Por Joel Nunes dos Santos
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Abaixo, um comunicado da escola, a mesma sobre a qual escrevi, no artigo Doutrinação comunista em escola de classe média alta. Este comunicado dá a medida da cara-de-pau dos senhores do mundo, que não mais disfarçam o absurdo de suas pretensões de instalação de um governo mundial, cujo primeiro, constante e principal pecado é o da hybris, o descomedimento, o desejo de ser mais que Deus. Pois considerando que todo o tesouro das religiões e tradições (atuais e antigas) são unânimes em considerar o homem a mais elevada criação e, nele, a razão como sua mais excelente virtude e confirmar este valor com milagres impossíveis de serem imitados, passíveis apenas de serem contemplados (os quais vão desde imagens a serem percebidas pela visão até saberes só compreensíveis em sua inteireza pela consciência individual) com tudo isso, qualquer daquelas ou religiões nunca conseguiram impor-se, à força, sobre as demais. E, de repente, como resultado de uma decisão de gabinete, vem a UNESCO e decreta que alguns (ainda que )bem intencionados jovens irão dar as bases do entendimento humano e da compreensão entre os povos. Pior ainda, o produto destas jovens mentes irá tornar-se lei para as futuras gerações.
As linhas gerais da Cúpula do Milênio foram dadas no artigo UN Earth Charter, de S. Fred Singer http://www.polyconomics.com/searchbase/09-05-00.html, divulgado pelo O Indivíduo no dia 06/09/00.
Vou resistir ao impulso de comentar qualquer trecho do comunicado. Ele fala por si. Mas não vou resistir ao impulso de dar uma mostra do que a UNESCO é e faz. Para tanto, depois do comunicado, vai o capítulo que escrevi para um livro não publicado, que trata do modo como a UNESCO educa os jovens para, depois, pedir-lhes opiniões. Este texto também fala por si.
São Paulo, 25 de setembro de 2000
Assunto: Encontro Internacional da Juventude - UNESCO
Prezados pais e alunos,
É com enorme prazer que comunicamos a todos, alunos e familiares de nossacomunidade escolar, que nosso Colégio recebeu da Coordenação Nacional do PEA UNESCO a indicação para representar o Brasil noEncontro Internacional da Juventude, promovido pela UNESCO Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, que se realizará na Província de Kyongju, na República da Coréia, entre 25 e 30 de setembro deste ano em curso.
O Encontro reunirá cerca de 100 (cem) jovens, sendo um representante de cada país, com o objetivo de promover amplo entendimento e respeito entre as culturas e desenvolver o senso de solidariedade para projetar princípios que desenharão o futuro da humanidade na abertura do próximo milênio.
Além da discussão dos temas acima, o evento pretende analisar e propor ações, dentro da visão da juventude mundial, para os princípios enunciados na recente Reunião da Cúpula do Milênio realizada pela ONU em Nova York no início deste mês.
Jovens das diferentes culturas existentes no nosso planeta estarão ali reunidos, refletindo não somente os modos de vida de cada nacionalidade, mas também suas alegrias, tristezas, esperanças e preces, reconhecendo a dignidade de cada cultura e de cada individuo em si. Ao entender e apreciar a diversidade cultural, os jovens podem usar sua compreensão como uma força para superar os conflitos e os confrontos entre as diferentes culturas e, a partir dai, reunir esforços para criar uma nova civilização baseada na Paz e na Harmonia, que gradativameflte venha a elevar o patamar espiritual e consequentemente a qualidade da vida das gerações que se sucedem.
A jovem representante do Brasil será nossa aluna ... que, dos seus 18 anos de vida, passou 14 conosco e reuniu todos os atributos e exigências indispensáveis como representante oficial do Brasil nesta missão diplomática. Parabéns a ela e a toda sua família.
A participação de R. compreende dentre outras atribuições:
elaboração e apresentação do Case Study Diversidade Cultural e a Arte da Coexistência, cuja monografia de sua autoria já foi encaminhada para a UNESCO;
apresentação e plano de desenvolvimento do projeto acadêmico (Projeto Considere e Educação para os Direitos Humanos EDH) que desencadeia em nosso Colégio as ações ligadas à promoção da Cultura da Paz, do protagonismo juvenil em ações sociais voluntárias e desenvolvimento da cidadania;
· apresentação de um Programa Nacional de Preservação de Relíquias Culturais desenvolvido em nosso país;
· apresentação de uma performance que traduza a cultura de nosso país (R. fará esta apresentação através da dança).
Diante de tão significativo reconhecimento, cumpre-nos dividir com toda a comunidade de nossa escola esta alegria. Queremos pois, externar todo o nosso respeito pelo competente trabalho educacional desenvolvido por todos os professores deste Colégio ao longo dos últimos dezessete (17) anos, assim como agradecemos e parabenizamos a todas as famílias que têm compartilhado conosco a tarefa de educar seus filhos, nossos queridos alunos.
