Tenham vergonha na cara!
Por Alvaro R. Velloso de Carvalho
Ah, esses nossos bispos... nada mais parecido com uma reunião de Partido Comunista do que uma reunião da CNBB. Já nem me surpreendo com os absurdos que esse clero profere a torto e a direito - especialmente depois daquele famoso documento que defendia uma interpretação de um milagre expressamente condenada pela Igreja - o que significa que, se ainda restasse alguma autoridade na Igreja Católica moderna, todos os bispos brasileiros estariam, a esta altura, excomungados.
Não vejo nenhuma razão para respeitar quem não é digno de respeito, e não conheço nenhuma razão pela qual deveria moderar meu linguajar ao tratar dessa corja de safados que tomou de assalto a hierarquia católica e se dedica a difundir os ideais revolucionários comunistas que provocaram a maior tragédia que acometeu a humanidade desde o Dilúvio.
Ainda nesta semana, um idiota importado da França, Michel Löwy, falou no Idéias defendendo o marxismo (é, isso mesmo, o marxismo, a essa altura do campeonato) e dizendo que a "teologia da libertação ainda está viva no Brasil". Realmente está viva, mas isso só é critério de validade para um marxista: uma idiotice repetida mil vezes por mil pessoas não é em nada melhor do que uma idiotice que só um sujeito defende. Pelo contrário: seus efeitos deletérios são muito maiores. Mas vejamos a teologia da libertação em ação, "libertando".
Dessa vez, foi o bispo comunista auxiliar de Curitiba, "Dom" Ladislau Biernaski, no jornal O Globo de 03/06/99. O título do artigo: "Luta pela terra, luta pela vida". Ah, já sabemos: aí vem uma defesa apaixonada dos Sem-Terra, com os argumentos mais cínicos do mundo. Sim, mas os bispos brasileiros têm a capacidade de sempre dizer coisas piores do que as que esperávamos. Senão, vejamos:
A terra é um dom de Deus para todos os seus filhos e filhas. Por isso, quando ela é negada sob qualquer forma de posse absoluta e arbitrária, comete-se um grande pecado contra a vontade de Deus. A Bíblia, pela boca dos profetas, condena as injustiças praticadas por aqueles que proíbem aos pobres e aos camponeses o acesso à terra, escravizando-o e impondo-lhes miséria, violência e injustiça.
Até aí, a despeito da linguagem pegajosa, tudo bem. Mas já dá para entrever a aplicação absurda que o "bispo" vai dar a esses princípios gerais. Esse, aliás, é o conhecido modus operandi desse pessoal da teologia da libertação: defender os princípios católicos e dar a eles as interpretações mais extravagantes possíveis.
A defesa de um princípio (no caso, o da justiça e da proteção dos pobres), por si só, nada significa. O princípio se coloca no plano abstrato. O que define o que se realmente entende por aquele princípio é a aplicação que lhe será dada, isto é, é a adaptação do princípio ao caso concreto, com as intermediações dialéticas que essa aplicação exige.
Ladislau trai suas intenções já na frase seguinte:
O Jubileu do Ano 2000 chama toda a sociedade à conversão. Isto significa restabelecer o direito dos pobres e marginalizados, de forma a que possam, também eles, gozar da terra e dos seus bens, bens que o Senhor deu a todos e a cada um dos seus filhos e filhas.
Vejam só o que o bispo entende por "conversão": restabelecer o direito dos pobres e marginalizados. Como é possível? Quer dizer, a conversão deixou de significar a adesão ao catolicismo (e o nome "Jesus Cristo" não aparece uma única vez no artigo), deixou de significar a aceitação da fé em Nosso Senhor e todas as implicações que essa aceitação traz, para significar uma estranha forma de justiça abstrata que ele ainda não especifica.
Mas vejam só a pérola seguinte:
Assim, o processo de concentração da propriedade é julgado um escândalo e contrário à vontade de Deus, porque nega a grande parte da Humanidade o benefício dos frutos da terra, gerando desigualdades e injustiças que criam conflitos sociais sérios, como os que ocorrem no nosso Estado do Paraná.
Toda a faceta cristã que o bispo vinha fingindo manter cai por vez aqui. Agora, ele partiu para a propaganda esquerdista descarada e para a mentira deslavada.
Em primeiro lugar, escândalo não é nenhuma desigualdade social; escândalo é algo que põe em risco diretamente a fé. Um bispo escrever uma coisa dessas, por exemplo, é um escândalo. Um bispo dizer que a conversão é a restauração dos direitos aos pobres é um escândalo, e assim por diante. A propriedade privada não é escândalo - pelo contrário, é um dos direitos mais elementares de qualquer regime democrático.
