SOBRE GATILHOS E BARACUTECOS
Tornou-se coisa pública - e, diria, um prato cheio para quem tenha algum interesse em psicologia humana, ou mesmo em psicopatologia - as reações iradas contra o Olavo de Carvalho. Na verdade, as reações são contra o que ele diz, pois a quase totalidade dos que contra ele escrevem nem o conhecem, nada sabem dele, apenas deduzem quem ele seja pelo que ele escreve - reagem, portanto, à sua personalidade intelectual, pensando que estão reagindo contra ele. Como a personalidade intelectual (que nem todos desenvolvem) não tem as necessidades da personalidade empírica, a ira alheia contra ela antes tende a fortalecê-la que a enfraquecê-la, pois então ela passa a cumprir mais intensamente o papel de explicar as coisas tintim por tintim.
A diferença entre a personalidade intelectual e a personalidade empírica nem sempre fica suficientemente caracterizada. Em alguns casos, quando se trata de uma firme vocação, a qual precocemente toma de assalto a vida do sujeito, é dificílimo, se-não impossível, separar uma da outra. Há casos em que a primeira, a intelectual, absorve completamente a segunda, a empírica, de tal maneira que confundem-se (ou tornam-se indistinguíveis) a lenda e a pessoa. Ocorrem-me alguns exemplos: Jesus e Buda, no que respeita a fundador de religião e de tradição não religiosa; Machado de Assis, cuja per-sonalidade intelectual tragou quase que tão completamente a empírica que nem os ati-vistas negros os reconhecem entre os seus. O mesmo não ocorre com Moisés e Maomé, nos quais é até possível distinguir uma de outra(1). Num grande número de casos, é possível separar a lenda do homem; em outros casos, não.
Mesmo sem ter consciência dessas sutilezas, é visível que um grande número de missivistas, ou "chatistas", reagem não ao sujeito, mas à personalidade intelectual, de-duzindo (erradamente), de sua pujança, a pessoa empírica que a possui. Pois não é co-mum ler-se que o Olavo é financiado por algum organismo da direita internacional para ficar dizendo o que diz? Como é possível - um "chatista" manifestou seu espanto - que alguém tenha oito filhos e tenha tempo para escrever o que o Olavo escreve sem ter algum tipo de subvenção? E se o Olavo diz: "ganho meu dinheiro dando aulas e escre-vendo", para o "chatista", isto é mentira, porque ele, o "chatista", não consegue imagi-nar como alguém pode viver dando aulas e escrevendo tanto sem ter emprego de profes-sor. Talvez, se ele tivesse invertido os termos da questão, poderia estar mais próximo da verdade: justamente por ter oito filhos que escreve tanto - pois afinal de contas, o Olavo se confessa alguém extremamente preguiçoso, como se pode ler em seu texto sobre o aborto, "Desejo de matar". Mas não. Deve ser porque é financiado pela direita ou, mesmo, porque não se conformou com a "derrota da direita nas últimas eleições municipais", como alguém já escreveu na Época, com isto querendo encontrar alguma explicação para o que é, de fato, muito estranho: um escritor e jornalista que não tem como ser enquadrado em alguma categoria atualmente existente na cabeça de todos ou da maioria. Na verdade, o mais simples seria tomá-lo pelo que ele é: um filósofo por vocação.
Na verdade, se os que reagem deste modo se distanciassem o suficiente tanto do que lêem - e não gostam - quanto do que escrevem, ou pensam, ou sentem, talvez chegassem à compreensão do que acontece e, mais ainda, do que lhes acontece. Compreenderiam que, quanto mais irrazoáveis são suas reações, mais deixam à vista o de que se trata: o fato de manifestarem não uma personalidade intelectual em seu exato e positivo sentido, mas algo assim como uma anti-personalidade. Reagem como se houvesse em cada um algo assim como um gatilho, que dispara tão logo determinados sinais se mani-festem a seus sentidos ou, para ser mais específico, reagem porque uma certa parte de sua vontade - a reatividade ou vontade reativa - foi e está condicionada a reagir de maneira violenta a determinadas sinais (ou palavras). Não é crível que suas inteligências tenham algum problema que as impeçam de operar normalmente. O que é crível é que nelas se nota um rebaixamento de nível, um recuo a um estágio humano mais primitivo, onde as palavras são sentidas como coisas às quais devem corresponder reações físicas e não intelectuais, como seria de se esperar. A reatividade dessas pessoas, aí, parece que perdeu a função de defender o organismo (pois sua operação tornou-se descontrolada) e atua pondo-o em perigo.