PREFÁCIO
1. Esquema da análise
2. Os princípios propostos
2.1. O conceito de arquétipo
2.2. O Tipo Ideal
2.3. Os componentes da inteligência
2.4. Os tipos psicológicos (jungueanos)
2.5. A doutrina dos hemisférios cerebrais
Conclusão
Comentário ao livro Na Dúvida, Ultrapasse Orientação Vocacional (Um guia de profissões e de avaliação da personalidade, interesse, aptidões e valores com vistas à escolha profissional).(1)
Autores: Beatriz Monteiro da Cunha, Mariana M. Xavier - Álvaro Vidigal. Editora CAVO, 1997.
PREFÁCIO
O livro acima foi-me mostrado por uma aluna, a qual estuda numa escola pública e ganhou-o, gratuitamente. Além dela, três outros de meus alunos receberam exemplares do mesmo livro. Nele se lê que 100.000 exemplares serão distribuídos (presumo eu, nas escolas públicas).
Ao abri-lo (isso foi em fins de outubro de 1997), li: Arquétipo é um tipo de pessoa. Esta frase não me saiu da cabeça. Foi durante uma aula, onde o assunto em questão era a abrangência da ação humana e eu explicava justamente o imenso poder das pessoas que lidam no plano das idéias. Citei aquela frase como exemplo de erro conceitual, mostrando que se a frase estivesse certa também estaria certo dizer que o rabo abana o cachorro. Deixei o livro num canto de meu escritório, mas não pude esquecê-lo porque a frase não me saía da cabeça: Arquétipo é um tipo de pessoa.
A mãe da aluna perguntou-me mais coisas sobre o livro. Tive de lê-lo para respondê-la. Mais erros. Ela, diretora de escola, sugeriu-me apontar e corrigir os erros que encontrasse. Fiz isso, e é o que se lerá nas páginas seguintes.
Por esta razão o presente trabalho resultou menos da intenção do autor do que do acaso que, de resto, é algo assim como fêmea prenhe de crias ora saudáveis, ora afetadas de mal congênito. Quando saudáveis, desencadeia ânimo incontido e desejo de mostrá-las ao mundo; em caso contrário, afetadas de mal congênito, é causa apenas de dores interiores imensas, onde até se imagina possível algum absurdo manifesto, do tipo Exterminador do Futuro: o desejo de voltar ao passado para, nele agindo, alterar o futuro, ou seja, o presente.
O azar (no sentido moderno, de coisa ruim) fez pender a balança para o mal congênito: a obra sob análise (Orientação Vocacional, na dúvida ultrapasse...) já parece afetada de mal incurável e espera-se sua morte rápida, para evitar contágios dos demais. O dicionário, o mais comum dos auxílios para qualquer um que queira escrever qualquer coisa, sequer foi consultado pelos autores de modo a que as definições que empregariam fosse minimamente aceitáveis. Com isso, misturaram épocas distintas com mais absurdidade do que se vê no filme O Exterminador do Futuro. Conseguiram misturar Sócrates/Platão com Jung e Max Weber. Na verdade, não misturaram, não, pois o que disseram não coincidia com o pensamento de nenhum deles citaram numa mesma frase arquétipo e tipo ideal, sem que o sentido de qualquer desses termos coincidisse com qualquer acepção admitida a ponto de constar em qualquer dicionário não especializado. Apenas usaram termos conhecidos, para dizerem o quê? Não sei, creio que nem eles. Espantosamente, o resultado acabou escapando de qualquer classificação já consagrada pela Cultura. Mesmo admitindo ser o termo arquétipo, na atualidade, um termo equívoco, uma vez que há duas noções relativas a ele, a de Sócrates/Platão e a de Jung, não se pode dizer que a acepção dos autores seja um equívoco no sentido clássico do termo. A dos autores do livro é uma terceira acepção que, porém, é impossível, pois ela já contém em si mesma auto contradição lógica. Ligar arquétipo a pessoa, essencialmente, não é possível. Foi o que fizeram.
Não parando por aí, acabaram cometendo outros erros relativos a outros conceitos, dando-lhe o mesmo sentido que o mais inculto homem do povo lhes dá: confundiram direção da energia psíquica (Jung) com comportamento manifesto. Erro imperdoável para quem queira ensinar aos demais o que fazer das próprias vidas. É erro assim como algum advogado tentar conseguir a prisão de alguém com um habeas corpus.
Mas não teve jeito, tive que ler o livro. Duas dores: esta, a de ler o livro e a seguinte, criticá-lo. Porque a força do hábito me leva a sempre procurar justificar o outro, a ver no outro, primeiro, a reta intenção de querer acertar. Mas não deu. A cada página o sangue ia esquentando porque ia percebendo que tantos erros não era coisa casual, mas obedecia a uma certa lógica, perversa no meu entender.
