais impregnaram o cotidiano com a intensidade que o fazem hoje. As grandes transformações dos últimos anos incidiram devastadoramente sobre as concepções tradicionais da divisão do mundo em blocos geopolíticos. A discussão ecológica ou ambiental ganhou atualidade e espessura inéditas. A apropriação humana do espaço mundial integra, cada vez mais, a geografia da natureza e a geografia das sociedades, reclamando um ensino renovado e inteligente. A Nova Geografia pretende trazer para a sala de aula essa matéria-prima essencial, formada de urgência e tensão."
Em outras palavras, descontando os eufemismos: o estudo da localização dos países, dos principais pontos geográficos, das peculiaridades das diversas culturas e das diversas produções econômicas - enfim, aquilo que normalmente se entende por geografia - deu lugar à sociologia e à economia de botequim.
O livro mencionado é um bom exemplo. No capítulo sobre desenvolvimento econômico, os autores citam a opinião de um funcionário da General Motors (não me culpem pela tradução; estou transcrevendo!):
"Quando eles introduziram os unimates, a gente tirava na linha de montagem sessenta automóveis por hora. O tempo de se virar [sic], estávamos em cem. Um unimate é um robô soldador. Ele é parecido com um louva-a-deus. Vai passando de posto em posto, ele libera a máquina e volta à mesma posição para o carro seguinte. Ele pode passar de 110 automóveis por hora. Não se cansa jamais, não reclama jamais, não falta nunca. É claro, ele não compra automóveis. A GM não está com cara de estar compreendendo esse argumento aí."
Os autores nem discutem esse neoludismo, que pressupõe que a automatização provocará desemprego em massa e levará a uma crise de superprodução (argumento, aliás, que os comunistas usam há CEM anos, sem que nunca tenha sido verificado!). Eles não comentam os benefícios da automatização para os consumidores e para os próprios trabalhadores, que ficam dispensados dos trabalhos mais repetitivos e monótonos, nem comentam os efeitos devastadores - de estagnação econômica geral - que seriam produzidos pela aplicação desse neoludismo.
Há também um capítulo sobre "as religiões imperiais". Eis a descrição que os autores dão do cristianismo:
"A Igreja Católica foi a instituição mais poderosa do Ocidente durante o feudalismo. Além de ser uma grande proprietária de terras, ela praticamente detinha o monopólio do conhecimento, com o qual exercia um domínio espiritual [!!] quase absoluto sobre as populações. A autoridade papal pairava sobre a autoridade da nobreza, regulava as relações entre senhores, vassalos e servos e institucionalizava as relações amorosas. As heresias eram punidas com a fogueira. Ainda hoje o cristianismo é a religião predominante em muitos dos países ocidentais da Europa."
Há pelo menos um erro por frase nesse parágrafo: a confusão marxista grosseira entre Idade Média e feudalismo, a confusão entre causa e efeito no "monopólio do conhecimento" (isto acontece exclusivamente porque os intelectuais eram cristãos, não por uma determinação absoluta de papas malignos - além do pressuposto absurdo de que não houvesse divergências entre os intelectuais medievais), a noção de que a autoridade papal dominava a Europa no mesmo sentido que um governante moderno domina um espaço territorial (simplesmente não havia meios de "imposição" de uma autoridade, no mesmo sentido que a entendemos hoje; vale acrescentar que os autores escrevem isso depois de, num capítulo anterior, terem reconhecido - corretamente - que no período medieval não existiam Estados, porque não havia a noção de soberania e o poder era inteiramente descentralizado!), a idéia de que a Inquisição é um fenômeno medieval e inteiramente subordinado à Igreja. Mas a minha preferida é a última frase, que dá a idéia de que a persistência do cristianismo na Europa é um mero resquício de práticas antiquadas, que o tempo se encarregará de apagar...
Mas isso não é tudo em termos de difamação ao cristianismo. Querem saber as causas da pobreza africana? Os autores explicam, primeiro, com a justificativa marxista habitual:
"Na África subsaariana, a pobreza deriva da ruptura do sistema de produção e consumo das aldeias tradicionais, sob o impacto da introdução da economia de mercado."
Eles não explicam como é que uma economia monopolista (não na produção, mas na exportação) e imposta a ferro e fogo por poderes imperialistas pode ser chamada de "economia de mercado", nem como é que cinqüenta anos depois da descolonização o sistema colonial ainda pode ser considerado responsável pela pobreza, nem como é que essa explicação comporta a diferença de desenvolvimento entre os diversos países africanos (sendo que todos foram submetidos ao imperialismo). E, obviamente, não há menção do "sonho" da África socialista e suas trágicas conseqüências, como as "experiências socialistas" no Congo, em Angola, ou no Zimbábue.
