A guerra revolucionária atual

por Jorge Baptista Ribeiro


Embora a guerra atual com que atualmente nos deparamos seja ampla geral e irrestrita e tenha duas componentes que episódica e oportunisticamente se aliam para nos domesticar e nos impregnar com as suas verdades, deixo o exame e a análise da banda podre da globalização para os especialistas e atenho-me à outra, tão perversa e diabólica quanto a primeira.

Tratarei, portanto, da Guerra Revolucionária comunista que se utiliza das mais refinadas técnicas de manipulação da linguagem e das consciências para a conquista da unidade do falar, do agir e reagir de acordo com o pensar revolucionário de esquerdistas das mais variadas laias.

Trata-se de um longo e inescrupuloso processo de luta: persistente, tenaz e sutil, que objetiva a conquista da hegemonia do pensar, do domínio do senso comum da sociedade. Enfim, subjugar cérebros. O cúmulo da maldade é o fato de que as vítimas, normalmente, não se dão conta de que seus perversores estão armazenando na suas psiques um amontoado de fundamentos que serão decisivos nos seus sentidos e na sua linguagem. Recursos disponibilizados pelas Ciências Humanas fornecem todo um requintado ferramental para a execução da tarefa criminosa de domesticar as criaturas e, daí em diante, manipulá-las como meros polichinelos.

Este traiçoeiro processo de subjugação mental não é "Freud quem explica". Foi estruturado pelo italiano Antônio Gramsci, revolucionário comunista profissional que morreu há mais de 40 anos e cujo ideário se faz presente no dia-a-dia de todos nós, a despeito do nosso senso crítico, que, às vezes, é obnubilado e capitula: por momentânea desatenção, simplória economia de esforço mental ou, principalmente, por ser o Homem um animal emocional, portador de necessidades psicossociais e vulnerável a estímulos e seduções.

A estratégia de Gramsci é operacionalizada e mais se torna eficiente na impregnação de cérebros na justa medida em que são disponibilizadas novas técnicas e recursos de comunicação de massa que, a cada dia, mais encurtam as distâncias e facilitam o condicionamento indutor de comportamentos favoráveis aos desígnios pretendidos.

Como nas doenças infecto-contagiosas, o vírus revolucionário se propaga de modo pérfido, de cérebro em cérebro, sem que o senso crítico das criaturas, passo a passo amortecido, o combata. Da mesma forma que a Aids debilita o sistema imunológico, melhorando as condições para a instalação das infecções, o vírus revolucionário esquerdista vai, paulatinamente, enfraquecendo a mente das vítimas. E quanto mais minada a defesa mental, mais as bactérias proliferam, paralisando as funções vitais do cérebro.

O argumento central da teoria gramsciana é que a luta-chave para os revolucionários não é a da tomada do poder pela força, mas sim da dominação ideológica, exercida por intermédio das instituições que permeiam a vida cotidiana: os partidos políticos, os sindicatos, as igrejas, a família, os meios de comunicação de massa, as cátedras etc. Enfim, todos os organismos e instrumentos capazes de formar opiniões, caracteres ou que, pelo menos, tenham a capacidade de abrir escaninhos na mente das criaturas para nelas incutir o sentir, falar e agir revolucionário.

Nesse jogo de vale tudo, o canalha, como ensinou Lenine, tem um papel preponderante, justamente por ser canalha. Se houver necessidade de honradez, o agente revolucionário deve tê-la. Se a meia verdade, a mentira, a desfaçatez, o cinismo, a inversão de conceitos, a deturpação de fatos, o falseamento da história, a criação de mitos e de heróis que aconselham o endurecer sem perder a ternura, se impuserem para a obtenção dos desígnios revolucionários: às favas o escrúpulo, a história, a dignidade, a honradez, a seriedade, a verdade e tudo o mais que possa impedir ou dificultar o culto da religião marxista.

