LLEWELLYN ROCKWELL, JR.

A gentinha do Dia da Terra


O Dia da Terra está por baixo este ano, sem que as pessoas que votam (segundo o Instituto Gallup) ou que os estudantes universitários dêem a mínima para este Dia Obrigatório Sagrado secular. Isto nos deixa com a mídia cabeça-de-vento e o governo sedento de poder, e seus agentes nas salas de aula das escolas públicas, a nos atormentar com sua lenga-lenga histérica, pseudo-piedosa e estatista a respeito do meio-ambiente. A única posição que qualquer pessoa verdadeiramente livre e independente deveria tomar é a oposição implacável.

Meu protesto favorito contra o Dia da Terra em 1990 - quando o Dia da Terra foi manchete pela primeira vez - veio de estudantes de uma universidade estadual da costa leste que fizeram uma saudação à tecnologia com 21 latas de aerossol no pátio principal da escola. Os verdes ficaram loucos! Este ano, talvez seja suficiente comer um bife enquanto tomamos Coca-Cola de um copo de isopor. Os ecologistas estão cada vez mais sensíveis ao menor desvio do seu revoltante código de ética da Terra.

O que a gentinha do Dia da Terra quer? Controlar nossas vidas e propriedades através da coerção governamental com o objetivo de reduzir nossos padrões de vida. Isto para iniciantes. Não é preciso ir além do tratado de Kyoto para entender isto. Toda a gentinha do Dia da Terra quer que o Senado o aprove. Ele requeriria mudanças draconianas em nossas vidas e imporia um planejamento central como não vemos desde a segunda guerra mundial. Porém, não há qualquer evidência científica de que exista um aquecimento global, ou que, existindo, ele seria um problema, ou que, se é um problema, ele se deve a emissões de combustíveis fósseis, ou que, se ele se deve a tais emissões, que a sua redução via mandados globais melhoraria alguma coisa.

O governo é incapaz de planejar um ano à sua frente, e os meteorologistas não conseguem prever o tempo daqui a dez dias, mas espera-se que acreditemos que eles, trabalhando juntos, podem perfeitamente ajustar a temperatura da Terra pelos próximos cem anos. Só pode ser piada. E isto pelo menos sabemos ao certo: as pessoas por trás da conspiração não estão interessadas no povo. Elas estão preocupadas com o "meio-ambiente", que significa qualquer coisa imaginável menos pessoas reais, e serve de ponte para seu próprio poder.

Entre as pessoas comuns que se dão ao trabalho de reparar no Dia da Terra, eles declararão sua intenção de limpar o lixo das ruas e de reciclar as sacolas de supermercado, ou alguma outra inócua preocupação burguesa do tipo. Na verdade, estes pequenos atos de piedade nada têm a ver com o verdadeiro espírito do Dia da Terra, o qual está adoravelmente resumido na grandiosa e perigosa Carta da Terra, um documento obedecido pelos grandes organizadores e promotores deste evento.

Nela encontramos a mais sucinta e politicamente correta afirmação de pensamento socialista atualizado disponível. A intenção declarada: "Devemos nos unir para produzir uma sociedade global sustentável fundamentada no respeito à natureza, direitos humanos universais, justiça econômica, e uma cultura de paz." Quem conhece o linguajar politicamente correto sabe que isto se traduz assim: uma economia mundial gerenciada por um regime regulatório global (a "comunidade mundial emergente"), com altos impostos sobre o mundo desenvolvido.

Se você tem alguma dúvida, considere os males que este documento perverso atribui ao capitalismo, um sistema codificado como "os padrões dominantes de produção e consumo". Os padrões capitalistas "estão causando a devastação ambiental, o esvaziamento dos recursos, e a extinção em massa de espécies. Comunidades estão sendo prejudicadas. Os benefícios do desenvolvimento não são divididos igualmente e o abismo entre ricos e pobres só aumenta. A injustiça, a pobreza, a ignorância e conflitos violentos estão por toda parte e são a causa de grande sofrimento. Um aumento sem precedentes da população humana sobrecarregou os sistemas sociais e ecológicos. As bases da segurança global estão ameaçadas. Estas tendências são perigosas - mas não inevitáveis."

Não se esqueça de que nenhuma palavra desta choramingação esquerdista é verdadeira. Os preços de bens de consumo estão caindo e vêm caindo há anos, um sinal claro de que os recursos são mais abundantes do que nunca. As exceções são bens que os políticos deliberadamente mantiveram fora do mercado, com restrições ao abastecimento, como petróleo. O "abismo" entre ricos e pobres não está aumentando, e quem se importaria se estivesse se os padrões gerais de vida estivessem aumentado?

