IDIOTICE DA SEMANA

República popular dos canalhas

Por Alvaro R. Velloso de Carvalho


 

 

Eu tinha vários assuntos para essa semana. Eu queria, por exemplo, comentar o papel ridículo que o assassino cubano Fidel Castro fez, ao culpar os Estados Unidos pelo aumento da imigração em Cuba, por oferecerem "vantagens excessivas" aos imigrantes. Eu queria ridicularizar, ainda uma vez, o nosso pseudo-frei Betto, que na revista Bundas afirmou que o Brasil está sendo vendido porque nossos jogadores de futebol estão indo para o exterior e porque meia dúzia de estatais ineficientes estão passando às mãos privadas, como se o fato de uma empresa ser estatal significasse que ela é de domínio do povo, e como se jogadores jogando no exterior fossem fazer alguma diferença para o destino do Brasil enquanto nação. Eu também queria reclamar do artigo Ziraldo em outra edição de Bundas, artigo no qual ele aponta o Roberto Campos à execração pública só porque o nosso octogenário economista teve a "ousadia" de se candidatar à Academia, como se freqüentar a Academia fosse privilégio dos esquerdistas.

 

Mas tudo isso é palha perto do que tenho diante dos olhos. Primeiro, na Bahia, um bando de pseudo-padres vai ao terreiro de macumba pedir "bênção" do pai-de-santo. Depois, com muita justiça, um padre tem a coragem de protestar e de rezar uma missa protestando contra essa mania dos padres baianos de tentar servir ao mesmo tempo a Deus e ao diabo. O resultado? O padre está sendo processado por "discriminação religiosa".

 

Quando um padre é processado por discriminação religiosa, é porque não vale mesmo a pena escrever mais nada. Um país que permite um negócio desses acontecer é um país doente, insano, em que qualquer possibilidade de argumentação racional foi para o espaço.

 

Se as pessoas não conseguem mais perceber a diferença entre dois mil anos de Igreja Católica e as grotescas práticas satanistas dos macumbeiros, é que não são capazes de perceber mais nada.

 

Se ninguém percebe o absurdo que é um padre ser processado porque ousou defender a própria religião diante de ataques que ela sofreu de dentro, é porque já perderam a capacidade de captação do real, perderam a racionalidade, e se reduziram a bois de presépio.

 

Se eu preciso explicar por que um padre não deve ir ao terreiro de macumba e por que uma missa não deve se misturar a rituais afro (na verdade, afro produzidos na Bahia), é porque de nada adianta explicar. Quem quer que não perceba isso por intuição imediata, não será capaz de percebê-lo nem após mil explicações lógicas.

 

Ainda tento dar uma breve explicação racional, e digo que o sacrifício de N. S. Jesus Cristo na cruz significou, precisamente, o fim dos rituais sacrificiais das religiões tribais e que, a partir daí, o único ritual sacrificial admitido por Deus é a reedição desse sacrifício (eu disse reedição e não apenas rememoração) na missa. Essa é a doutrina católica. Isso é o que sempre fez a Igreja.

 

Mas a Igreja, agora, não pode mais dizer isso. Ela está sendo proibida por autoridades do Estado brasileiro e por autoridades de dentro da própria Igreja. Os padres, agora, têm que matar bodes e galinhas pretas na missa; têm que tocar tambor, sob pena de serem acusados de discriminar as religiões "afro-brasileiras". É a esse grau de abjeção que chegamos no Brasil. A nossa submissão às doutrinas politicamente corretas impostas por ONU, UNESCO e demais entidades do Anti-cristo nos fez descer a esse ponto.

 

Um país que permite isso já eliminou todos os resquícios de vergonha na cara. Um meio cultural onde uma coisa dessas acontece só pode ser o meio cultural mais estúpido, mais cretino, mais ridículo de que já se teve notícia. É um meio cultural onde qualquer apelo à razão deixou de fazer sentido.

 

Não é à toa, portanto, que na mesma semana chegue também essa notícia trágica, absurda, estapafúrdia, de que estão organizando um atentado à vida do prof. Olavo de Carvalho. Não é à toa, porque Olavo trouxe racionalidade a um meio que não sabe mais o que é isso. Não é à toa, porque a simples presença de uma figura como Olavo basta para assustar esses imbecis que só conhecem o argumento das armas. E assim, como bem disse um amigo meu, a esquerda vai voltar a falar na língua que mais entende: a língua dos assassinatos premeditados, a língua dos morticínios, a língua das armas. A quem lhe apresentava argumentos e livros, ela só consegue responder com tiros e facadas. Ao sujeito que, sozinho, enfrentou todo o establishment universitário, a esquerda responde com uma conspiração destinada a suprimi-lo da face da Terra.

 

E, assim, a covardia e a desonestidade se aliam à cretinice, e se preparam para implantar a República Popular dos Canalhas.