Um expediente também utilizado na desinformação marxista é o da falácia etimológica que, a seguir, explico: Joseph Stalin, o tio ZECA, como o chamam os que o veneram, com muita sabedoria, ensinava aos seus súditos que eles deviam se esforçar para que determinadas palavras-chave que facilitam a agregação de versões passassem ao uso corrente na linguagem popular. Isso era de suma importância para a propaganda revolucionária comunista. Permitiriam as mais variadas associações, ligadas ao favorecimento da incorporação no público-alvo, do agir e reagir, segundo o pensar marxista. Em sua obra sobre a lingüística revolucionária, foi claro: - impregnada na mente alheia a palavra, as conotações e os sofismas marxistas teriam seu caminho aberto para as colocações mais convenientes.

Muitos exemplos de falácias etimológicas poderiam ser enunciadas neste texto. Para não cansar meus leitores, limito-me a poucas menções. Para bons entendedores serão bastantes: 1) a conceituação de democracia, contida na Grande Enciclopédia Soviética, editada em 1954 que a seguir transcrevo e se constitui num atentado à inteligência dos que ainda não perderam a capacidade de discernir: "A experiência histórica demonstrou que o sistema democrático preenche com sucesso os objetivos da ditadura do proletariado, mesmo quando coexistem vários partidos e organizações políticas e sociais, sob a condição única e inquestionável de que a força suprema e dirigente de toda a vida política é exclusivamente o Partido Comunista, que não pode sequer dividir ou ter questionada a sua liderança"; 2) o termo progressista, largamente usado para caracterizar o elemento que deseja a mudança da ordem vigente para a marxista, a única que promoverá o bem estar da sociedade. Quem assim não desejar é retrógrado: contrário a qualquer progresso.

Outro aspecto a considerar é aquele que, em propaganda, costuma-se conceituar como uma associação induzida pela generalização. Exemplifico com um procedimento contumaz da esquerda que domina a imprensa: recentemente, o jornal O Globo estampou, em sua primeira página, sob o título PROCURA-SE, o retrato do traficante Fernandinho Beira Mar. Logo abaixo da foto foram citados dados de qualificação deste badalado traficante. O último dado e, por isso, o mais importante para a fixação dos visualizadores da estampa e de seu agregado perverso, foi a informação de que Beira Mar foi soldado do Exército. Esse dado, é claro, não se justifica sob o título PROCURA-SE. É um dado que ao invés de diminuir o universo da procura, o aumenta, dificultando a busca. A única justificativa plausível para tal procedimento dos esquerdistas que dominam a redação e a edição daquele jornal, é que, sendo absorvido o verdadeiro fato de Beira Mar ter integrado às fileiras do Exército, ficam fáceis as mais variadas colocações que possam concorrer para denegrir o Exército: uma das grandes barreiras a serem removidas para a tomada do poder e conseqüente implantação do comunismo no Brasil.

Outra generalização de má-fé é aquela que infelizmente vemos bocas ilustres, desavisadas e desatentas, repetindo: "combate à violência". Por que não combate ao crime e aos criminosos? Simplesmente, pela abrangência que o significado da palavra-chave violência proporciona, permitindo colocar no mesmo saco os bandidos e as Forças da Ordem que, se não devidamente desmoralizadas, obstariam o quanto pior, melhor. Por acaso meus prezados leitores sabem de que cabeças comprovadamente ideologizadas provém este jargão?

Como uma pequena ajuda àqueles que não tem tempo, curiosidade ou paciência para maiores pesquisas, informo que o chavão foi lançado por uma obscura ONG, cujo discurso é claro: é o mesmo dos comunistas e oportunistas que a dirigem e são muito bem sucedidos nos assaltos a boa-fé alheia e tem como cúmplices os nossos governantes, adeptos do tudo pelo social - ou melhor: TUDO PELO SOCIALISMO!!!! - que "generosamente" abrem os cofres, abastecidos pelo oneradíssimo contribuinte.

No ensejo destas considerações, chamo a atenção dos leitores - que não desejarem comer gato por lebre - para que atentem para a linguagem que povoa a mídia e, assustadoramente, alguns escritos de combativos autores, reconhecidamente anticomunistas. E, por que não confessar?, algumas nossas descuidadas manifestações escritas e faladas. A dura realidade é que as expressões marxistas e revanchistas, sejam quais forem os caminhos utilizados, vão fazendo escola e de boca em boca vão se propagando em cadeia.

