O Pacto do Papa com o Diabo
Por Pedro Sette Câmara
"Roma se tornará o trono do Anticristo."
Nossa
Senhora de La Sallete
Nunca o trono de São Pedro foi tão aviltado quanto por João Paulo II. O recente anúncio de que o Vaticano irá restabelecer relações diplomáticas com a China, e as condições em que tal acordo se dará, ultrapassam a capacidade humana de sentir nojo. Comentários, como o leitor verá, são desnecessários. Vamos aos fatos.
1. A China é um país onde o aborto é obrigatório para famílias que tenham mais de um filho (exceto as muçulmanas, que podem ter dois). As mães que se recusam são fuziladas. Os médicos que se recusem a realizar abortos também.
2. A China até poucas semanas atrás anunciava que continuaria perseguindo os cristãos que não pertencessem à igreja nacional chinesa, composta por clérigos que aderiram ao regime na revolução de Mao e foram excomungados por Pio XII. Esta igreja, como é desnecessário dizer, é submetida ao governo, que lhe determina desde os ocupantes dos cargos até a doutrina. Em suma: a igreja nacional chinesa é, tirando a questão do aborto, a CNBB que deu certo.
3. Os cristãos que permanecem fiéis ao Papa vivem nas catacumbas modernas, e quando são descobertos ou são mortos ou são enviados para campos de concentração onde passam por processos de "reeducação".
É com estes perseguidores de cristãos, carniceiros, assassinos de criancinhas, que o Papa está fazendo aliança. Não é de admirar que os cristãos que permaneceram fiéis a Roma, passando por isto mil perigos, estejam inteiramente desnorteados com a decisão. Sobretudo porque esta volta de relações diplomáticas não significa que a China vá mudar alguma coisa da sua política de ódio ao Cristianismo. Os clérigos que não se alinharem com as diretrizes "nacionalistas" do governo irão para "campos de reeducação", onde podem ficar até um ano; o aborto obrigatório continuará sendo obrigatório, e os futuros bispos continuarão a ser apontados pelo governo chinês, com a única diferença de que agora seus nomes deverão receber também aprovação do Vaticano.
Como se isto não bastasse, ainda vem a cereja do bolo: a China vem reclamando para si a ilha de Taiwan, onde vive um povo livre de regimes totalitários. A idéia causou algum mal-estar no cenário internacional, rapidamente dissipado - ninguém vai se meter com a China. Todos mudaram de assunto. O Vaticano é que, cedendo à exigência chinesa para o acordo das relações diplomáticas, resolveu dar o exemplo, retirando de lá seu núncio apostólico (o "embaixador") e "desreconhecendo" Taiwan como país independente.
"João de Deus"? Acho que não...
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Há algum tempo eu lia um texto de um desses conservadores anglo-saxônicos que notava o seguinte: nos primórdios do Cristianismo, o império romano tentou um acordo que terminaria com as perseguições. Bastava que os cristãos consentissem em colocar seu Deus no panteão romano, e prestassem reverência a César. É claro que eles mandaram os oficiais romanos lamber sabão, e por isso se tornaram a maior religião do planeta.
Hoje os cristãos dominam a cidade de Roma, e boa parte do mundo. Poder é algo que não se pode dizer que falte à Igreja Católica. Curvar-se assim, nas atuais circunstâncias, diante das potestades deste mundo é nada menos do que matar a religião, desonrar o sangue dos mártires, pisar em 2000 anos, e declarar, para além de toda dúvida, o seguinte: "sou um bundão". E querer escamotear verbalmente este pacto com a China é nada menos do que um pecado contra o Espírito Santo.