Arnaldo Jabor, mal acostumado entre Marx e Rockfeller
Por Pedro Sette Câmara
"A concorrência é um pecado."
John D. Rockfeller
Entre a última vez que Arnaldo Jabor apareceu na "Idiotice da Semana" e esta, não podemos dizer que sua campanha não esteve forte. Além do nível de suas colunas pós-insanas que aparecem em O Globo e na Folha de SP, nosso distinto "cineasta" – com todo o peso que este termo adquiriu no Brasil – ainda brinda o público com declarações no "Manhattan Connection", um programa a que eu jamais havia assistido até poucas semanas. Naquela edição eu já colhera uma frase dele que renderia um belo artigo: "Quem não gosta de Freud ou é ignorante ou canalha!". Noutro programa, segundo me dizem, Jabor teria presenteado os telespectadores com o petardo "A verdade é que O Capital de Karl Marx continua irrefutável".
Por uma questão de enfado, pouparei o leitor de uma análise mais profunda destas sandices e ignorâncias. Basta dizer, no caso de Freud, que aquela sentença diz muito mais sobre quem a profere do que sobre o próprio Dr. Freud – o que, aliás, também é valido dizer sobre a essência da psicologia de Freud, segundo me parece. Ambos, o psicólogo e o "cineasta", têm a pretensão de saber mais sobre alguém do que esse alguém mesmo, explicando tudo por estruturas impessoais e negligenciando o poder da consciência, que só concedem a eles mesmos. Sobre Marx, basta dizer que O Capital já foi refutado pelos fatos desde que Lênin saltou várias etapas da suposta evolução do capitalismo e, usurpando o lugar do proletariado, fez a revolução na Rússia. No plano teórico, O Capital já foi refutado de várias e diversas maneiras, pelos autores mais diferentes; a refutação mais interessante talvez seja a de Karl Popper. Na verdade, o que o Sr. Jabor quer não é uma teoria que seja por si verdadeira ou falsa, nem uma verdadeira filosofia da história ou da psique humana. O que ele quer são idéias "fecundas" – aquelas que, do ponto de vista estritamente filosófico, não resolvem problemas, mas os criam; e, justamente por essa sua propriedade, permitem àquele que está descompromissado com o conhecimento do real utilizá-las como substrato de indefinidas interpretações sobre fenômenos os mais indefinidos nos planos os mais indefinidos.
A "idéia fecunda" nada mais é do que um brinquedo burguês, e é isto que explica que o marxismo seja a ideologia burguesa por excelência. Fantasmagórica e apocalíptica como a doutrina de uma seita milenarista, a teoria marxista atrai caipiras de todo tipo que estão ávidos por um bode expiatório – no caso, o capitalismo, que também pode ser entendido como "direita", "Estados Unidos", "conservadorismo" ou tudo que se oponha à realização dos desejos de uma classe que se crê a mais iluminada de todos os tempos, ainda que ela mesma não pare de confessar a própria ignorância.
Tudo isto não poderia estar melhor tipificado do que no seu artigo de 8 de junho de 1999, em que as linhas mestras do pensamento jaboriano estão reunidas e enunciadas de maneira clara, sendo que a última sentença ainda tem a virtude de funcionar como "chave de ouro" não só para o artigo mas como para toda a vida e obra de Arnaldo Jabor. Mas, em vez de saltar diretamente para o gran finale, prossigamos num crescendo e comecemos do começo.
Jabor começa contando ao leitor que o novo episódio da série Guerra nas Estrelas pagará apenas R$ 1.090,00 para entrar no Brasil e aqui ser exibido. Diz que isso é um absurdo, que Guerra nas Estrelas vai ocupar muitas salas de cinema, ao passo que 35 filmes nacionais estão esperando uma única sala na qual possam ser exibidos. Tratando a situação do ponto de vista do mercado, Jabor ainda aproveita para colocar o seguinte:
"É justo isto? Esta semana, os magnatas do aço americano acusaram formalmente o Brasil de dumping contra sua ‘pobre’ indústria de laminados finos, sem contar as sobretaxas ‘ecológicas’ já existentes contra as nossas laranjas, carnes, e os impostos contra sapatos aqui dos ‘emergentes’."