Outro exemplo, bastante significativo, é o da cunhagem de expressões tais como regime militar e golpe de 64. Tenho-as ouvido, e lido em bocas e penas não só de marxistas e revanchistas, mas também faladas e escritas por gente que perfeitamente sabe que REGIME MILITAR é aquele e somente aquele, caracterizado por rígidos preceitos contidos nos regulamentos militares, tais como, os de hierarquia e disciplina, de disponibilidade para o serviço pelas 24 horas do dia, de proibição de filiação a partidos políticos etc. Reforçando isso, no pós 64, quando generais da ativa, cumprindo a lei, "vestiram o pijama" para chefiar o Governo e restabelecer a ordem, não me lembro de qualquer cidadão ter sido submetido aos toques de cornetas ou clarins para anunciar a hora de levantar, ir dormir, fazer as refeições ou ter ilimitadas horas de trabalhos etc. Logo, só seria aceitável denominar-se aquele período como de regime militar se todos os brasileiros levantassem ao toque de alvorada, fossem dormir ao toque de silêncio e, além disso, o Estatuto dos Militares, o Regulamento Disciplinar etc. passassem a ser a nossa Constituição e vigorassem nos nossos tribunais.

Quanto ao MOVIMENTO DE 64, todos aqueles que vivenciaram a época que o antecedeu sabem que nada mais foi do que uma reação da sociedade que exigiu que as Forças Armadas interpretassem o seu sentimento, dando um basta no processo de implantação do comunismo que vinha arrastando a Nação para rumos contrários à vocação e às tradições culturais do brasileiro. Ninguém, de boa-fé e em perfeito gozo da suas faculdades mentais, pode dizer que, em 64, os militares tinham interesses egoísticos ou desejavam a satisfação de uma sede pessoal de poder. O 31 de março de 64 resultou de uma perfeita identificação entre o soldado que vinha sentindo a deliberada destruição dos alicerces das instituições nacionais e o cidadão que tinha a sua vida cotidiana tumultuada pela programada desordem. Negar isso é a mesma coisa que negar Deus. Sem o respaldo popular, não teria havido o vitorioso Movimento Cívico-Militar de 64, nitidamente, de índole restauradora e que se propunha a destruir a deliberada destruição comunista que, a passos largos, estava deixando toda a Nação em frangalhos. Definitivamente, as Forças Armadas foram fiéis à vontade da sociedade.

Cuidarmo-nos para não fazer coro com os que desejam colocar no nosso pensar e agir, idéias, ideais comunistas e revanchistas, eis a questão.

Por sempre oportuno, cabe relembrar uma entrevista concedida à Revista ISTO É, em 31/3/1982, pelo então Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro, Giocondo Gerbasi Alves Dias, o cabo Giocondo, da fracassada e de triste memória Intentona Comunista de 1935. Com pompa e circunstância, assim se manifestou: "a maior gratificação de um comunista era ouvir jargões, palavras de ordem e chavões comunistas da boca de adversários".

Sintetizando a explanação acima, destinada, aos descuidados que, inadvertidamente, "colocam verdes azeitonas em empadas alienígenas e/ou vermelhas", permito-me algumas considerações:

1- a guerra revolucionária comunista dos nossos dias tem como objetivo "fazer cabeças", sem escrúpulos, homeopática e sub-repticiamente, para alcançar a vitória que certas circunstâncias e determinadas barreiras lhe estavam impedindo de conquistar de maneira visivelmente violenta.

2 - ruge, já não mais urge, portanto, a imperiosa necessidade de deixarmos de lado o simplismo e a superficialidade, aprofundando o nosso conhecimento sobre o inimigo, de forma que fiquemos efetivamente habilitados a reconhecê-lo e enfrentá-lo, tirando-lhe às máscaras que utilizam para nos ludibriar e manipular.

3 - ao empunharmos bandeiras, devemos nos precaver, perguntando a nós mesmos se estamos, realmente, desfraldando a bandeira brasileira ou ajudando a tremular bandeiras que intrinsecamente não são nossas e que, insidiosamente, nos colocam nas mãos.


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