LLEWELLYN ROCKWELL, JR.

A Política do Mal


Não vou arriscar floreios filosóficos sobre o assunto do mal, sobretudo porque seria difícil acrescentar alguma coisa ao impressionante verbete escrito por A.B. Sharpe.

Vamos entrar direto na política. No ano passado, o New York Post fez uma pesquisa com seus leitores a respeito de quem seria o homem mais mau do milênio. Alguns políticos apareceram nos resultados. Bill Clinton veio em segundo apesar de não ter sido listado entre as opções. Infelizmente, foi o único presidente americano a aparecer:

1. Adolf Hitler, 1.664 votos
2. Bill Clinton, 1.625
3. Josef Stálin, 1.284
4. Pol Pot, 919
5. Josef Mengele, 783
6. Hillary Clinton, 765
7. Saddam Hussein, 710
8. Adolf Eichmann, 641
9. Charles Manson, 548
10. Idi Amin, 514
11. Genghis Khan, 441
12. Jeffrey Dahmer, 428
13. Benito Mussolini, 386
14. Ayatollah Khomeini, 365
15. Ted Bundy, 327
16. John Wayne Gacy, 312
17. Ivan, o Terrível, 305
18. Fidel Castro, 283
19. Jim Jones, 279
20. Vlad, o Empalador (Conde Drácula), 276
21. Timothy McVeigh, 275
22. Slobodan Milosevic, 242
23. Marquês de Sade, 222
24. Muhamar Khadafy, 218
25. Jack, o Estripador, 203.


Todos na lista são acusados de alguma forma de agressão contra a pessoa e a propriedade - a forma fundamental do mal no sistema político libertário. Há mais sabedoria aqui do que se encontraria em um simpósio de ética patrocinado por sua universidade local. Isto porque a ciência social, há muito uma aliada do Estado, nega a existência do mal como uma categoria moral. Use a palavra "mal" em uma aula de sociologia (para descrever algo que não seja racismo) e você será objeto de ridículo. A possibilidade mesma de ações más implica a responsabiliade individual e a volição humana, noções incompatíveis com as ambições de planejadores centrais que querem enxergar as pessoas como criaturas maleáveis formadas apenas pelo ambiente e pelas instituições.

Mas o Estado, mesmo assim, encontrou uma utilidade para o conceito do mal: ele invariavelmente o invoca contra seus próprios inimigos. Bill Clinton não hesitou em usar o termo para descrever chefes de Estados opositores, perturbadores de eventos patrocinados pelo Estado, pessoas que plantaram bombas em prédios estatais, e opressores de grupos vitimizados pelos quais o Estado demonstre predileção. A invocação da categoria moral é tão seletiva que é forçoso concluir que o mal está não nas ações em si mesmas (pois, afinal, o governo americano explodiu muitos prédios estatais da Sérvia), mas na motivação: a oposição ao regime.

O uso seletivo da noção do mal, como faz freqüentemente o Estado, é um negócio complicado, porque dá margem a acusações de hipocrisia. Como pode McVeigh merecer a pena capital quando Janet Reno, que assumiu a responsabilidade pelo massacre de Waco, merece aclamações e um emprego público? Como pode um racista em Jasper, Texas, ser chamado criminoso, e os ódios étnicos que produziram guerras no Iraque e na Sérvia, e arrastaram povos inteiros para trás do caminhão do governo americano serem chamados "responsável manutenção da paz"?

O grande projeto libertário de observação política não consiste de nada além de obrigar o Estado à mesma definição de mal usada para identificar o crime privado. Pode parecer às vezes uma tarefa impossível, mas Mises nos dá razão para ter esperanças: "a magnanimidade do homem fica visível em seu poder de escolher entre o bem e o mal". Em todo caso, a prece libertária é a mesma: sed libera nos a malo.

(Tradução de Pedro Sette Câmara)


Llewellyn Rockwell é presidente do Von Mises Institut e colunista do WorldNetDaily; este artigo foi originalmente publicado na revista Spin Tech. Ele dirige excelente a home page LewRockwell.com


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