A esquerda e a imprensa
Carta a Muniz Sodré
Caro prof. Muniz Sodré,
ainda há pouco soube de sua incrível declaração no Salão de Paris a respeito das relações entre o JB e Olavo de Carvalho.
Tirei do episódio a conclusão lógica inevitável: o Jornal do Brasil não tem uma direção autônoma. É diretamente dominado pelas organizações esquerdistas, que se arrogam o monopólio do bem e se acham no inteiro direito de monopolizar a imprensa. Engraçado que, ao mesmo tempo, acusem o neoliberalismo de ser ‘o discurso dominante’. Mas tudo bem: longe de mim cobrar coerência lógica de pessoas que tudo fazem para esconder os horrores do leninismo, do stalinismo ou para esconder os cadáveres de 20 mil cubanos embaixo dos 200 brasileiros mortos pelo regime militar.
Mas não é por isso que te escrevo. Escrevo pela segunda parte da declaração. Afinal, se Olavo de Carvalho, Ronald Levinsohn e José Mário Pereira estão armando uma perigosa conspiração de direita para destruir o Estado democrático brasileiro (como se antidemocrática, na verdade, não fosse a atitude esquerdista em relação à imprensa), algum mérito tem que ser dado a O Indivíduo.
Até porque o jornalzinho já foi chamado de braço armado do Olavo, de ponta do iceberg de uma conspiração de proporções enormes, e outros disparates, inclusive por luminares do nada que alegremente espalham suas mentiras e a confusão de seus cérebros na sua universidade. Nada mais justo, portanto, que você tome conhecimento da nossa existência. A própria reação desmesurada que o jornal causou é fruto dessa política de monopólio da imprensa pela esquerda, que você descaradamente pregou no Salão de Paris. Nada mais típico da esquerda do que calar na marra o discurso divergente. E depois se autoproclamam contestadores...
Também já se disse do nosso jornaleco que ele reuniu em torno de si as piores pessoas do país. Não creio que essa qualificação possa ser lançada com justiça sobre o maior pensador brasileiro vivo, dr. Miguel Reale, ou sobre o roteirista Leopoldo Serran, mas não importa. Importa é que o jornal é gratuito, não podendo, portanto, ser acusado, como a República, de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
Aliás, é realmente muito engraçado que você acuse um órgão de imprensa de lavagem de dinheiro do tráfico quando todo mundo sabe, menos a imprensa, que na sua Escola de Comunicação, há marcas do Comando Vermelho, há consumo indiscriminado e nunca escondido de drogas, e que não há muito a Polícia Federal aí esteve dando uma limpa, que de nada adiantou, obviamente, porque os traficantes e viciados têm o aplauso e o apoio da mesma intelligentzia que acusa a única revista que dela diverge de lavagem de dinheiro.
De qualquer maneira, aí vão os três exemplares de O Indivíduo que escrevemos até hoje. Além das razões já expostas, mando-os para você por considerá-lo, ao menos indiretamente, responsável pela perseguição ao jornal ocorrida na imprensa. Afinal, se são você e seus coleguinhas que mandam no JB, e o JB foi quem nos perseguiu, é só tirar daí a conclusão lógica (coisa na qual um de seus colegas de sala é especialista). Não se trata de um jornal muito bom, nem de grandes proporções. Trata-se apenas de uma reunião de jovens alertando aos demais universitários que o rei está nu...
Saudações cordiais,
E-mail: avelloso@uol.com.br