Democracia Esquerdista
Por Rodrigo Oliveira
O mais interessante sobre o resultado das eleições, são as manchetes que louvam a vitória de Lula como "vitória da democracia". Em primeiro lugar, não sei se podemos chamar de 'democrática' uma eleição cujos partidos concorrentes eram de esquerda ou extrema-esquerda: PT, PDT, PPS, PSDB, PCO e PSTU. Mas após quarenta anos de revolução cultural gramscista, PSDB vira partido de direita e os velhos partidos oligárquicos(PFL, PL) são de extrema direita!!
E nesse controle esquerdista da linguagem e, conseqüentemente, do pensamento, os velhos coronéis e caudilhos nordestinos são a encarnação do capitalismo, com o trabalho escravo em suas fazendas e o controle regional sobre as estradas e terras. A salvação aparece com a eleição dos candidatos de esquerda, que irão renovar a política e combater o "capitalismo". Na verdade, em todos os países que eles prometeram acabar com a 'aristocracia' local, eles mataram não somente os aristocratas, mas como a grande parte daqueles que eram por eles oprimidos. Ou será que os 30 milhões mortos por Stálin eram ricos e nobres russos?
No nosso país, a democracia está ligada à esquerda graças ao golpe militar de 1964. Mostrado como um regime que suprimiu o braço armado da esquerda, os 'anos de chumbo' carregam o estigma de ser um tipo de regime totatlitário de extrema-direita tão insuportável quanto um nazismo (até aqui, o linguajar esquerdista prevalece, pois um regime revolucionário, progressista, darwinista, anti-religioso, estatizante, não pode ser considerado por ninguém que não esteja num sanatório como de direita).
O regime militar conseguiu desarmar o movimento revolucionário sim, mas não calou a parte pensante da esquerda. E quem duvidar disso, pode ler o livro de Dom Evaristo Arns - Da Esperança a Utopia - onde o velho padre comuna elogia Golbery, o sujeito que criou a teoria da vávula de escape: já que o lado armado havia sido derrotado, a esquerda deveria ser preservada na parte intelectual. Para mais informações ler "A Verdade sobre o golpe de 1964" de Olavo de Carvalho e "Dossiê Geisel: Censura e Imprensa" (MÍDIA SEM MÁSCARA, ANO 1, NÚMERO 4, 16 DE OUTUBRO DE 2002), por Sandro Guidalli". Depois de anos de ditadura e exílio, a esquerda brasileira aparece como a vítima histórica do poder militar, e como a representação política de uma sociedade miserável e oprimida pelo capitalismo, e não por suas políticas internas, estatais e desenvolvimentistas.
O contrário agora deveria acontecer: Um governo "democrático e popular" anti-capitalista, ou pelo menos anti americano, com a participação das 'vozes ativas' e 'movimentos vivos' da sociedade, como o MST, e os sindicatos, com o 'controle social dos meios de comunicação' pela esquerda. Rasgando o véu da novilíngua esquerdista, a esquerda brasileira condena o regime militar que fez em números de vítimas 230 pessoas, em um país de tamanho continental, que anistiou todos seus exiliados e não possui nenhum preso político, democratizou pacificamente o país, desregularizou a economia, e louva regimes socialistas que juntos mataram 150 milhões de pessoas. 150 MILHÕES!!! Cuba, a ilha da sedução política para os nossos governantes, até hoje possui presos políticos, e só não possui mais porque 20% da ilha imigrou. Isso num país infinitamente menor que o Brasil. Mas essa é a democracia esquerdista: onde o preso político custa para o Estado, o mesmo tanto que o carcereiro.