Antes de entrar na questão do cinema, é preciso esclarecer esta questão da indústria de laminados americana. Toda vez que o Brasil faz um acordo com o FMI, desses que a esquerda e o Sr. Jabor odeiam, os EUA concordam em adquirir uma série de produtos brasileiros a preço de ouro e simplesmente passar por cima do produto nacional. Em um dos últimos acordos, os EUA concordaram em comprar aço brasileiro, que é mais caro, produzido com oito vezes menos eficiência, e que não atinge todos os padrões de qualidade exigidos naquele país. Por causa disso, nada menos do que dez mil trabalhadores americanos perderam seu emprego.
Jabor acredita que estes são exemplos da política imperialista dos EUA, um embate entre Davi e Golias, quando na verdade esta é apenas uma questão de os EUA protegerem os próprios trabalhadores. Mas, para Jabor, isto não é o suficiente: ele praticamente crê que os EUA deveriam escancarar as portas para tudo o que é brasileiro só porque eles são os EUA e nós somos o Brasil. Isto, é claro, sem contar as barreiras que o Brasil também impõe aos produtos norte-americanos, como a famosa alíquota de 35% sobre carros importados.
Continuemos:
"Existe também uma lei de proteção que obriga os exibidores a passar 49 dias por ano de filmes brasileiros. A imprensa aplaude os donos de cinemas que não cumprem a lei: ‘Muito bem! Pela livre cultura pós-moderna, não passem filmes brasileiros!’ Estimulam a contravenção para usufruírem em paz seus sonhos (vejam a palavra antiga...) ‘colonizados’."
A primeira coisa a ser notada é que uma lei que determina o que passa e o que não passa nos cinemas é de um autoritarismo que só encontra paralelos no governo de Joseph Stálin, que assistia pessoalmente a todo o filme que tinha a pretensão de ser exibido na antiga URSS, dando o polegar para cima ou para baixo. Jabor condena aqueles que descumprem a lei absurda; o mínimo que se pode dizer é que graças a Deus ele não tem poder político. Além disso, coloca aqueles que preferem ver filmes estrangeiros a filmes brasileiros como "colonizados", supondo que os filmes brasileiros são necessariamente melhores do que os filmes estrangeiros. Mas nós ainda chegaremos neste ponto. O mínimo que se pode dizer, por enquanto, é que colonizado está o Sr. Arnaldo Jabor, que utiliza várias expressões da língua inglesa sem a menor necessidade. Mais um pouco:
"Espantosamente, a mesma imprensa que louva a contravenção contra a lei de reserva de mercado fala, com olhos em alvo e boquinha de êxtase, nos prêmios do cinema brasileiro, se orgulha de ‘Central do Brasil’, dos nossos gols em Cannes e Berlim, contribuindo assim para a grande ilusão que ataca os próprios cineastas."
Em princípio, não haveria qualquer contradição entre não cumprir a lei de reserva de mercado interno e se ufanar das vitórias do cinema nacional no exterior, por serem estas coisas relativas a planos diferentes. Isto apenas quer dizer que as pessoas gostam que um filme seja capaz de se impor por si só, sem o amparo de uma gigantesca máquina estatal, e, sobretudo, sem que os donos de cinema sejam obrigados por lei a passá-lo. O fato de a maior parte do cinema nacional não ser comercialmente viável nem mesmo com subsídio estatal e lei de reserva de mercado é algo que só depõe contra os cineastas brasileiros.
"O difícil, o complicado, o que toca na nossa delicada situação política de país dependente, fica esquecido e maquiado pelo tal mito do ‘renascimento’, quando a realidade é uma só: não há cinema sem mercado interno, não há cinema em país ‘sub’, sem uma lei de amparo estatal."
Ora, o que se pode pensar de uma arte que declara de saída a sua dependência necessária do Estado?