A reatividade é um dos aspectos da vontade, o outro sendo a vontade livre (não no sentido de serem coisas substancialmente diferentes mas, sim, de funções ou modos de operação específicos. Numa linguagem lógica, dir-se-ia que distinguem-se formalmente). Diferenciam-se pelo fato de, esta, mostrar-se atuando na medida em que o sujeito é causa dos desdobramentos posteriores da situação; aquela, como o próprio nome diz, atua justamente quando o sujeito não é a causa dos desdobramentos posteriores da situação. São, na verdade, dois aspectos de uma mesma função, ou dois extremos, assim como o são a intuição (ou percepção) e a razão. A reatividade é parte educável da inteligência, na medida em que seu funcionamento, no ser humano é muito deficiente (no caso dos animais, não: um cervo, já ao nascer, tão logo vê um leão, sai correndo, pois reage imediata e instantaneamente ao perigo potencial que o leão não apenas representa mas de fato é. O ser humano precisa ser ensinado a identificar muito dos perigos poten-ciais capazes de pô-lo em perigo, aprendizado que se conclui vários anos depois que nasceu, diferentemente de como se dá com os animais, que não precisam desta "educação", pois já a têm de forma inata).
Nota-se, nessas pessoas, algo assim como um gatilho, que dispara tão logo algum sinal (palavra) provoca-lhes a impressão de que algo potencialmente perigoso surgiu e é melhor dar fim à fonte do sinal, o qual é o autor da palavra. Daí, então, a reação irracional, "instintual", mas não de um instinto natural, mas que tem a aparência e a consistência de algo corrompido pelo engenho humano (ou des-humano). Algo semelhante ao que se pode ver no filme "Prenda-me se puder"(2). O River Kid, protagonizado por Wes Bentley, é um psicótico, que vive nas margens de algum rio, procurado pela polícia por já ter morto umas seis ou oito pessoas. Quando o "padre" Edgar ("irmão" Edgar - Bob Hoskins) lhe perguntou por que matou tantas pessoas, respondeu: "Não eram pessoas. Eram baracutecos (huligans)". Como você distingue um baracuteco de um homem?, perguntou-lhe o "irmão" Edgar. "Pelo olhar". E como é um baracuteco? "É como uma neblina que sobe do rio, assim", explicou, pondo as mãos em conchas. Morales Pitman (Antonio Banderas), um mexicano que vivia como "aprendiz" do malandro "irmão" Edgar, baseado nessas explicações, concebe um modo de dar fim a algum desafeto: bastaria armá-lo, gritar "Baracuteco!" que o psicótico sairia atirando.
Para um grande número de sujeitos cuja mente foi alterada pelo engajamento na militância revolucionária - sem que ele fizesse ou faça idéia do que seja isto - todos os que não sejam seus "companheiros" são baracutecos. Assim, o Olavo é um baracuteco (talvez de todos o mais temível), pois diz as coisas que não devem ser ditas. Como baracuteco não é gente!...
Nisto reside o maior ataque à mais suprema vocação humana, que é a de tudo conhecer e dar-lhe "nome adequado à sua natureza". A suprema vocação é conhecer e não reagir. Caso assim fosse, os animais seriam superiores aos homens, pois reagem melhor que os homens aos perigos potenciais; e caso os animais fossem superiores aos homens, seria possível encontrar pelo menos um caso em que um cão ou qualquer outro animal doméstico estivesse encarregado da administração da casa de alguém, ou mesmo do encargo de fazer a limpeza do cocô que defecou.
