LLEWELLYN ROCKWELL

Bife Mandarim


O Banco Mundial sempre sai bem na imprensa, ainda que raramente faça alguma coisa que preste. Agora, finalmente, um de seus programas está sendo atacado: subsídios para a produção de bife na China. O Banco Mundial pode saquear contribuintes no mundo inteiro, bancar o fiador de regimes falidos com o dinheiro de outras pessoas, arruinar economias com planos econômicos governamentais, e fornecer conselhos que asseguram a ruína de países inteiros. Mas, deixe só ele dar um centavo para subsidiar o consumo de carne, e põe em risco sua própria sobrevivência.

O programa em questão é um empréstimo de 93.5 milhões de dólares para 130 centros de "engordamento" e processamento na China. Escrevendo no New York Times, Neal Barnard, do Comitê dos Médicos para a Medicina Responsável, prevê que este empréstimo trará doenças e destruição cultural para a terra dos "tradicionais pratos de arroz e macarrão". O Comitê denuncia a "ocidentalização da dieta chinesa" porque ela "não apenas promove uma saúde fraca, mas também o uso ineficiente da comida".

Ponha-se no papel de um planejador central. Talvez pareça uma desperdício de recursos a utilização de vastas áreas de terra para que os animeis andem e pastem. Afinal, não pode a mesma quantidade de terra ser usada para o cultivo de grãos para que muitos mais, além de uma vaca, possam comer? Isto parece fazer sentido, de um jeito torcido, até que você percebe que as pessoas amam carne. Porque os mercados dispõem dos recursos de maneiras eficientes para satisfazer vontades humanas, a prevalência da carne em uma sociedade sempre foi um símbolo de prosperidade.

Ignorando tudo exceto o fato de que a China fica cada vez mais próspera, já se pode prever que o consumo de carne esteja subindo. E isto não porque esteja sendo subsidiado pelo Banco Mundial, e sim porque mercados mais livres estão trazendo às pessoas o tipo de dieta que desejam. Arroz e macarrão são bons acompanhamentos, mas, como pratos principais, estão muitos passos atrás no caminho para um cardápio completamente desenvolvido. Eles estão para a carne assim como o socialismo está para o capitalismo.

Mas ódio da carne, especialmente de bife, é um artigo de fé da esquerda. Eles vêem o consumo de bife e a existência da vaca em geral como causadores de pouca saúde, degradação ambiental, sexismo, do patriarcado e de explorações de todo o tipo.

Dê uma olhada no livro Beyond Beef - Além do Bife - de Jeremy Rifkin, em que ele diz que a vaca está "promovendo a destruição dos ecossistemas da terra" e perpetuando a pobreza pelo mundo todo. "A pecuária e o consumo de carne estão agora entre as mais graves ameaças ao futuro bem-estar da terra e sua população humana", diz. "A desmontagem do complexo pecuário global e a eliminação do bife da dieta da raça humana é uma tarefa essencial das próximas décadas se quisermos ter alguma esperança de restaurar a saúde de nosso planeta e alimentar uma população humana crescente".

O livro de Rifkin é involuntariamente hilário, como mostram Thomas DiLorenzo e James T. Bennet em seu maravilhoso livro The Food and Drink Police - A Polícia dos Comes e Bebes. Eles apontam para a conexão que Rifkin faz entre a carne e a churrasqueira, e entre a churrasqueira e a perpetuação de violência contra as mulheres. Rifkin chega a dizer que a falta de carne vem por muito tempo sendo usada como pretexto para o espancamento de esposas! Como DiLorenzo e Bennett demonstram, se este argumento fosse verdadeiro, seria o caso de subsidiarmos a produção de carne e as churrascarias pelo mundo afora.

DiLorenzo e Bennett contrapõem fatos reais a estes argumentos. O bife não é um desperdício do ponto de vista ambiental - a maior parte dos pastos é na verdade inadequada para plantações; o gado não consome metade dos grãos do mundo - o número se aproxima de 11%; o mundo não está passando por uma falta de grãos - o excedente mundial anual é de duzentos milhões de toneladas; e as vacas não desgastam o solo nem degradam a terra - elas na verdade a fertilizam e dão incentivos a que os fazendeiros a impeçam de ficar estéril.

Mas certamente nosso repórter do New York Times não vai assim tão longe quanto Rifkin. Ele não se opõe ao bife enquanto tal. Ele apenas se opõe aos subsídios do Banco Mundial à produção de carne na China, e neste caso um libertário do mercado livre tem de concordar.

Graças à Web, você pode facilmente dar uma olhada você mesmo, e descobrir que este Comitê maluco consiste na verdade de vegetarianos fanáticos que querem usar o governo para combater o consumo de carne, não só na China como nos EUA. Você pode obter deles um "Kit do Iniciante Vegetariano", e pode participar de sua campanha perversa para processar a indústria de laticínios por aqueles comerciais maravilhosos que eles fazem com celebridades com as bocas sujas de leite, formando bigodes. O Comitê diz que os comerciais são racistas, mas eu não entrarei nesta discussão (1).

Se o Comitê atingisse seus objetivos, não haveria churrascos; portanto, sob o disfarce de uma crítica ao Banco Mundial, o New York Times está fazendo propaganda de uma movimento político que quer acabar com um dos principais benefícios de uma sociedade capitalista: a possibilidade e a liberdade de comer um bom pedaço de rosbife mal-passado. Lembre-se disso na próxima vez que você ouvir falar dos louquinhos da direita. É a esquerda que está cheinha deles.

(Tradução de Pedro Sette Câmara)

(1) Nota de Pedro Sette Câmara: É engraçado, porque me lembro bem destes comerciais no tempo em que morei nos EUA, e aquele que mais ficou gravado em minha mente trazia justamente a modelo negra Naomi Campbell.

 

Llewellyn H. Rockwell Jr. é presidente do Instituto Von Mises e colunista do WorldNetDaily; sua excelente home-page pode ser encontrada em http://www.lewrockwell.com


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