Depois dessas explicações econômicas de praxe, vem a explicação sociológica:
"A unidade dos sistemas familiares e das linhagens de parentesco vergou sob o peso das migrações e do assalariamento de parte da população. A introdução das religiões européias (o protestantismo, na África britânica e holandesa, e o catolicismo, na África francesa, belga e portuguesa) e dos métodos europeus de educação escolar desorganizou os sistemas de crença, mitos e valores culturais tradicionais."
Malditos missionários, que fizeram alguns africanos desistir de suas organizações tribais e de seus ritos mágicos! Já vi muitos horrores debitados na conta do cristianismo, mas é a primeira vez que vejo incluírem aí a pobreza africana!
E não é apenas a África que os autores concebem como uma terra imaculada em que tribos viviam felizes e em paz, comendo o que plantavam, e que depois foi destruída pela ganância do homem ocidental e (ó, horror!) cristão. Como fica claro no capítulo sobre o "colapso ambiental" que nos aguarda, eles crêem que a Terra inteira foi corrompida pela ambição tecnológica e civilizadora humana. Eles citam, sob o título "a origem do mal", o veredito de Jean-Jacques Rousseau (quem mais?): "foram o ferro e o trigo que civilizaram os homens e perderam o gênero humano", e um poema de Drummond sobre a "idéia de um tempo perdido, num mundo natural sem maldade": "Dormir na floresta/é esquecer Lenine/o Kaiser, a crise,/a crase, o ginásio/restaurar as fontes/do ser primitivo/que era todo lúdico."
É claro que um livro que abomina o progresso tecnológico e idolatra a organização tribal africana não terá palavras positivas para a energia nuclear. Eles citam de passagem o exemplo japonês, mas não há menção do país que mais utiliza energia nuclear no mundo (a França) e, usando dados antigos (do tempo em que a União Européia ainda era Comunidade Européia), os autores argumentam que "são remotas as possibilidades de desenvolvimento substancial da energia nuclear". Há muitas páginas sobre os riscos desse tipo de energia, mas nenhuma frase sobre o fato de que esses riscos já foram amplamente solucionados.
A geografia do Brasil - o "capital" sanguinário no campo e na cidade
Achou esse livro ruim? Perto de "Brasil: sociedade e espaço", de José William Vesentini, livro de geografia brasileira amplamente adotado no ensino médio, ele é uma obra-prima do conhecimento sociológico. O autor promete, no prefácio, apresentar diversas opiniões divergentes e deixar o leitor "se posicionar frente à pluralidade de interpretações sobre o real", e é verdade que em alguns capítulos até cumpre a promessa - por exemplo, no capítulo sobre racismo, apresenta textos contrastantes de Gilberto Freyre e Abdias do Nascimento. Mas na maior parte dos capítulos, os textos apresentados são variações sobre a mesma opinião - por exemplo, há dois textos sobre a "desigualdade regional" brasileira, cada um apontando causas diferentes para ela, mas ambos partindo do pressuposto de que cabe ao Estado central elaborar políticas para resolvê-la - e em alguns há apenas um texto.
Temos, pois, o capítulo sobre a "questão urbana no Brasil", e o texto de apoio é "A lógica da desordem", trecho do livro "A espoliação urbana", de Lúcio Kowarick, que explica da seguinte maneira os problemas da área urbana brasileira (reticências no original):
"Favelas, casas precárias da periferia e cortiços abrigam a classe trabalhadora, cujas condições de alojamento expressam a precariedade dos salários. Essa situação tende a se agravar, na medida em que se vêm deteriorando os salários. (...) A lógica da acumulação que preside ao desenvolvimento brasileiro recente apóia-se exatamente na dilapidação da força de trabalho. Na presença de uma vasta reserva de mão-de-obra e na ausência de uma sólida organização sindical e política da classe operária, tornou-se fácil aumentar as taxas de exploração. (...) Para o capital, a cidade e a classe trabalhadora interessam como fonte de lucro. Para os trabalhadores, a cidade é o mundo onde devem procurar desenvolver suas potencialidades coletivas. Entre os dois existe um mundo de diferenças. E um mundo de antagonismos."
Capital contra trabalho! Notem que os patrões não são nem considerados pessoas: eles são "o capital", uma entidade coletiva despersonalizada que vive de explorar as pessoas de verdade ("os trabalhadores"). Se essa linguagem marxista parece até ingênua e grosseira, agora que a esquerda está procurando sofisticar-se um pouco, por perceber que não dá para continuar falando em "luta de classes" depois de tantos anos de sucesso capitalista (onde ele existe, o que certamente inclui poucas regiões do Brasil) e fracasso socialista, isso é porque o livro de Kowarick foi editado em 1980. Mas, ao editar seu manual de geografia vinte anos depois, Vesentini não viu nenhum motivo para nem mesmo uma nota de rodapé aos comentários de Kowarick.