Além disso, dizer que a concentração de terras impede que as pessoas tenham acesso aos "frutos da terra" (por que é que esses pseudo-católicos todos têm que escrever desse jeito imbecil?) é, no mínimo, um sofisma. Se o latifundiário tem uma plantação enorme, ele vai é difundir os "frutos da terra", não impedir o acesso. Alguém pode argumentar, "ah, mas ele está falando das terras improdutivas". Está nada. Querem ver?
Não basta dizer que uma propriedade é produtiva para ser imune à desapropriação. Segundo a Constituição, é preciso que também cumpra, concomitantemente, a função social.
Não é só segundo a Constituição: o simples bom senso diz que uma vasta extensão de terra sem nenhuma função merece ser desapropriada, a doutrina católica sempre falou em "função social da propriedade". Agora, qual pode ser essa função social, senão justamente a produção de "frutos da terra"? Que raio de coisa pode ser uma terra produtiva que não cumpre função social? Para que mais pode servir uma terra?!
A terra serve, justamente, para difundir os alimentos pelo mercado brasileiro, para aumentar a oferta de empregos tanto na cidade quanto no campo, enfim, para aquecer a economia e lhe dar o impulso necessário. É a isso que se refere a função social da propriedade, não a uma maluquice inventada por bispos para defender seus apadrinhados políticos.
Mas o bispo é até coerente: da mesma maneira como ele manipula os conceitos de "escândalo" e "conversão" para fins políticos, ele tenta mudar o sentido de "função social" para que ela signifique, instantaneamente, defesa dos membros do MST. E qualquer coisa que eles façam estará imediatamente justificada por esse princípio constitucional e moral.
E o que, exatamente, esses anjos que Ladislau defende com tanto ímpeto e com tantas mentiras fizeram? O que, exatamente, eles representam?
Quem quer que tenha lido a revista Veja de algumas semanas atrás sabe muito bem: eles têm impetrado as mais absurdas violações do direito de propriedade. Invadem terras produtivas, matam o gado de fazendeiros, destroem plantações - mas ninguém pode combatê-los, ninguém pode chamar a polícia, ninguém pode defender seu próprio direito à propriedade: os Sem Terra estão investidos de poder divino, com toda a imprensa a seu favor, toda a pressão esquerdista, e bispos de todo o país.
Com que objetivo? Não precisa ir longe, eles mesmos dizem (vide reportagem da mesma revista Veja de dezembro de 1997): fazer a revolução. Eles não querem "colher os frutos da terra" como seu cínico defensor nos quer fazer crer. Eles não querem simplesmente a sua terrinha para plantar. Eles querem a destruição do direito de propriedade; querem entrar em qualquer terra e abusar do trabalho alheio.
E há um outro aspecto, muito pouco ressaltado: o bispo diz que esses pobres revolucionários estão contra "o poder". Mais uma vez: é muito cinismo. Quem é que tem toda a imprensa a seu favor? Quem é que tem o governo a seu favor? Quem é que tem a Esquerd'Igreja a seu favor? Quem é que tem financiamento multinacional, e está formando uma cooperativa ao longo do Brasil inteiro diretamente ligada a poderosos interesses internacionais? Quem, enfim, está sendo estimulado para enfraquecer o Estado brasileiro? Não, não são os "latifundiários". São os pobres coitados - os pobres coitados que têm todo mundo a seu favor, e estão fazendo o que querem.
Basta lembrar o espetáculo mais absurdo que se viu no Brasil nos últimos anos: quando uns vinte PMs foram atacados por uma centena de Sem Terra armados com paus e pedras, e reagiram atirando. Todos viram o filme, mas todos preferiram acreditar nos comentários dos repórteres do Jornal Nacional: "massacre de Sem Terra". Esse caso é uma amostra de a que ponto a consciência nacional foi entorpecida por anos de mentiras esquerdistas, propagadas por "bispos" como esse sr. Ladislau Biernaski.
Só fazendo um levantamento, para passarmos às menções honrosas da semana: o sr. Ladislau conseguiu, em um artiguinho, manipular o significado de três palavras, transformar o sentido da mensagem cristã, inverter uma situação óbvia de poder, atacar o Estado de Direito dizendo defendê-lo, e culpar os fazendeiros pela violência dos Sem-Terra. Um conjunto memorável de feitos. Mas nenhuma causa que precise de tantas mentiras para ser defendida pode ser boa coisa...
Ô
A Veja, que me serviu de fonte de algumas informações comentadas acima, não é, nem de longe, um órgão de imprensa respeitável. Basta ver que, numa reportagem em sua edição desta semana sobre o avanço do islamismo no mundo, o convidado para comentar o fato foi ninguém menos que "frei" Bettinho. Agora, imaginem só: um sujeito que não conhece nem a religião que diz professar vai se meter a opinar na religião dos outros. Eis o resultado:
O islamismo avança porque é uma religião sem hierarquia e com poucas regras, que exige pouco comprometimento.