Quanto à população humana, julgando a partir da experiência, não há nível de densidade populacional que as economias livres não possam suportar, como testemunha o upper east side de Manhattan. Montanhas de lixo, longe de serem um sinal de horror, são antes um indicador de prosperidade e uma oportunidade mercadológica para empresas coletoras de lixo e de adubo (isto se os loucos não estiverem fechando oportunidades para eles). Quando aos conflitos humanos, estes são causados na sua maior parte pelo governo, que estas pessoinhas do Dia da Terra querem fortalecer ainda mais.

Não há limites para as ambições políticas desta gente. Os caçadores, por exemplo, não apreciarão a intenção da Carta de proteger todos os "animais selvagens" de "sofrimento evitável". Por acaso uma superpopulação de coelhos ou veados terá de ser abatida na base da injeção letal depois que essa gente assumir o poder? O que é mais provável é que comer carne se torne estritamente contra a lei, já que essa gente despreza a vaca como uma fonte malvada de degradação ambiental e gás metano.

Os verdadeiros alvos da Carta, e de todo o maldito movimento, são a liberdade econômica e os direitos da propriedade privada, que são a fonte da prosperidade e os meios reais de gerenciar recursos com eficiência. Mas, para as pessoas do Dia da Terra, o capitalismo precisa acabar, para ser substituído por um sistema sem nome que levará à "distribuição igualitária de riquezas dentro das nações e entre as nações", que assegurará que "todo o comércio apóie o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental, e padrões progressivos de trabalho", e que requeira que "as corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais ajam de forma transparente para o bem público", sendo que por "bem público" se deve entender aquilo que suas organizações financiadas pelo governo disserem.

No caso de você não ter captado a mensagem de que estes grupelhos rousseaunianos modernos estão falando sério, veja só a cereja do bolo: "Para construirmos uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com a ONU, cumprir suas obrigações perante os acordos internacionais existentes, e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra através de um instrumento jurídico internacional obrigatório para o meio-ambiente e o desenvolvimento."

Podemos ver, assim, que essa gente do Dia da Terra não é um pessoal amigável, benevolentemente devotado à proteção do espaço em que vivemos. Não, eles são uma ameaça à liberdade tanto quanto os socialistas de antigamente. Na verdade, eles são piores ainda. Pelo menos os socialistas de antigamente diziam querer o melhor para os operários e camponeses. A gentinha do Dia da Terra não dão a mínima para o bem-estar das pessoas. Eles só querem poder para si, às custas da nossa liberdade.

E mais: não há uma só afirmação a respeito do meio-ambiente feita pela gente do Dia da Terra que não tenha sido desmentida ou refutada em muitos livros e artigos na última década por grupos como o Competitive Enterprise Institute. Talvez você não tenha ouvido este outro lado, porque repórteres cabeça-de-vento estão abobalhados demais com a mitologia e a religião da Mãe Terra para se incomodar em olhar os fatos.

As vitórias políticas que os ambientalistas obtiveram reduziram nossos padrões de vida. As centenas de bilhões, talvez trilhões de dólares em produtividade perdida são apenas um sinal. Elas também são responsáveis pelos copos de papel absurdamente quentes do Starbucks (1) (tragam de volta o isopor!), hambúrgueres frios no McDonald's (tragam de volta a caixinha de hambúrguer de isopor!), duchas que não deixam a água correr direito, e privadas que não dão descarga direito. Só a partir destes exemplos não é possível ver que estas pessoas são o inimigo?

Também é interessante que um tempo secular como o nosso produza um dos maiores e mais perigosos cultos - o culto ambientalista -, baseada em mentiras de cima até embaixo. Interessante e revelador. Ainda assim, não seria má idéia celebrar instituições e idéias que estão melhorando nossas vidas. Que tal o Dia da Propriedade Privada? O Dia da Biotecnologia? Ou, melhor ainda, o Dia da Microsoft?

De qualquer modo, se você ama a liberdade, não participe do Dia da Terra. Não deixe seu filho ser ensinado na escola que o capitalismo é mau. Não deixe o seu sacerdote ficar misturando religião e politicagem ecologista. E não deixe ninguém acalentar um plano para o governo mundial em nome do amor ao planeta. Sua visão é monstruosa, e precisa ser combatida.

(1) Nota de Pedro Sette Câmara: Starbucks é a maior rede de cafés dos EUA. Quem quer que tome um café lá pode testemunhar que, de fato, é muito difícil conseguir segurar os copos de papel. E, sobre a referência que Lew Rockwell faz ao McDonalds logo depois, mais acessível ao público brasileiro, vale perguntar: vocês lembram daquelas caixinhas de isopor em que os sanduíches vinham? Faz tempo...

(Tradução de Pedro Sette Câmara)

Llewellyn Rockwell é presidente do Von Mises Institut e colunista do WorldNetDaily, onde este artigo foi originalmente publicado. Ele dirige a home page LewRockwell.com

 


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