E, na mesma linha, é claro que as questões do nosso "espaço agrário" não poderiam faltar. Lá está o mesmo raciocínio, no texto "Expropriação e propriedade no campo", do livro "Expropriação e violência", de José de Souza Martins (também de 1980!):
"Há no país uma clara oposição entre diferentes regimes de propriedade: de um lado, o regime que leva o conflito aos lavradores e trabalhadores rurais, que é o regime da propriedade capitalista; de outro, os regimes de propriedade que têm sido atacados pelo capital, que é o da propriedade familiar, como o dos pequenos lavradores do sul e de outras regiões; o da propriedade comunitária dos povos indígenas; e o da posse, difundido em todo o país, sobretudo na Amazônia.
"A propriedade capitalista é um regime distinto de propriedade. Baseia-se no princípio da exploração que o capital exerce sobre o trabalhador. A propriedade familiar, pelo contrário, não é propriedade de quem explora o trabalho alheio. O trabalhador e lavrador neste caso não vive de lucro, seus ganhos são ganhos do seu trabalho (e de familiares) e não ganhos de capital, pois eles não provêm do trabalho de empregados assalariados. Quando o capital se apropria da terra, esta se transforma em terra de negócio, em terra de exploração do trabalho alheio; quando o trabalhador se apossa da terra, ela se transforma em terra de trabalho. São regimes distintos de propriedade, em aberto conflito um com o outro."
Deixando de lado a hilariante distinção entre as terras sem exploração e as terras com exploração, o que mais me espanta nesse texto é a concepção de "conflito" do autor, na qual ele baseia sua lamentação do desaparecimento da pequena propriedade familiar em favor de fazendas empresariais. Quem o lê tem a impressão de que os malignos capitalistas (ou melhor, o "capital") estão invadindo as pequenas propriedades e escravizando seus habitantes! Mas quem invade a terra alheia são os tais "trabalhadores rurais", organizados num movimento que estuda táticas de guerrilha e doutrina marxista (inclusive, imagino, os livros do sr. José de Souza Martins). As terras adquiridas pelos capitalistas não são "anexadas" em "conflitos"; elas são compradas - em transações voluntárias. Se os pequenos proprietários que plantam para sua subsistência estão desaparecendo, isto não acontece por "imposição" do capitalismo, mas porque eles vendem suas terras, sejam quais forem seus motivos.

Melhor ainda é a charge usada pelo autor para ilustrar o texto: um porquinho tomando sol num campo verde cercado com arame farpado por todos os lados, e um grupo de patos triste olhando do lado de fora. A implicação óbvia é que o regime de propriedade privada é injusto, ou que a "propriedade é um roubo". O autor crê numa utopia agrária, com pequenos produtores trabalhando diretamente para sua própria subsistência - e ainda tem a cara de pau de, no capítulo seguinte, afirmar que a produção alimentar brasileira é insuficiente e não atende às necessidades da população!
Além do óbvio problema da eficiência, existe um outro detalhe que nosso autor finge ignorar: o regime de propriedade privada não exclui o comunitarismo - nesse regime, se você tem uma fazenda e deseja implantar nela um sistema comunitário, com todos trabalhando para o próprio sustendo, ninguém poderá impedi-lo - mas o contrário não é verdade. A implantação à força do comunistarismo tem uma história nada nobre em todos os lugares em que foi tentada, uma história que mistura fome e miséria em massa com genocídio. Na pioneira União Soviética, por exemplo, só na década de 1940 foram deportados para a Sibéria mais de 300 mil lituanos e estonianos pelo "crime" de ser fazendeiros ricos - e, portanto, servos do "regime burguês". E esse é o regime proposto para pacificar o campo brasileiro!