A lógica em questão é a dada pela neurolinguística ou por algum de seus análogos, que adultera a fórmula da ciência, observação de fatos à luz de princípios, substituindo-a por obscurecimento dos fatos à força de hipnose. Os habituados à prática neurolinguística (de resto, perfeitamente conveniente à clínica psicológica e psiquiátrica, quando os clientes ou são crianças distantes ainda da realidade da linguagem ou homens decaídos de sua condição e por isso mesmo abaixo também do nível em que a linguagem surte efeito) habituam-se a crer que as coisas são o que se deseja que elas sejam. Assim, pouca diferença faz que para Sócrates, Platão, Jung, arquétipo seja isso ou aquilo, que para Max Weber tipo ideal seja isso ou aquilo. São, pensam eles, palavras, convenções, a toda hora podendo ser mudadas conforme o gosto da vítima.
Contudo, estão errados. O que só se manifesta através de sonhos de maneira alguma é o mesmo que um juízo a que o homem chega após muito e corajoso esforço em estado de vigília; assim como ambas essas coisas são distintas das que o homem apreende num ato de intuição intelectual, culminação do uso regrado de todas as partes de uma bem cultivada inteligência natural. Não, tais coisas não são materializações de desejos (no sentido freudiano do termo); são, sim, resultado do esforço dos que mantêm a condição e presença da humanidade no homem. São o resultado daqueles que, saindo da caverna (onde a neurolinguística e análogos querem arremessar quem puder), tendo visto as coisas sob a luz do sol, retornam para contar o que viram e convidar quem queira também ver o que viram.
Este trabalho que ora trago a público foi feito em pouco tempo, porém com a meticulosidade e rigor necessários a qualquer empreendimento minimamente responsável. Por certo que o que nele fiz constar ao mesmo tempo que corrige, alerta e instrui, de tal modo que, indo às fontes mesmas de onde cada conceito surge, não se notará divergência de sentido, no máximo se notará divergência de linguagem. Também não digo que todas as explicações dos conceitos seja fruto de minha elaboração: endosso o que digo porque creio ter aprendido corretamente o que corretamente me foi ensinado. De qualquer forma, depois de ter aprendido, fui às fontes verificar se o que me foi ensinado estava de fato certo. Estava. Por isso convido qualquer um que ler o que se lerá abaixo a fazer o mesmo: confira e veja se o que digo que era o pensamento de Sócrates, Platão, Jung, Max Weber, Olavo de Carvalho não retrata de fato seus pensamentos. Ao contrário daqueles autores, consultei dicionários e as fontes mesmas.
Não poderia deixar de agradecer à amiga Maria Inês Curcio Moura, pelo incondicional apoio que venho recebendo, assim como ao Carlos Dilson. No fundo, foi para eles, principalmente para ela, que escrevi este trabalho. Foi ela que me fez as perguntas que o geraram.
São Paulo, janeiro de 1998 - SP.
O livro é um manual, o qual indica procedimentos que, adotados, culminarão na resposta à pergunta: qual é a minha vocação e com qual profissão ela combina?
Sendo um manual, dá por pressuposta a aceitação dos princípios que dão coerência aos procedimentos indicados.
Sendo a finalidade do manual traçar um itinerário que, seguido, culminará na resposta àquela pergunta, é necessário investigar a coerência entre ambos os termos do problema, os princípios adotados e os procedimentos sugeridos. O itinerário proposto leva àquela resposta ou não? Para responder a esta questão, só há dois meios:
1. analisar os princípios convocados em favor da validade do itinerário proposto;
2. corrigir uma ou outra formulação inadequada dos princípios à luz dos exemplos presentes na própria obra.
A análise dos princípios propostos é uma exigência ineludível sempre que se trate de alguma proposição cuja finalidade é regrar a conduta prática. Porque nas ciências práticas não hã como ter certeza absoluta, pois a ação a ser empreendida funda-se numa escolha (portanto, na vontade). A escolha, por sua vez, para ser bem feita, terá de levar em conta as circunstâncias de momento. As circunstâncias por sua vez mudam e, ao mudarem, introduzem novas variáveis que alteram o critério da ação, daí resultando que a certeza no campo da ação prática não é possível.
Se não é possível ter certeza do êxito da ação, contudo é possível saber se a ação pelo menos poderá ser feita. Para isto é preciso saber se o princípio proposto é contraditório consigo mesmo ou com o resultado que se pretende.
Pode ocorrer de o autor (ou autores) do manual usar um termo que tem relação direta com algum conceito conhecido e até aceito mas, analisando o modo do autor encará-lo, verificar que não coincide com o sentido comum e corrente. Para corrigir a formulação teórica, para adequá-la ao pensamento do autor, parte-se para o segundo procedimento.
O segundo procedimento é coerenciar a formulação dos princípios com os exemplos apresentados pelo autor.
O segundo procedimento, no caso deste manual, não é possível, pois nele não constam casos-exemplos.
Portanto, resta apenas listar os princípios adotados pelo autor e analisá-los a partir do primeiro procedimento.
É o que passo a fazer.