Jabor deveria se lembrar que os exibidores são uma peça chave do mercado: se eles não passarem o filme, o público não os assiste. Mas, ao contrário do cineasta que garante o seu pão de cada dia no orçamento que ele mesmo monta para o seu filme, e que não corre o risco de ficar no prejuízo, o exibidor não pode se dar esse luxo. A única coisa que poderia ajudar o exibidor seria uma lei de amparo ao exibidor que passasse filmes brasileiros. Do jeito que está, a situação já é ridícula. Temos, de um lado, cineastas de barriga cheia que podem produzir o que quiser, sem ter que se preocupar com as chances de seu filme no mercado, exigindo que estes filmes sejam exibidos; de outro, temos exibidores que precisam de filmes que dêem lucro para poder se manter de pé, e, em alguns casos, não virar um templo evangélico.
Mas se o Estado amparasse toda a indústria cinematográfica brasileira, de ponta a ponta, isso além de ser vergonhoso seria também a destruição final do cinema brasileiro. Se há uma coisa verdadeira no mercado, é que a concorrência traz melhores produtos. Basta ver, por exemplo, como os carros nacionais melhoraram diante da competição com os importados que vieram. Se o Estado financiasse tudo, aí é que os cineastas brasileiros se sentiriam mesmo totalmente desobrigados de agradar as platéias, e os donos de cinema de oferecer bons assentos, bom ar-condicionado, boas pipocas... Não há cinema sem mercado interno, é verdade; mas esse mercado interno precisa ser conquistado, e não dado de mão beijada pelo Estado. Só falta mesmo pedir também uma lei que obrigue todo cidadão brasileiro a assistir aos filmes nacionais, pagando a entrada inteira, e que gostassem dos filmes, e que os críticos fizessem resenhas favoráveis.
"A perversão do filme brasileiro é dramática porque ilude os cineastas em seus sonhos artísticos, ilude o público com um papo meio evangélico de ‘ressurreição’ e legitima nossa situação absurda, à luz do sagrado capitalismo pós-moderno: uma produção artística masoquista, uma atividade comercial que não visa ao mercado, um investimento que não se paga. Esta é a verdade: nas regras do jogo atual, nenhum filme brasileiro se paga no mercado interno."
É preciso dizer, em primeiro lugar, que boa parte do cinema nacional nunca visou ao mercado, e que este é antes um hábito do cineasta brasileiro do que uma nova atitude. A única ilusão que os cineastas brasileiros costumam ter é que alguém vai ver os seus filmes por mais pretensiosos e intelectualmente metidos a besta que sejam. Em segundo lugar, nós temos filmes que são exclusivamente voltados para o mercado interno e que sempre deram excelentes lucros: os filmes da Xuxa, dos Trapalhões, e vários filmes brasileiros das décadas de 70 e 80. O melhor exemplo é Dona Flor e Seus Dois Maridos, escrito por Leopoldo Serran e dirigido por Bruno Barreto, que até hoje permanece a maior bilheteria da história do país. A pergunta a ser feita é a seguinte: como foi que os cineastas brasileiros conseguiram perder tanto mercado em tão pouco tempo?
E não custa nada notar que, por mais que reclamem, esta situação evidencia que o governo militar foi bem melhor para eles do que os governos "democráticos" subseqüentes, no sentido chinês e soviético da palavra, que eles tanto desejaram.
"Está na hora, sim, da classe voltar a se reunir, nas velhas lutas de defesa da atividade. O individualismo melancólico ou oportunista deve acabar. A solução não é a guerra, mas não pode ser esta paz vergonhosa. Como me disse Carlos Diegues outro dia, não dá para punir os exibidores ou importadores estrangeiros, mas está na hora de encontrarmos uma forma de convivência, uma forma de estimular e talvez premiar a exibição de filmes nacionais. Está na hora de fazer o cinema americano moderar seus interesses aqui..."
Jabor então propõe um corporativismo. Mas fica a pergunta: em que se apoiará esse corporativismo? O cinema nacional dos últimos tempos (dos últimos dez ou quinze anos) não tem nem grandes bilheterias nem grandes obras de arte para se botar na mesa. Ninguém pode chegar e acusar o público de ser idiota porque não foi prestigiar a pedanteria capiau de Corisco e Dadá e O Baile Perfumado ou a pedanteria classe-média de Um Copo de Cólera. Falta aos cineastas tirar primeiro a trave dos seus olhos: sem um mínimo de senso da realidade até mesmo o mais acirrado dos corporativismos irá fracassar, e o Brasil vai se transformar de vez na Rússia jeca-tatu, com um público que não agüenta mais ouvir propaganda comunista e anseia por um divertido e despretensioso filme americano.
