A Pseudo-cultura Nacional
(carta à Folha de S. Paulo)
Do alto do meu otimismo, eu sinceramente espero que o sr. Sérgio Machado não esteja falando sério quando afirma que os escolhidos para a feira do livro em Paris representam a "seleção titular" da literatura nacional.
Um país que tenha em sua seleção titular personagens lamentáveis como Paulo Coelho, Frei Betto, Muniz Sodré, Silviano Santiago, Zuenir Ventura e Fernando Gabeira está fadado a desaparecer nas névoas da História. Quando historiadores do futuro olharem para isso, vão achar a mais perfeita encarnação do exótico.
O pior é que há, longe dos círculos acadêmicos do eixo Rio-São Paulo, longe das páginas dos cadernos "culturais", exemplares admiráveis de inteligência pulsante, de valor inestimável e universal. Seus nomes não estão na lista da feira e não estão em lista nenhuma, neste país em que as mais bem acabadas expressões da babaquice nacional ganham capas em suplementos culturais e viagens subsidiadas pelo Estado, enquanto as criações do Espírito ficam restritas a pequenos círculos e a edições de fundo de quintal, cheias de problemas de revisão (constituindo a Topbooks honrada exceção).
Mas, claro, é preferível esconder que há, em Pindorama, um Bruno Tolentino, um Ariano Suassuna, um Miguel Reale, um Mário Vieira de Mello, um Ângelo Monteiro, um Herberto Salles, um Henrique de Lima Vaz, um César Leal, um Newton da Costa, um Franklin de Oliveira. É que nenhum deles se alinha nas fileiras do politicamente correto.
Agora, alguém achar que Marilene Felinto, Roberto da Matta, Luís Fernando Veríssimo e Betty Milan são do primeiro time da cultura nacional é no mínimo demencial. Me desculpem, mas já é hora deste país rever seus critérios de auto-análise…
Atenciosamente,
Alvaro R. Velloso de Carvalho