Tive oportunidade de presenciar disparos do gatilho a que me refiro. Foi lá pelos idos de 1990. O Olavo prosseguia sua "Introdução à Vida Intelectual" (hoje, "Seminário Permamente de Filosofia e Humanidades"), iniciado uns dez anos antes, salvo engano de minha parte. Numa das aulas, ele fazia uma crítica à frase tropicalista "É proibido proibir", demonstrando todo seu nonsense, na medida em que ela, ao ser pronunciada, negava-se a si mesma. Explicou que ela só poderia provir de um cérebro tão consistente quanto uma geléia; aliás, do mesmo cérebro que definiu o real como "uma geléia geral". Ninguém que acreditasse, sinceramente, numa ou noutra dessas proposições poderia continuar levando vida normal, dizia. E foi o bastante para que um aluno se sentisse mal (no dia seguinte à aula, ficou com febre e inclusive faltou ao trabalho) e não mais comparecesse às aulas. O aluno em questão era um militante petista, que tinha no Caetano Veloso seu maior ídolo.
Outro caso ocorreu quando a crítica foi a Fernando Pessoa. Outro aluno deixou de comparecer às aulas seguintes, por motivos semelhantes aos do anterior.
Mas não parou aí a manifestação do mesmo tipo de fenômeno. Aconteceram coisas parecidas numa aula que dei (em 1996), quando tratei do tema da vocação e o desvio vocacional. Quando citei o José Rainha como exemplo de desvio vocacional (vocacionado ao militarismo, usa mulheres, crianças e velhos como "soldados"), uma aluna, formada em História na Sorbonne, que falava um francês impecável, funcionária (telefonista) de um sindicato, deixou de comparecer às aulas. Sua irmã, também minha aluna (que logo depois da aula seguinte também virou ex-aluna, por julgar meu discurso "ideológico"), contou-me que ela ficou febril após a aula, por eu ter feito críticas ao José Rainha, seu ídolo. Ela mesma não gostou do que eu disse, mas como seu ídolo é outro, minhas críticas não tiveram o poder de febricitá-la.
Durante todos esses anos, esses acontecimentos não saíram de minha cabeça. Buscava para eles alguma explicação razoável, até que um ex-militante petista, o qual passou a compor facção mais radical que as oficialmente permitidas pelo PT da época, me explicou o seguinte: a pedagogia de base do PT era a de Paulo Freire. Em coerência com ela, foi criado um certo projeto (no IBGE - "Projeto Cajamar") cujo fim era fazer "levantamento de lideranças" - identificar nas comunidades (de bairro, sindicatos, etc.) quem tinha o carisma de líder e atraí-lo à militância, formal ou informal. Identificados tais líderes, o passo seguinte era a promoção de reuniões, assembléias ou o que mais fosse, nas quais se "discutissem" os assuntos "de interesse comunitário". Mas nenhum desses encontros deveria ser conclusivo; os assuntos da "pauta" não deveriam nunca ser concluídos. (Tecnicamente, poderia ser dito assim: toda discussão iria do discurso poético ao retórico. Em hipótese alguma poderia chegar ao discurso dialético - só poderia começar a chegar ao plano do discurso dialético, quando então haveria o entrechoque de opiniões mas a coisa pararia por aí). Assim, seria possível manter uma tensão constante entre os diversos componentes da comunidade e, como nunca haveria a polarização definitiva das opiniões, cada participante permaneceria com a firme convicção de que sua hora chegaria, quando suas idéias seriam expostas e discutidas e até aceitas. Porém, o que era certo, à luz do projeto, é que nenhuma idéia seria aceita ou impugnada em definitivo, ainda que fosse discutida. Esta suspensão de julgamento definitivo da idéia ga-rantiria sua permanente latência no espírito de todos. Além disso (e aí entra Paulo Freire), cada comunidade só ficaria (ou seria deixada) a par dos seus próprios problemas e possíveis soluções (pois seu aprendizado estaria limitado àquilo que o vocabulário local seria capaz de expressar). Apenas o "líder" saberia mais que os da sua comunidade, e isto conforme fosse sua capacidade; ficaria a par de outros problemas e de outras soluções, de modo que pudesse "abarcar" um maior número de alternativas para, mesmo havendo divergências internas, a unidade de princípios estivesse sempre garantida. Como ele estaria sendo beneficiado por participar do esquema, mesmo que começasse a querer "pular fora", não poderia fazê-lo, pelo fato de toda sua vida estar organizada em torno (ou dentro) daquele esquema (esquema do tipo "corre comigo que depois corro contigo").