Aplicações práticas - a "orientação" das ONGs, o desemprego capitalista, a revolta dos excluídos
É claro que, num ensino baseado em livros como esses, as provas servem para avaliar o grau de comprometimento ideológico do aluno com a "causa". Cito dois exemplos, ambos tirados de provas de vestibulares de Geografia:
I. Octávio Ianni, no seu livro 'A Sociedade Global', assim se refere a certos tipos de organizações internacionais: "Essas organizações e agências internacionais dedicadas a sanear, orientar e dinamizar as economias nacionais, [sic] nascem da crescente convicção de que os sistemas econômicos nacionais e internacionais não são auto-reguláveis."
a) Dê dois exemplos dessas organizações.
b) Explique como elas interferem nas políticas econômicas e sociais do Brasil.II. "Ser 'persa' é ser o estranho, é ser o diferente, é, numa palavra, ser outro. A simples existência do 'persa' tem bastado para incomodar, confundir, desorganizar, perturbar a mecânica das instituições. (...) Foram e são 'persas' os índios do Brasil (onde os sem-terra representam agora uma outra modalidade de 'persas'), foram mas já quase deixaram de ser 'persas' os índios dos Estados Unidos, foram 'persas', no seu tempo, os incas, os maias, os aztecas, foram e são 'persas' os seus descendentes, lá onde tenham vivido e ainda vivam." (José Saramago, Folha de São Paulo, 07/07/98)
Analise o texto apresentado e responda: Por que o autor chama os "sem-terra" brasileiros de "persas"?
Aí está, na questão I, o Vestibular propagando o mito de que o mercado maligno precisa de ONGs internacionais cheias de boas intenções para regulá-lo e de que essas organizações - intimamente ligadas ao Estado e promotoras do socialismo global (com sugestões que, como argumentou recentemente Steve Hanke, se fossem inteiramente adotadas só prejudicariam aqueles que pretendem ajudar) - servem para reduzir os "excessos" do capitalismo; no segundo, repetindo uma imagem romântica criada pelo velho stalinista Saramago dos sem-terra brasileiros como contestadores de uma ordem injusta, que são perseguidos apenas por ser "diferentes". A simples comparação dos sem-terra com os índios é inadmissível: os índios foram expulsos de terras que eram suas e foram mortos em larga escala por um povo conquistador; os sem-terra terrorizam proprietários legítimos, invadindo terras que não são suas, como parte de um declarado projeto revolucionário comunista! A diferença é brutal, mas Saramago - seguido nisso pelo Vestibular - usurpa a simpatia provocada pelos índios para fazer propaganda dos sem-terra.
Há mais. Tomemos duas perguntas sobre globalização:
I. Como podemos observar, a mídia freqüentemente faz referência ao tema globalização. Trata-se, como se sabe, de um novo momento de capitalismo. Este processo de surgimento e expansão das grandes empresas favoreceu o (a):
a) fim das soberanias nacionais
b) fortalecimento das economias periféricas
c) diminuição da exclusão social
d) limitação da intermediação do Estado
e) distribuição igualitária de rendaII. No que diz respeito às relações de trabalho, a globalização provocou:
a) ampliação do Estado de bem-estar social, atendendo às demandas decorrentes do desemprego em massa
b) nova divisão internacional do trabalho e do poder, com a redefinição espacial e temporal do processo de acumulação
c) estímulo à livre circulação da força de trabalho e ao pleno emprego
d) estímulo à livre migração da força de trabalho para os grandes centros do capitalismo na Europa
e) aumento da massa salarial para as camadas menos favorecidas e os operários
Como o leitor já deve ter adivinhado, a resposta do gabarito para a pergunta I é "d" e para a II é "b". Todas as análises absurdas que a esquerda tem feito da "globalização" (e que estão onipresentes no nosso mercado editorial e em revistas como "Caros Amigos") estão reunidas nestas duas perguntas: a noção de que a globalização é puramente capitalista, sem explicar como um capitalismo global teria tanta burocracia e tanto aumento do poder estatal (tanto no plano internacional quanto no plano nacional: ao mesmo tempo que têm surgido organizações de governo mundial, os Estados estão perdendo poder externo, mas ganhando em poder interno), junto com a noção delirante de que o aumento nas relações comerciais internacionais (o pouco de capitalismo que subsiste na globalização) tem espalhado miséria, devastação e desemprego no mundo inteiro. Notem, aliás, o jargão marxista no item "correto" da pergunta II: "o processo de acumulação".
Formando militantes
Pois é para ensinar esse tipo de porcaria que servem as aulas de geografia. Poderíamos mostrar a mesma coisa no ensino das outras matérias, mas a "nova geografia" tornou esta matéria mais próxima das questões econômicas e sociológicas - e a transformou na matéria ideal para promover a propaganda socialista.
Voltando à nossa "pesquisa" inicial, talvez já esteja mais claro por que seu filho ou seu sobrinho ou seu irmão menor não é capaz de diferenciar, no mapa, o Oceano Atlântico do Pacífico - mas é capaz de explicar o processo de exploração pelo qual o capitalismo vampiriza os trabalhadores. Como diz Lew Rockwell, é incrível, estando a ação exploratória do capitalismo funcionando há tanto tempo, que os trabalhadores ainda consigam alimentar-se. Eis aí uma questão a ser explicada pelos professores de geografia...