Adorno, Marcuse e Konder

(carta a "O Globo")

"O GLOBO" de 25 de janeiro publica uma carta de uma leitora a respeito do artigo do prof. Leandro Konder sobre a escola de Frankfurt.

Embora demonstre não conhecer bem a dita escola e peque um pouco na forma da carta, a leitora chama a atenção pelo seu extremo bom senso, artigo tão em falta hoje em dia.

É muito estranho que 90% dos articulistas que escrevem na imprensa hoje em dia sejam destacados figurões da esquerda, que fazem constante apelo para o sentimentalismo e sempre prometem 'um mundo melhor', guiado pela utopia marxista.

Ora, não há UM lugar do mundo em que o comunismo, quando implantado, não tenha deixado atrás de si um rastro de morticínio, de totalitarismo, de terror. Essa 'utopia' fez mais de 150 milhões de vítimas ao longo de um único século - o nosso, o século das ideologias. Esse número deve ser mais do que bastante para demonstrar que o comunismo não é assassino por acidente, mas por essência. O fator que o diferencia de tudo o que já se viu na história da humanidade é justamente o número de vítimas que deixou - um número que apavoraria Gengis Khan, Átila, o huno, e até Adolph Hitler.

Apesar disso, quem quer que falasse sobre essas três últimas figuras seria imediatamente crucificado pela mídia inteira. Por que é que o comunismo, ao contrário, é considerado uma posição política e intelectual respeitável - como prova a admiração que provoca o prof. Konder em nossos meios intelectuais? Será que não percebem que o marxismo é tão sangüinário e totalitário quanto o hitlerismo? Que são faces de uma mesma moeda, como bem mostrou François Furet em "O passado de uma ilusão"? Será que não lembram que Hitler sempre declarou que Lênin era seu mestre inspirador? Não percebem que qualquer tipo de ideologia que pregue a submissão do indivíduo ao poder estatal tem em si o germe do morticínio?

Aproveito para notar que o prof. Luiz Pinguelli Rosa, em seu artigo de 28/01, pretende que seja um argumento economicamente válido dizer que não é justo tirar da Petrobrás áreas que ela conquistou com tanto esforço. Parece que a esquerda perdeu o senso do ridículo.

Atenciosamente,

Alvaro Rosário Velloso de Carvalho