A redução da mente de alguém à pura tensão de manter-se fiel a uma autoridade que diz e desdiz, que afirma e nega uma mesma coisa (que ora impugna uma idéia para, no momento seguinte, afirmá-la), implica na hipertrofia da reatividade - aspecto da inteligência que conserva muito de animalidade -, coisa esta fatal para a inteligência, pois a impede de cumprir seu papel de tudo conhecer. Ao mesmo tempo que, hipertrofiada a reatividade, ela deixa de bem cumprir sua função de defesa do organismo. A angústia decorrente de um processo assim torna cada vez mais forte a necessidade de algum tipo de alívio, físico e/ou psicológico. O alívio físico é sob a forma de uso de algum estupefaciente e, o psicológico, a adesão infantil, irracional, a algum ídolo do momento, que não requeira grande esforço de imaginação para se o conhecer (ou seja, tem de ser algo ou alguém que tenha uma existência tão concreta que dispense ao idólatra de fazer al-gum esforço maior para conhecê-lo. Logo, tem de ser um ídolo menor. E é isto que parece explicar por que há, entre os militantes esquerdistas, algum "paiseco" ídolo: há pouco tempo, era a Albânia; atualmente, é Cuba. Tão logo Fidel parta desta para outra, e venha à luz o que Cuba é, escolherão algum outro lugar de exceção). O alívio, portanto, é de um ou de outro tipo ou simplesmente a combinação de ambos. Parece que é desta última "solução" que surge a idolatria do "ídolo drogado", uma vez que o uso de drogas torna o ídolo menor alguém realmente grande (3). E onde entra o gatilho? Fácil responder: caso alguém "acerte" o ídolo, desencadeia a reação intempestiva do idólatra. Foi o que aconteceu com os alunos do Olavo e com minhas alunas: "acertamos"seus ídolos, e continua acontecendo com missivistas e "chatistas".
Em cada militante revolucionário é introduzido um gatilho deste tipo, de modo que todo portador de discurso diferente daquele aprovado pela direção partidária, é visto como um baracuteco, contra quem é aceitável tomar qualquer atitude violenta. De modo que o Olavo é um baracuteco; quem fale bem do Olavo é um baracuteco; quem fale mal do comunismo é um baracuteco; quem fale mal do que é para falar mal é um baracuteco.
Ocorreu-me a lembrança de outro fato. Aconteceu o seguinte com uma outrora militante petista (que migrou para outro partido, mais radical, que considera o PT partido brando, de "mocinhas"). Sua empregada fez uma despesa de CR$ 1.500,00 (foi em 1994, salvo engano; não me lembro qual era a unidade monetária da época. Coloquei cruzeiro apenas para colocar alguma), ligando para o "Disque-amizade". Seu salário, líquido, era de CR$ 1.200,00. Desespero geral, resolvido pela "vaquinha" feita pelos amigos - bem entendido, pelos que, se não eram seus verdadeiros amigos, pelo menos agiram como tal: os que com ela trabalhavam, dentre os quais me incluo. A companhia telefônica (de SP), que já vinha tendo problemas com os "Disque-alguma-coisa", tinha iniciado uma política de extinção de tal tipo de serviço, dado que até crianças grudavam no telefone e provocavam despesas que os pais se recusavam a pagar, recorrendo à justiça. Em coerência com tal política, decidiu devolver os CR$ 1.500,00, ainda que sem correção (para uma inflação de, na época, uns 30% a.m.).