Mas, sem a adoção ostensivamente totalitária pelo Estado de leis que delimitem a exibição de filmes, como poderia a simples união de Arnaldo Jabor e Carlos Diegues brigar contra George Lucas e Steven Spielberg? Aqui entra o ponto central. Aqui é preciso determinar se a briga é uma briga entre iguais, uma briga entre cineastas por mercado, ou se é uma briga de um Estado nacional contra uma indústria cinematográfica estrangeira.
Existe um complicador na própria natureza do cinema. Enquanto publicar um livro, por exemplo, é relativamente barato, fazer um filme é muito caro e é uma atividade que só se justifica em escala industrial. Daí que o cinema deva ser considerado sim no plano industrial. Mas, como o próprio Jabor reconhece, fazer um filme no Brasil de hoje não é tão complicado, graças à lei do audiovisual; o complicado é exibir o filme, e aqui percebemos que o problema não está na indústria ou no Estado, mas nos filmes que ninguém quer exibir. A única maneira de "fazer o cinema americano moderar seus interesses aqui" seria fazer um cinema melhor ainda.
Ao contrário do que Jabor parece insinuar, ou dar como pressuposto, é que existiria uma má vontade do brasileiro em relação ao cinema nacional. Se os números da década de 70 não são suficientes para desmentir esta idéia, então basta olharmos para a imensa boa vontade com que são recebidos os filmes nacionais. Já ouvi de uma produtora de cinema que "cinema brasileiro não tem espectador, tem torcedor". As pessoas querem ver filmes nacionais, mas não estes que estão aí, e estão certas. Cinema é, em grande parte, diversão. Eu mesmo só chamaria cinema de "arte" ou num sentido muito lato ou num sentido reservado a uns três ou quatro filmes.
Além disso, é muito interessante essa idéia de "punir" os importadores estrangeiros... Mas ela fica perfeitamente clarificada na sentença final de Jabor, o gran finale prometido:
"Porque o ‘Guerra nas estrelas’ entrar aqui pagando mil e noventa reais e levando milhões de dólares pode ser tudo, menos democracia."
Se for para entender esta frase em sentido literal, eu até concordo: democracia não é mesmo, assim como não é monarquia, ditadura ou anarquia. Mas aqui a palavra "democracia" adquire um sentido específico, jaboriano, poderíamos até dizer. E, para entender o que ele quer dizer com "democracia", é preciso neste caso entender a que idéia ele opõe "democracia". Se um filme estrangeiro entra aqui e dá muito lucro, isto não é "democracia". Será então que "democracia" é um filme estrangeiro não dar muito lucro?
Vamos continuar olhando a questão pelo ângulo econômico. Guerra nas Estrelas, além de dar lucro para o Sr. George Lucas, dá lucro para os distribuidores e para os exibidores brasileiros – no caso, a famosa família Severiano Ribeiro. Estes exibidores são responsáveis, por sua vez, por muitíssimos empregos. Assim, podemos dizer que Guerra nas Estrelas ajuda a manter vários empregos no Brasil. Poderíamos, por acaso, dizer a mesma coisa de algum filme nacional? Algum filme brasileiro poderia clamar para si um mérito semelhante? Ainda que Guerra nas Estrelas pague só R$ 1090,00 para entrar aqui, o filme também gera muito lucro para várias pessoas. E os filmes brasileiros, que são feitos com dinheiro deduzido do imposto de renda, será que têm o mesmo efeito sobre a economia? É claro que não. O filme brasileiro é, na maior parte dos casos, apenas uma maneira elegante de não se pagar impostos. As únicas pessoas que ganham com ele são as envolvidas na produção.
