Para não dizer que não falei das flores
Por Pedro Sette Câmara
Existem mais semelhanças entre o Rio de Janeiro de Anthony Garotinho e a Alemanha de Adolf Hitler. Uma delas, como meu amigo Sérgio Coutinho de Biasi bem demonstrou em seu artigo "Os Guardiães da Democracia", está na política de desarmamento, essa mesma que antecedeu o nazismo. Agora, o presidente Fernando Henrique Cardoso, flor dos intelectuais, também entrou na campanha e já enviou ao Congresso um projeto de lei para desarmar toda a população civil do Brasil. Quem tiver uma arma em casa terá até 360 dias para entregá-la ao governo em troca de R$ 150,00.
Agora, caro leitor, imagine a seguinte cena: um bandido entra na sua casa. Ele pode fazer mal à sua família. Mas você, que tem uma arma, consegue atirar nele e ele foge ferido.
A partir desta situação, levantemos algumas hipóteses: se alguém ouve o disparo e chama a polícia, quem vai para a cadeia? O bandido fugiu, mas você que se defendeu ficou na sua casa, e foi você que a polícia encontrou, e a arma também é sua. Você agora literalmente não tem mais o direito de legítima defesa. Toda auto-defesa contra o crime agora é ilegítima. Ou: toda auto-defesa contra o crime é crime também. Você agora só tem o direito de ficar calado.
Outra hipótese, ainda mais interessante: a polícia não ouve o disparo. Mas o bandido fugiu, e, ferido, chega até sua própria casa ou esconderijo. No dia seguinte, ele tem um encontro com algum líder esquerdista, como algum representante do Viva Rio. Ao ver o bandido ferido, o líder esquerdista pergunta o que aconteceu e fica sabendo que você tem uma arma em casa, e, pior ainda, que a utilizou. Logo, você é um sujeito perigoso. O bandido pode sumir no anonimato, e a ONG da qual o líder esquerdista faz parte pode denunciar você às autoridades competentes. Assim, sem que se passem vinte e quatro horas de você ter se livrado de um criminoso, o Estado baterá na sua porta para puni-lo por ter feito isso. E você só terá, mais uma vez, o direito de ficar calado. E o Ministério Público irá processar você.
Como se não bastasse o próprio desarmamento, a nossa imprensa também embarcou nesta campanha graças a inércia da própria estupidez. O jornal O Globo todo dia traz crimes hediondos, coisa que não acontecia antes de Anthony Garotinho ser governador. Inicialmente pensei que se tratasse de uma campanha anti-Garotinho, que estes crimes já acontecessem mesmo e que só não saíam no jornal por decisão dos editores. Mas, dado o apoio ostensivo que este jornal tem dado ao governador, fica excluída esta hipótese. A criminalidade subiu repentina e assustadoramente, acompanhando a subida de Garotinho ao poder, e a nossa imprensa, como de hábito, não percebeu nada. E, se querem uma prova de que não percebeu nada e de que apóia Garotinho (o que por si já é uma atitude própria de quem não percebe nada), está no fato de que nenhum jornalista perguntou o que seria feito com as armas apreendidas. Sabemos que as de baixo calibre são destruídas na hora, mas as de alto calibre são levadas para algum lugar – e aí, o que acontece? Ninguém sabe... O presidente FHC também não especificou o que deve ser feito com estas armas. Ninguém perguntou, também...
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Além de desarmar a população, o governador e o subsecretário (proponho uma compreensão literária deste "sub") de segurança, o velho de guerra Luís Eduardo Soares, também estão perturbando a polícia, submetendo-a à doutrinação esquerdista. Afinal, qual pode ser o assunto destas palestras a que os policiais têm de assistir, para aprender como tratar "minorias" como os homossexuais?
Poderíamos nos lembrar que o tratamento especial dado aos homossexuais também foi típico do regime nazista, como bem demonstra o impressionante livro Pink Swastika, cujo conteúdo se compõe quase exclusivamente de documentos enfileirados. Não é difícil, pois, estabelecer um paralelo entre o governo Garotinho e o regime nazista, já que ambos desarmam a população e dispensam tratamento diferenciado aos homossexuais...
Mas, saindo um pouco das especulações históricas e voltando ao Rio de Janeiro de 1999, poderíamos perguntar por que os policiais devem ser mais brandos ou respeitosos com os homossexuais do que com os não-adeptos do sexo anal. Será que é porque eles são mais frágeis, mais delicados? Não sei se os homossexuais são mais frágeis ou delicados. Tendo a acreditar que não, pois as violências cometidas por homossexuais clamam aos céus desde os tempos de Calígola, e se perpetuam na história em casos recentes como o deste garoto de programa que matou seu "companheiro" no hotel Waldorf Astoria em Nova Iorque. Ou como o massacre de Littleton, no Colorado. A imprensa tratou de esconder, mas o mundo ficou sabendo que os garotos eram todos homossexuais. E, como fica sabendo o leitor de Pink Swastika, a maior parte dos oficiais nazistas era homossexual... Por outro lado, os comunistas não eram chegados nestas coisas. O mínimo que podemos concluir, então, é que não devemos deduzir dos usos heterodoxos que um cidadão tem o direito de fazer do seu ânus a sua maior ou menor brutalidade.
Mas, se um cidadão que tem preferências anais exige um tratamento diferenciado a partir destas preferências, está apenas reclamando para si que o tratem segundo o mesmo estereótipo do qual ele supostamente pretenderia se livrar. O homossexual, em vez de ser tratado como um cidadão qualquer e indiscriminado, passa a pedir para ser diferenciado pela sua homossexualidade, ou simplesmente discriminado como homossexual. Fico imaginando, então, numa daquelas palestras sobre como tratar os homossexuais, o orador dizendo a uma platéia de PMs: "Em um homossexual não se bate nem com uma flor..."
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O cidadão homo ou heterossexual que não repudie energicamente estas práticas do governador e do seu subsecretário está aviltando a si próprio. A que ponto de decadência mental precisamos chegar para que as vítimas concordem em ser tornadas indefesas contra aquilo que as ameaça, e um grupo que diz desejar ser tratado sem preconceitos acredita que o conseguirá através do estímulo desses mesmos preconceitos? Qual é o limite do ridículo humano?
Não tenho dúvidas de que a eleição de Anthony Garotinho marca um ponto decisivo da História do Brasil: o ponto em que a total descrença no futuro desta nação se tornou mais respeitável do que a esperança. O povo que elege Garotinho não merece as riquezas naturais do Brasil. O povo que leva a sério as palestras sobre o tratamento de homossexuais do Sr. Luís Eduardo Soares não merece a sociedade de tolerância que criou. A elite que apóia o desarmamento está pedindo que, no futuro (talvez próximo), um Trotsky tupiniquim venha assassiná-la, e o mínimo que uma pessoa merece é aquilo que ela pede. A partir deste momento, quando o poder de governar é dado a um Garotinho, o brasileiro está pedindo para ser tratado como uma criança, como um teletubbie. Para as pessoas decentes, a saída do Brasil passa a ser o aeroporto – como, aliás, sempre disse Roberto Campos.