Ou seja, o islamismo é uma espécie de Comunidade Eclesial de Base falada em árabe. Lamento informar que é justamente o contrário: o islamismo tem muitas, muitas regras; tem regras para quase tudo - desde a alimentação ao modo de se vestir. E exige comprometimento total: todos são chamados a enxergar o sagrado em praticamente todos os aspectos da vida, e todos são obrigados a rezar cinco vezes ao dia, todo dia, o que é certamente mais do que "frei" Betto reza.
Não tenho explicação pronta para o avanço islâmico (e não caberia discuti-lo aqui), mas pelo menos não vou inventar um islamismo à minha imagem e semelhança, como faz "frei" Betto. Esse, aliás, é um hábito do pseudofrei: basta lembrar, como já expliquei aqui, que ele transforma Jesus nele mesmo. Quem não consegue entender o objeto de estudo acaba tentando reduzi-lo à própria mediocridade.
Ô
A última menção honrosa vai para um adorável aluno de direto da PUC, um tal Bruno Landau, que escreveu a seguinte coisa no Jornal do Brasil de 05/06/99, em resposta à corajosa reportagem do jornal que denunciou o tráfico de drogas na venerável instituição carioca:
Estudo direito na PUC há quatro anos e gostaria de revelar alguns fatos.
O justiceiro destemido ataca. Com um detalhe: deve ser um aluno medíocre, porque o curso de direito da PUC leva quatro anos, para quem faz todas as matérias, sem repetir nenhuma...
Parece que a alegação do juiz está ligada à sua relação com um grupo de alunos de direito que, por e-mail, lhe manda reclamações sobre festas e drogas à noite no campus. Não demorou a ligarem [sic] esses fatos aos centros acadêmicos, onde sobrevive um incipiente movimento estudantil contestatório. Sempre estive à margem desse movimento, porém freqüento as festas promovidas pelos centros acadêmicos, e nunca tive notícia de qualquer pessoa vendendo drogas.
É, honestidade intelectual está em falta neste país. E não se iludam: a desonestidade financeira dos políticos e empresários não é nada comparada à desonestidade intelectual que infesta as universidades, a imprensa, tudo. Todo mundo sabe que existe a tal venda de drogas na PUC, e principalmente quem freqüenta as festas do Centro Acadêmico. Quem quer que venha a público desmentir isso não passa de um mentiroso.
Mas não deixa de ser engraçado que ele chame as manifestações grotescas do Centro Acadêmico puquiano de "um movimento contestatório incipiente". Incipiente por quê? Porque ainda não matou os professores "reacionários" e ainda não tomou a reitoria (minto: já tomou sim)? Porque ainda não fazem enforcamento público de seus opositores políticos? - O fato é que todo o resto, já fazem: patrulha ideológica das publicações no campus, homenagens a comunas como Brecht, palestras de dirigentes do MST, e assim por diante.
Existem, sim, dentro do curso de direito, pessoas paranóicas com a 'moral' no campus. Conheci um desses alunos que mantêm contato com o juiz Alicides. Esse aluno disse que a Vila dos Diretórios é um antro de "baderna", de "libertinagem", "bandidagem" e "comunismo".
Beleza. É paranóia. Vejamos o que acontece na Vila dos Diretórios da PUC: manifestações barulhentas de música tribal, pinturas "psicodélicas", reunião de multidões para berrar slogans revolucionários, reuniões dentro das "casinhas" para promoção de sexo livre, consumo de drogas, tráfico de drogas, adoração a Che Guevara, defesa do MST. Em suma: baderna, libertinagem, bandidagem e comunismo. Sob os olhares complacentes do bisonho reitor Jesús Hortal e seu fiel escudeiro Augusto Sampaio.
Mas, claro, ser contra tudo isso é um "moralismo" retrógrado, que ainda acredita em leis, em decência, em dignidade humana, e todos esses conceitos que a Igreja progressista aboliu para puxar o saco da esquerda.
A PUC, infelizmente, já mostrou que é um ambiente fértil para movimentos neofascistas.
Sim, ser contra o tráfico de drogas e a defesa de um assassino como Guevara dentro de universidade católica é "neofascismo". Um rapaz muito inteligente, esse Landau: conseguiu espremer seus neurônios a ponto de repetir o insulto mais amplamente difundido na retórica esquerdista (como se, por mais grotesco que seja o fascismo, o comunismo não fosse mil vezes pior). E como bem sei que há uma referência sutil a O Indivíduo nessa frase, e como também sei que a um insulto se responde com outro insulto, só me resta dizer: neofascista é a mãe do sr. Landau.
Ô
Uma coisa liga os três casos citados esta semana: o "bispo" mente, o falso frade mente, o "aluno" de direito mente. Todos dão amostras inequívocas de desonestidade. Lembro-me agora da frase que Capistrano de Abreu queria ver inscrita como mandamento máximo na Constituição brasileira, e que serviria muito bem como conselho para gente assim: "Tenham vergonha na cara!"