Já deve estar claro que o problema com o cinema nacional não pode ser de natureza econômica. Os produtores ganham, pois são financiados pelo imposto de renda das empresas. Os distribuidores e exibidores ganham com os filmes estrangeiros. Se os filmes nacionais dessem lucro para os distribuidores e exibidores, eles os distribuiriam e exibiriam. Logo, podemos concluir que é o próprio público que, apesar da extrema boa vontade, rejeita os filmes nacionais. E por quê? Talvez porque os nossos cineastas estejam preocupados demais com Freud e Marx.
Após todas estas explanações e análises minuciosas, podemos depreender o sentido geral do pensamento jaboriano. Quando ele usa a palavra "democracia", ele está de fato a utilizando no sentido soviético ou chinês. Como se dá isso? Muito simples. O primeiro fato é que nem Arnaldo Jabor e nem qualquer outra pessoa do meio dito artístico percebe que o simples fato de existir um Ministério da Cultura que tenha a função de aprovar um projeto para que ele possa captar verbas de empresas privadas já é em si um atentado à dignidade de qualquer obra de arte. Qualquer obra de arte que necessite do apoio e da aprovação estatal para sua realização já é uma obra de arte menor, que só pode ter valor como ornamento antropológico de um tempo, como um colar de miçangas ou um espelhinho – essas coisas tão características da "cultura nacional"... Seria desnecessário dizer, não fossem estes os tempos, que esta seleção de qual projeto é ou não aprovado depende de algum critério, e, sabendo quem é o ministro Weffort, podemos saber que é um critério esquerdista. Ninguém aprovaria um filme que mostrasse as atrocidades da Coluna Prestes (a conduta normal dos comunistas, na verdade), ou que mostrasse o bem que os militares fizeram ao país em 1964.
Não: o que Arnaldo Jabor quer é um serviço completo da KGB intelectual, a mesma KGB que tomou o poder mas não realizou os desejos de todo o PC formal e informal. "Democracia" é o governo financiar o filme brasileiro com orientação ideológica simpática aos camaradas, financiar o distribuidor, financiar o exibidor, comprar o crítico, fazer a propaganda e, no caso de um fracasso, falsificar uma audiência para proteger a alma do cineasta do fracasso – afinal, os artistas são pessoas muito sensíveis e importantes para o país. "Democracia" é o cineasta se eximir de qualquer responsabilidade quanto ao fracasso ou sucesso de seu filme. E é justamente porque tudo isto deve ser feito sem ares de totalitarismo, e sem desnudar a orientação ideológica, que recebe o nome de "democracia", o nome do totalitarismo que não ousa dizer seu nome. A "democracia" deve garantir a "liberdade", que tanto no caso de Jabor como no caso daqueles que advogam a "autonomia das universidades públicas", significa "ter dinheiro estatal para fazer o que quiser sem ter de se responsabilizar por isso". Só que, ao contrário da universidade, o cinema é uma atividade capitalista, e é por isso que os nossos cineastas exigem algo mais do Estado: a eliminação da concorrência.
Diante disto tudo, vemos que talvez Fernando Collor de Mello não tenha agido mal ao fechar a Embrafilme – que só tinha a função de sustentar esses vagabundos pretensiosos – e abrir o país aos importados, que pelo menos tornam a nossa vida bem mais agradável...
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Aproveitando que o tema é Jabor, vale a pena dizer que nesta terça (15/06) Arnaldo Jabor falou na sua coluna dos "canalhas que estão felizes com a crise das ideologias". Bem, acho que sou então um canalha no sentido jaboriano do termo. Se há alguma coisa desprezível, são as ideologias; e se as pessoas fossem capazes de transcendê-las, o ar ficaria um pouco mais leve. O que Jabor pretende é chamar de "canalhas" aqueles que – como eu, repito – estão felicíssimos com a crise do marxismo no mundo civilizado (que naturalmente exclui o Brasil moderno). Não podemos dizer que o capitalismo ou o conservadorismo fossem ideologias codificadas e facilmente identificáveis. Mas o socialismo, por sua vez, até hoje tem seus partidos em atividade, defendendo as mesmas coisas de há cem anos atrás.
E como é possível não ficar feliz porque a ideologia mais sanguinária e boçal da história perdeu prestígio? Só mesmo sendo um canalha.