A TV Cultura, que, na época, estava tratando do assunto, convidou-a a dar seu depoimento. Eu conversei com ela (com a mulher, digo) e sugeri-lhe agradecer à companhia telefônica sua generosidade. Ela disse que nunca faria isso, pois se tratava de uma empresa capitalista. Retruquei que a empresa e nós, que cotizamos e lhes demos dinheiro, capitalistas ou não, agimos de fato como seus amigos e aqueles a quem ela considera amigos - seus "companheiros" de partido -, não. Nenhum deles lhe deu um centavo sequer. Quem deles tratou com ela do assunto foi apenas para explicar como ela poderia despedir a empregada pois, de fato, as empregadas são assim mesmo, pois já está demonstrado, segundo a sociologia, que os de tal região do país, são refratários aos refinamentos do sul-maravilha...e assim por diante. Manteve-se irredutível: nunca agradeceria a nenhum capitalista qualquer ajuda que recebesse, pois todo capitalista é mal-intencionado e, se a ajudaram, é porque havia algum interesse escuso por trás.
Acho que foi este episódio que me levou a perceber que a doutrina (marxista) capaz de fazer isso com pessoas naturalmente boas (4) não é algo propriamente político mas, sim, um fenômeno que é algo assim como uma religião ao contrário, que se baseia em critérios de fé forte o bastante para levar o sujeito a negar o real e a praticar o mal sem remorso algum. (O "religioso" é em virtude de, as pessoas afetadas deste mal, serem impermeáveis a qualquer tipo de argumento, como se estivessem sendo impulsio-nadas por uma força que atua à margem da inteligência mesma).
Para o militante revolucionário, todo não-revolucionário é um reacionário, é um alienado, é um baracuteco. E o que se deve fazer com o baracuteco é mandar-lhe bala. Esta é a lógica da militância revolucionária.
NOTAS:
(1) O que digo não se baseia em critério valorativo, mas puramente descritivo. Pois colocar juntos Jesus, Buda, Machado de Assis, Moisés, Maomé, só é razoável (coisa que espero estar sendo) caso a finalidade seja tornar visível ao leitor certo dado que deveria ser de apreensão imediata. Trata-se de, a partir de exemplos conhecidos, levar o leitor a mais facilmente compreender o que se está querendo dizer, ainda sem querer que ele necessariamente concorde com o ponto-de-vista expresso. Voltar
(2) O título original é The White River Kid, com Bob Hoskins (Brother Edgar), Antonio Banderas (o mexicano Morales Pitman), Wes Bentley (o River Kid, o "Menino do Rio", um psicótico e coisa diferente do Menino do Rio do Caetano Veloso), Ellen Barkin (Eva Neil La Fangroy, a cega), Kim Dickens (Apple Lisa), Randy Travis (Sheriff Becker), como atores e atrizes principais. É uma história onde, na verdade, ninguém é realmente quem ou o que aparenta ser. Voltar
(3) Pode-se ver reflexo disto, a meu ver, na "disputa" entre Maradona e Pelé. Maradona, droga-adicto irrecuperável, é tratado com todo carinho e respeito, enquanto Pelé, atleta impecável, por ser "careta", é desprezado e constantemente atacado por suas "idéias políticas", como se fosse coisa razoável esperar que ele contrariasse sua vocação a ser atleta para fazer declarações políticas próprias de estadista. Seria o mesmo que julgá-lo enquanto músico (compositor, cantor e violonista). Numa palavra, ele não é um "ídolo drogado", daí sua figura não conseguir aliviar culpas. Voltar
(4) Conhecia com certa profundidade cada uma das pessoas citadas. Ainda que fazendo o que faziam, não me provocavam a impressão de serem, em princípio, pessoas mal-intencionadas, insinceras. É como se tivessem duas identidades, que se alternavam conforme estivessem num ambiente privado ou público. O que coincide com dizê-las esquizofrênicas - mas de uma esquizofrenia resultante de uma pedagogia perversa. Voltar